Artigos - Mais sobre o alcoolismo (parte 1 - 3º cap. livro A.A)

A maioria de nós recusava-se a admitir que, realmente, éramos alcoólicos. Ninguém gosta de pensar que é física e mentalmente diferente dos outros. Portanto, não é de admirar que nossas carreiras de bebedores fossem caracterizadas por inúmeras e inúteis tentativas de provar que podíamos beber como os demais. A idéia de algum dia poder controlar e aproveitar a bebida constitui a grande obsessão de todo bebedor anormal. A persistência desta ilusão é incrível. Muitos a perseguem até a porta da loucura e da morte. Aprendemos a admitir, no mais íntimo de nosso ser, que éramos alcoólicos. Este é o primeiro passo para a recuperação. A ilusão de que somos iguais aos outros, ou futuramente o seremos, precisa ser derrotada. Nós, alcoólicos, somos homens e mulheres que perdemos a habilidade de controlar nossa forma de beber. Sabemos que o alcoólico jamais recupera o controle da bebida. Todos sentimos, às vezes, que estávamos recuperando o controle, mas tais intervalos – normalmente breves – eram inevitavelmente seguidos por um controle ainda menor; e, com o tempo, nos levava à desmoralização impiedosa e incompreensível. Estamos todos convencidos de que os alcoólicos de nosso tipo estão nas garras de uma doença progressiva. Tomando em conta qualquer período considerável, pioramos, nunca melhoramos. Somos como muitos que perderam as pernas: elas jamais crescerão. Nem parece existir forma alguma de tratamento que torne os alcoólicos iguais a outros homens. Temos experimentado todos os remédios imagináveis. Em alguns casos houve breves recuperações, seguidas sempre de recaídas ainda piores. Os médicos familiarizados com o alcoolismo concordaram não existir coisa alguma que faça do alcoólico um bebedor normal. Um dia a Ciência poderá conseguir isto, mas até hoje não o fez. Apesar de tudo, muitos alcoólicos não acreditarão que se encontram nessa classe. Por todas as formas de auto-ilusão e experimentos, tentarão provar a si mesmos serem exceções à regra e, portanto, que não são alcoólicos. Se qualquer pessoa, mostrando inabilidade para controlar suas bebedeiras, conseguir mudar e começar a beber como um cavalheiro, nós o cumprimentamos. Deus sabe como temos procurado, dura e longamente, beber como os outros! Eis alguns dos métodos experimentados: bebendo somente cerveja limitando o número de bebidas; nunca bebendo sozinho; nunca bebendo antes do meio dia; bebendo só em casa; não permitindo bebida em casa; nunca bebendo durante as horas de serviço; bebendo somente em festas; mudando de uísque para conhaque; bebendo somente vinhos naturais; concordando em demitirmo-nos, caso nos encontrassem bêbados no serviço; viajando; não viajando; jurando nunca mais beber (com ou sem juramento solene); fazendo mais exercício físico; lendo livros inspiradores; indo para sanatórios; aceitando voluntariamente internamento em hospitais para doentes mentais – bem, poderíamos ir nessa relação “ad infinitum”. 
Não gostamos de qualificar ninguém como alcoólico, mas você mesmo pode-se diagnosticar rapidamente. Entre no bar mais próximo e experimente beber controladamente. Tente beber e parar subitamente. Experimente durante vários dias seguidos. Se você é honesto consigo mesmo, não demorará muito tempo para poder decidir. Talvez aconteçam algumas tremedeiras bastante desagradáveis, mas você conseguirá, assim, aprender qual é o seu caso...

(Livro: Alcoólicos Anônimos – Texto Básico)