DP - Liderança através do exemplo

Liderança através do exemplo
Bravos, sorridentes, ranzinzas ou resmungões.
Esses veteranos sempre têm muito o que ensinar.

 Lembro-me de minha primeira reunião. Sentado à mesa, coordenando, estava um veterano com cara de bravo, muito sério, de poucas palavras, mas, com um olhar penetrante, um tanto malcriado. Logo depois, sentou-se à cadeira para proferir uma temática outro veterano, de cabelos brancos, mal-humorado, fazia até caretas e, num dado momento, disse: "Quer ficar, fica, não quer, vai beber um pouco mais." Não preciso dizer que minha impressão não foi das melhores.

 Voltei a mais uma reunião e lá estava outro veterano coordenando. Ah! Esse sim, era só sorrisos; simpático, brincalhão e dizia: "Depois que entrei em A.A., tornei-me íntegro, útil e feliz."

 Mais outra reunião e conheci outro veterano. Pensei que fosse clérigo. Ponderado ao falar, sorridente às vezes, enérgico nas atitudes, mas tranqüilo, dizia: "Eu vivo e deixo viver."

 O outro veterano, que nem parece veterano, sempre de bonezinho, reúne as qualidades dos outros e, sempre brincando, passa para a gente o lado sério do programa.

 Eu quis iniciar falando um pouco de cada veterano que conheci no início de minha recuperação porque, embora completamente diferentes, eles se tornaram, através do exemplo, meus mentores em A.A. Ainda bem que não me deixei levar pela minha primeira reunião. Claro, eles pareciam bravos...

 "Vá com calma", me disse um dia aquele veterano de olhar penetrante! Ele ilustra os Passos com historinhas, as quais me lembro em cada situação diferente da minha vida; e tem me mostrado como o Programa é simples.

 O de cabelos brancos, esse eu desafiei, pois ele me falou exatamente o que eu precisava ouvir: "Quer ficar, fica, não quer, vai beber um pouco mais". E eu fiquei. A provocação desse veterano foi muito importante para mim naquele dia; ele mostrou-me que eu tinha dois caminhos a seguir e que se eu quisesse seguir o exemplo dele, ficaria e pararia de beber.

 Entender a Unidade foi que me levou o exemplo daquele veterano sorridente: de bem com todos no grupo... para ele tudo tem jeito, sem grandes alardes: "Vamos manter A.A. simples", ele diz, e as coisas fluem, o exemplo dele flui.

 O Serviço em A.A.! Sempre admiriei aquele veterano trabalhador, aquele que pensei ser um padre. Ele já foi de tudo em A.A., tanto no grupo como nos escritórios e, eu pensei: "Quero ser como ele!" Tomara Deus que eu consiga seguir seu exemplo, e também sua humildade.

 O veterano de bonezinho é aquele que me levanta quando estou "para baixo"; contando piadas, rindo, brincando, ele me faz ver que as coisas não acontecem por acaso e diz: "Aborrecer-se é normal; desistir... jamais!"

 Quando cheguei em A.A. havia uma distância muito grande entre mim e esses veteranos. Eu não os via como companheiros, portadores da mesma enfermidade, mas como "chefes". O exemplo deles me fez mudar de idéia e segui-los.

 Consegui parar de beber e ter uma qualidade melhor de vida; fiz amigos em A.A., os quais aprendi a conservar através da Unidade do grupo, e tenho me sentido muito bem servindo a Irmandade, graças ao exemplo desses veteranos.

 Hoje, quando assumo algum encargo dentro ou fora do grupo, digo sempre a eles: "Não se esqueçam que sou 'cria' de vocês!"

 Quer bravos, quer sorridentes, ranzinzas ou resmungões, sou muito grata a esses veteranos. 

(Vivência - Jul/AgO. 2002)