Na opinião de BILL - 121 à 180


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 121  à  180 


 NA OPINIÃO DO BILL 121

Nós não estamos lutando

Paramos de lutar com tudo e com todos – mesmo com o álcool, pois a essa altura a sanidade voltou. Podemos reagir agora, sadia e normalmente, e constatamos que isso aconteceu quase automaticamente. Vemos que essa nova atitude face ao álcool é realmente uma dádiva de Deus.

Aí está o milagre. Não estamos lutando com ele, nem evitando a tentação. Nem temos que prestar juramento. Em vez disso, o problema foi removido. Ele não existe para nós. Não somos nem atrevidos nem medrosos.

Assim é como reagimos – enquanto nos mantemos em boas condições espirituais.

Alcoólicos Anônimos, pág. 99



NA OPINIÃO DO BILL 122

A boa vontade é a chave

Não importa o quanto alguém queira tentar, exatamente de que modo ele pode entregar sua própria vontade e sua própria vida aos cuidados de qualquer Deus que ele acha que existe?

Um começo, por pequeno que seja, é tudo do que se precisa. Uma vez que tenhamos colocado a chave da boa vontade na fechadura e tenhamos a porta entreaberta, descobrimos que podemos sempre abri-la um pouco mais.

Embora a obstinação possa fechá-la de novo, como freqüentemente acontece, sempre voltará a abrir no momento em que utilizamos a chave da boa vontade.

Os Doze Passos, pág. 26


NA OPINIÃO DO BILL 123

O novo membro de A.A. e sua família

Quando o alcoolismo ataca, podem surgir situações anormais que prejudicam o companheirismo e a compatibilidade entre os cônjuges. Se for o homem o afetado, a esposa deve ser o chefe da casa, muitas vezes o arrimo da família. À medida que as coisas vão piorando, o marido se transforma numa criança doente e irresponsável, que precisa ser cuidada e tirada de inúmeras embrulhadas e becos sem saída. De forma gradual e geralmente sem perceber, a esposa é forçada a se tornar a mãe de um menino transviado, e o alcoólico, ora ama, ora odeia seus cuidados maternais.

Essas situações são muitas vezes resolvidas, com os Doze Passos de A.A.

* * *

Quer a família adote ou não um modo de vida espiritual, o membro alcoólico tem que adotar, se quiser se recuperar. Os outros devem ser convencidos de sua nova situação, sem sombra de dúvida. Ver é acreditar, para a maioria das famílias que conviveu com um bebedor.

1 – Os Doze Passos, pág. 104

2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 140

 

NA OPINIÃO DO BILL 124

Liberdade de escolha

Olhando para trás, vemos que nossa liberdade de escolha não era, afinal de contas, uma liberdade muito verdadeira.

Quando escolhíamos porque "éramos obrigados a escolher", essa também não era escolha livre. Mas isso nos iniciava na direção certa.

Quando escolhíamos porque "devíamos escolher", estávamos realmente fazendo o melhor. Dessa vez estávamos obtendo uma certa liberdade, preparando-nos para obter ainda mais.

Mas quando, uma vez ou outra, pudemos com satisfação fazer escolhas certas sem revolta, espalhafato ou conflito, então tivemos a visão do que poderia ser a perfeita liberdade sob a vontade de Deus.

Grapevine de maio de 1960

 

NA OPINIÃO DO BILL 125

Olhe além do horizonte

Meu local de trabalho fica numa colina, atrás de nossa casa. Olhando para o vale, vejo a casa comunitária da vila, onde se reúne nosso grupo. Além do círculo de meu horizonte está o mundo inteiro de A.A.

* * *

A unidade de Alcoólicos Anônimos é a qualidade mais preciosa que nossa sociedade tem. Nossas vidas e as vidas dos que estão por chegar dependem diretamente dela. Sem unidade, o coração de Alcoólicos Anônimos deixaria de bater; nossas artérias mundiais não mais levariam a inspiradora graça de Deus.

1 – A.A. Today, pág. 7

2 – As Doze Tradições, pág. 13

 

NA OPINIÃO DO BILL 126

"Admitimos para Deus..."

Desde que você não esconda nada, ao fazer o Quinto Passo, sua sensação de alívio aumentará de minuto a minuto. As emoções reprimidas durante anos saem de seu confinamento e, milagrosamente, desaparecem à medida que são reveladas. Com a diminuição da dor, uma tranqüilidade restauradora toma seu lugar. E quando a humildade e a serenidade estiverem assim combinadas, algo mais de grande significação é capaz de ocorrer.

Muitos AAs, anteriormente agnósticos ou ateus, nos dizem que foi nessa fase do Quinto Passo que de fato sentiram, pela primeira vez, a presença de Deus. E mesmo aqueles que já tinham fé, muitas vezes tomaram consciência de Deus como nunca antes.

Os Doze Passos, pág. 51

 

NA OPINIÃO DO BILL 127

Persistência na oração

Muitas vezes temos a tendência de fazer pouco caso da meditação e da oração sincera, como sendo alguma coisa não realmente necessária. Sinceramente, sentimos que elas poderiam nos ajudar a enfrentar uma emergência, mas a princípio muitos de nós são capazes de considerá-las uma prática misteriosa dos clérigos, da qual podemos esperar obter um benefício de segunda mão.

* * *

Em A.A. descobrimos que os verdadeiros bons resultados da oração são indiscutíveis. Esses resultados são conhecidos e fazem parte da experiência. Todos aqueles que persistiram, encontraram uma força que geralmente não tinham. Encontraram sabedoria superior à sua capacidade normal. E encontraram cada vez mais a paz de espírito que pode se manter firme, frente às difíceis circunstâncias.

1 – Os Doze Passos, pág. 83

2 – Os Doze Passos, pág. 91

 

NA OPINIÃO DO BILL 128

De volta ao trabalho

É possível que utilizemos a suposta desonestidade dos outros, como uma desculpa plausível para não cumprir nossas próprias obrigações.

Certa vez, alguns amigos cheios de preconceito insistiram comigo para que eu não voltasse a Wall Street. Estavam certos de que o materialismo desenfreado e a falsidade, ali existentes, impediriam meu crescimento espiritual. Como isso parecia ter sentido, continuei afastado do único trabalho que eu sabia fazer.

Quando finalmente me vi falido, compreendi que não tinha sido capaz de enfrentar a perspectiva de voltar ao trabalho. Assim sendo, voltei a Wall Street e até hoje estou contente por ter feito isso. Eu precisava redescobrir que existem muitas excelentes pessoas no âmbito financeiro de New York. Precisava também da experiência de permanecer sóbrio nos mesmos lugares, onde o álcool tinha me derrotado. Uma viagem de negócios da Wall Street a Akron, Ohio, foi onde pela primeira vez entrei em contato com o Dr. Bob. Assim, o nascimento de A.A. dependeu de meu esforço para enfrentar as responsabilidades de meu sustento.

Grapevine de agosto de 1961

 

NA OPINIÃO DO BILL 129

O caminho da força

Não precisamos nos desculpar com ninguém por depender do Criador. Temos boas razões para descrer daqueles que acham que a espiritualidade é o caminho da fraqueza. Para nós ela é o caminho da força. O veredito, através da história, é que os homens de fé são corajosos. Confiam em seu Deus. Nunca nos desculpamos por nossa fé n'Ele. Ao contrário, tentamos deixá-Lo demonstrar, através de nós, o que Ele pode fazer.

Alcoólicos Anônimos, pág. 86

 

NA OPINIÃO DO BILL 130

Nosso problema se centraliza na mente

Sabemos que enquanto o alcoólico se mantém afastado da bebida, ele geralmente reage do mesmo modo que as outras pessoas. Estamos igualmente convictos de que, quando ele ingere álcool, alguma coisa acontece, tanto no sentido físico como no mental, impedindo-o virtualmente de parar. A experiência de qualquer alcoólico confirmará isso plenamente.

Seriam desnecessárias e acadêmicas essas observações, se o individuo nunca tomasse o primeiro gole, pois este é o que põe em movimento o terrível círculo vicioso. De maneira que o problema principal do alcoólico se centraliza em sua mente, mais do que em seu corpo.

Alcoólicos Anônimos, pág. 46

 

NA OPINIÃO DO BILL 131

Obstáculos em nosso caminho

Vivemos num mundo cheio de inveja. Em grau maior ou menor, todos são contaminados por ela. Desse defeito, certamente devemos obter uma satisfação deturpada, porém definida. Se assim não fosse, por que perderíamos tanto tempo desejando o que não temos, em vez de trabalhar para obtê-lo, ou furiosamente procurando qualidades que nunca teremos, em vez de nos ajustar ao fato aceitando-o?

* * *

Cada um de nós gostaria de viver em paz consigo mesmo e com seus semelhantes. Gostaríamos de nos assegurar de que a graça de Deus pode fazer por nós aquilo que não podemos.

Temos visto que os defeitos de caráter, baseados em desejos imprevidentes e indignos, são obstáculos que bloqueiam nosso caminho em direção a esses objetivos. Agora vemos, com clareza, que estivemos fazendo exigências irracionais a nós mesmos, aos outros e a Deus.

1 – Os Doze Passos, pág. 57

2 – Os Doze Passos, pág. 65

 

NA OPINIÃO DO BILL 132

Inventário relâmpago

Um inventário relâmpago, feito no momento de perturbação, pode ser de grande ajuda para acalmar as emoções tempestuosas. O inventário relâmpago diário se aplica principalmente a situações que surgem nas vinte e quatro horas do dia. Quando possível, é melhor deixar o estudo das dificuldades existentes há muito tempo, para os momentos destinados a esse fim.

O inventário rápido é destinado às nossas oscilações diárias, principalmente, àquelas provocadas por pessoas ou acontecimentos novos que nos desequilibram e nos levam a cometer erros.

Os Doze Passos, pág. 77

 

NA OPINIÃO DO BILL 133

"Pessoas privilegiadas"

Percebi que tinha vivido muito sozinho, muito afastado de meus semelhantes e muito surdo àquela voz interior. Em vez de observar a mim mesmo, como um simples portador da mensagem da experiência, tinha pensado em mim na qualidade de fundador de A.A.

Como teria sido melhor se eu tivesse sentido gratidão, em vez de auto-satisfação – gratidão por ter sentido um dia os sofrimentos do alcoolismo, gratidão por ter recebido do alto o milagre da recuperação, gratidão pelo privilégio de prestar serviço a meus companheiros alcoólicos e gratidão pelos laços fraternais que me ligam mais fortemente a eles numa camaradagem que poucas sociedades de seres humanos já conheceram.

Um clérigo me disse esta verdade: "Seu infortúnio tornou-se sua felicidade. Vocês de A.A. são pessoas privilegiadas."

Grapevine de julho de 1946

 

NA OPINIÃO DO BILL 134

Os direitos do indivíduo

Acreditamos que não haja outra irmandade no mundo que dispense mais atenção a seus membros, individualmente; sem dúvida, não existe nenhuma que defenda tanto o direito do indivíduo de pensar, falar e agir livremente. Nenhum A.A. pode obrigar um outro a fazer o que quer que seja; ninguém pode ser punido ou expulso.

Nossos Doze Passos para a recuperação são sugestões; as Doze Tradições, que asseguram a unidade de A.A., não contém um só "Não Faça". Elas repetidamente dizem: "Deveríamos", mas nunca: "Você deve!"

* * *

"Embora seja tradicional, nossa Sociedade não pode coagir ninguém, não vamos supor, nem mesmo por um instante, que não estamos sob coação. Na verdade, estamos sob uma enorme sujeição – aquela que vem nas garrafas. Nosso antigo tirano, o Rei álcool, está sempre pronto para nos agarrar.

"Portanto, a libertação do álcool é o grande devemos que tem que ser alcançado, caso contrário, chegaremos à loucura ou à morte."

1 –As Doze Tradições, pág. 12

2 – Carta de 1966

 

NA OPINIÃO DO BILL 135

Vitória na derrota

Convencido de que nunca poderia fazer parte e jurando nunca me conformar com o segundo lugar, eu sentia que simplesmente tinha que vencer em tudo que quisesse fazer: trabalho ou divertimento. Como essa atraente fórmula de boa-vida começou a dar resultado, de acordo com minha idéia de sucesso, tornei-me delirantemente feliz. Mas quando acontecia de um empreendimento falhar, me enchia de ressentimento e depressão que só podia ser curado com o próximo triunfo. Portanto, muito cedo comecei a avaliar tudo em termos de vitória ou derrota – "tudo ou nada". A única satisfação que eu conhecia era vencer.

* * *

Somente através da derrota total é que somos capazes de dar os primeiros passos em direção à libertação e à força. Nossa admissão da impotência pessoal finalmente vem a ser o leito de rocha firme, sobre o qual podem ser construídas vidas felizes e significativas.

1 – Grapevine de janeiro de 1962

2 – Os Doze Passos, pág. 13

 

NA OPINIÃO DO BILL 136

Renunciando aos defeitos

Examinando novamente aqueles defeitos que ainda não estamos dispostos a renunciar, deveríamos ser menos teimosos. Talvez ainda sejamos obrigados, em alguns casos, a dizer: "Ainda não posso renunciar a esses defeitos...", mas não deveríamos dizer: "A esse nunca renunciarei!"

No momento em que dizemos: "Não, nunca!" Nossa mente se fecha para a graça de Deus. Essa revolta pode ser fatal. Ao invés disso, deveríamos abandonar os objetivos limitados e começar a caminhar em direção à vontade de Deus, para conosco.

Os Doze Passos, págs. 58 e 59

 

NA OPINIÃO DO BILL 137

Além do agnosticismo

Nós, de temperamento agnóstico, descobrimos que logo que fomos capazes de deixar de lado o preconceito e expressar até uma disposição para acreditar num Poder Superior a nós mesmos, começamos a ver os resultados, ainda quando era impossível para qualquer um de nós definir ou compreender totalmente esse Poder, que é Deus.

* * *

"Muitas pessoas me asseguram, com toda a seriedade, que o indivíduo não tem um lugar melhor no universo, do que um outro qualquer, por lutar em seu caminho, através da vida, só para morrer no fim. Ouvindo isso, sinto que ainda prefiro me apegar à tão chamada ilusão da religião, que em minha própria experiência tem me revelado algo com sentido muito diferente."

1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 67

2 – Carta de 1946

 

NA OPINIÃO DO BILL 138

Dois caminhos para os membros mais antigos

Os fundadores de muitos grupos finalmente se dividirem em duas classes, conhecidas na linguagem de A.A. como "velhos mentores" e "velhos resmungões".

O velho mentor vê sabedoria na decisão do grupo para dirigir a si mesmo e não guarda ressentimento ao ver reduzido seu "status". Seu julgamento fortificado por considerável experiência, é justo, ele está disposto a ficar de lado, aguardando com paciência os acontecimento.

O velho resmungão está certamente convencido de que o grupo não pode caminhar sem ele. Ele constantemente "mexe os pauzinhos" para reeleição ao cargo e continua sendo consumido pela autopiedade. Quase todos os membros mais antigos de nossa sociedade passaram por isso, em maior ou menor grau. Felizmente, a maior parte deles sobreviveu para se transformar no velho mentor. Estes vêm a ser a verdadeira e duradoura liderança de A.A.

As Doze Tradições, pág. 18

 

NA OPINIÃO DO BILL 139

A base de toda a humildade

Uma vez que estávamos convencidos de que poderíamos viver exclusivamente pela nossa força e inteligência, tornava-se impossível a fé num Poder Superior.

Isto era assim, mesmo quando acreditávamos que Deus existia. Podíamos na verdade ter as mais fervorosas crenças religiosas, que continuavam estéreis, porque nós mesmos ainda tentávamos fazer o papel de Deus. Já que púnhamos a autoconfiança em primeiro lugar não era possível uma verdadeira confiança num Poder Superior. Faltava aquele ingrediente básico da humildade, o desejo de buscar e fazer a vontade de Deus.

Os Doze Passos, pág. 62

 

NA OPINIÃO DO BILL 140

Defeitos e reparações

Mais do que a maioria, o alcoólico vive uma dupla vida. É um verdadeiro ator. Para as pessoas de fora ele se apresenta como se estivesse no palco. Isso é o que ele quer que os outros vejam. Quer gozar de uma certa reputação, mas sabe, do fundo do coração, que não a merece.

* * *

O sentimento de culpa é realmente o reverso da moeda do orgulho. O sentimento de culpa visa à autodestruição, e o orgulho visa à destruição dos outros.

* * *

"O inventário moral é um exame ousado dos danos que nos ocorreram, durante a vida, e um sincero esforço para vê-los em sua verdadeira perspectiva. Ele tem o efeito de tirar o veneno de dentro de nós, a substância emocional que abate ou inibe ainda mais."

1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 90

2 – Grapevine de junho de 1961

3 – Carta de 1957

 

NA OPINIÃO DO BILL 141

"Poderia nos devolver à sanidade"

Poucos, na verdade, são os alcoólicos na ativa que têm qualquer idéia do quanto são irracionais, ou que percebendo sua irracionalidade, conseguem encará-la. Por exemplo, alguns estarão dispostos a se denominar "bebedores-problemas", mas não podem aceitar a sugestão de que estão de fato mentalmente doentes.

São apoiados nessa cegueira por um mundo que não entende a diferença entre o beber racional e o alcoolismo. A "sanidade" é definida como "saúde mental". Contudo, nenhum alcoólico, analisando sobriamente seu comportamento destrutivo, seja pela destruição de um objeto ou de sua própria estrutura moral, pode alegar que tem "saúde mental".

Os Doze Passos, pág. 24

 

NA OPINIÃO DO BILL 142

Instintos dados por Deus

A criação nos deu os instintos com uma finalidade. Sem eles não seríamos seres humanos completos. Se os homens e as mulheres não se empenhassem em se firmar como pessoas, não fizessem esforços para conseguir alimento ou construir abrigo, não sobreviveriam. Se não se reproduzissem, a terra não seria povoada. Se não existisse um instinto gregário, não haveria sociedade.

Contudo, esses instintos, tão necessários para nossa existência, freqüentemente excedem suas próprias funções. Forte, cega e muitas vezes sutilmente, eles nos impulsionam, nos dominam e insistem em dirigir nossas vidas.

* * *

Procuramos construir um ideal sadio para nossa futura vida sexual. Submetemos cada relação sexual à seguinte prova: isso foi egoísmo ou não? Pedimos a Deus que moldasse nossos ideais e nos ajudasse a viver de acordo com eles. Lembramos sempre que nossos poderes sexuais foram dados por Deus e por isso eram bons, que não deveriam ser usados frívola ou egoisticamente e nem desprezados ou detestados.

1 – Os Doze Passos, pág. 33

2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 87

 

NA OPINIÃO DO BILL 143

Na escola de vida de A.A.

Suponho que dentro de A.A. sempre estaremos disputando. Principalmente, acredito eu, acerca de como fazer para levar o melhor a um maior número de bêbados. Teremos nossas discussões infantis sobre pequenas dificuldades de dinheiro e como coordenar nossos grupos durante os próximos seis meses. Qualquer punhado de crianças em crescimento (e isso é o que somos) faria uma coisa dessa, e isso estaria de acordo com seu caráter.

Essas são as dores do crescimento da infância e nós, na verdade, estamos passando por elas. Superar tais problemas, na escola de vida de A.A., é um saudável exercício.

A.A. Atinge a Maioridade, pág. 208

 

NA OPINIÃO DO BILL 144

Confiança cega?

"Certamente não pode haver confiança onde não há amor, nem pode haver amor verdadeiro onde reina a desconfiança.

"Mas a confiança exige que sejamos cegos, em relação aos motivos dos outros ou até dos nossos? Absolutamente; isso seria loucura. Certamente deveríamos avaliar, tanto a capacidade de fazer o mal como a capacidade de fazer o bem das pessoas em quem vamos confiar. Esse inventário particular pode revelar o grau de confiança que podemos depositar em qualquer situação que se apresente.

"Mas esse inventário precisa ser feito com espírito de compreensão e amor. Nada pode prejudicar tanto nosso julgamento, como as emoções negativas de suspeita, ciúme ou raiva.

"Tendo depositado nossa confiança numa outra pessoa, deveríamos fazer com que ela saiba disso. Desse modo, quase sempre, ela vai corresponder de maneira magnífica e muito além de nossa expectativa."

Carta de 1966

 

NA OPINIÃO DO BILL 145

Assumir a responsabilidade

Aprender a viver na maior paz, companheirismo e fraternidade, com todo o mundo, é uma aventura comovente e fascinante.

Todo A.A. acabou descobrindo que pouco pode progredir nessa nova aventura da vida, sem antes voltar atrás e fazer, realmente, um exame preciso e profundo dos destroços humanos que, porventura, ele tenha deixado em seu passado.

* * *

A disposição de arcar com todas as conseqüências de nossos atos passados e, ao mesmo tempo, assumir a responsabilidade pelo bem-estar dos outros constitui o próprio espírito do Nono Passo.

1 – Os Doze Passos, pág.

2 – Os Doze Passos, pág.

 

NA OPINIÃO DO BILL 146

"Faça como eu faço..."

Talvez com mais freqüência do que pensamos, não temos um contato profundo com alcoólicos que estão sofrendo o dilema da falta de fé.

Certamente ninguém é mais sensível, a respeito de segurança individual, orgulho e agressão do que eles. Estou certo de que muitas vezes isso é esquecido.

Nos primeiros anos de A.A., eu quase arruinei toda a organização com essa espécie de arrogância inconsciente. Deus, como eu O concebia, tinha que servir para todos. Algumas vezes minha agressão era sutil e outras vezes grosseira. Mas de qualquer forma era prejudicial – talvez até fatal – para muitos descrentes.

É claro que esse tipo de coisa não está limitado ao trabalho do Décimo Segundo Passo. Pode surgir em nossas relações com todas as pessoas. Mesmo agora, encontro-me entoando o mesmo antigo refrão: "Faça como eu faço, acredite no que acredito – ou então..."

Grapevine de abril de 1961

 

NA OPINIÃO DO BILL 147

A.A. – A estrela-guia

Podemos ser gratos a toda organização ou método que tente solucionar o problema do alcoolismo – seja a medicina, religião, educação ou pesquisa. Podemos ter a mente aberta a respeito desses esforços e podemos ser compreensivos quando os imprudentes falham. Não podemos esquecer que mesmo A.A. funcionou durante anos na base do "ensaio e erro".

Como indivíduos, podemos e deveríamos trabalhar com aqueles que prometem sucesso – ainda que seja um pouco de sucesso.

* * *

Todos os pioneiros no campo do alcoolismo vão dizer, generosamente, que se não fosse pela prova viva da recuperação em A.A., eles não poderiam ter prosseguido. A.A. foi a estrela-guia da esperança e da ajuda que os manteve na Irmandade.

Grapevine de março de 1958

 

NA OPINIÃO DO BILL 148

Mais do que conforto

Quando me sinto deprimido, repito para mim mesmo declarações como estas: "O sofrimento é a pedra de toque do progresso..." "Medo de nada..." "Isso também vai passar..." "Essa experiência pode se transformar em benefício".

Esses fragmentos de oração trazem muito mais do que um mero conforto. Eles me mantêm no caminho da aceitação perfeita, acabam com minha compulsão de sentimento de culpa, depressão, revolta e orgulho e às vezes me dão a coragem para mudar as coisas que posso e sabedoria para perceber a diferença.

Grapevine de março de 1962

 

NA OPINIÃO DO BILL 149

Orientação para um caminho melhor

Quase nenhum de nós gostava de fazer o auto-exame, a demolição de nosso orgulho e a confissão das imperfeições que os Passos requerem. Mas víamos que o programa realmente funcionava para os outros e tínhamos chegado a acreditar na desesperança da vida, da forma como a estávamos vivendo.

Portanto, quando fomos abordados por aquelas pessoas que haviam resolvido o problema, só nos restava pegar o simples conjunto de instrumentos espirituais que foi colocado a nosso alcance.

* * *

Nas Tradições de A.A. está implícita a confissão de que nossa Irmandade tem suas falhas. Confessamos que temos determinados defeitos, como sociedade, e que esses defeitos nos ameaçam continuamente. As Tradições nos orientam para melhorar nossa maneira de trabalhar e viver, e elas são para a sobrevivência e harmonia do grupo o que os Doze Passos de A.A. são para a sobriedade e paz de espírito de cada membro.

1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 48

2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 87


NA OPINIÃO DO BILL 150

Sem limites

A meditação é alguma coisa que pode ser desenvolvida cada vez mais. Ela não tem limites, tanto em extensão como em profundidade. Ajudados por essa instrução e exemplo, como podemos ver, ela é essencialmente uma aventura individual que cada um de nós realiza à sua maneira. Mas seu objetivo é sempre o mesmo: melhorar nosso contato consciente com Deus, com Sua graça, sabedoria e amor.

E vamos lembrar sempre que a meditação é na realidade muito prática. Um de seus primeiros frutos é o equilíbrio emocional. Com ela podemos alargar e aprofundar o canal de ligação entre nós e Deus, como nós O concebemos.

Os Doze Passos, pág. 88

 

NA OPINIÃO DO BILL 151

Começar a perdoar

No momento em que examinamos um desentendimento com uma outra pessoa, nossas emoções de colocam na defensiva. Para evitar de encarar as ofensas que fizemos a uma outra pessoa, salientamos, com ressentimento, as ofensas que ela nos fez. Prevalecendo disso nos agarramos à sua má conduta, como a desculpa perfeita para minimizar ou esquecer a nossa.

A essa altura precisamos logo nos segurar. Não vamos esquecer que os alcoólicos não são os únicos atormentados por emoções doentias. Em muitos casos estamos, na realidade, lidando com companheiros sofredores, pessoas que tiveram suas desgraças aumentadas por nós.

Se estamos a ponto de pedir perdão para nós mesmos, por que não deveríamos começar perdoando a todos eles?

Os Doze Passos, pág. 68

 

NA OPINIÃO DO BILL 152

O poder milagroso

No mais profundo de cada homem, mulher e criança está a idéia fundamental de um Deus. Ela pode estar obscurecida pela calamidade, pela pompa, pela adoração de outras coisas, mas de uma forma ou outra ela está ali, pois a fé num Poder Superior a nós mesmos e as demonstrações milagrosas desse Poder, nas vidas humanas, são fatos tão antigos como a própria humanidade.

* * *

"A fé pode muitas vezes ser dada através de ensinamentos inspirados ou de um convincente exemplo pessoal de seus frutos. Pode às vezes ser obtida através da razão. Por exemplo, muitos clérigos acreditam que São Tomás de Aquino provou realmente a existência de Deus por pura lógica. Mas o que pode uma pessoa fazer quando todos esses falham? Esse era meu doloroso dilema.

"Foi somente quando cheguei a acreditar firmemente que era impotente perante o álcool, somente quando apelei para um Deus que poderia existir, que experimentei um despertar espiritual. Essa experiência libertadora veio primeiro, em seguida veio a fé – na verdade, uma dádiva!"

1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 74

2 – Carta de 1966

 

NA OPINIÃO DO BILL 153

Sem raiva

Vamos supor que A.A. esteja sob ataque do público ou que caia em grande ridículo, tendo de fato pouca ou nenhuma justificativa. Nossa melhor defesa nessas situações seria não se defender absolutamente – isto é, completo silêncio a nível público. Se, com bom humor deixarmos os críticos completamente sozinhos, mais depressa se calarão. Caso seus ataques continuem e fique claro que eles estão desinformados, pode ser conveniente comunicar-se com eles, de modo temperado e informativo.

No entanto, se uma certa crítica ao A.A. for parcial ou totalmente justificável, será por bem dar conhecimento privativamente aos críticos, acompanhado de nossos agradecimentos.

Mas em circunstância alguma deveríamos mostrar raiva ou qualquer tentativa de punição ou agressão.

* * *

O que devemos reconhecer é que nos regozijamos com alguns de nossos defeitos. A raiva farisaica também pode ser muito agradável. De um modo perverso, podemos até sentir prazer pelo fato de muitas pessoas nos aborrecerem, pois isso nos traz uma cômoda sensação de superioridade.

Doze Conceitos para Serviços Mundiais, págs. 73 e 74

Os Doze Passos, págs. 56 e 57

 

NA OPINIÃO DO BILL 154

As recaídas – e o grupo

Um antigo temor era o de deslizes e recaídas. No princípio, quase todo alcoólico de quem nos aproximávamos começava a ter deslizes, isso quando ele conseguia realmente ficar sóbrio. Outros permaneciam abstêmios por seis meses ou talvez um ano e daí escorregavam. Isso foi sempre uma verdadeira catástrofe. Olhávamos uns para os outros e nos perguntávamos: "Qual o próximo?"

Hoje, embora as recaídas sejam dificuldades muito sérias, como grupo as conduzimos a passos largos. O medo desapareceu. O álcool sempre ameaça o indivíduo, mas sabemos que não pode destruir o bem-estar comum.

* * *

"Parece que não adianta discutir com os "que recaem", a respeito do método apropriado para se manter sóbrio. Afinal de contas, por que deveriam as pessoas que estão bebendo contar às que estão sóbrias como isso deveria ser feito?

"Só por brincadeira, pergunte a eles se estão se divertindo. Se estiverem muito barulhentos ou importunos, gentilmente se afaste do caminho deles".

1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 88

2 – Carta de 1942

 

NA OPINIÃO DO BILL 155

Construído por um e por muitos

Damos graças a nosso Pai Celestial que, através de tantos amigos e através de tantos meios e canais tem nos permitido construir esse maravilhoso edifício do espírito, no qual estamos agora residindo – essa catedral, cujos fundamentos já repousam nos quatro cantos do mundo.

Em sua enorme edificação inscrevemos nossos Doze Passos de recuperação. Nas paredes laterais, os esteios das Tradições de A.A. foram colocados para nos manter em unidade até quando Deus quiser. Ansiosos corações e mãos levantaram o espiral de nossa catedral em seu devido lugar. Esse espiral leva o nome de Serviço. Que ele possa sempre estar apontado em direção a Deus.

* * *

"Não é somente a alguns que devemos o notável desenvolvimento de nossa unidade e de nossa capacidade de levar a mensagem de A.A. a todos os lugares. Devemos a muitos; na verdade, é ao trabalho de todos nós que devemos essas maravilhosas bênçãos".

1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 209

2 – Palestra de 1959

 

NA OPINIÃO DO BILL 156

Percepção de humildade

Uma melhor percepção de humildade inicia uma mudança revolucionária em nossa maneira de ver. Nossos olhos começam a se abrir aos excelentes valores que vieram diretamente do doloroso esvaziamento do ego. Até agora, nossas vidas foram em grande parte dedicadas à fuga do sofrimento e dos problemas. A fuga através da garrafa foi sempre nossa solução.

Então, em A.A., observamos e escutamos. Por todo lado vimos o fracasso e a miséria transformados, pela humildade, em valores inestimáveis.

* * *

Para aqueles que têm progredido em A.A., a humildade leva a um claro reconhecimento do que e de quem realmente somos, seguido de uma tentativa sincera de nos tornar aquilo que poderíamos ser.

1 – Os Doze Passos, pág. 64

2 – Os Doze Passos, pág. 48

 

NA OPINIÃO DO BILL 157

A imaginação pode ser construtiva

Lembramos, com uma certa tristeza, o valor que dávamos à imaginação, à medida que ela tentava buscar a realidade através da garrafa. Sim, não é verdade que nós nos divertíamos com esse tipo de pensamento? E hoje, embora sóbrios, não tentamos muitas vezes fazer a mesma coisa?

Talvez nosso problema não estivesse no fato de usarmos a imaginação. Talvez o verdadeiro problema fosse nossa quase total incapacidade de dirigir a imaginação em direção aos objetivos certos. Não há nada de errado com a imaginação construtiva; todo empreendimento sólido depende dela. Afinal de contas, ninguém pode construir uma casa sem antes imaginar um plano.

Os Doze Passos, pág. 87

 

NA OPINIÃO DO BILL 158

A tolerância na prática

"Descobrimos que os princípios de tolerância e amor tinham que ser enfatizados na prática. Não podemos nunca dizer (ou insinuar) a alguém que ele deva concordar com nossa fórmula ou ser excomungado. O ateu pode se levantar numa reunião de A.A., ainda negando a Divindade, mas relatando o quanto mudou em atitude e ponto de vista. Sabemos por experiência que ele em pouco tempo mudará de idéia a respeito de Deus, mas ninguém lhe diz que ele deve fazer isso.

"A fim de levar ainda mais longe o princípio de aceitação e tolerância, não exigimos nenhuma religião de ninguém. Todas as pessoas com problema alcoólico que queiram se livrar dele e se ajustar bem às circunstâncias da vida tornam-se membros de A.A., simplesmente se ligando a nós. Nada é preciso, a não ser sinceridade. Mas não exigimos nem isso.

"Numa atmosfera como essa, o ortodoxo, o heterodoxo e o descrente se misturam e juntos são felizes e úteis. Uma oportunidade de obter crescimento espiritual é aberta a todos".

Carta de 1940

 

NA OPINIÃO DO BILL 159

Entre os extremos

"A pergunta de fato é se podemos aprender tudo de nossas experiências, pelas quais podemos crescer e ajudar outros a crescerem à semelhança e imagem de Deus.

"Sabemos que se nos negarmos a fazer aquilo que é razoavelmente possível para nós, seremos castigados. E seremos igualmente castigados se presumirmos ter uma perfeição, que simplesmente não existe.

"Aparentemente, o caminho da relativa humildade e do progresso teria que estar entre esses extremos. Em nosso lento progresso, fugindo da revolta, a verdadeira perfeição está sem dúvida muito distante".

Carta de 1959

 

NA OPINIÃO DO BILL 160

Os racionalizadores e os modestos

Nós, os alcoólicos, somos os maiores racionalizadores do mundo. Fortalecidos com a desculpa de que estamos fazendo grandes coisas para o bem de A.A., podemos, através da quebra do anonimato, continuar com nossa antiga e desastrosa busca do poder e prestígio pessoal, honras públicas e dinheiro – as mesmas ambições implacáveis que quando frustradas uma vez nos conduziram à bebida.

* * *

O Dr. Bob foi na realidade uma pessoa muito mais humilde do que eu, e o anonimato ele compreendeu muito facilmente. Quando se soube com toda a segurança que ele estava para morrer, alguns de seus amigos sugeriram que se erguesse um monumento ou mausoléu em sua homenagem e de sua esposa Anne – digno de um fundador e sua esposa. Contando-me a esse respeito, o Dr. Bob sorriu e disse: "Deus os abençoe. Eles têm boa intenção, mas que sejamos enterrados, tanto você como eu, da mesma maneira como são todas as pessoas".

No cemitério de Akron, onde jazem o Dr. Bob e Anne, a lápide simples não diz sequer uma palavra a respeito de A.A. Esse exemplo comovedor e definitivo de modéstia provará ser de maior valor para A.A., a longo prazo, do que qualquer promoção pública ou qualquer monumento grandioso.

1 – A.A. Atinge e Maioridade, pág. 262

2 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 122 e 123

 

NA OPINIÃO DO BILL 161

Inventário de quem?

Não contamos as experiências íntimas de um outro membro, sem estar certos de que ele aprovaria. Achamos melhor, quando possível, nos limitar às nossas próprias histórias. Um homem pode criticar ou gozar dele mesmo, e isso vai afetar os outros de maneira favorável, mas a crítica ou o ridículo dirigido a alguma outra pessoa, muitas vezes produz efeito contrário.

* * *

Uma constante análise de nossas qualidades e deficiências e o verdadeiro desejo de aprender e de crescer, por esse meio, para nós constituem uma necessidade. Nós, alcoólicos, aprendemos isso com dificuldade. Em todos os tempos e lugares, é claro, pessoas mais experientes do que nós adotaram a prática da auto-

análise e da crítica rigorosa.

1 – Alcoólicos Anônimos, págs. 129 e 130

2 – Os Doze Passos, pág. 76

 

NA OPINIÃO DO BILL 162

"Mantenha-o simples"

"Precisamos distinguir bem entre a simplicidade espiritual e a simplicidade funcional. Quando dizemos que A.A. não prega proposição teológica, a não ser Deus, como nós O concebemos, simplificamos muito a vida de A.A., evitando conflito e rejeição.

"Mas quando entramos nas questões de ação, pelos grupos, áreas e por A.A. como um todo, achamos que devemos nos organizar um pouco para levar a mensagem – ou então enfrentar o caos. E o caos não é simplicidade".

* * *

Aprendi que o temporário ou aparentemente bom pode muitas vezes não ser aquilo que é sempre o melhor. Quando se trata da sobrevivência de A.A., nem o nosso melhor será bom o suficiente.

1 – Carta de 1966

2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 263

 

NA OPINIÃO DO BILL 163

O alívio e a alegria

Quem pode dar uma explicação de todas as misérias que já sofremos e quem pode avaliar o alívio e a alegria que os últimos anos nos trouxeram? Quem pode possivelmente contar os grandes resultados do que o trabalho de Deus, através de A.A., já pôs em movimento?

E quem pode desvendar o grande mistério de nossa total libertação da escravidão, uma escravidão que leva à mais fatal e desesperada obsessão, que por séculos tinha dominado a mente e o corpo dos homens e mulheres como nós?

* * *

Achamos que o bom humor e o riso são úteis. As pessoas de fora às vezes ficam chocadas, quando manifestamos alegria contando uma experiência aparentemente trágica, do passado. Mas por que não deveríamos rir? Estamos recuperados e ajudamos os outros a se recuperarem. Que maior motivo de regozijo poderia haver do que esse?

1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 40

2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 135

 

NA OPINIÃO DO BILL 164

Um princípio salvador

Essa prática de admitir os próprios defeitos a uma outra pessoa é, sem dúvida, muito antiga. Isso tem sido válido, em todos os séculos, e caracteriza a vida de todas as pessoas espiritualizadas e verdadeiramente religiosas.

Mas hoje a religião não é nem de longe a única defensora desse princípio salvador. Os psiquiatras e psicólogos apontam a grande necessidade que todo ser humano tem de discernimento e conhecimentos práticos das falhas de sua própria personalidade e de discutí-las com uma pessoa compreensiva e digna de confiança.

No que se refere aos alcoólicos, A.A. vai ainda mais longe. A maioria de nós declararia que sem a corajosa admissão de nossos defeitos para um outro ser humano, não poderíamos nos manter sóbrios. Até que estejamos dispostos a tentar isso, parece evidente que a graça de Deus não nos tocará para expulsar nossas obsessões destrutivas.

Os Doze Passos, pág. 46

 

NA OPINIÃO DO BILL 165

"Sucesso" no trabalho do décimo segundo passo

"Percebemos agora que no trabalho do Décimo Segundo Passo os resultados imediatos não são tão importantes. Algumas pessoas começam a trabalhar com outras e têm sucesso imediato. É possível que fiquem convencidas. Aqueles de nós que não são tão bem-sucedidos, no início, ficam deprimidos.

"De fato, o servidor que é bem-sucedido difere daquele que não é, apenas porque teve sorte com seus prováveis membros. Ele simplesmente aborda recém-chegados que estão prontos e capazes de parar de beber imediatamente. Com os mesmos prováveis membros, a pessoa aparentemente mal sucedida teria obtido quase os mesmos resultados. Você tem que trabalhar com muitos recém-chegados, para poder obter uma média".

* * *

Toda verdadeira comunicação deve ser baseada na necessidade mútua. Vimos que cada padrinho teria que admitir humildemente suas próprias necessidades, do mesmo modo que seu afilhado.

1 – Carta de 1942

2 – A.A. Today, pág. 10

 

NA OPINIÃO DO BILL 166

Medo de nada

Embora nós de A.A. estejamos vivendo num mundo caracterizado por medo destrutivos como nunca houve na história, vemos grandes setores de fé e inúmeras aspirações em direção à justiça e confraternização. Contudo, nenhum profeta ousa dizer se o futuro do mundo será uma terrível destruição ou o começo, sob a vontade de Deus, da mais brilhante era já conhecida pela humanidade.

Estou certo de que nós, AAs, compreendemos essa perspectiva. Em pequena escala, temos experimentado esse mesmo estado de terrível incerteza, cada um em sua própria vida. Sem orgulho, podemos dizer que não tememos o futuro do mundo, qualquer que ele seja. Isso porque nos tornamos capazes de sentir profundamente e dizer: "Não teremos medo de nada – seja feita Tua vontade, não a nossa".

Grapevine de janeiro de 1962

 

NA OPINIÃO DO BILL 167

Progresso em vez de perfeição

Ao estudar os Doze Passos, muitos de nós reclamam: "Que tarefa! Não posso fazê-la toda". Não desanime. Nenhum de nós conseguiu aderir completamente a estes princípios. Não somos santos.

O que importa é que estejamos dispostos a crescer espiritualmente. Os princípios apresentados são orientações para o progresso. Pretendemos o progresso espiritual, em vez da perfeição espiritual.

* * *

"Nós, alcoólicos recuperados, não somos tão irmãos nas virtudes como somos em nossos defeitos e em nossas lutas comuns para vencê-los".

1 – Alcoólicos Anônimos, pág.75

 

NA OPINIÃO DO BILL 168

Aceitando as dádivas de Deus

"Embora muitos teólogos afirmem que as súbitas experiências espirituais levem a uma distinção especial ou a algum tipo de ordenação divina, eu questiono esse ponto de vista. Todo ser humano, qualquer que sejam seus atributos para o bem ou para o mal, é uma parte da economia espiritual divina. Portanto, cada um de nós tem seu lugar, e não posso aceitar que Deus pretenda exaltar um mais que o outro.

"Desta forma, é preciso que todos nós aceitemos qualquer dádiva positiva que recebamos, com profunda humildade, tendo sempre em mente que nossas atitudes negativas foram em primeiro lugar necessárias, como um meio de nos reduzir a um estado tal que nos deixasse prontos para receber uma dádiva positiva, através da experiência da conversão. Nosso próprio alcoolismo e a imensa deflação que finalmente daí resultou, constituem na verdade a base sobre a qual repousa nossa experiência espiritual".

Carta de 1964

 

NA OPINIÃO DO BILL 169

O aprendizado não termina nunca

"Minha experiência, como membro antigo, é em alguns pontos paralela à sua e as de muitos outros. Todos nós descobrimos que chega o momento em que não mais podemos conduzir os negócios funcionais dos grupos, áreas ou, em meu caso, de A.A. como um todo. Em última análise, só podemos valer tanto quanto tenha se justificado nosso exemplo espiritual. Dessa forma, nós nos tornamos símbolos úteis – e isso é praticamente tudo".

* * *

"Tornei-me discípulo do movimento de A.A., ao invés do professor que eu outrora achava que era".

1 – Carta de 1964

2 – Carta de 1949

 

NA OPINIÃO DO BILL 170

A vontade de quem?

Temos visto AAs pedirem, com muita sinceridade e fé, orientação explícita de Deus sobre assuntos que variam, desde desastrosas crises domésticas ou financeiras, até a correção de pequenas falhas pessoais, como a impontualidade. Um homem que tenta dirigir rigorosamente sua vida por esse tipo de oração, com essa necessidade egoísta de respostas divinas, é uma pessoa especialmente confusa. A qualquer pergunta ou crítica a suas ações, ele logo fala de sua confiança na oração como um guia para todos os assuntos, sejam eles importantes ou não.

Ele pode ter esquecido a possibilidade de que seus desejos e a tendência humana de racionalizar tenham distorcido sua assim chamada orientação. Com a melhor das intenções, ele tende a impor sua própria vontade em qualquer situação ou problema, com a confortável segurança de que está agindo sob a direção específica de Deus.

Os Doze Passos, pág. 94

 

NA OPINIÃO DO BILL 171

Benefícios e mistérios

"A preocupação de A.A. com a sobriedade é às vezes mal interpretada. Para alguns, essa simples virtude parece ser o único benefício de nossa Irmandade. Pensam que somos bêbados recuperados e que em outros aspectos mudamos para melhor, pouco ou nada. Essa suposição está muito longe da verdade. Sabemos que uma sobriedade permanente pode ser alcançada apenas por uma revolucionária mudança na vida e perspectiva do indivíduo – por um despertar espiritual que pode eliminar o desejo de beber".

* * *

"Você está se perguntando, como muitos de nós devem estar: 'Quem sou eu?' 'Onde estou?' 'Para onde vou?' O processo de esclarecimento é geralmente lento.

Mas, no fim, nossa busca sempre traz uma descoberta. Esses grandes mistérios são, afinal de contas, mantidos em completa simplicidade. A disposição de desenvolver-se é a essência de todo crescimento espiritual."

1 – Carta de 1966

2 – Carta de 1955

 

NA OPINIÃO DO BILL 172

Este assunto de honestidade

"Somente Deus pode saber o que é honestidade absoluta. Logo, cada um de nós tem que imaginar com o máximo de nossa capacidade – o que é esse grande ideal.

"Falíveis como somos e sempre seremos nesta vida, seria presunção supor que poderemos alcançar uma honestidade absoluta. O melhor que podemos fazer é atingir uma melhor qualidade de honestidade.

"Às vezes precisamos colocar o amor acima da indiscriminada "verdadeira honestidade". Não podemos, sob o disfarce de uma 'perfeita honestidade', ferir outras pessoas, cruel e desnecessariamente. Sempre se deve perguntar: 'Qual é a coisa melhor e mais cheia de amor que posso fazer?'"

Carta de 1966

 

NA OPINIÃO DO BILL 173

As raízes da realidade

Iniciemos um inventário pessoal, o Quarto Passo. Sem fazer um inventário periódico, um negócio geralmente vai à falência. Fazer um inventário comercial é um processo que consiste em conhecer e enfrentar os fatos. É um esforço para se descobrir a verdade sobre a mercadoria em estoque. Um dos objetivos é revelar os bens danificados ou que não têm condições de serem vendidos, de desfazer-se deles logo, sem pesar. Para que o dono do negócio seja bem-sucedido, ele não pode se enganar a respeito dos valores. Tínhamos que fazer exatamente a mesma coisa com nossas vidas. Tínhamos que fazer um inventário com honestidade.

***

"Tenho excelentes razões para saber como os momentos de percepção podem construir uma vida inteira de serenidade espiritual. As raízes da realidade, suplantando as ervas daninhas neuróticas, vão promover uma base firme, apesar do furacão das forças que nos destruiriam ou que usaríamos para nos destruir".

1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 78

2 – Carta de 1949

 

NA OPINIÃO DO BILL 174

Forças construtivas

Minha opinião era tão arraigada, como a que freqüentemente vemos hoje em dia nas pessoas que se dizem ateístas ou agnósticas. Sua vontade de descrer é tão forte, que parecem preferir a morte do que uma busca sincera de Deus, feita com a mente aberta. Felizmente para mim e para muitos como eu que buscaram A.A., as forças construtivas, produzidas em nossa Irmandade, quase sempre venceram essa colossal teimosia. Abatidos e completamente derrotados pelo álcool, frente a frente com a prova viva da libertação e rodeados por aqueles que podem nos falar do fundo do coração, finalmente nos rendemos.

A seguir, paradoxalmente, nos encontramos numa nova dimensão, o verdadeiro mundo do espírito e da fé. Boa vontade suficiente, mente aberta suficiente – e aí está!

A.A. Today, pág. 9

 

NA OPINIÃO DO BILL 175

Aspectos da tolerância

Todos os tipos de pessoas têm encontrado caminho em A.A. Não faz muito tempo, estive conversando em meu escritório com um membro que leva o título de Condessa. Nessa mesma noite fui a uma reunião de A.A. Era inverno e na porta da entrada estava um cavalheiro de baixa estatura que gentilmente guardava nossos casacos. Perguntei: "Quem é aquele?" E alguém respondeu: "Oh!, ele está aqui há muito tempo. Todo mundo gosta dele. Ele pertencia ao grupo de Al Capone." Isso mostra como A.A. é hoje em dia universal.

***

Não temos o desejo de convencer ninguém de que só existe um meio pelo qual a fé pode ser adquirida. Todos nós, sem distinção de raça, credo ou cor, somos filhos de um Criador vivo, com quem podemos estabelecer um relacionamento em termos simples e compreensíveis, tão logo estejamos dispostos e sejamos honestos o suficiente para tentar.

1 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 92 e 93

2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 46

 

NA OPINIÃO DO BILL 176

Domínio e exigência

O fato principal é que deixamos de reconhecer nossa total incapacidade de manter um verdadeiro entrosamento com um outro ser humano. Nossa egomania prepara duas armadilhas desastrosas. Ou insistimos em dominar as pessoas que conhecemos, ou dependemos muito delas.

Se nos apoiamos demais nas pessoas, mais cedo ou mais tarde vamos nos decepcionar, pois também são seres humanos e possivelmente não podem satisfazer às nossas constantes exigências. Assim, nossa insegurança cresce e se inflama.

Quando temos o hábito de tentar manipular os outros, para atender a nossos obstinados desejos, eles se revoltam e resistem fortemente. Desenvolvemos, então, sentimentos feridos, mania de perseguição e um desejo de desforra.

***

Minha dependência significa exigência – uma exigência da posse e controle das pessoas e condições que me cercam.

1 – Os Doze Passos, pág. 43

2 – Grapevine de janeiro de 1958

 

NA OPINIÃO DO BILL 177

Dinheiro – antes e depois

Na época em que bebíamos, gastávamos como se o dinheiro nunca fosse acabar, embora entre uma bebedeira e outra, às vezes fôssemos ao outro extremo e nos tornássemos quase avarentos. Sem perceber, estávamos apenas acumulando fundos para a próxima farra. O dinheiro era para nós o símbolo do prazer e da auto-importância. Quando nossa maneira de beber piorou muito, o dinheiro era apenas um imperioso requisito que poderia nos proporcionar o gole seguinte e o conforto do desligamento que ele trazia por alguns momentos.

***

Embora a recuperação financeira esteja sendo alcançada por muitos de nós, descobrimos que não podemos pôr o dinheiro em primeiro lugar. Para nós, o bem-estar material sempre vem depois do progresso espiritual; nunca o precede.

1 – Os Doze Passos, pág. 106

2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 131

 

NA OPINIÃO DO BILL 178

Com os pés no chão

Aqueles de nós que passaram muito tempo no mundo da falsa espiritualidade, eventualmente viram a infantilidade disso. O mundo do sonho foi substituído por um grande sentido de realidade, acompanhado de uma crescente consciência do poder de Deus em nossas vidas.

Chegamos a acreditar que Ele gostaria que mantivéssemos nossas cabeças nas nuvens com Ele, mas que nossos pés ficassem firmes no chão. É aí onde estão nossos semelhantes, e é aí onde nosso trabalho deve ser feito. Essas são as realidades para nós. Não achamos nenhuma incompatibilidade entre uma experiência espiritual poderosa e uma vida útil, sadia e feliz.

Alcoólicos Anônimos, pág. 133

 

NA OPINIÃO DO BILL 179

Enfrentando a raiva

Poucas pessoas foram mais atingidas pelos ressentimentos do que nós alcoólicos. Uma explosão de mau gênio poderia estragar nosso dia, e um sentimento de revolta bem alimentado poderia nos tornar miseravelmente inúteis. Além do mais, nunca fomos capazes de distinguir a raiva justificada da não justificada. A nosso ver, nossa indignação era sempre justificada. A raiva, esse luxo que às vezes as pessoas mais equilibradas têm, poderia nos manter sob uma bebedeira emocional indefinidamente. Essas "bebedeiras secas" com freqüência nos levavam diretamente à garrafa.

***

Nada melhor do que o controle da língua e da pena. Devemos evitar a crítica feita com raiva, a discussão violenta, o mau humor e o desdém em silêncio. Estas são armadilhas emocionais que têm como isca o orgulho e o espírito de vingança. Quando somos tentados pela isca, deveríamos estar preparados para dar um passo atrás e pensar. Não podemos pensar nem agir para alcançar um bom objetivo, até que o hábito do autocontrole tenha se tornado automático.

1 – Os Doze Passos, pág. 78

2 – Os Doze Passos, pág. 79

 

NA OPINIÃO DO BILL 180

Problema da comunidade

A resposta ao problema do alcoolismo parece estar na educação – nas salas de aula, nas faculdades de medicina, entre os clérigos e empregadores, nas famílias e no público em geral. Do berço à sepultura, o bêbado e o alcoólico em potencial terão de ser completamente cercados de uma verdadeira e profunda compreensão e de uma constante sucessão de informações.

Isso significa uma verdadeira educação, apresentada adequadamente. Até aqui, grande parte dessa educação tinha atacado mais a imoralidade das bebedeiras do que a doença do alcoolismo.

Agora, quem se encarrega dessa educação? Obviamente, ela é um trabalho da comunidade e de especialistas. Individualmente, nós AAs podemos ajudar, mas A.A. como tal não pode, e não deveria entrar diretamente nesse campo. Portanto, devemos confiar em outras organizações, em amigos de fora e em sua boa vontade para fornecer grande quantidade de dinheiro e esforço.

Grapevine de março de 1958