Na opinião de BILL - 243 à 303


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 243  à  303 




NA OPINIÃO DO BILL 243

PENSAMENTOS MATINAIS

Ao acordar, pensemos nas próximas vinte e quatro horas. Pedimos para Deus dirigir nossos pensamentos, especialmente que eles sejam desligados da autopiedade e dos motivos desonestos ou de interesse próprio. Livres deles, podemos utilizar nossas faculdades mentais com segurança, pois Deus nos deu a cabeça para ser usada. Nossos pensamentos estarão num nível mais alto, quando começarmos a clareá-los, eliminando os motivos errados.

Se temos que decidir qual dos dois caminhos tomar, pedimos a Deus inspiração, um pensamento intuitivo ou uma decisão. Daí relaxamos, fazemos isso com calma e muitas vezes ficamos surpresos ao ver como chegam as respostas certas, pouco depois de termos tentado isso.

Geralmente concluímos nossa meditação com uma oração, pedindo que durante todo o dia nos seja mostrado qual o próximo passo a ser dado, especialmente que sejamos libertados da vontade própria, quando esta nos causar danos.

Alcoólicos Anônimos, págs. 96 e 97



 

NA OPINIÃO DO BILL 244

Em direção à maturidade

Muitos membros mais antigos, que têm submetido a "cura das bebedeiras" de A.A. a severos, mas bem-sucedidos testes, descobrem que ainda lhes falta sobriedade emocional. Para obter isso, devemos desenvolver uma maturidade e equilíbrio verdadeiros (quer dizer, humildade) em nossas relações com nós mesmos, com nossos semelhantes e com Deus.


***

Não permitamos nunca que A.A. seja uma entidade fechada; nunca devemos negar nossa experiência, quando ela for útil e valiosa para o mundo que nos rodeia. Devemos permitir que nossos membros, individualmente, atendam o chamado de cada um dos campos da atividade humana. Devemos permitir a eles que levem a experiência e o espírito de A.A. em todos esses assuntos, sempre que exista algo de bom que possa ser realizado, porque não somente Deus nos salvou do alcoolismo; o mundo nos recebeu de volta em sua cidadania.

1 – Grapevine de janeiro de 1958

2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 208



 

NA OPINIÃO DO BILL 245

Combate sem ajuda

Na verdade, poucos são aqueles que, assaltados pelo tirano álcool, venceram o combate sem ajuda. É um fato estatístico que os alcoólicos quase nunca se recuperam, só por meio de seus próprios recursos.

***

A caminho de Point Barrow, no Alaska, dois prováveis membros saíram juntos e levaram com eles uma barraca e uma caixa de uísque. O tempo ficou ruim, e a temperatura baixou para 20 graus negativos; eles estavam tão bêbados que deixaram o fogo apagar. Escapando da morte, por congelamento, um deles acordou a tempo de reacender o fogo. Saiu para procurar combustível e logo avistou um tambor vazio de óleo, cheio de água congelada. Embaixo do gelo, ele avistou um objeto amarelo-avermelhado. Eles descongelaram o tal objeto, e era um livro de A.A. Um deles leu o livro e parou de beber. A lenda diz que ele se tornou o fundador de um de nossos grupos mais longínquos do norte.

1 – Os Doze Passos, pág. 14

2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 75

 

NA OPINIÃO DO BILL 246

O instinto de viver

Quando homens e mulheres ingerem tanto álcool, a ponto de destruir suas vidas, cometem um ato totalmente contra a natureza. Contrariando seu desejo instintivo de auto-preservação, parecem estar inclinados à autodestruição. Lutam contra seu mais profundo instinto.

À medida que vão progressivamente se humilhando pela terrível surra administrada pelo álcool, a graça de Deus pode penetrar neles e expulsar sua obsessão. Aqui, seu poderoso instinto de viver pode cooperar plenamente com o desejo de seu Criador de lhes dar uma nova vida.

***

"A característica central da experiência espiritual consiste em dar a quem a recebe uma nova e melhor motivação, fora de toda proporção a qualquer processo de disciplina, crença e fé.

"Essas experiências não podem nos tornar íntegros de uma vez; constituem um renascimento a uma nova e verdadeira oportunidade."

1 – Os Doze Passos, pág. 54

2 – Carta de 1965



 

NA OPINIÃO DO BILL 247

Você já experimentou?

"Uma vez que se supõe que a mente aberta e o experimento sejam os atributos indispensáveis de nossa civilização 'científica', parece estranho que tantos cientistas se recusem a provar pessoalmente a hipótese de que Deus veio primeiro e o homem depois. Preferem acreditar que o homem é um produto acidental da evolução; que Deus, o Criador, não existe.

"Só posso informar que experimentei os dois conceitos e que, em meu caso, o conceito de Deus provou ser uma base melhor para a vida do que o conceito que está centralizado no ser humano.

"Entretanto, eu seria o primeiro a defender seu direito de pensar, como melhor lhe pareça. Simplesmente faço esta pergunta: 'Em sua própria vida, já tentou realmente pensar e atuar como se pudesse existir um Deus? Você já experimentou?'"

Carta de 1950



 

NA OPINIÃO DO BILL 248

Precisamos de ajuda de fora

Era evidente que uma auto-avaliação, feita a sós, e admissão de nossos defeitos, baseada só nessa avaliação, nem de longe seriam suficientes. Tínhamos que ter ajuda de fora, se quiséssemos saber e admitir a verdade a nosso respeito – a ajuda de Deus e de um outro ser humano.

Somente através de uma discussão sobre nós mesmos, sem esconder nada, somente com a disposição de seguir conselho e aceitar orientação, poderíamos caminhar em direção ao pensamento correto, à honestidade sólida e à verdadeira humildade.

***

Se estivermos enganando a nós mesmos, um conselheiro competente pode ver isso rapidamente. E, à medida que ele habilmente nos afasta de nossas fantasias, ficamos surpresos ao descobrir que temos poucos dos costumeiros ímpetos de nos defender das verdades desagradáveis. De nenhuma outra forma podem desaparecer prontamente o medo, o orgulho e a ignorância. Depois de um certo tempo, percebemos que estamos colocados, numa nova e firme base para a integridade, e agradecidos damos crédito a nossos padrinhos, cujos conselhos nos indicaram o caminho.

1 – Os Doze Passos, pág. 49

2 – Grapevine de agosto de 1961




NA OPINIÃO DO BILL 249

Dádivas de Deus

Percebemos que o sol nunca se põe para a Irmandade de A.A.; que mais de trezentos e cinqüenta mil pessoas agora se recuperam de sua doença; que começamos em toda parte a transpor as enormes barreiras de raça, credo e nacionalidade. Essa certeza de que tantos de nós têm sido capazes de encontrar nossas responsabilidades, sobriedade, crescimento e eficiência no confuso mundo em que vivemos, certamente nos dará a mais profunda alegria e satisfação. Mas, como pessoas que sempre aprenderam pelo modo mais difícil, com certeza não vamos nos felicitar. Temos que saber que esses bens são dádivas de Deus, que em parte se combinaram com uma crescente boa vontade de nossa parte de descobrir e fazer Sua vontade para conosco.

Grapevine de julho de 1965




NA OPINIÃO DO BILL 250

Oração nos momentos de tensão

Quando me sinto sob grandes tensões, prolongo minhas caminhadas diárias e repito lentamente nossa Oração da Serenidade, ao ritmo de meus passos e respiração.

Se sinto que meu sofrimento foi em parte causado pelos outros, tento repetir: "Deus, concedei-me a serenidade para amá-los mais e nunca ter medo daquilo que eles têm de pior". Esse benéfico processo curativo de repetição, que às vezes precisa durar alguns dias, raramente deixou de me restituir pelo menos uma perspectiva viável e equilíbrio emocional.

Grapevine de março de 1962



 

NA OPINIÃO DO BILL 251

Aceite o inevitável

"Não se sinta tão desencorajado a respeito dessa recaída. Praticamente sempre, nós, os bêbados, aprendemos a duras penas.

"Sua idéia de mudar-se para outro lugar pode ser boa ou pode não ser. Talvez você tenha entrado em dificuldades econômicas ou emocionais que não podem ser resolvidas onde você está. Mas talvez você esteja fazendo justamente o que todos nós já fizemos, em certas ocasiões: talvez você esteja fugindo. Por que você não procura pensar nisso, com cuidado, novamente?

"Você está realmente pondo a recuperação em primeiro lugar ou está fazendo com que ela dependa de outras pessoas, lugares ou circunstâncias? Você pode achar muito mais fácil aceitar o inevitável, onde está agora e, com a ajuda do programa de A.A., sair vitorioso. Pense bem nisso antes de tomar uma decisão."

Carta de 1949



 

NA OPINIÃO DO BILL 252

Já não estamos sozinhos

O alcoolismo significava solidão, embora estivéssemos cercados de pessoas que nos amavam. Mas quando nossa prepotência afastou todo o mundo e nosso isolamento foi completo, começamos a bancar o importante em botequins de última categoria. Quando também isso acabou, tivemos que perambular, sozinhos, pela rua para depender da caridade dos transeuntes.

Ainda procuramos encontrar a segurança emocional, dominando ou nos fazendo dependentes dos outros. Mesmo quando nossa sorte não era das piores, não obstante nos encontramos sozinhos no mundo. Ainda inutilmente procuramos obter segurança, através de algum tipo de domínio ou dependência.

Para aqueles de nós que eram assim, A.A. teve um significado muito especial. Nessa irmandade começamos a aprender a nos relacionar bem com as pessoas que nos compreendem; não temos mais que estar sozinhos.

Os Doze Passos, pág. 103



 

NA OPINIÃO DO BILL 253

"Olhar antes de saltar?"

"Os homens e mulheres sábios dão, com razão, um grande valor à virtude da prudência. Eles sabem que, sem esse importantíssimo atributo, pouca sabedoria terão. "Não basta apenas 'olhar antes de saltar'. Se nosso olhar for cheio de medo, suspeita ou raiva, teria sido melhor não ter olhado nem agido."

***

"Perdemos o medo de tomar decisões, grandes ou pequenas, quando compreendemos que, no caso de nossa escolha ser errada, podemos aprender, se é que podemos, com a experiência. No caso de nossa decisão ser a certa, podemos agradecer a Deus por nos dar a coragem e a graça que nos permitiram agir desse modo."

Cartas de 1966



 

NA OPINIÃO DO BILL 254

Satisfações de uma vida correta

Como é maravilhoso sentir que não temos que ser especialmente diferenciados de nossos companheiros, a fim de ser úteis e profundamente felizes. Poucos de nós podem ser líderes proeminentes, nem queremos ser.

O serviço prestado com prazer, as obrigações honestamente cumpridas, os problemas bem aceitos ou resolvidos, com a ajuda de Deus, o conhecimento de que, tanto no lar como no mundo lá fora, somos companheiros num esforço comum, o fato de que, perante Deus, todos os seres humanos são importantes, a prova de que o amor, livremente oferecido, na certa traz um total retorno, a certeza de que não mais estamos isolados e sozinhos em prisões autoconstruídas, a segurança de que podemos nos adaptar e fazer parte do esquema de coisas criadas por Deus – essas são as satisfações de uma vida correta, que não poderiam ser substituídas por nenhuma pompa ou grande quantidade de riquezas materiais.

Os Doze Passos, pág. 110



 

NA OPINIÃO DO BILL 255

Uma compreensão mais ampla

Para alcançar mais alcoólicos, será necessário que a compreensão de A.A. e a boa vontade pública, em relação ao A.A., comecem a crescer em toda parte. Precisamos ainda nos relacionar melhor com a medicina, religião, empregadores, governos, tribunais, prisões, hospitais psiquiátricos e todas as entidades ligadas ao campo do alcoolismo. Precisamos da boa vontade, cada vez maior, por parte dos editores, escritores, televisão e rádio. Esses meios de publicidade – local, nacional e internacional – deveriam tornar-se cada vez mais acessíveis.

***

Nada é mais importante para o futuro bem-estar de A.A. do que a maneira pela qual utilizamos o colosso dos modernos meios de comunicação. Usados bem e com altruísmo, podem produzir resultados que ultrapassem nossa imaginação.

Se usarmos mal esse grande instrumento, seremos destruídos pelas manifestações egoístas de nossa própria gente. Contra esse perigo, o anonimato dos membros de A.A., perante o público em geral, é nosso escudo e nossa proteção.

1 – Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 54

2 – Grapevine de novembro de 1960



 

NA OPINIÃO DO BILL 256

Uma experiência "especial"

Fui o receptor de uma grandiosa experiência mística ou "iluminação", e no princípio foi natural eu sentir que essa experiência me fazia sobressair como alguém muito especial.

Mas ao relembrar agora esse grandioso acontecimento, só posso me sentir muito agradecido. Agora ficou claro que as únicas características especiais de minha experiência foram a rapidez dela e a convicção imediata e irresistível que ela trouxe.

Entretanto, em todos os outros aspectos, estou certo de que minha própria experiência foi, em essência, igual àquela recebida por qualquer membro de A.A. que tenha praticado arduamente nosso programa de recuperação. Certamente a graça que ele recebe é também de Deus; a única diferença é que ele se torna ciente de sua dádiva, mais gradualmente.

Grapevine de julho de 1962



 

NA OPINIÃO DO BILL 257

A chave da sobriedade

A incomparável capacidade de cada A.A. de se identificar com o recém-chegado e levá-lo a se recuperar não depende, de forma alguma, de seu grau de instrução, eloqüência ou qualquer outra capacidade especial. A única coisa que importa é que ele é um alcoólico que encontrou a chave da sobriedade.

***

Em minha primeira conversa com o Dr. Bob, insisti muito na impossibilidade da medicina fazer algo em seu caso, usando sem receio as palavras com que o Dr. Silkworth descreveu o dilema do alcoólico: "a obsessão mais a alergia". Apesar do Dr. Bob ser médico, isso era novo para ele; eram más notícias. E o fato de eu ser um alcoólico e saber por experiência própria o que estava falando, abrandou o golpe.

Como vocês vêem, em nossa conversa houve total reciprocidade. Eu tinha abandonado a pregação. Sabia que eu precisava desse alcoólico como ele precisava de mim.

1 – As Doze Tradições, págs. 33 e 34

2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 63



 

NA OPINIÃO DO BILL 258

Sob a superfície

Alguns farão objeção a muitas das perguntas que deveriam ser respondidas num inventário moral, porque acham que seus próprios defeitos de caráter não tinham sido tão flagrantes. A estes pode ser sugerido que um exame consciente provavelmente vai revelar justamente os defeitos relacionados com as perguntas rejeitadas. Pelo fato de nossa história não parecer tão ruim, na superfície, ficamos muitas vezes embaraçados, ao descobrir que isso se deve simplesmente ao fato de termos enterrado esses mesmos defeitos no mais profundo de nosso ser, sob grossa camada de auto-justificação. Esses foram os defeitos que nos levaram finalmente ao alcoolismo e à miséria.

Os Doze Passos, págs. 43 e 44



 

NA OPINIÃO DO BILL 259
Servidor, não amo

Em A.A., descobrimos que não importava tanto qual era nossa condição econômica, mas importava muito qual era nossa condição espiritual. Conforme melhoramos nossa perspectiva espiritual, aos poucos o dinheiro se transformou em nosso servidor e não em nosso amo. Ele veio a ser um meio de troca de amor e serviço, com aqueles que nos cercam.

***

Um dos Membros Solitários de A.A. é um pastor de ovelhas australiano, que vive a 3.200 quilômetros da cidade mais próxima, onde anualmente ele vende sua lã. A fim de conseguir melhores preços, ele tinha que ir à cidade num determinado mês do ano Mas quando soube que ia ser realizado um grande encontro regional de A.A., em data posterior, quando os preços de lã teriam baixado, ele assumiu feliz um prejuízo financeiro para então fazer sua viagem.

Eis o quanto significava uma reunião de A.A. para esse homem.

1 – Os Doze Passos, pág. 108

2 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 27 e 28

 

NA OPINIÃO DO BILL 260

Realidade interior

À medida que a humanidade estuda o mundo material, nos é constantemente revelado que sua aparência exterior não é, de modo algum, a realidade interior. A prosaica trave de aço é uma massa de elétrons, girando uns ao redor dos outros, em velocidade incrível, e esses pequenos corpos são governados por leis precisas. Assim nos diz a Ciência. Não temos nenhuma razão para duvidar disso.

Entretanto, quando é sugerida a hipótese perfeitamente lógica, de que além do mundo material, como o contemplamos, existe uma inteligência criadora, orientadora e todo-poderosa, no mesmo instante vem à tona nosso traço perverso de temperamento e procuramos nos convencer de que isso não é verdade. Se fosse certa nossa argumentação, significaria que a vida se originou do nada, que nada significa e que não leva a nada.

Alcoólicos Anônimos, pág. 65



 

NA OPINIÃO DO BILL 261

"Pesquisa corajosa"

Minha auto-análise tem sido freqüentemente falha. Às vezes tenho deixado de compartilhar meus defeitos com as pessoas certas; outras vezes tenho confessado os defeitos delas, em lugar dos meus, e ainda outras vezes, minha confissão dos defeitos tem sido mais de queixas, em alta voz, acerca de minhas circunstâncias e meus problemas.

***

Quando A.A. sugere um destemido inventário moral, isso deve parecer a todo recém-chegado que lhe estamos pedindo mais do que ele é capaz de fazer. Cada vez que ele tenta olhar para dentro de si, o orgulho diz: "Você não precisa percorrer esse caminho..." e o medo diz: "Não se atreva a olhar!"

Mas o orgulho e o medo desse tipo não passam de bichos-papões. Uma vez que façamos inventário com toda a boa vontade e nos esforcemos para fazê-lo minuciosamente, uma luz maravilhosa invade essa cena nebulosa. À medida que persistimos, nasce um tipo de confiança totalmente novo, e a sensação de alívio com a qual finalmente nos deparamos é incrível.

1 – Grapevine de junho de 1958

2 – Os Doze Passos, pág. 40



 

NA OPINIÃO DO BILL 262

Responsabilidades individuais

Vamos enfatizar que nossa aversão à disputa de uns com os outros, ou com quem quer que seja, não é considerada uma excepcional virtude, que dá direito aos AAs de se sentirem superiores às outras pessoas. Nem essa aversão significa que os membros de A.A. estão deixando de cumprir suas responsabilidades individuais como cidadãos. Nesse caso eles deveriam se sentir livres para agir como acham que é certo, em relação aos assuntos públicos de nossos tempos.

Mas em se tratando de A.A. como um todo, a coisa é bem diferente. Como grupo, não entramos em controvérsia pública, porque estamos certos de que nossa sociedade perecerá se assim fizermos.

As Doze Tradições, pág. 54



 

NA OPINIÃO DO BILL 263

Medo e fé

A conquista da libertação do medo é uma tarefa para toda a vida; é algo que nunca pode ficar completamente concluído.

Ao sermos duramente atacados, estarmos gravemente enfermos ou em qualquer situação de séria insegurança, todos nós vamos reagir a essa emoção – bem ou mal, conforme o caso se apresente. Somente os que enganam a si mesmos alegam que estão totalmente livres do medo.

***

Finalmente vimos que a fé em alguma forma de Deus era parte de nosso ser. Algumas vezes tivemos que procurá-Lo persistentemente, mas Ele estava ali. Ele era tão real como éramos nós. Encontramos a Grande Realidade no mais profundo de nosso ser.

1 – Grapevine de janeiro de 1962

2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 71



 

NA OPINIÃO DO BILL 264

O passo que nos mantém crescendo

Algumas vezes, quando os amigos nos dizem o bem que estamos fazendo, sabemos melhor o que se passa dentro de nós. Sabemos que não estamos fazendo o bem, o suficiente. Não podemos ainda lidar com a vida como ela é. Em alguma parte deve haver uma falha séria, em nossa prática e desenvolvimento espirituais.

Qual é ela, então?

O mais provável mesmo é que localizemos nossa dificuldade em nossa falta de compreensão ou negligência, em relação ao Décimo Primeiro Passo de A.A. – prece, meditação e a orientação de Deus.

Os outros Passos podem manter muitos de nós sóbrios e de certa forma atuando. Mas o Décimo Primeiro Passo pode nos manter crescendo, se tentarmos arduamente e trabalharmos sempre nele.

Grapevine de junho de 1958



 

NA OPINIÃO DO BILL 265

Nem dependência, nem auto-suficiência

Quando insistíamos, como crianças, em que as pessoas nos protegessem e cuidassem de nós ou em que o mundo deveria nos dar uma vida melhor, então o resultado era desastroso. As pessoas que mais amávamos muitas vezes nos repeliam ou nos abandonavam por completo. Não era fácil suportar nossa desilusão.

Já não percebíamos que, embora adultos na idade, estávamos ainda nos comportando de maneira infantil, tentando transformar todos – amigos, esposas, maridos, até o próprio mundo – em pais protetores. Recusávamos aprender que a dependência exagerada das pessoas não dá certo, porque todas as pessoas são falíveis, e até a melhor delas muitas vezes vai nos desapontar, especialmente quando nossas exigências, quanto à atenção, se tornarem irracionais.

***

Estamos agora numa base diferente: a base da confiança e da dependência de Deus. Confiamos no Deus infinito, e não em nossos seres finitos. Enquanto fizermos exatamente como achamos que Ele quer que façamos e humildemente confiarmos Nele, Ele é capaz de nos ajudar a enfrentar a calamidade com a serenidade.

1 – Os Doze Passos, pág. 102

2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 82



 

NA OPINIÃO DO BILL 266

Dar graças

Embora eu ainda encontre dificuldade para aceitar a dor e a ansiedade de hoje com um certo grau de serenidade – como aqueles que estão mais avançados na vida espiritual parecem poder aceitá-las – entretanto, posso agradecer a dor atual.

Encontro disposição para fazer isso, ao recordar as lições aprendidas através do sofrimento passado – lições que têm me levado às bênçãos que agora desfruto. Posso recordar como as agonias do alcoolismo, a dor da revolta e o orgulho frustrado com freqüência me levaram à graça de Deus, e em conseqüência a uma nova liberdade.

Grapevine de março de 1962



 

NA OPINIÃO DO BILL 267

Na retaguarda de nossas desculpas

Nós, bêbados, somos campeões em fabricar desculpas e racionalizações. É tarefa do psiquiatra encontrar as causas mais profundas de nossa conduta. Apesar de não ter instrução em psiquiatria, podemos, depois de algum tempo em A.A., ver que nossos motivos não têm sido o que pensávamos que fossem e que têm sido causados por forças desconhecidas para nós. Portanto, deveríamos buscar, com o mais profundo respeito, interesse e benefício, as descobertas da psiquiatria.

***

"O crescimento espiritual, através da prática dos Doze Passos de A.A., mais a ajuda de um bom padrinho, geralmente podem revelar a maioria das razões mais profundas de nossos defeitos de caráter, pelo menos a um grau que satisfaça nossas necessidades práticas. Entretanto, deveríamos ser gratos a nossos amigos, no campo da psiquiatria, que tanto têm enfatizado a necessidade de se pesquisar as motivações falsas e muitas vezes inconscientes."

1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 212

2 – Carta de 1966



 

NA OPINIÃO DO BILL 268

Aquelas outras pessoas

"Assim como você, muitas vezes me considerei a vítima do que as outras pessoas dizem e fazem. Mas todas as vezes que eu confessei os pecados dessas pessoas, principalmente daquelas cujos pecados eram diferentes dos meus, descobri que as coisas só pioraram. Meu próprio ressentimento e minha autopiedade muitas vezes me tornaram quase inútil para todos.

"Assim sendo, agora, se alguém fala mal de mim, primeiro pergunto a mim mesmo se há alguma verdade no que foi dito. Se não há nenhuma, procuro me lembrar de que também tive períodos em que falava amargamente dos outros; que o falatório maligno é apenas um sintoma da permanência de nossa doença emocional, e conseqüentemente, que nunca devo ficar com raiva devido às injustiças de uma pessoa doente.

"Com muita dificuldade, tenho procurado sempre perdoar as outras pessoas e a mim mesmo. Você recentemente tem tentado fazer isso?"

Carta de 1946



 

NA OPINIÃO DO BILL 269

Quando a infância termina

"Você deve recordar que todo grupo de A.A. começa, como deveria, através dos esforços de uma só pessoa e de seus amigos – um fundador e sua hierarquia. Não existe outro modo.

"Mas quando a infância termina, os primeiros líderes têm que abrir caminho para essa democracia que surge das raízes e eventualmente se coloca de lado a liderança auto-eleita do passado."

***

Carta ao Dr. Bob:

"Em todos os lugares, os grupos de A.A. colocaram as atividades de serviço em suas próprias mãos. Os fundadores locais e seus amigos estão agora de lado. Por que tanta gente esquece isso, quando pensa no futuro de nossos serviços mundiais, nunca vou entender.

"Eventualmente os grupos pegam a direção e talvez esbanjem sua herança quando a recebem. Não obstante, é possível que não o façam. De qualquer modo, já são adultos; A.A. lhes pertence; vamos entregá-lo para eles."

1 – Carta de 1950

2 – Carta de 1949



 

NA OPINIÃO DO BILL 270

Honestidade e recuperação

Ao fazer inventário, um membro poderia considerar questões, como por exemplo: Como minha busca egoísta de relação sexual prejudicou outras pessoas e a mim mesmo? Quais as pessoas prejudicadas, e até que ponto? Como reagi a essas situações, na ocasião? Eu me consumi com sentimentos de culpa? Ou insisti em que era o perseguido e não o perseguidor, para assim me absolver?

Como reagi à frustração em assuntos sexuais? Quando rejeitado, eu me tornava vingativo ou deprimido? Eu desforrava nas outras pessoas? Se houvesse rejeição ou frieza em casa, usava isso como desculpa para a promiscuidade?

***

Que nenhum alcoólico diga que não pode se recuperar, a não ser que ele tenha sua família de volta. Sua recuperação não depende das pessoas. Ela depende de sua relação com Deus, como ele pode concebê-Lo.

1 – Os Doze Passos, pág. 41

2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 107



 

NA OPINIÃO DO BILL 271

A.A. em duas palavras

"Todo o progresso de A.A. pode ser expressado em apenas duas palavras: humildade e responsabilidade. Todo nosso desenvolvimento espiritual pode ser medido, com precisão, conforme nosso grau de adesão a esses magníficos padrões.

"Uma humildade aprofundando-se sempre, acompanhada de uma crescente boa vontade para aceitar e cumprir as responsabilidades bem definidas – estas são realmente nossas pedras de toque para todo o crescimento na vida do espírito. Elas nos proporcionam a essência do bem, tanto no ser como no atuar. É por meio delas que conseguimos encontrar e fazer a vontade de Deus."

Palestra de 1965 (publicada na Grapevine de janeiro de 1966)



 

NA OPINIÃO DO BILL 272

Dificuldades provocadas por nós mesmos

Egoísmo – egocentrismo! Achamos que essa é a causa de nossas dificuldades. Impulsionados por uma centena de formas de medo, auto-ilusão, interesse próprio e auto-piedade, pisamos em nossos semelhantes, e eles revidam. Algumas vezes nos ferem, aparentemente sem provocação, mas sempre acabamos descobrindo que em algum momento, no passado, tomamos decisões baseadas no egocentrismo, que mais adiante nos colocaram em situação de ser feridos.

Assim, achamos que nossas dificuldades são basicamente provocadas por nós mesmos. Surgem de nós mesmos, e o alcoólico é um exemplo da prepotência desenfreada, embora ele geralmente não ache isso. Sobretudo, nós, alcoólicos, devemos nos desfazer desse egoísmo. Devemos, senão ele nos mata!

Alcoólicos Anônimos, pág. 76



 

NA OPINIÃO DO BILL 273

Amor constrangedor

A vida de cada A.A. e de cada grupo é construída ao redor de nossos Doze Passos e Doze Tradições. Sabemos muito bem que a punição para a desobediência sistemática desses princípios é a morte do indivíduo e a dissolução do grupo. Uma força ainda maior para a unidade de A.A. é o amor-dedicação que temos por nossos companheiros e por nossos princípios.

***

Você poderia pensar que as pessoas na sede de A.A., em Nova York, certamente teriam que ter alguma autoridade pessoal. Mas há muito tempo, tanto os custódios como os secretários descobriram que não poderiam fazer nada mais do que dar leves sugestões aos grupos de A.A.

Tiveram até que inventar duas frases que ainda aparecem em algumas cartas que escrevem: "Claro que vocês têm toda a liberdade de resolver esse assunto como achar melhor. Mas a experiência da maioria, em A.A., parece sugerir..."

A sede mundial de A.A. não dá ordens. Ao contrário, é nossa maior transmissora das lições aprendidas com a experiência.

1 – Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 11

2 – As Doze Tradições, pág. 51



 

NA OPINIÃO DO BILL 274

Conduzir-se sozinho

Tratando-se de assuntos espirituais, conduzir-se sozinho é perigoso. Quantas vezes ouvimos pessoas bem-intencionadas proclamarem a orientação de Deus, quando era mais do que evidente que estavam muito enganadas. Faltando-lhes, tanto a prática quanto a humildade, tinham-se iludido e foram capazes de justificar o mais completo absurdo, sob a alegação de que era isso que Deus lhes havia dito.

Pessoas com grande desenvolvimento espiritual quase sempre insistem em verificar, com amigos ou conselheiros espirituais, a orientação que sentem ter recebido de Deus. É certo, então, que um novato não deveria, dessa maneira, correr o risco de cometer erros tolos, talvez trágicos. Embora os comentários ou orientação dos outros possam não ser infalíveis, é provável que sejam mais específicos do que qualquer orientação direta que possamos receber, enquanto ainda somos inexperientes no estabelecimento do contato com um Poder Superior a nós mesmos.

Os Doze Passos, pág. 50



 

NA OPINIÃO DO BILL 275

Recuperação através da doação

Para um novo provável membro, descreva em linhas gerais o programa de ação, explicando como você fez uma auto-análise, como colocou em ordem seu passado e por que está agora tentando ajudá-lo. É importante que ele perceba que o esforço que você faz para lhe transmitir isso é de vital importância para sua própria recuperação. Na verdade, ele pode estar ajudando-o mais do que você a ele. Explique-lhe claramente que ele não tem nenhuma obrigação para com você.

***

Nos primeiros seis meses de minha própria sobriedade, trabalhei arduamente com muitos alcoólicos. Nenhum deles correspondeu. Mas esse trabalho me manteve sóbrio. Não foi porque esses alcoólicos me dessem qualquer coisa. Meu equilíbrio emocional veio de minha tentativa de dar, não da exigência de receber.

1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 103

2 – Grapevine de janeiro de 1958



 

NA OPINIÃO DO BILL 276

Um Poder Superior para ateus

"Tenho feito muitas experiências com ateus, sendo boas, em sua maioria. Em A.A. todos têm o direito de ter sua própria opinião. É muito melhor manter uma sociedade aberta e tolerante do que conter qualquer pequeno distúrbio que essas opiniões possam ocasionar. Realmente não conheço ninguém que tenha morrido de alcoolismo, por causa das opiniões de algum ateu sobre o cosmo.

"Mas sempre peço a essas pessoas que tenham um 'Poder Superior' – por exemplo, seu próprio grupo. Quando elas chegam, a maioria das pessoas, no grupo, está sóbria, e elas estão bêbadas. Portanto, o grupo é um 'Poder Superior'. Esse é um início suficientemente bom, e quase todos progridem partindo daí. Sei como se sentem, porque antes eu mesmo era assim".

Carta de 1962



 

NA OPINIÃO DO BILL 277

Para aliviar nossa carga

Só existe uma razão que poderia vir a modificar nosso desejo de revelar, por inteiro, os danos causados. Ela surgirá na rara situação em que fazer uma revelação completa poderia prejudicar seriamente a pessoa a quem estamos fazendo reparações. Ou, igualmente importante, a outras pessoas. Não podemos, por exemplo, dar uma explicação pormenorizada de uma aventura extraconjugal nos ombros de nosso desprevenido cônjuge.

Não alivia nossa carga, quando imprudentemente tornamos mais pesadas as cruzes dos outros.

***

Ao fazer reparações, deveríamos ser sensíveis, ter tato, ser respeitosos e humildes, sem chegar ao servilismo. Como filhos de Deus, andamos de cabeça erguida, não nos arrastamos na frente de ninguém.

1 – Os Doze Passos, págs. 74 e 75

2 – Alcoólicos Anônimos, pág. 94



 

NA OPINIÃO DO BILL 278

Fale alto, sem medo

Poucos de nós são anônimos com respeito a nossos contatos diários. Esquecemos o anonimato nesse nível, porque achamos que nossos amigos e colegas deveriam saber a respeito de A.A. e o que ele tem feito por nós. Também queremos perder o medo de admitir que somos alcoólicos. Embora peçamos insistentemente aos repórteres para não divulgar nossa identidade, muitas vezes falamos ante reuniões semipúblicas. Queremos convencer a audiência de que nosso alcoolismo é uma doença e não temos mais medo de discutí-la diante de quem quer que seja. No entanto, se formos além desse limite, certamente perderemos para sempre o princípio do anonimato. Se cada A.A. se sentir livre para publicar seu nome, retrato e história, seremos lançados em breve numa grande orgia de publicidade pessoal.

***

"Enquanto a chamada reunião pública é discutível por muitos membros de A.A., sou a favor, contanto que o anonimato seja respeitado nas notícias da imprensa e que não peçamos nada para nós, a não ser compreensão."

1 – Grapevine de janeiro de 1946

2 – Carta de 1949



 

NA OPINIÃO DO BILL 279

A requintada arte de álibis

A maioria dos membros de A.A. sofreu severamente por causa da autojustificação, na época das bebedeiras. Para a maioria de nós, a autojustificação era a causa das desculpas para beber e para todos os tipos de comportamento louco e prejudicial. Tínhamos feito da invenção de álibis uma requintada arte.

Tínhamos que beber, ou porque as coisas iam mal, ou porque iam bem. Tínhamos que beber porque, em casa, ou éramos sufocados com amor, ou não recebíamos amor algum. Tínhamos que beber porque, no trabalho, ou tínhamos grandes sucessos, ou tristes fracassos. Tínhamos que beber porque nossa pátria, ou havia ganho uma guerra, ou havia perdido a paz. E assim por diante, "ad infinitum".

***

Muitas vezes levávamos muito tempo para perceber como nossas emoções descontroladas nos vitimavam. Quando se tratava de outras pessoas, tínhamos que eliminar a palavra "culpa" de nosso vocabulário e de nossos pensamentos.

1 – Os Doze Passos, pág. 37

2 – Os Doze Passos, pág. 38



 

NA OPINIÃO DO BILL 280

Espiritualmente preparados

Presumindo estar espiritualmente preparados, podemos fazer todo tipo de coisa que se supõe que os alcoólicos não possam. Ouvimos dizer que não devemos ir onde servem bebida; não devemos tê-la em casa; devemos evitar os amigos que bebem; devemos evitar os filmes com cenas de bebida; não devemos entrar em bares; nossos amigos devem esconder suas garrafas, quando vamos às suas casas; não devemos pensar ou finalmente ser lembrados do álcool. Nossa experiência mostra que isso não é necessariamente assim.

Enfrentamos essas situações todos os dias. O alcoólico que não pode enfrentá-las ainda tem a mente alcoólica; existe algo de errado com seu estado espiritual. Sua única chance de manter a sobriedade seria a de viver em algum lugar da Groelândia, e ainda ali poderia aparecer um esquimó com uma garrafa de uísque e estragar tudo!

Alcoólicos Anônimos, págs. 108 e 109



 

NA OPINIÃO DO BILL 281

Nós como indivíduos

Existe somente um teste seguro para todas as experiências espirituais: "Por seus frutos os conhecereis."

É por isso que acho que não deveríamos pôr em dúvida a transformação de alguém – quer seja súbita ou gradual. Nem deveríamos exigir que o tipo de transformação de alguém seja igual ao nosso, porque a experiência mostra que estamos aptos a receber aquilo que for mais útil para nossas próprias necessidades.

***

Não existem dois seres humanos exatamente iguais, portanto cada um de nós, quando fizer o inventário, precisará determinar quais são seus próprios defeitos de caráter. Tendo encontrado os sapatos que lhe servem, deveria calçá-los e caminhar com a nova confiança de que, finalmente, está no caminho certo.

1 – Grapevine de julho de 1962

2 – Os Doze Passos, pág. 38



 

NA OPINIÃO DO BILL 282

Instintos descontrolados

Toda vez que uma pessoa impõe seus instintos irracionalmente aos outros, vem a infelicidade. Se a busca da riqueza pisa naqueles que venham a estar no caminho, então a raiva, a inveja e a vingança serão igualmente despertadas. Se o sexo se desenfreia, há um tumulto semelhante.

Exigir de outras pessoas excessiva atenção, proteção e amor só pode despertar o domínio ou a revolta nos próprios protetores – duas emoções tão doentias quanto às exigências que as provocam. Quando o desejo de prestígio de um indivíduo se descontrola, seja num grupo de mulheres costurando ou numa conferência internacional, outras pessoas sofrem e muitas vezes se revoltam. Esse choque de instintos pode produzir, tanto uma leve descortesia quanto uma grande revolta.

Os Doze Passos, pág. 35



 

NA OPINIÃO DO BILL 283

"Impotentes perante o álcool"

Eu tinha caminhado continuamente ladeira abaixo, e naquele dia, em 1934, eu estava acamado no andar superior do hospital, sabendo pela primeira vez que estava completamente sem esperança.

Lois estava no andar térreo, e o Dr. Silkworth estava tentando, com suas maneiras gentis, transmitir a ela o que estava acontecendo comigo e que meu caso era sem esperança. "Mas Bill tem uma grande força de vontade", ela disse. "Ele tem tentado desesperadamente ficar bom. Doutor, por que ele não pode parar?"

Ele explicou que minha maneira de beber, uma vez que se tornou um hábito, ficou sendo uma obsessão, uma verdadeira loucura que me condenava a beber contra meu desejo.

***

"Nos últimos estágios de nosso alcoolismo ativo, a vontade de resistir já não existe. Portanto, quando admitimos a derrota total e quando nos tornamos inteiramente dispostos a tentar os princípios de A.A., nossa obsessão desaparece e entramos numa nova dimensão – a liberdade sob a vontade de Deus, como nós O concebemos."

1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 48

2 – Carta de 1966



 

NA OPINIÃO DO BILL 284

Fé – um plano – e trabalho

"A idéia de viver um "plano de vinte e quatro horas" aplica-se primeiramente à vida emocional do indivíduo. Emocionalmente falando, não devemos viver no ontem, nem no amanhã.

"Mas nunca fui capaz de ver que isso significa que o indivíduo, o grupo ou A.A. como um todo não deveria pensar como vai funcionar amanhã ou mesmo num futuro mais distante. A fé sozinha nunca construiu a casa em que você mora. Tinha que haver um plano e um bocado de trabalho para que essa casa se tornasse realidade.

"Nada é mais verdadeiro para nós, de A.A., do que o dizer público: 'A fé sem obras é morta'. Os serviços de A.A., todos destinados a fazer mais, e o melhor possível, o trabalho do Décimo Segundo Passo, são as 'obras' que garantem nossa vida e crescimento, impedindo a anarquia ou a estagnação."

Carta de 1954



 

NA OPINIÃO DO BILL 285

Falso orgulho

A coisa alarmante, a respeito da cegueira do orgulho é a facilidade com que é justificada. Mas não precisamos enxergar longe para ver que a autojustificação é uma destruidora universal da harmonia e do amor. Ela coloca o homem contra o homem, a nação contra a nação. Através dela, toda a forma de tolice e violência pode ser arranjada de forma a parecer boa e até respeitável.

***

Seria falso orgulho se acreditar que Alcoólicos Anônimos é um remédio para todos os males, mesmo para o alcoolismo.

1 – Grapevine de junho de 1961

2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 207



 

NA OPINIÃO DO BILL 286

Superando ressentimentos

Começamos a ver que o mundo e sua gente realmente tinham nos dominado. Sob essa infeliz condição, as más ações dos outros, imaginários ou reais, tinham força até para nos destruir, porque pelo ressentimento poderíamos ser levados de volta à bebida. Vimos que esses ressentimentos devem ser superados, mas como? Poderíamos não querê-los longe.

Este foi nosso procedimento: percebemos que as pessoas que nos maltrataram talvez estivessem espiritualmente doentes. Então, pedimos a Deus que nos ajudasse a lhes mostrar a mesma tolerância, piedade e paciência que, com satisfação, teríamos para com um amigo doente.

Hoje, evitamos a vingança e a discussão. Não podemos tratar as pessoas doentes dessa maneira. Se o fizermos, destruiremos nossa chance de ser úteis. Não podemos ser úteis a todas as pessoas, mas pelo menos Deus nos mostrará como ser bons e tolerantes para com todos.

Alcoólicos Anônimos, págs. 80 e 81



 

NA OPINIÃO DO BILL 287

Aspectos da espiritualidade

"Entre os membros de A.A. existe ainda uma grande confusão a respeito do que é material e do que é espiritual. Prefiro acreditar que tudo é uma questão de motivo. Se usarmos nossos bens materiais de forma egoísta, então somos materialistas. Mas se os usarmos para ajudar os outros, então o material ajuda o espiritual."

***

"Persiste a idéia de que os instintos são primariamente maus e são os obstáculos, frente aos quais toda a espiritualidade vacila. Acredito que a diferença entre o bem e o mal não é a diferença entre o espiritual e os instintos do indivíduo; penso que é a diferença entre o uso adequado e o uso inadequado dos instintos. O reconhecimento e a correta canalização dos instintos constituem a essência da verdadeira integridade."

1 – Carta de 1958

2 – Carta de 1954



 

NA OPINIÃO DO BILL 288

Sobriedade emocional

Se examinarmos cada perturbação que temos, seja grande ou pequena, encontraremos em sua raiz alguma dependência doentia e sua conseqüente exigência doentia. Com a ajuda de Deus, vamos continuamente renunciar a essas embaraçosas deficiências.

Daí podemos ficar livres para viver e para amar; podemos então ser capazes de praticar o Décimo Segundo Passo, com nós mesmos e com os outros para obter a sobriedade emocional.

Grapevine de janeiro de 1958



 

NA OPINIÃO DO BILL 289

Quando os conflitos aumentam

Algumas vezes eu seria forçado a examinar situações, onde estava agindo mal. No mesmo instante, eu começaria freneticamente a procurar desculpas.

"Essas", eu exclamaria, "são realmente faltas de um homem de bem". Quando essa frase favorita fosse destruída, eu pensaria: "Bem, se aquelas pessoas me tratassem sempre bem, eu não teria que me comportar da maneira que me comporto." A desculpa seguinte seria esta: "Deus sabe muito bem que tenho terríveis compulsões. Simplesmente não posso vencê-las, só mesmo Ele vai ter que me tirar dessa." Finalmente chegava o momento em que eu exclamaria: "Isso eu positivamente não farei! Nem mesmo tentarei."

Claro que meus conflitos foram aumentando, porque eu estava completamente carregado de desculpas, recusas e revolta.

***

Numa auto-avaliação, o que nos vem à mente, quando estamos sozinhos, pode ser distorcido por nossa própria racionalização. A vantagem de falar com uma outra pessoa é que podemos obter, diretamente, seus comentários e conselhos a respeito de nossa situação.

1 – Grapevine de junho de 1961

2 – Os Doze Passos, pág. 50


 


 

NA OPINIÃO DO BILL 290

Tempo versus dinheiro

Nossa atitude, no sentido de conceder tempo, comparada com nossa atitude em dar dinheiro, apresenta um contraste interessante. Claro que damos muito de nosso tempo para as atividades de A.A., visando a nossa proteção e crescimento, mas também em consideração aos nossos grupos, nossas áreas, A.A. como um todo e, acima de tudo, nos dedicando ao recém-chegado. Considerados em termos de dinheiro, esses sacrifícios coletivos equivalem a uma grande soma.

Mas quando se trata de realmente gastar dinheiro, particularmente para despesas gerais de serviço de A.A. muitos de nós tentam relutar. Pensamos na perda de todo aquele poder aquisitivo em nossos anos de bebedeiras, nas economias que poderíamos ter feito para emergências ou para a educação das crianças.

Nos últimos anos, essas atitudes estão diminuindo em toda parte; elas desaparecem rapidamente quando uma necessidade verdadeira para um certo serviço de A.A. se torna clara. Os doadores raramente podem ver quais foram os verdadeiros resultados. Eles sabem bem, entretanto, que incontáveis milhares de outros alcoólicos e seus familiares serão certamente beneficiados.

Doze Conceitos para Serviços Mundiais, págs. 67 e 68



 

NA OPINIÃO DO BILL 291

Aquilo que acaba ou que alivia o sofrimento

"Acredito que, quando éramos alcoólicos ativos, bebíamos principalmente para acabar com o sofrimento de um tipo ou de outro – físico, emocional ou psíquico. É claro que cada pessoa tem um ponto fraco, e suponho que você tenha encontrado o seu – por essa razão é que recorremos à garrafa outra vez.

"Se eu fosse você, não me culparia tanto por isso; por outro lado, a experiência deveria redobrar sua convicção de que o álcool não tem um poder permanente para acabar com o sofrimento."

***

Em cada história de A.A., o sofrimento tinha sido o preço da admissão para uma nova vida. Mas esse preço tinha comprado mais do que esperávamos. Ele trouxe humildade, que logo descobrimos que era um remédio para o sofrimento. Começamos a ter menos medo do sofrimento e a desejar a humildade mais do que nunca.

1 – Carta de 1959

2 – Os Doze Passos, págs. 64 e 65



 

NA OPINIÃO DO BILL 292

A respeito de companheirismo

Caso a distorção da vida familiar, por causa do álcool, tenha sido grande, pode ser necessário um longo período de paciente esforço. Depois que o marido ingressa em A.A., a esposa pode ficar decepcionada, e até muito ressentida, pelo fato de A.A. ter feito o que não fizeram todos os seus anos de dedicação. Seu marido pode vir a se envolver tanto com A.A. e com seus novos amigos que ele, sem consideração, passa mais tempo fora de casa do que quando bebia. Então, cada um culpa o outro.

Mas o alcoólico, reconhecendo o que sua esposa aturou, e agora entendendo bem o quanto a prejudicou, bem como a seus filhos, quase sempre retoma suas responsabilidades conjugais com a disposição de reparar o que pode e aceitar o que não pode. Ele insiste em praticar em seu lar todos os Doze Passos de A.A., obtendo muitas vezes excelentes resultados. A essa altura, ele começa com firmeza e com carinho a se comportar como um companheiro e não como um menino mau.

Os Doze Passos, pág. 105



 

NA OPINIÃO DO BILL 293

Revolta ou aceitação

Todos nós passamos por períodos em que somente podemos orar com o maior esforço. Às vezes, vamos ainda mais longe. Somos acometidos por uma revolta tão doentia que simplesmente não conseguimos orar. Quando essas coisas acontecem, não deveríamos achar que somos tão doentes. Deveríamos simplesmente voltar à prática da oração, tão logo possamos, fazendo o que sabemos ser bom para nós.

***

Uma pessoa que persiste na oração encontra-se na posse de grandes dádivas. Quando tem que lidar com situações difíceis, descobre que pode enfrentá-las. Pode aceitar a si mesma e o mundo que a cerca.

Pode fazer isso porque agora aceita um Deus que é Tudo – e que ama a todos. Quando ela diz: "Pai nosso que estais no céu, santificado seja Teu nome", ela quer dizer isso profunda e humildemente. Quando em verdadeira meditação e portanto livre dos clamores do mundo, sabe que está nas mãos de Deus, que seu destino final está realmente seguro, aqui e no além, aconteça o que acontecer.

1 – Os Doze Passos, págs. 91 e 92

2 – Grapevine de junho de 1958



 

NA OPINIÃO DO BILL 294

Amor + racionalidade = crescimento

"Parece para mim que o objetivo primordial de qualquer ser humano é o de crescer, como Deus pretendeu, sendo essa a natureza de todas as coisas em crescimento.

"Nossa busca deve ser em direção à realidade que podemos encontrar, incluindo a melhor definição e sentimento de amor que podemos adquirir. Se a capacidade de amar existe no ser humano, então ela certamente existe em seu Criador.

"A teologia me ajuda, porque a maioria de seus conceitos me faz acreditar que vivo num universo racional, sob o poder de um Deus amoroso e que minha própria irracionalidade pode aos poucos desaparecer. Esse é, suponho, o processo de crescimento para o qual somos destinados."

Carta de 1958



 

NA OPINIÃO DO BILL 295

Orando de maneira certa

Achávamos que levávamos a sério as práticas religiosas quando, após uma apreciação honesta, descobrimos que tínhamos sido apenas superficiais. Ou, indo ao extremo, tínhamos mergulhado no emocionalismo e tínhamos também confundido isso com o verdadeiro sentimento religioso. Em ambos os casos, pedíamos algo sem dar nada.

Nem sequer tínhamos orado de maneira certa. Sempre dizíamos: "Concedei-me as coisas que quero", em vez de "Seja feita Tua vontade". Não entendíamos absolutamente o amor a Deus e ao próximo. Assim, continuávamos nos enganando e portanto incapazes de receber a graça suficiente para nos devolver sanidade.

Os Doze Passos, págs. 23 e 24



 

NA OPINIÃO DO BILL 296

Inventário diário

Com freqüência, conforme analisamos todos os dias, só a mais minuciosa investigação vai revelar quais foram nossos verdadeiros motivos. Há casos em que nossa antiga inimiga, a racionalização, entrava em cena e justificava um comportamento que realmente era errado. A tentação aqui é imaginar que tínhamos bons motivos e razões, quando realmente não tínhamos.

"Criticávamos construtivamente" alguém que achávamos que estava precisando, quando nosso verdadeiro motivo era vencer uma discussão inútil. Ou, estando ausente a pessoa interessada, achávamos que estávamos ajudando os outros a compreendê-la, quando na realidade nosso verdadeiro motivo era diminuí-la para que nos sentíssemos superiores.

Feríamos aqueles que amávamos, porque eles precisavam "aprender uma lição", mas na verdade queríamos puni-los. Ficávamos deprimidos e queixávamos de que nos sentíamos mal, quando de fato estávamos pedindo principalmente simpatia e atenção.

Os Doze Passos, pág. 82



 

NA OPINIÃO DO BILL 297

Uma visão do todo

"Embora muitos de nós tenham tido que se esforçar violentamente para obter a sobriedade, contudo, essa irmandade nunca teve que lutar pela unidade perdida. Conseqüentemente, nós algumas vezes achamos que essa grande dádiva é merecida. Esquecemos que, se perdêssemos nossa unidade, os milhões de alcoólicos que ainda 'não conhecem' nunca poderiam ter sua chance".

***

"Costumávamos ser céticos a respeito das reuniões grandes de A.A., como convenções, achando que elas poderiam parecer exibicionismo, mas em compensação seu benefício é enorme. Enquanto o interesse de cada A.A. deva se centralizar principalmente naqueles em torno dele e em seu próprio grupo, é necessário e desejável que todos nós tenhamos uma visão mais ampla do todo.

"A Conferência de Serviços Gerais, em New York, também produz esse efeito naqueles que participam. É um processo que amplia a visão."

1 – Carta de 1949

2 – Carta de 1956

 



NA OPINIÃO DO BILL 298

Um grande começo

Mesmo o mais novo dos recém-chegados descobre as recompensas nunca imaginadas, quando procura ajudar seu companheiro alcoólico, aquele que ainda está mais cego do que ele. Esse é na verdade o tipo de doação que não exige nada em troca. Ele não espera que seu companheiro sofredor lhe pague, ou mesmo lhe dê amor. E então ele descobre que, através do divino paradoxo desse tipo de doação, encontrou sua própria recompensa, tivesse ou não seu companheiro recebido alguma coisa. Seu próprio caráter pode ainda não estar bem formado, mas de alguma forma sabe que Deus permitiu que ele tivesse um grande começo, e sente que está à beira de novos mistérios, alegrias e experiências com as quais nunca havia sonhado.

Os Doze Passos, pág. 96



 

NA OPINIÃO DO BILL 299

Anonimato e sobriedade

À medida que os grupos de A.A. se multiplicavam, aumentavam os problemas de anonimato. Entusiasmados com a recuperação espetacular de um companheiro alcoólico, muitas vezes discutíamos aspectos íntimos e dolorosos do seu caso, que apenas o padrinho deveria ouvir. A pessoa ofendida então declarava com razão que havia perdido a confiança.

Quando essas histórias começaram a circular fora de A.A., a perda de confiança em nossas promessas de anonimato foi grande. Isso freqüentemente afastava as pessoas de nós. Claro que o nome de todo membro de A.A., e também sua história, tinham que ser mantidos em segredo, se ele quisesse.

***

Nós agora compreendemos perfeitamente que 100 por cento do anonimato pessoal, perante o público, é tão vital para a vida de A.A. como 100 por cento de sobriedade é vital para a vida de cada membro. Esse não é o conselho do medo; é a voz prudente de uma longa experiência.

1 – As Doze Tradições, pág. 60

2 – A.A. atinge a Maioridade, pág. 263




NA OPINIÃO DO BILL 300

Pessoas com fé

Nós que atravessamos o caminho do agnosticismo e ateísmo, lhe pedimos para se despojar do preconceito, até do preconceito contra a religião organizada. Aprendemos que sejam quais forem as fraquezas humanas que os vários credos possam ter, estes têm dado propósito e orientação a milhares de indivíduos. As pessoas com fé têm uma idéia lógica do que seja a vida.

Na realidade, não costumávamos ter nenhuma concepção racional. Costumávamos nos divertir, ridicularizando cinicamente as crenças e as práticas espirituais, quando poderíamos ter visto que muitas pessoas espiritualizadas, de todas as raças, cores e credos, estavam demonstrando ter um grau de equilíbrio emocional, felicidade e utilidade que deveríamos ter procurado para nós mesmos.

Alcoólicos Anônimos, pág. 66



 

NA OPINIÃO DO BILL 301

Para reconstruir a segurança

Em nosso comportamento, com respeito à segurança financeira e emocional, nessas áreas, quantas vezes o medo, a cobiça, a possessividade e o orgulho fizeram o pior. Examinando seu passado empresarial ou empregatício, quase todo alcoólico pode fazer perguntas como estas: Além de meu problema de bebida, que defeitos de caráter contribuíram para minha instabilidade financeira?

O medo e o complexo de inferioridade, acerca de minha competência no trabalho, destruíram minha confiança e me levaram a conflitos? Ou eu exagerava meu valor e bancava o importante?

As mulheres de negócio, que estão em A.A., descobrirão naturalmente que muitas dessas perguntas também muitas vezes se referem a elas, e a dona-de-casa alcoólica pode inclusive trazer insegurança financeira à família. Na verdade, todos os alcoólicos precisam se examinar impiedosamente para constatar como seus próprios defeitos de personalidade destruíram sua segurança.

Os Doze Passos, págs. 41 e 42



 

NA OPINIÃO DO BILL 302

Camaradagem em perigo

Nós, AAs, somos como os passageiros de um grande navio, momentos depois de serem salvos de um naufrágio, quando a camaradagem, a alegria e a democracia reinam na embarcação, desde a mesa de terceira classe até a mesa do capitão.

Portanto, os diferentes sentimentos dos passageiros, nossa alegria por haver escapado do desastre, não diminuíram, quando seguimos nossos próprios caminhos. O sentimento de compartilhar um perigo comum – recaída no alcoolismo – continua sendo um elemento importante do poderoso vínculo que nos une em A.A.

***

Nossa primeira mulher alcoólica tinha sido paciente do Dr. Harry Tiebout, e ele lhe havia entregue uma cópia manuscrita do Livro Grande (Livro Azul). A primeira leitura a deixou revoltada, mas a segunda a convenceu. Em breve ela foi a uma reunião realizada em nossa sala de estar, e dali ela voltou para o sanatório, levando essa clássica mensagem a um companheiro paciente: "Não estamos mais sozinhos."

1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 37

2 – A.A. Atinge a Maioridade, págs. 16 e 17



 

NA OPINIÃO DO BILL 303
Conselheiros afetuosos

Se não tivesse sido abençoado por conselheiros afetuosos e sábios, eu poderia ter me arrebentado há muito tempo. Outrora, um médico me salvou da morte por alcoolismo, porque me obrigou a encarar a mortalidade dessa doença. Um outro médico, um psiquiatra, mais adiante me ajudou a manter a sanidade, porque me levou a descobrir alguns de meus defeitos mais profundos. De um clérigo adquiri os verdadeiros princípios, pelos quais nós, AAs, tentamos agora viver.

Mas esses preciosos amigos fizeram muito mais do que me suprir com suas capacidades profissionais. Aprendi que eu poderia recorrer a eles com respeito a qualquer problema que tivesse. Eu podia contar sempre com sua sabedoria e integridade.

Muitos de meus amigos queridos, de A.A., têm estado comigo exatamente nessa mesma relação. Em muitas ocasiões, puderam ajudar onde outros não puderam, simplesmente porque eram AAs.

Grapevine de agosto de 1961