Artigos - Leia, pense e medite > RV. 019

Leia, pense e medite > RV. 019

Em Alcoólicos Anônimos fala-se muito em Unidade, Bem-Estar Comum, Fraternidade, Liberdade, etc. Os companheiros estão convictos do que falam?


Vejamos: É sabido que o homem é o único ser que não sobrevive só. Pela sua própria natureza histórica, a criatura humana tem a necessidade de se agregar para poder, em cooperação com os outros indivíduos, desenvolver suas potencialidades. O bom relacionamento leva o homem a aprimorar suas idéias, pensar melhor e integrar-se mais. Este, também, é o pensamento de A.A.

Entendemos ser cada companheiro livre para pensar como bem lhe aprouver, formando sua própria convicção. Sabemos, também, nenhum companheiro ser obrigado a fazer ou deixar de fazer algo conflitante com a sua maneira de ser. Entretanto, o bom senso nos mostra, de forma explícita, a grande diferença entre o dever fazer e o poder fazer. Não somos contra quaisquer atitudes; porém, não concebemos a liberdade absoluta senão para o homem isolado; e nós somos uma sociedade formada por alcoólicos. Conta-nos a historia que “Robson Crusoé”, na sua ilha, era inteiramente livre. Quando teve o convívio de outro ser humano, surgiram as preocupações, os problemas e as restrições à liberdade de ambos. Daí por que, nós de A.A., devemos ter consciência de que viver em sociedade constitui característica fundamental da pessoa humana. Ninguém pode viver só; todos temos necessidade de companhia de outras pessoas. Se vivêssemos isolados, não teríamos linguagem, não desenvolveríamos os sentimentos de amor, de estima, de simpatia e de fraternidade. Não saberíamos como colaborar, como dar e como pedir ajuda. Ademais, nós, membros de A.A., precisamos debater, trocar idéias e experiências, a fim de descobrir meios para alcançar os objetivos comuns do Grupo. Para isso, se faz necessária a presença de bons lideres para coordenar e orientar as atividades dos grupos no sentido de melhor transmitir a mensagem de A.A., tão carente em nosso meio.
Por isso, evitemos o individualismo predominante nos dias atuais; procuremos conhecer o valor das pessoas que nos cercam e façamos o humilde esforço para aceitá-las como elas são, cheias de defeitos e virtudes. Assim, daremos mais um passo contra o egoísmo e um estímulo a mais no caminho da almejada UNIDADE. Enfim, é hora de procurarmos familiarizar o nosso próprio “eu” para convívio mais sadio e mais pleno, sobre todos os aspectos. Aceitemos a nossa literatura, tão bem escrita pelos nossos co-fundadores. Façamos uma auto-análise e procuremos discernir o certo do errado. Tenhamos personalidade para manter nossos pontos de vista, quando certos; tenhamos, também, a devida humildade de nos reconhecermos, quando errados. Até a próxima....

VIVENCIA N°. 19 - Jan/Mar 92