DP - Minha caminhada em AA

MINHA CAMINHADA EM A.A.

 

Estimados membros deste grupo, como já disse muitas vezes, antes de iniciar o beber descontrolado, e durante o período em que bebi, já achava a vida muito amarga e triste, depois de ingressar em A.A. e parar de beber também, e cheguei a pensar que a vida era assim mesmo, que só me restava a resignação. Não fui de me queixar muito das dificuldades do início da sobriedade talvez por essa razão. É verdade que após parar de beber os problemas pareciam maiores, mas era apenas porque já não bebendo, eu podia verificar os estragos que eu havia feito em minha vida, e as consequências, ou seja, que eu deveria passar por dissabores, afinal fui eu quem tinha bebido e gerado todas as minhas dificuldades.

Entendo hoje já com mais clareza, minha real situação de então e da caminhada que encetei até hoje. As dificuldades, os problemas, as perdas de toda ordem, foram geradas pelas minhas bebedeiras e por minhas atitudes de então, ou dizendo de outra forma, o que plantei, colhi, vinha colhendo e talvez tenha que colher algo ainda. É verdade que como venho dizendo, até lá pelos 5 anos em A.A. nenhuma recuperação eu tentei, pensei que era só parar de beber e ficar fazendo confusão nos serviços, inconscientemente é verdade, era o suficiente.

Em A.A. fala-se muito em tempo, quer seja para dizer que se tem muito tempo em A.A., quer para se dizer que o tempo em A.A. nada significa, que o tempo em A.A. é só por hoje. Só por hoje, ou no eterno agora é o programa inicial para parar de beber, depois para ficar sem beber, ser feliz e ter paz, precisa de muito tempo. Em relação ao tempo, digo que ele passa, quer eu faça alguma coisa por mim ou quer eu faça pouco ou nada, e ai é que está a diferença no tempo, o tempo bem aproveitado para a recuperação é uma enorme arma para a melhora de vida espiritual, que traz a nossa paz e alegria de viver. Sem uma boa recuperação, que só advêm com o tempo bem aproveitado com o exercício dos Doze Passos e com a continuidade permanente desse exercício, não haverá serenidade, felicidade duradoura nem paz em nossos corações.

Quando entendi, que os dissabores, as adversidades da vida, os problemas, os desencontros nos relacionamentos familiares, particulares e sociais, as adversidades e as perdas, acontecem para todos no decorrer da vida, em circunstâncias diferentes quanto ao momento, frequência, intensidade e causa, verifiquei de maneira clara que a questão para os seres humanos não eram essas ocorrências com suas características, mas simplesmente o modo como cada um de nós apreciava a importância desses eventos em nossas vidas e o modo como passávamos por eles. (O sábio grego Epicuro já dizia, o que nos perturba não é a coisa, e sim a apreciação que fazemos da coisa). Eu poderia passar por tudo isto esbravejando contra Deus, os outros, a família, os patrões, os governos e sofrer muito com tudo isto; por outro lado, eu poderia entender que plantei espinhos e colhi seus frutos e de que plantar da boa árvore, deixar crescê-la, dar flores, frutificar, deixar amadurecer seus frutos para depois obter o resultado colhendo os bons frutos, eu precisava ter tomado ação para que tudo isto ocorresse e esperasse o suficiente para obter o resultado, e assim de maneira consciente e tranquila não sofrer mais por nada, em função da compreensão e aceitação. A partir daí meus irmãos e irmãos de doença ser infeliz e não ter paz é uma opção. Custei a compreender, que o fato de ter problemas de qualquer ordem, não devia me tira a felicidade e a paz, o conflito ou a discordância respeitosa não exclui nem tira a paz de ninguém.

No cartaz que o Dr. Bob tinha em sua mesa, dizia mais ou menos assim: “Que Humildade é o silêncio perpétuo do coração. É nunca estar descontente irritado ou ofendido. É não me surpreender contra qualquer coisa feita contra mim, mas sentir que nada é feito contra mim. Significa que, quando eu for desprezado ou ofendido, eu tenho um lar abençoado dentro de mim, onde eu possa entrar, fechar a porta ajoelhar-me diante de meu Pai em segredo, e estar em paz como num profundo mar de calmaria, quando a meu redor está tudo parecendo agitação.” Isto não é fácil, exige o exercício permanente dos Doze Passos, que bem observados levam a essa compreensão e sentimento de felicidade e paz permanente, independente da tempestade que possa estar a nossa volta com disse o Dr. Bob nesse texto que tinha sobre a sua mesa de trabalho.

Quando entendi ainda, e quando falo em entender, não digo intelectualmente, mas espiritualmente, algo que impregna nosso ser em sensação e entendimento, verifiquei que cada um de nós faz parte do Todo de que tanto Bill W nos fala, e isto me trouxe um profundo sentimento de irmandade para com todos, em termos de Unidade que é uma coisa só, e não de união que é estarmos juntos. Este sentimento de unidade é o único que permite compreender e agir para com todos com amor e distinguir o indivíduo de seus atos. Amar os inimigos, mesmo detestando e combatendo seus atos respeitosamente. Sem esta compreensão, meus irmãos e irmãs de doença, nunca teremos a verdadeira unidade. Sem ter conseguido agir cada vez mais assim dentro dessa linha, não poderia ter já um pouquinho do verdadeiro amor fraterno para com os outros seres humanos e conhecer um pouquinho do sabor de pelo menos alguma prática do bem, e da própria sobriedade genuína.

Abraços fraternos, paz, luz e mais 24 h sóbrias.

arco/RS.

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