Na opinião de BILL - 181 à 242

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 181  à  242 






 

NA OPINIÃO DO BILL 181

Perfeição imaginária

Quando nós, os primeiros AAs, tivemos o primeiro vislumbre de como poderíamos ser espiritualmente orgulhosos, inventamos esta expressão: "Não tente ser Santo tão depressa!"

A velha advertência pode parecer mais um daqueles fáceis álibis que podem nos desculpar de não tentar o melhor que podemos. No entanto, uma visão mais profunda revela exatamente o contrário. Essa é a maneira de A.A. prevenir a cegueira do orgulho e as perfeições imaginarias que não possuímos.

***

Somente o Primeiro Passo, onde fizemos a admissão total de que éramos impotentes perante o álcool, pode ser praticado com absoluta perfeição. Os outros onze Passos enunciam ideais perfeitos. São metas para as quais nos dirigimos e a medida pela qual avaliamos nosso progresso.

1 – Grapevine de junho de 1961

2 – Os Doze Passos, pág. 58



 

NA OPINIÃO DO BILL 182

A realidade das experiências espirituais

"Talvez você levante a questão da alucinação contra a divina imagem de uma autêntica experiência espiritual. Duvido que alguém já tenha definido com autoridade o que é realmente uma alucinação. Contudo, é certo que todos os que tiveram experiência espiritual afirmam a realidade delas. A melhor evidência dessa realidade são os frutos posteriores. Aqueles que receberam essas dádivas da Graça mudaram muito, quase sempre para melhor. Quase não se pode dizer isso daqueles que tiveram alucinações.

"Alguns poderiam me achar presunçoso, quando digo que minha própria experiência é real. Contudo, posso afirmar seguramente que, em minha vida e nas vidas de inúmeras outras pessoas, os frutos dessa experiência foram reais, e os benefícios além da estimativa".

Palestra de 1960




NA OPINIÃO DO BILL 183

Um observador alarmado

"Durante vários infrutíferos anos, estive num estado que poderia ser chamado de observando com alarme pelo bem do movimento. Achava que era meu dever sempre 'corrigir situações'. Raramente alguém era capaz de me dizer o que eu deveria fazer, e ninguém jamais foi bem-sucedido em me dizer o que fazer. Tinha que aprender, através de grande esforço, com minha própria experiência.

"Quando me punha a vigiar os outros, descobri que com freqüência eu estava motivado pelo medo do que eles estavam fazendo, farisaísmo e mesmo absoluta intolerância. Em conseqüência, poucas vezes consegui corrigir alguma coisa. Eu só levantava barreiras de ressentimentos que cortavam qualquer sugestão, exemplo, compreensão ou amor".

***

"Os AAs freqüentemente dizem: Nossos líderes não dirigem por mandato; lideram pelo exemplo. Se tivéssemos que afetar os outros, favoravelmente, precisaríamos praticar o que pregamos – e esquecer também o pregar. O bom exemplo fala por si mesmo."

1 – Carta de 1945

2 – Carta de 1966



 

NA OPINIÃO DO BILL 184

Enfrentando a adversidade

"Nosso crescimento espiritual e emocional em A.A. não depende tanto do sucesso como de nossos fracassos e contratempos. Se você tiver isso em mente, acho que sua recaída terá o efeito de chutá-lo escada acima, em vez de para baixo.

"Nós AAs, não tivemos nenhum professor melhor do que a velha Senhora Adversidade, a não ser naqueles casos em que recusamos o ensinamento".

***

"De vez em quando somos vítimas da crítica. Quando estamos irritados e feridos, é difícil não pagar na mesma moeda. Entretanto, podemos nos afastar e então nos examinar, perguntando se essas críticas têm fundamento. Se assim for, podemos admitir nossos defeitos para eles. Geralmente isso leva a um entendimento mútuo".

"Suponhamos que nossos críticos sejam injustos. Então podemos tentar uma persuasão calma. Se continuarem os falatórios, nos é possível – de coração – perdoá-los. Talvez um senso de humor possa ser nossa salvação, por isso podemos tanto perdoar como esquecer".

1 – Carta de 1958

2 – Carta de 1966



 

NA OPINIÃO DO BILL 185

Bumerangue

Quando estava com dez anos, eu era um rapaz alto e desajeitado e me sentia muito mal com isso, porque os moleques menores que eu sempre levavam vantagens nas brigas. Eu me lembro de que estive muito deprimido durante um ano ou mais, daí comecei a desenvolver uma grande vontade de vencer.

Um dia, meu avô chegou com um livro sobre a Austrália e me disse: "Este livro diz que ninguém, a não ser um camponês australiano, sabe fabricar e atirar um bumerangue".

Pensei: "Aqui está minha oportunidade." "Serei o primeiro homem na América a fabricar e atirar um bumerangue." Bem, qualquer moleque poderia ter uma idéia como essa. Isso poderia ter durado dois ou três dias como duas ou três semanas. Mas tive uma força motivadora que se manteve durante seis meses, fiz um bumerangue que pôde dar a volta no pátio da igreja, em frente da casa, quase atingindo meu avô na cabeça quando o bumerangue estava voltando.

Com emoção, lancei a moda de um outro tipo de bumerangue, um que quase me matou posteriormente.

A.A. Atinge a Maioridade, págs. 48 e 49



 

NA OPINIÃO DO BILL 186

"O único requisito..."

Na Terceira Tradição, A.A. está na verdade dizendo a todo bebedor problema: "Você será um membro de A.A. se assim disser. Você mesmo pode declarar que faz parte da Irmandade; ninguém pode deixá-lo de fora. Seja você quem for, seja qual for o ponto a que você tenha chegado, sejam quais forem suas complicações emocionais – mesmo seus crimes – não queremos deixá-lo de fora. Queremos apenas ter a certeza de que você terá a mesma oportunidade de obter a sobriedade que nós tivemos."

***

Não queremos negar a ninguém a oportunidade de se recuperar do alcoolismo. Queremos abranger o maior número possível de pessoas, nunca ser exclusivistas.

1 – As Doze Tradições, pág. 21

2 – Grapevine de agosto de 1946



 

NA OPINIÃO DO BILL 187

Palavra ou ação?

Ao fazer reparações, raramente é aconselhável se abordar um indivíduo, que ainda sofra a injustiça que lhe fizemos, e anunciar que nos tornamos religiosos. Isso deveria ser chamado de agressão com o queixo. Por que sermos chamados de chatos ou fanáticos religiosos? Se fizermos isso, poderemos destruir uma futura oportunidade de levar uma mensagem benéfica. Mas a pessoa que ouvir nossas reparações ficará bem impressionada com nosso sincero desejo de reparar um dano. Ela vai se interessar mais por uma demonstração de boa vontade do que pela conversa das descobertas espirituais.

Alcoólicos Anônimos, pág. 89



 

NA OPINIÃO DO BILL 188

Vencer as provas

Em nosso modo de pensar, qualquer esquema para combater o alcoolismo, que se proponha a proteger totalmente o doente da tentação, está destinado ao fracasso. Se o alcoólico tenta se proteger, ele pode ser bem-sucedido por algum tempo, mas geralmente acaba tendo a maior das explosões. Já tentamos esses métodos. Essas tentativas de fazer o impossível sempre fracassaram. Nossa resposta é libertar-se do álcool, e não fugir dele.

***

"A fé sem obras é morta". Essa é uma aterradora verdade para o alcoólico! Porque se um alcoólico deixa de aperfeiçoar e engrandecer sua vida espiritual, por meio do trabalho e do sacrifício próprio em benefício dos demais, ele não pode vencer as provas e os momentos de fraqueza que esperam por ele. Se não trabalhar, com certeza voltará a beber, e se beber, certamente morrerá. Então, a fé será realmente morta.

1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 109

2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 34




NA OPINIÃO DO BILL 189

Experimentadores

Nós, agnósticos, gostávamos de A.A., tudo bem, e estávamos prontos para dizer que ele fazia milagres. Mas recusávamos ante a meditação e a oração, tão obstinadamente quanto o cientista, que se recusava a realizar certa experiência, por medo que ela viesse provar que sua teoria favorita estava errada.

Quando finalmente experimentamos, e surgiram resultados inesperados, nós nos sentimos diferentes; de fato percebemos que ficamos diferentes e assim aceitamos a meditação e a oração. E descobrimos que isso pode acontecer com qualquer pessoa que tente. Já foi dito e muito bem que "aqueles que zombam da oração são, quase sempre, os que não a experimentaram suficientemente".

Os Doze Passos, pág. 84



 

NA OPINIÃO DO BILL 190

O modo de vida de A.A. no lar

Mesmo que o alcoólico não corresponda, não há razão para você ignorar seus familiares. Você deveria continuar a manter relações amigáveis com eles, expondo o conceito de A.A. sobre o alcoolismo e seu tratamento. Se aceitarem isso e também aplicarem nossos princípios a seus problemas, há uma chance maior do chefe da família se recuperar. E mesmo que ele continue a beber, a família vai achar a vida mais suportável.

***

A não ser que a família de um novo membro esteja disposta a viver de acordo com os princípios espirituais, achamos que o alcoólico não deveria insistir nisso.

Os familiares mudarão com o tempo. O melhor comportamento do alcoólico geralmente convencerá a família muito melhor do que suas palavras.

Alcoólicos Anônimos, pág. 106

Alcoólicos Anônimos, pág. 94


 *Hoje, a iniciação do modo de vida de A.A. no lar é o principal propósito dos Grupos Familiares Al-Anon, que contam aproximadamente (conforme estatística de 1983) com 20.000 grupos no mundo todo. Esses grupos são constituídos de esposas, esposos e parentes de alcoólicos. O sucesso do Al-Anon tem sido enorme, levando os familiares a uma vida satisfatória.



 

NA OPINIÃO DO BILL 191

O começo da humildade

"Há poucos absolutos inerentes nos Doze Passos. Quase todos os Passos estão abertos à interpretação, baseada na experiência e visão do indivíduo.

"Conseqüentemente, o indivíduo é livre para começar os Passos no ponto em que ele puder ou quiser. Deus, como nós O concebemos, pode ser definido como um 'Poder maior...' ou o Poder Superior. Para milhares de membros, o próprio grupo de A.A. tem sido, no início, um 'Poder Superior'. Esse conhecimento é fácil de aceitar, se o recém-chegado sabe que os membros, em sua maioria, estão sóbrios e ele não.

"Sua admissão é o começo da humildade – pelo menos o recém-chegado está disposto a renunciar à idéia de que ele mesmo é Deus. Esse é o começo de que ele precisa. Se seguir esse procedimento, ele vai relaxar e praticar todos os Passos que puder, e certamente crescerá espiritualmente".

Carta de 1966



 

NA OPINIÃO DO BILL 192

Levando a mensagem

A maravilhosa energia que o Décimo Segundo Passo libera, pela qual ele leva nossa mensagem ao alcoólico que ainda sofre e que, finalmente, põe os Doze Passos em ação, aplicando-os a todas as nossas atividades, é o desfecho, a magnífica realidade de A.A.

***

Nunca fale com um alcoólico, com ares de superioridade moral ou espiritual, simplesmente lhe apresente o conjunto de instrumentos espirituais, para que ele o examine. Mostre-lhe como esses instrumentos funcionaram para você. Ofereça-lhe amizade e camaradagem.

1 – Os Doze Passos, pág. 96

2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 104



 

NA OPINIÃO DO BILL 193

O álibi espiritual

Nossas primeiras tentativas de fazer inventários provaram ser pouco realistas. Eu costumava ser um campeão em auto-exame irrealista. Em certas ocasiões, eu só queria ver o lado de minha vida que parecesse bom. Então exagerava muito as virtudes que eu supunha ter conquistado. Depois me felicitava pelo grande trabalho que estava fazendo em A.A.

Isso naturalmente gerava uma terrível ânsia por ainda mais "talento" e ainda mais aprovação. Eu estava voltando ao velho padrão de meus dias de bebedeira. Aqui estavam as mesmas metas – poder, fama e aplauso. Além disso, eu tinha o melhor álibi possível – o álibi espiritual. O fato de que eu tinha, realmente, um objetivo espiritual, fazia esse grande absurdo parecer perfeitamente correto.

Grapevine de junho de 1961



 

NA OPINIÃO DO BILL 194

A obsessão e a resposta

A idéia de que de algum modo, algum dia, vai controlar e desfrutar da bebida constitui a grande obsessão de todo bebedor anormal. A persistência dessa ilusão é incrível. Muitos a perseguem até às portas da loucura e da morte.

***

O alcoolismo, não o câncer, era minha doença, mas qual a diferença? O alcoolismo também não era um consumidor do corpo e da mente? O alcoolismo levaria mais tempo para matar, mas o resultado era o mesmo. Então decidi, que se houvesse um grande Médico que pudesse curar a doença do alcoolismo, o melhor que eu poderia fazer era procurá-Lo imediatamente.

1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 49

2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 56



 

NA OPINIÃO DO BILL 195

A linguagem do coração

Por que, nesse ponto da história, Deus escolheu para comunicar Sua graça curadora a tantos de nós? Cada aspecto dessa expansão global pode estar relacionado com uma simples e crucial palavra. A palavra é "comunicação". Tem havido uma comunicação salvadora de vidas entre nós, com o mundo que nos rodeia e com Deus.

Desde o princípio, a comunicação em A.A. não tem sido apenas a transmissão de idéias e atitudes saudáveis. Porque somos irmãos no sofrimento e porque nossos meios comuns de libertação são para nós eficientes, apenas quando levados constantemente aos outros, nossos canais de contatos têm estado sempre carregados com a linguagem do coração.

A.A. Today, págs. 7 e 8



 

NA OPINIÃO DO BILL 196

Antídoto para o medo

Quando nossas falhas geram o medo, nós então temos uma doença da alma. Essa doença, por sua vez, gera mais defeitos de caráter.

O medo irracional de que nossos instintos não sejam satisfeitos nos leva a cobiçar os bens dos outros, a desejar ardentemente sexo e poder, a ficar com raiva quando nossas exigências instintivas são ameaçadas, a sentir inveja quando as ambições dos outros parecem ser realizadas enquanto as nossas não. Comemos, bebemos e nos apossamos de mais do que precisamos, sempre por medo de não ter o suficiente. E verdadeiramente alarmados frente à perspectiva de trabalho, permanecemos preguiçosos. Desperdiçamos tempo e protelamos ou, na melhor das hipóteses, trabalhamos de má vontade e sem energia.

Esses medos são os cupins que, incessantemente, devoram os alicerces de qualquer tipo de vida que tentamos construir.

***

Conforme cresce a fé, cresce a segurança interior. O grande medo latente do nada começa a desaparecer. Nós de A.A. descobrimos que nosso antídoto básico para o medo é o despertar espiritual.

1 – Os Doze Passos, págs. 39 e 40

2 – Grapevine de janeiro de 1962



 

NA OPINIÃO DO BILL 197

Onde leva a racionalização

"Você sabe o talento que temos para a racionalização. Se, para nós mesmos, justificamos plenamente uma recaída, então nossa propensão para racionalizar quase certamente justificará uma outra, talvez com desculpas diferentes. Mas uma justificação leva a uma outra, e em breve estamos de volta à garrafa em tempo integral".

***

Inúmeras vezes, a experiência mostra que mesmo aquele que toma pílula "controladamente" pode perder o controle. As mesmas racionalizações loucas que antigamente caracterizavam sua maneira de beber começam a arruinar sua existência. Ele acha que, se as pílulas podem curar a insônia, podem também curar suas preocupações.

Os médicos, nossos amigos, raras vezes são diretamente culpados pelos lamentáveis resultados que tantas vezes experimentamos. É muito fácil, para os alcoólicos, comprar essas drogas perigosas, e uma vez de posse delas, o bebedor muitas vezes é capaz de usá-las sem nenhum critério.

Carta de 1959

Grapevine de novembro de 1945



 

NA OPINIÃO DO BILL 198

Contar ao público?

"Alguns AAs de notoriedade mundial às vezes dizem: Se eu contar ao público que estou em Alcoólicos Anônimos, isso vai então trazer muitos outros. Expressa assim a crença de que nossa Tradição do anonimato não está certa – Pelo menos para eles".

"Esquecem que, durante seus dias de bebedeiras, suas principais metas eram prestígio e a ambição de se elevar socialmente. Não percebem que quebrando o anonimato, estão inconscientemente perseguindo outra vez aquelas antigas ilusões perigosas. Esquecem que preservar o anonimato significa muitas vezes o sacrifício do desejo pessoal de poder, prestígio e dinheiro. Não vêem que, se essas lutas ser tornarem gerais em A.A., o curso de nossa história seria mudado; que estariam lançando a semente de nossa própria destruição como sociedade."

"No entanto, posso felizmente dizer que, embora muitos de nós sejam tentados – e eu fui um deles –, poucos de nós aqui na América realmente quebram nosso anonimato, a nível público."

Carta de 1958



 

NA OPINIÃO DO BILL 199

A arrogância e seu oposto

Um provável membro muito teimoso foi levado pela primeira vez a uma reunião de A.A., onde dois oradores (ou talvez palestrantes) falavam sobre o tema "Deus, como eu O concebo". Sua atitude lembrava arrogância. De fato, o último orador se excedeu em suas convicções teológicas.

Os dois estavam repetindo o que eu fazia anos atrás. Em tudo o que diziam estava implícita a mesma idéia: "Gente, ouça o que estamos dizendo. Nós temos a única verdadeira marca de A.A. – e seria melhor que vocês a aceitassem!"

O novo provável membro disse que ele sabia disso – e saiu. Seu padrinho protestou que isso não era realmente A.A. Mas era tarde demais; ninguém pôde abordá-lo depois disso.

***

Vejo a "humildade por hoje" como uma posição sadia e segura entre os violentos extremos emocionais. É um lugar tranqüilo, onde posso ter bastante perspectiva e bastante equilíbrio para dar mais um pequeno passo pela estrada claramente marcada que indica a direção dos valores eternos.

1 – Grapevine de abril de 1961

2 – Grapevine de junho de 1961




NA OPINIÃO DO BILL 200

Fonte de força

Quando estourou a Segunda Guerra Mundial, esse princípio espiritual teve seu primeiro grande teste. Membros de A.A. entraram nas forças armadas e foram espalhados pelo mundo todo.

Seriam eles capazes de aceitar a disciplina, ficando debaixo de fogo e suportando a monotonia e a miséria da guerra? O tipo de dependência que aprenderam em A.A. os levaria em frente?

Sim, levou. Tiveram até menos recaídas alcoólicas ou bebedeiras emocionais do que os AAs que estavam em casa, fora de perigo. Mostraram tanta resistência e valentia quanto qualquer outro soldado. Tanto no Alaska como nas praias de Salermo, sua dependência de um Poder Superior funcionou.

Longe de ser uma fraqueza, essa dependência foi sua maior fonte de força.

Os Doze Passos, pág. 29

 



NA OPINIÃO DO BILL 201

Escolha ilimitada

Inúmeros alcoólicos são atormentados com a terrível convicção de que, se alguma vez se aproximarem de A.A., serão forçados a aceitar algum tipo de fé ou teologia.

Eles não compreendem que a fé nunca é um imperativo para ser membro de A.A.; que a sobriedade pode ser alcançada com um mínimo aceitável de fé e que nossos conceitos de um Poder Superior e Deus – como nós O concebemos – oferece a cada um uma escolha quase ilimitada de crença espiritual e de ação.

***

Ao falar com o provável membro, enfatize bem o fator espiritual. Se o indivíduo for agnóstico ou ateu, deixe bem claro que ele não tem que concordar com sua concepção de Deus. Ele pode optar por qualquer concepção que queira, desde que tenha sentido para ele.

O principal é que ele esteja disposto a acreditar num Poder Superior a ele mesmo e que viva segundo os princípios espirituais.

1 – Grapevine de abril de 1961

2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 102



 

NA OPINIÃO DO BILL 202

A hora da decisão

"Nem todas as grandes decisões podem ser tomadas, simplesmente anotando os prós e os contras de uma determinada situação, por mais útil e necessário que seja esse processo. Não podemos sempre depender daquilo que nos parece lógico. Quando há dúvidas acerca de nossa lógica, contamos com Deus e procuramos ouvir a voz da intuição. Se, na meditação, essa voz é persistente o suficiente, podemos ter bastante confiança em agir de acordo com ela, e não de acordo com a lógica.

"Se, depois de tentar nos guiar por essas duas coisas, ainda estivermos em dúvida, então deveríamos esperar uma maior orientação e, quando possível, adiar por algum tempo as decisões importantes. Então com maior conhecimento de nossa situação, a lógica e a intuição podem estar bem de acordo no caminho certo.

"Mas se a decisão deve ser tomada na hora, não vamos fugir dela por medo. Certa ou errada, sempre podemos tirar proveito da experiência."

Carta de 1966



 

NA OPINIÃO DO BILL 203

A verdadeira tolerância

Aos poucos começamos a ser capazes de aceitar os erros dos outros, assim como suas virtudes. Inventamos a poderosa e significativa frase: "Vamos amar sempre o que há de melhor nos outros – e nunca ter medo do que eles têm de pior."

***

Finalmente começamos a perceber que todas as pessoas, inclusive nós, estão de alguma forma emocionalmente doentes e muitas vezes erradas. Quando isso acontece, nos aproximamos da verdadeira tolerância e percebemos o que significa de fato o verdadeiro amor ao próximo.

1 – Grapevine de janeiro de 1962

2 – Os Doze Passos, pág. 80



 

NA OPINIÃO DO BILL 204

A formação do caráter

Uma vez que a maioria de nós nasce com uma infinidade de desejos naturais, não é de admirar que freqüentemente deixamos que eles excedam seu propósito.

Quando nos guiam cegamente, ou quando obstinadamente exigimos que nos proporcionem mais satisfações ou prazeres do que nos são possíveis ou devidos, é nesse ponto que nos afastamos do grau de perfeição que Deus deseja para nós aqui na terra. Essa é a medida de nossos defeitos de caráter ou, se você preferir, de nossos pecados.

Se pedirmos, Deus certamente perdoará nossas negligências. Mas em nenhum caso, Ele nos torna brancos como a neve e nos mantém assim sem nossa cooperação. Isso é alguma coisa que supomos estar dispostos a fazer. Ele quer apenas que tentemos, da melhor maneira possível, progredir na formação do caráter.

Os Doze Passos, pág. 55



 

NA OPINIÃO DO BILL 205

Virtude a auto-ilusão

Eu costumava me confortar com a crença exagerada de minha própria honestidade. Meus parentes da New England tinham me ensinado a santidade de todos os compromissos e contratos de negócio, dizendo: "A palavra do homem é sua fiança". De acordo com isto, a honestidade nos negócios era sempre fácil; nunca enganei ninguém.

Contudo, esse pequeno fragmento de virtude logo ocasionou alguns riscos interessantes. Nunca deixei de desprezar meus companheiros da Wall Street, que costumavam enganar seus clientes. Isso era bastante arrogante, mas a seguinte auto-ilusão ainda foi pior.

Minha apreciada honestidade nos negócios tinha agora se convertido numa confortável capa, sob a qual eu ocultava os muitos sérios defeitos que bloqueavam outros setores de minha vida. Estando certo desta virtude, foi fácil concluir que eu tinha todas as outras. Durante muitos anos isso me impediu de dar uma olhada dentro de mim mesmo.

Grapevine de agosto de 1961



 

NA OPINIÃO DO BILL 206

Orando pelos outros

Mesmo orando sinceramente, ainda podemos cair em tentação. Formamos idéias sobre o que achamos ser a vontade de Deus para com as outras pessoas. Dizemos para nós mesmos: "Este deveria ser curado de sua doença fatal" ou "Aquele deveria ser libertado de sua crise emocional" e oramos para obter estas determinadas coisas.

Claro que essas orações representam, no fundo, atos de bondade, mas muitas vezes se baseiam na suposição de que conhecemos a vontade de Deus a respeito da pessoa para quem oramos. Isso significa que, ao lado de uma oração sincera, pode existir em nós uma certa dose de presunção e vaidade.

A experiência de A.A. é que, especialmente nesses casos, deveríamos orar para que se faça a vontade de Deus, seja qual for, tanto para os outros como para nós mesmos.

Os Doze Passos, págs. 90 e 91



 

NA OPINIÃO DO BILL 207

O futuro da irmandade

"Parece certo que A.A. pode se manter firme em qualquer lugar e em qualquer situação. A.A. cresceu acima de qualquer dependência, que alguma vez poderia ter tido, de personalidades ou esforços de alguns dos membros mais antigos como eu. Vêm surgindo pessoas novas, capazes e vigorosas, aparecendo onde são necessárias. Além disso, A.A. atingiu maturidade espiritual o suficiente para saber que sua verdadeira dependência é de Deus."

***

Na verdade, nosso primeiro dever, quanto ao futuro de A.A., é o de manter em plena força o que agora temos. Só o mais vigilante cuidado pode assegurar isso. Nunca deveríamos ser embalados em complacente auto-satisfação, devido a grande aclamação e sucesso que temos em toda parte. Essa é a sutil tentação que poderia nos deixar atônitos hoje, talvez para nos desintegrar amanhã. Temos estado sempre unidos para enfrentar e vencer as falhas e crises. Os problemas têm sido nossos estimulantes. No entanto, como seremos capazes de enfrentar os problemas do sucesso?

1 – Carta de 1940

2 – A.A. Today, pág. 106



 

NA OPINIÃO DO BILL 208

A razão – uma ponte para a fé

Enfrentamos honestamente a questão da fé. Não podíamos evitar a polêmica. Alguns de nós já tinham atravessado a ponte da razão em direção ao litoral da fé, onde mãos amigas se estendiam nos dando as boas-vindas. Ficamos agradecidos pela razão nos ter levado tão longe. No entanto, por algum motivo, não nos atrevíamos a botar o pé no litoral. Talvez estivéssemos dependendo demais da razão e não quiséssemos perder seu apoio.

Mas sem saber, não tínhamos sido levados até onde estávamos, por um certo tipo de fé? Não é verdade que acreditávamos em nosso próprio raciocínio? Não é verdade que tínhamos confiança em nossa capacidade de pensar? E não era isso uma espécie de fé? Sim, tínhamos fé, de maneira objetiva, tínhamos sido fiéis ao deus da razão. Assim, descobrimos que, de uma maneira ou de outra, a fé estava sempre presente.

Alcoólicos Anônimos, pág. 69



 

NA OPINIÃO DO BILL 209
Nunca o mesmo outra vez

Descobriu-se que quando um alcoólico plantava na mente de outro a idéia da verdadeira natureza de sua doença, essa pessoa jamais voltaria a ser a mesma. Após cada bebedeira, ela diria a si mesma: "Talvez esses AAs tenham razão." Depois de algumas dessas experiências, muitas vezes antes do começo de grandes dificuldades, ele voltaria a nós, convencido.

***

Nos primeiros anos, aqueles dentre nós que ficaram sóbrios em A.A. eram, na verdade, casos horríveis e completamente sem esperança. Mas depois começamos a ter sucesso com alcoólicos moderados, e mesmos com alguns alcoólicos em potencial. Começavam a aparecer pessoas mais jovens. Chegavam muitas pessoas que ainda tinham trabalho, lar, saúde e posição social.

Naturalmente foi necessário que esses recém-chegados chegassem emocionalmente ao fundo do poço. Mas eles não tiveram que chegar a todos os tipos de fundo de poço possíveis para admitir que estavam derrotados.

1 – Os Doze Passos, pág. 15

2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 177



 

NA OPINIÃO DO BILL 210

Livre da escravidão

No Terceiro Passo, muitos de nós nos dirigimos a nosso Criador, como nós O concebíamos: "Deus, a Ti ofereço minha vida para que a construas e faças dela que for de Tua vontade. Liberta-me da escravidão do ego, a fim de fazer melhor Tua vontade. Remove minhas dificuldades, para que minha vitória sobre elas sirva de testemunho àqueles a quem eu ajudaria, com Teu poder, Teu amor e Teu modo de vida. Que eu possa sempre fazer Tua vontade!"

Pensamos bem antes de tomar essas medidas, para termos a certeza de que estávamos prontos. Então, começamos a nos entregar inteiramente a Ele.

Alcoólicos Anônimos, pág. 77



 

NA OPINIÃO DO BILL 211
Alcançando a humildade

Percebemos que não precisávamos sempre apanhar e levar cacetadas para ter humildade. Ela poderia ser alcançada, ou procurando-a voluntariamente, ou pelo constante sofrimento.

***

"Em primeiro lugar, procuramos obter um pouco de humildade, sabendo que morreremos de alcoolismo se não o fizermos. Depois de algum tempo, embora ainda possamos nos revoltar, até certo ponto, começamos a praticar a humildade, porque essa é a coisa certa a se fazer. Chega então o dia em que, finalmente livres da revolta, praticamos a humildade, porque no fundo a queremos como um modo de vida."

1 – Os Doze Passos, pág. 65

2 – Carta de 1966



 

NA OPINIÃO DO BILL 212

Fé e ação

A educação e o treinamento religiosos de seu provável membro podem ser bem superiores aos que você tenha. Nesse caso, ele vai duvidar que você possa acrescentar alguma coisa ao que ele já conhece.

Mas desejará saber por que as próprias convicções não funcionaram, enquanto as suas parecem funcionar bem. Talvez ele seja um exemplo de que a fé sozinha não basta. Para ser vital, a fé deve ser acompanhada de auto-sacrifício, altruísmo e ação construtiva.

Admita a possibilidade dele saber mais a respeito de religião do que você, mas chame a atenção dele para o fato de que, por mais profundas que sejam sua fé e educação religiosa, essas qualidades não poderiam lhe ter servido muito, caso contrário ele não estaria solicitando ajuda.

***

O Dr. Bob não precisava de mim para sua orientação espiritual. Ele tinha mais do que eu. Na verdade o que ele mais precisava, quando nos encontramos pela primeira vez, era de uma profunda deflação e da compreensão que somente um bêbado pode dar a outro. O que eu precisava era de humildade, de esquecimento de mim mesmo e de estabelecer um verdadeiro parentesco com um outro ser humano de meu próprio tipo.

1 – Alcoólicos Anônimos, págs. 102 e 103

2 – A.A. Today, pág. 10



 

NA OPINIÃO DO BILL 213

Complete a limpeza da casa

Muitas vezes, os recém-chegados procuram guardar para si mesmos os fatos desagradáveis referentes às suas vidas. Tentando evitar a experiência humilhante do Quinto Passo, eles se voltaram para métodos mais fáceis. Quase sem exceção se embriagaram. Tendo perseverado no resto do programa, perguntaram-me por que recaíram.

Achamos que a razão é que eles nunca completaram sua limpeza de casa. Fizeram seu inventário, mas continuaram agarrados a alguns de seus piores defeitos. Reconheceram que apenas tinham perdido seu egoísmo e medo; reconheceram que apenas tinham se humilhado. Mas não tinham aprendido a suficiente humildade, coragem e honestidade, como deveriam ter aprendido, até que contaram a uma outra pessoa, toda sua vida.

Alcoólicos Anônimos, págs. 85 e 86



 

NA OPINIÃO DO BILL 214

Apenas tentar

Em minha adolescência eu tinha que ser um atleta, porque eu não era atleta. Tinha que ser músico, porque não podia entoar a melodia mais simples. Tinha que ser líder de minha classe no internato. Tinha que ser o primeiro em tudo, porque em meu coração perverso eu me sentia em mim mesmo a última das criaturas de Deus. Não podia aceitar minha profunda sensação de inferioridade, e assim me tornei capitão do time de beisebol, e assim aprendi a tocar violino. Tinha que ser sempre o líder. Foi essa espécie de exigência "tudo ou nada" que mais tarde me destruiu.

***

"Estou contente porque você vai tentar esse novo trabalho. Mas esteja certo de que vai apenas 'tentar'. Se você tiver a atitude de que 'devo ser bem-sucedido, não devo falhar, não posso falhar', então você praticamente vai garantir o fracasso, que por sua vez vai garantir sua recaída na bebida. Mas se você considerar o empreendimento como apenas uma experiência construtiva, então tudo sairá bem."

1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 49

2 – Carta de 1958



 

NA OPINIÃO DO BILL 215

Treinamentos construtivos

Existem aqueles em A.A., a quem gostamos de chamar de nossos críticos "destrutivos". Conduzem pela força, são "politiqueiros", fazem acusações para atingir seus alvos – tudo pelo bem de A.A., naturalmente! Mas aprendemos que esses sujeitos não são tão destrutivos assim.

Deveríamos ouvir cuidadosamente o que eles dizem. Algumas vezes eles estão dizendo toda a verdade; outras vezes somente parte da verdade. Se estivermos a seu alcance, toda a verdade, parte da verdade ou a falta da verdade pode ser igualmente desagradáveis para nós. Se eles estiverem completamente certos, ou mesmo com um pouco da verdade, será melhor então agradecer-lhes e fazer nosso próprio inventário, admitindo que estávamos errados. Caso seja tolice, poderemos ignorar isso ou colocar todas as cartas na mesa e tentar convencê-los. Caso isso falhe, poderemos sentir pena deles por estarem doentes demais para entender e poderemos tentar esquecer todo o assunto.

Há poucos meios melhores de auto-análise e desenvolvimento da paciência do que a prova a que nos submetem esses membros bem-intencionados, mas equivocados.

Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 43



 

NA OPINIÃO DO BILL 216

Depois da "lua-de-mel"

"Para a maioria de nós, os primeiros anos de A.A. se parecem com uma lua-de-mel. Há uma nova e poderosa razão para nos manter vivos, há uma grande alegria em tudo. Durante algum tempo estamos afastados dos principais problemas da vida. Isso tudo é muito bom.

"Mas quando a lua-de-mel termina, somos obrigados a carregar nossos fardos, como todas as outras pessoas. É aí que começam os testes. Talvez o grupo nos tenha levado para caminhos diferentes. Talvez tenham aumentado as dificuldades em casa, ou no trabalho, ou no mundo lá fora. Então os antigos padrões de comportamento reaparecem. O que revela a extensão de nosso progresso é o modo como reconhecemos e lidamos com esse comportamento."

***

Os sábios sempre souberam que ninguém pode melhorar sua vida até que o auto-exame venha a se tornar um hábito regular, até que ele admita e aceite as coisas como são, e até que tente corrigir o que está errado, com paciência e perseverança.

1 – Carta de 1954

2 – Os Doze Passos, pág. 76



 

NA OPINIÃO DO BILL 217

A esperança nascida do desespero

Carta ao Dr. Carl Jung:

"Muitas experiências de conversão, qualquer que seja a variedade, têm como denominador comum o profundo colapso do ego. O indivíduo enfrenta um dilema impossível.

"Em meu caso, o dilema tinha sido criado por minha compulsão pela bebida, e o profundo sentimento de desespero tinha sido grandemente intensificado por meu médico. Esse sentimento ainda mais se aprofundou, quando meu amigo alcoólico me falou de seu veredito de desespero, a respeito de Rowland H.

"No despertar de minha experiência espiritual, veio-me uma visão de uma sociedade de alcoólicos. Se cada sofredor levasse a mensagem, a um outro, de que para o alcoolismo não há esperança no campo cientifico, ele seria capaz de levar todo recém-chegado de espírito aberto a uma experiencia espiritual transformadora. Esse conceito foi a base do sucesso que desde então A.A. tem obtido."

Grapevine de janeiro de 1963



 

NA OPINIÃO DO BILL 218

Felizes – quando somos livres

Para a maioria das pessoas normais a bebida significa a libertação da preocupação, do aborrecimento e da ansiedade. É a intimidade alegre com os amigos e um sentimento de que a vida é boa.

Mas não foi o que aconteceu conosco, nos últimos tempos de nossas pesadas bebedeiras. Os velhos prazeres desapareceram. Havia um desejo ardente de gozar a vida, como nunca, e uma dolorosa ilusão de que algum novo controle milagroso nos permitisse fazê-lo. Havia sempre mais uma tentativa e mais um fracasso.

***

Estamos certos de que Deus nos quer ver felizes, alegres e livres. Portanto, não podemos compartilhar a crença de que esta vida seja necessariamente um vale de lágrimas, embora em certa época tenha sido exatamente isso para muitos de nós. Mas ficou claro que vivíamos criando nossa própria miséria.

1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 157

2 – Alcoólicos Anônimos, págs. 135 e 136



 

NA OPINIÃO DO BILL 219

Dispostos a acreditar

Não permita que qualquer preconceito contra termos espirituais possa impedi-lo de se perguntar, o que eles poderiam significar para você. No começo, era disso que precisávamos para dar início a um crescimento espiritual, para estabelecer nossa primeira relação consciente com Deus, como nós O concebíamos. Mais adiante passamos a aceitar muitas coisas que nos pareciam inteiramente fora de alcance. Isso era crescimento, mas para crescer tínhamos que começar de algum modo. Assim, no princípio, usamos nossas próprias concepções de Deus, ainda que limitadas.

"Precisávamos nos fazer apenas uma simples pergunta: 'Acredito, ou estou mesmo disposto a acreditar que exista um Poder Superior a mim?' Assim que o indivíduo possa dizer que acredita, ainda que seja em pequeno grau, ou esteja disposto a acreditar, nós lhe asseguramos enfaticamente, que ele está no caminho."

Alcoólicos Anônimos, págs. 63 e 64



 

NA OPINIÃO DO BILL 220

Em sociedade

À medida que progredíamos espiritualmente, ficava claro que, se esperávamos algum dia nos sentir emocionalmente seguros, teríamos que colocar nossa vida na base do dar e receber; teríamos que desenvolver o hábito de viver em sociedade ou fraternidade com todos que nos cercam. Vimos que precisaríamos sempre dar de nós mesmos, sem esperar nada em troca. Quando persistimos nisso, descobrimos que aos poucos as pessoas eram atraídas para nós, como nunca foram antes. E mesmo que elas nos desapontassem, poderíamos ser compreensivos e não seriamos tão seriamente afetados.

***

A unidade, a eficiência e mesmo a sobrevivência de A.A. sempre dependerão de nossa contínua boa vontade de renunciar a nossos desejos e ambições pessoais, para a segurança e bem-estar comum. Do mesmo modo que o sacrifício significa sobrevivência para o indivíduo, também significa unidade e sobrevivência para o grupo e para a Irmandade de A.A. como um todo.

1 – Os Doze Passos, pág. 102

2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 257



 

NA OPINIÃO DO BILL 221

Deus não nos abandonará

"Acabo de saber que você está suportando magnificamente a adversidade – sendo essa adversidade seu estado de saúde. Isso me dá a oportunidade de expressar minha gratidão por sua recuperação em A.A. e especialmente pela demonstração de seus princípios, que você nos está agora, de maneira tão inspiradora, dando a todos nós."

"Você gostará de saber que os AAs têm superado quase todas as dificuldades a este respeito. Acho que isso é porque estamos tão certos de que Deus não vai nos abandonar nos momentos difíceis; na verdade Ele não nos abandonou quando bebíamos. E assim será para o resto de nossa vida."

"Certamente Ele não tenciona nos salvar de todos os problemas e da adversidade. Nem, no fim, Ele nos salva da chamada morte, uma vez que ela é apenas a passagem para uma nova vida, onde habitaremos em SUAS muitas mansões. Com respeito a essas coisas, sei que você tem uma fé muito grande."

Carta de 1966



 

NA OPINIÃO DO BILL 222

De quem é a culpa?

No Quarto Passo procuramos resolutamente nossos próprios erros. Onde tínhamos sido egoístas, desonestos, interesseiros e medrosos? Embora uma dada situação não tivesse sido criada inteiramente por nossa falta, muitas vezes tentamos jogar a culpa unicamente na outra pessoa envolvida.

Finalmente vimos que o inventário deveria ser nosso, não da outra pessoa. Assim, admitimos nossos defeitos honestamente e nos dispusemos a colocar esses assuntos em ordem.

Alcoólicos Anônimos, pág. 81



 

NA OPINIÃO DO BILL 223

Uma Irmandade – muitas crenças

Como sociedade, nunca devemos nos tornar tão vaidosos a ponto de supor que temos sido os autores e inventores de uma nova religião. Humildemente refletiremos que cada um dos princípios de A.A. foi tirado de fontes antigas.

***

Um ministro na Tailândia escreveu: "Levamos os Doze Passos de A.A. ao maior mosteiro budista dessa província, e o sacerdote responsável pela organização disse: 'Pois bem, esses Passos são excelentes! Para nós, budistas, isso poderia ser ligeiramente mais aceitável, se vocês tivessem inserido a palavra 'bem' em seus Passos, em vez de 'Deus'. Entretanto, vocês dizem nesses Passos que é um Deus como cada qual O concebe, e isso certamente incluir o bem. Sim, os Doze Passos de A.A. certamente serão aceitos pelos budistas daqui.' "

***

Os membros mais antigos de St. Louis recordaram como o Padre Edward Dowling ajudou a começar o grupo deles, que era composto por uma grande maioria de protestantes, mas isso não o perturbava em absoluto.

1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 207

2 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 73 e 74

3 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 34



 

NA OPINIÃO DO BILL 224

Liderança em A.A.

Nenhuma sociedade pode funcionar bem sem uma liderança capaz em todos os seus níveis, e A.A. não pode ser exceção. Precisa ser dito, entretanto, que nós de A.A. acalentamos, algumas vezes, a idéia de que podemos passar com quase nenhuma liderança pessoal. Somos capazes de distorcer a idéia tradicional dos "princípios acima das personalidades", a tal ponto que não haveria "personalidade" alguma na liderança. Isso redundaria, de qualquer maneira, em autômatos impessoais, tentando agradar todos.

Um líder no serviço de A.A. é portanto um homem (ou uma mulher) que pode pessoalmente colocar princípios, planos e normas em ação de maneira tão delicada e efetiva que leva o resto de nós a querer apoiá-lo e ajudá-lo em sua tarefa. Quando um líder nos guia pela força excessiva, nós nos revoltamos; mas quando ele se torna um submisso cumpridor de ordens e não usa nenhum critério próprio – então, ele realmente não é um líder.

Doze Conceitos para Serviços Mundiais, págs. 41 e 42



 

NA OPINIÃO DO BILL 225

A resposta no espelho

Enquanto bebíamos tínhamos certeza de que nossa inteligência, apoiada pela força de vontade, poderia muito bem controlar nossa vida interior e nos garantir sucesso no mundo em que vivemos. Essa corajosa filosofia, na qual cada individuo fazia o papel de Deus, soava bem, mas ainda tinha que passar pela prova de fogo: será que ela realmente funcionava? Uma boa olhada no espelho foi uma suficiente resposta.

***

Meu despertar espiritual foi muito rápido e absolutamente convincente. De repente me tornei uma parte – embora pequenina – de um cosmo que era dirigido pela justiça e pelo amor, na pessoa de Deus. Apesar das conseqüências de minha própria obstinação e ignorância, ou de meus companheiros de viagem na terra, a verdade ainda era essa. Essa era minha nova e positiva certeza – e ela nunca me abandonou.

1 – Os Doze Passos, págs. 27 e 28

2 – Grapevine de janeiro de 1962



 

NA OPINIÃO DO BILL 226

Humildade é para a Irmandade, também

Nós, AAs, às vezes exageramos as virtudes de nossa Irmandade. Vamos nos lembrar de que na verdade só algumas dessas virtudes caíram do céu. Para começar, fomos forçados a elas pelo cruel chicote do alcoolismo. Finalmente adotamos essas atitudes, não porque quisemos, mas porque tivemos que fazê-lo.

Então, à medida que o tempo confirmava que nossos princípios básicos eram certos, começamos a ficar de acordo, porque achamos que isso era o correto. Alguns de nós, principalmente eu, então ajustamo-nos com alguma relutância.

Mas finalmente chegamos a um ponto onde estamos dispostos a concordar, com alegria, com os princípios que a experiência, sob a graça de Deus, nos tem ensinado.

A.A. Atinge a Maioridade, pág. 200



 

NA OPINIÃO DO BILL 227

A sobriedade é suficiente?

O alcoólico é como um furacão, arrastando em seu caminho as vidas dos outros. Corações são dilacerados. Relações são rompidas. Afetos são destruídos. Hábitos egoístas e sem consideração mantêm o lar em tumulto.

Achamos que um indivíduo não pensa, quando diz que a sobriedade é suficiente. É como o fazendeiro que saiu de seu esconderijo, depois do ciclone, e ao encontrar sua casa destruída, disse para sua esposa: "Não vejo nenhum problema aqui, minha velha. Não foi bom a ventania ter passado?"

***

Perguntamos, a nós mesmos, o que queremos dizer quando falamos que "prejudicamos" outras pessoas. Afinal, que tipo de "danos" as pessoas causam aos outros? Para definir a palavra "dano", de maneira prática, poderíamos dizer que é o resultado do choque dos instintos, que ocasiona prejuízos físicos, mentais, emocionais ou espirituais, àqueles que nos cercam.

1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 93

2 – Os Doze Passos, pág. 79



 

NA OPINIÃO DO BILL 228

O começo da verdadeira afinidade

Quando chegamos em A.A. e pela primeira vez na vida nos encontramos entre pessoas que pareciam nos compreender, a sensação de pertencer foi muito emocionante. Achamos que o problema de isolamento tinha sido resolvido.

Mas logo descobrimos que embora não estivéssemos mais sozinhos, no sentido social, ainda sofríamos das antigas angústias do ansioso isolamento. Enquanto não falássemos, com toda a franqueza, de nossos conflitos e ouvíssemos mais alguém fazer o mesmo, ainda não fazíamos parte.

O Quinto Passo foi a resposta. Ele foi o começo de uma verdadeira afinidade com o homem e com Deus.

Os Doze Passos, pág. 47



 

NA OPINIÃO DO BILL 229

O dia do regresso ao lar

"Assim como a sobriedade significa vida longa e felicidade para o indivíduo, a unidade significa exatamente a mesma coisa para nossa Sociedade como um todo. Unidos, vivemos; desunidos, perecemos."

***

"Devemos pensar profundamente em todos aqueles doentes que ainda virão ao A.A. Quando eles procuram retornar à fé e à vida, queremos que encontrem em A.A. tudo o que encontramos e ainda mais, se for possível. Nenhum cuidado, nenhuma vigilância, nenhum esforço para preservar a constante eficiência e a força espiritual de A.A. será grande demais para nos pôr inteiramente de prontidão para o dia do regresso deles ao lar".

1 – Carta de 1949

2 – Palestra de 1959



 

NA OPINIÃO DO BILL 230

Amam todo o mundo?

Poucas pessoas podem afirmar com sinceridade que amam todo o mundo. Quase todos nós precisamos admitir que temos amado apenas algumas pessoas, que temos sido indiferentes a muitas. Quanto às outras – bem, temos tido realmente antipatia ou ódio delas.

Nós, AAs, descobrimos que precisamos de alguma coisa muito melhor, a fim de manter nosso equilíbrio. A idéia de que podemos amar possessivamente algumas pessoas, ignorar muitas e continuar a temer ou odiar quem quer que seja, tem que ser abandonada, mesmo que seja aos poucos.

Podemos procurar não fazer exigências descabidas àqueles que amamos. Podemos demonstrar bondade, onde antes não tínhamos demonstrado. Com aqueles que não simpatizamos, podemos pelo menos começar a prática da justiça e cortesia, talvez nos esforçando para compreendê-los e ajudá-los.

Os Doze Passos, pág. 80



 

NA OPINIÃO DO BILL 231

Privilegiados por comunicar

Todos devem concordar que nós, AAs, somos pessoas incrivelmente felizardas; felizardas porque sofremos tanto; felizardas porque podemos conhecer, compreender e amar uns aos outros, de forma bem aceitável.

Esses atributos e virtudes raramente caem do céu. Na verdade, a maioria de nós sabe muito bem que essas dádivas são raras, que tem sua verdadeira origem em nossa fraternidade nascida de um sofrimento comum e de uma libertação comum, pela graça de Deus.

Assim sendo, somos privilegiados por nos comunicar uns com os outros, num grau e de uma maneira quase nunca ultrapassada por nossos amigos não-alcoólicos do mundo que nos rodeia.

***

Eu costumava me envergonhar de minha situação e não falava sobre isso. Mas hoje confesso francamente que tenho tendência à depressão, e isso tem atraído para mim outros com a mesma tendência. Trabalhar com eles tem me ajudado bastante."*

1 – Grapevine de outubro de 1959

2 – Carta de 1954

*Bill acrescentou que não tem depressão desde 1955



 

NA OPINIÃO DO BILL 232

O valor da vontade humana

Muitos recém-chegados, tendo experimentado pouca, mas constante deflação, sentiam uma crescente convicção de que a vontade humana não tem nenhum valor. Ficamos convencidos, e com razão, de que além do álcool muitos outros problemas não vão ser resolvidos apenas pela vontade do indivíduo.

Contudo, há certas coisas que o indivíduo sozinho pode fazer. Sozinho e à luz de suas próprias condições, ele precisa desenvolver a boa vontade. Quando adquire boa vontade, ele é então a única pessoa que pode tomar a decisão de se esforçar no caminho espiritual. Tentar fazer isso é na verdade um ato de sua própria vontade. É usar corretamente essa faculdade.

Na verdade, todos os Doze Passos de A.A. requerem um constante esforço pessoal para se ficar de acordo com seus princípios e, assim esperamos, com a vontade de Deus.

Os Doze Passos, pág. 30



 

NA OPINIÃO DO BILL 233

Vida diária

A.A. enfatiza que o inventário pessoal é difícil, porque muitos de nós realmente nunca tivemos o hábito de fazer uma meticulosa auto-análise.

Uma vez que essa saudável prática tenha se tornado um hábito, passará a ser tão interessante e proveitosa que o tempo gasto não será perdido, pois esses minutos e algumas vezes horas gastas com auto-exame conseguem tornar melhores e mais felizes todas as outras horas do dia. Finalmente, nossos inventários passam a ser uma necessidade de nossa vida diária, e não uma coisa rara ou à parte.

Os Doze Passos, pág. 77

 



NA OPINIÃO DO BILL 234

Prisioneiros libertados

Carta a um grupo numa prisão:

"Todo A.A. foi, num certo sentido, um prisioneiro. Cada um de nós se trancou fora da sociedade; cada um conheceu o estigma social. Tudo para vocês tem sido mesmo muito difícil; no caso de vocês, a sociedade também construiu uma muralha a seu redor. Mas não existe realmente uma diferença essencial; esse é um fato que praticamente todos os AAs agora reconhecem."

"Portanto, quando vocês, membros, ingressarem no mundo de A.A., fora da prisão, podem ter a certeza de que ninguém vai se preocupar em comentar que vocês cumpriram pena. O que estão tentando ser – não o que foram – é tudo o que importa para nós."

***

"As dificuldades mentais e emocionais são às vezes muito difíceis de se tolerar, enquanto estamos tentando manter a sobriedade. Mas vemos, no decorrer do tempo, que vamos superando esses problemas, o que constitui na verdade uma prova de vida de A.A. A adversidade nos dá uma maior oportunidade de crescer, do que a comodidade ou o sucesso".

1 – Carta de 1949

2 – Carta de 1964



 

NA OPINIÃO DO BILL 235

Em busca da fé perdida

Muitos AAs podem dizer a uma pessoa sem fé: "Fomos desviados da fé que tínhamos quando crianças. Com a chegada do sucesso material, achamos que estávamos ganhando no jogo da vida. Isso era animador e nos fazia felizes."

"Por que deveríamos nos preocupar com abstrações teológicas e deveres religiosos ou com o estado de nossas almas, aqui ou no além? A vontade de ganhar nos levaria para frente."

"Então o álcool começou a nos dominar. Finalmente, quando todos os nossos cartões de contagem de pontos marcavam 'zero' e vimos que mais um golpe nos poria fora do jogo para sempre, tivemos que buscar nossa fé perdida. Foi em A.A. que reencontramos."

Os Doze Passos, pág. 20



 

NA OPINIÃO DO BILL 236

Perfeição – apenas o objetivo

Nós, seres humanos, não podemos ter humildade absoluta. No máximo, podemos apenas vislumbrar o significado e o esplendor desse perfeito ideal. Só Deus pode Se manifestar no absoluto; nós, seres humanos, precisamos viver e crescer no domínio do relativo.

Assim sendo, buscamos o progresso, na humildade, para o dia de hoje.

***

Poucos de nós podem estar prontos, rápida ou facilmente, mesmo para olhar em direção à perfeição moral e espiritual; queremos obter somente o tanto de perfeição que possamos alcançar na vida, de acordo, é claro, com as mais variadas idéias que tenhamos sobre o que nos é necessário. Lutamos erradamente por um objetivo auto-determinado, em vez de lutar pelo objetivo perfeito que é aquele que pertence a Deus.

1 – Grapevine de junho de 1961

2 – Os Doze Passos, págs. 57 e 58



 

NA OPINIÃO DO BILL 237

Nenhuma ordem é dada

Nem a Conferência de Serviços de A.A., nem sua Junta de Custódios, nem o mais humilde comitê de grupo pode dar uma única ordem a um membro de A.A. e fazê-lo cumprir, e muito menos puni-lo. Tentamos fazer isso muitas vezes, mas o resultado foi sempre um absoluto fracasso.

Grupos já tentaram expulsar membros, mas os que foram expulsos voltaram às reuniões, dizendo: "Isso para nós é a vida, vocês não podem nos manter de fora." Comitês instruíram muitos AAs a deixarem de trabalhar com aquele que não pára de recair e obtiveram deles apenas esta resposta: "Como faço o trabalho do Décimo Segundo Passo, é assunto meu. Quem são vocês para julgar?"

Isso não significa que um A.A. não receba conselhos ou sugestões de membros mais experientes. Ele simplesmente se recusa a receber ordens.

As Doze Tradições, pág. 54



 

NA OPINIÃO DO BILL 238

O martírio da embriaguez

"A autopiedade é um dos mais infelizes e desgastantes defeitos que conhecemos. É um entrave a todo progresso espiritual e pode interromper toda comunicação eficiente com nossos semelhantes, por causa de sua excessiva exigência de atenção e simpatia. É uma forma piegas de martírio ao qual nos damos ao luxo, doentemente.

"Qual é o remédio? Bem, vamos ter que dar uma boa olhada em nós mesmos, e uma ainda melhor nos Doze Passos de recuperação de A.A. Quando virmos como muitos de nossos companheiros de A.A. usaram os Passos para vencer grandes sofrimentos e adversidades, estaremos inspirados para tentar em nós mesmos esses princípios tão úteis à vida.

Carta de 1966



 

NA OPINIÃO DO BILL 239

Quando e como dar

As pessoas que clamam por dinheiro e abrigo, como uma condição para sua sobriedade, estão no caminho errado. Mas às vezes proporcionamos a um novo provável membro essas mesmas coisas – quando se torna claro que ele está disposto a colocar a recuperação em primeiro lugar.

A questão não é se vamos dar ou não, mas quando e como dar. Quando colocamos nosso trabalho num plano material, o alcoólico começa a confiar mais em esmolas do que num Poder Superior e no grupo de A.A. Ele continua a insistir que não pode vencer o álcool, até que suas necessidades materiais sejam satisfeitas.

Bobagem! Alguns de nós sofreram duros golpes para aprender a seguinte verdade: com ou sem trabalho, com ou sem esposa, simplesmente não paramos de beber, enquanto dependermos, materialmente, de outras pessoas antes de depender de Deus.

Alcoólicos Anônimos, pág. 106



 

NA OPINIÃO DO BILL 240

Duros com nós mesmos, mas ter consideração pelos outros

Não podemos revelar às nossas esposas ou pais alguma coisa que os faça sofrer ou os torne infelizes. Não temos o direito de salvar nossa pele à custa deles.

Aquelas partes de nossa vida causaram danos, contamos para uma outra pessoa que vai compreender, mas que não fique afetada. A regra é que devemos ser duros com nós mesmos, mas sempre ter consideração pelos outros.

***

O bom-senso vai sugerir que deveríamos ganhar tempo, ao fazer reparações a nossos familiares. No princípio pode ser imprudente revelar certos episódios desagradáveis. Embora possamos estar inteiramente dispostos a revelar o pior, devemos lembrar que não podemos adquirir nossa paz de espírito à custa dos outros.

1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 87

2 – Os Doze Passos, pág. 73



 

NA OPINIÃO DO BILL 241

No meio termo

"Em alguns setores de A.A., o anonimato é levado ao ponto de verdadeiro absurdo. Os membros se comunicam tão pouco, que não sabem nem mesmo o sobrenome dos outros e nem onde moram. É como se fosse uma cela subterrânea."

"Em outros setores, vemos exatamente o contrário. É difícil evitar que os AAs gritem demais diante do público em geral, fazendo espetaculares 'roteiros de palestra' para bancar o importante."

"Entretanto, sabemos que desses extremos, aos poucos nos colocamos no meio-termo. A maioria dos palestrantes não agüenta muito tempo, e os exageradamente anônimos são capazes de sair do esconderijo, respeitando seus amigos AAs, seus colegas de trabalho, etc. Acho que a tendência é em direção ao meio-termo, que é provavelmente onde deveríamos estar."

Carta de 1959



 

NA OPINIÃO DO BILL 242

Solte-se completamente

Depois do fracasso, de minha parte, de querer que alguns bêbados parassem de beber, o Dr. Silkworth novamente me fez lembrar a observação do professor William James de que a verdadeira transformação ocasionada pelo despertar espiritual quase sempre se baseia numa calamidade e colapso. "Pare de lhes pregar sermões", o Dr. Silkworth dizia, "e lhes dê primeiro os duros fatos médicos. Isso pode acalmá-los tão profundamente que possam vir a querer fazer qualquer coisa para ficar bem. Então poderão aceitar aquelas suas idéias espirituais e ainda um Poder Superior."

***

Pedimos que você seja destinado desde o início. Alguns de nós procuramos nos agarrar às nossas antigas idéias, e o resultado foi nulo – até que nos deixamos conduzir completamente.

1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 12

2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 73