DP - Minha primeira reunião

A.A. oferece diferentes tipos de reunião, com diferentes finalidades - logo,são muitas as "primeira reuniões de cada membro.

Na primeira abordagem que um membro da Irmandade me fez, ele disse: "Vamos lá, você vai apenas assistir à reunião. Se gostar, você fica, se não, vai embora." E um dia após sete anos, lembrei daquelas palavras, telefonei para ele desesperado e pedi que me levasse a uma reunião de A.A.

Em 12 de março de 1993, às 19:30 horas, cheguei na Igreja São Francisco de Paula, onde funcionava o grupo da Tijuca de A.A. Fomos muito bem recebidos logo na entrada e alguém nos indicou a primeira fila de cadeiras. Sentamos e no decorrer da reunião, fiquei admirado com as pessoas que vi - pareciam,na maioria, normais, saudáveis e felizes - não pareciam bêbados! Contaram em seus depoimentos quase toda a minha vida. Eu fiquei certo de que compreenderiam a fundo como eu me sentia naquele momento. E essa foi a reunião de A.A. em que ingressei. O dia mais feliz de minha vida.

Meu primeiro contato com as palavras freqüências às reuniões veio logo na segunda reunião da qual participei. Alguns companheiros me disseram que, para evitar o primeiro gole, eu deveria ir assiduamente às diversas espécies de reuniões de A.A.

Ainda me lembro muito bem como as reuniões de novos foram importantes nos primeiros meses para mim - eram sessões de perguntas e respostas que esclareceram dúvidas que eu ainda tinha.

No grupo, em alguns dias da semana, as reuniões eram abertas, ou seja, qualquer pessoa podia participar, sendo alcoólica ou não. Essas reuniões eram geralmente de depoimentos em que os membros falavam ao grupo sobre seu alcoolismo, sobre o que lhes aconteceu e como se encontravam na recuperação. Eu podia sentir sinceridade e honestidade no que se ouvia. Cada membro falava somente de si mesmo, ninguém falava por A.A. como um todo. Geralmente alguns depoimentos faziam com que eu lembrasse de minha própria vida.

Em um dia específico da semana, acontecia a reunião fechada, isto é, somente para alcoólicos ou para pessoas que tentam descobrir se são alcoólicos.
Nessas reuniões havia mais liberdade para compartilhar as coisas que me incomodavam e que só a nós alcoólicos poderiam interessar – coisas confidenciais, até.

Depois de algumas 24 horas, comecei a me interessar pelas reuniões temáticas: os Passos, as Tradições, os Três Legados de A.A. e os lemas de A.A. Essas reuniões foram fundamentais pra que eu viesse a ter um crescimento espiritual e entendesse como funciona a Irmandade.

No ano do cinqüencentenário de A.A. no Brasil, tive a satisfação de participar da reunião comemorativa e foi muito gratificante.

Eu falo do passado, mas o grupo Barra da Tijuca ainda existe, cresceu muito e dele nasceu o Grupo Recreio, do qual hoje faço parte. Desejo a mim e aos companheiros(as), mais vinte e quatro horas, se possível com "freqüência à reunião".

Vivência 71 Mai/Jun 2001