Artigos - Mulheres na sombra

O alcoolismo da mulher é normalmente silenciado, já  que muitas pessoas consideram a doença como um problema exclusivamente masculino.
 
O aumento do número de mulheres que consomem álcool é cada dia maior e, normalmente, a mulher esconde sua prática de beber na família, só emergindo o problema na sociedade, quando já está num estágio avançado da doença.
 
Seus hábitos de beber são diferentes, o que faz a sociedade reagir de modo diferente em relação a elas; daí o alcoolismo feminino constituir-se num dos problemas mais cuidadosamente escondidos devido à condenação social que recai sobre a mulher alcoólica.

 
Soma-se a tudo isso a negação da doença, quando estas mulheres não querem ser consideradas como alcoólicas e seus familiares a ajudam, ocultando o fato para salvar o prestígio da família. Esta negação, consciente ou inconsciente, faz com que a mulher alcoólica fique desestimulada a procurar tratamento.

A maioria de nós bebe em casa, agindo de maneira diferente dos homens, que bebem em lugares públicos. Nesta complexa situação, a mulher alcoólica chega a uma sala de Alcoólicos Anônimos à procura dos primeiros socorros, e ali está o A.A., com seus companheiros falando da sua doença. A partir deste momento ela vê uma pequena luz, e nasce uma esperança; sente que não está sozinha, sente amor. Alcoólicos Anônimos está lhe dando a promessa de tranqüilidade e paz em seu futuro; é isto que ela leva para casa nesta primeira noite, para poder dormir sem angústia, com um pouquinho de força, necessária para, no outro dia, manter-se sem beber durante 24 horas.
 
(Vivência - Março/Abril 1995)