Na opinião de BILL - 304 à 332


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 304  à  332 




NA OPINIÃO DO BILL 304

O único propósito

Existem aqueles que profetizam que A.A. pode muito bem tornar-se uma nova ponta de lança para um despertar espiritual no mundo todo. Quando nossos amigos dizem essas coisas, estão sendo não só generosos como sinceros. Mas nós, de A.A., devemos refletir que tal tributo e tal profecia poderiam bem provar ser uma bebida intoxicante para a maioria de nós – isto é, se realmente viermos a acreditar que esse é o verdadeiro propósito de A.A., e se começarmos a nos comportar dessa maneira.

Portanto, nossa sociedade deverá ajustar-se prudentemente a seu único propósito: o de levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre. Devemos resistir à orgulhosa idéia de que uma vez que Deus nos tem feito bem numa área, estamos destinados a ser um meio de graça salvadora para todos.

A.A. Atinge a Maioridade, págs. 207 e 208

 



NA OPINIÃO DO BILL 305

Desde a raiz principal

O princípio de que não encontraremos qualquer força duradoura, sem que antes admitamos a derrota total, é a raiz principal da qual germinou e floresceu nossa sociedade toda.

***

É dito a todo recém-chegado, e logo ele reconhece por si mesmo, que sua admissão humilde de impotência perante o álcool constitui seu primeiro passo em direção à libertação de seu poder embriagador.

É dessa forma que, pela primeira vez, vemos a humildade como uma necessidade. Mas isso é apenas o começo. Afastar completamente nossa aversão à idéia de ser humildes, obter uma visão da humildade como o caminho que leva à verdadeira liberdade do espírito humano, dispostos a trabalhar para a conquista da humildade, como algo a ser desejado por si mesmo, demora muito, muito tempo para a maioria de nós. Uma vida inteira engrenada ao egocentrismo não pode ser mudada de repente.

1 – Os Doze Passos, pág. 14

2 – Os Doze Passos, págs. 62 e 63

 


 

NA OPINIÃO DO BILL 306

A felicidade é a meta?

"Não acho que a felicidade ou a infelicidade seja o ponto principal. Como enfrentamos os problemas que chegam a nós? Como aprendemos através deles e transmitimos o que aprendemos aos outros, se é que querem aprender?

"Do meu ponto de vista, nós deste mundo somos alunos numa grande escola da vida. Isso é proposto para que tentemos crescer e ajudar nossos companheiros viajantes a crescerem no tipo de amor que não faz exigências. Em suma, procuramos progredir à imagem e semelhança de Deus, como nós O concebemos.

"Quando chega a dor, se espera que aprendamos a lição, com boa vontade, e que aprendamos a ajudar os outros a aprenderem. Quando a felicidade chega, a aceitamos como uma dádiva, e agradecemos a Deus por obtê-la".

Carta de 1950

 



NA OPINIÃO DO BILL 307

O círculo e o triângulo

Acima de nós, a Convenção Internacional, em St. Louis, em 1955, flutuava uma bandeira com a inscrição do novo símbolo de A.A., um círculo contendo um triângulo. O círculo simboliza A.A. no mundo inteiro, e o triângulo simboliza os Três Legados de A.A.: Recuperação, Unidade e Serviço.

Talvez não seja por acaso que os sacerdotes e os profetas da antiguidade consideravam esse símbolo como uma forma de afastar os espíritos maus.

***

Quando em 1955, nós, os membros mais antigos, entregamos nossos Três Legados a todo o movimento, senti saudades dos velhos dias e ao mesmo tempo me senti grato pelo grande dia que estava vivendo agora. Eu não mais atuaria, nem decidiria, nem protegeria A.A.

Por um momento, tive medo, da mudança que se realizava. Mas essa sensação logo passou. Podíamos depender da consciência de A.A., movida pela orientação de Deus, para assegurar o futuro de A.A. Meu trabalho daqui para frente ia ser "soltar-me e entregar-me a Deus".

1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 125

2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 43



 

NA OPINIÃO DO BILL 308

Uma maneira de sair da depressão

"Durante uma fase aguda de depressão, evite tentar organizar sua vida inteira de uma só vez. Se você assumir compromissos tão pesados que com certeza vai deixar de cumpri-los, então está permitindo que seu inconsciente o engane. Assim, você vai continuar assegurando seu fracasso e, quando isso acontecer, você terá outra desculpa para cair ainda mais em depressão.

"Em resumo, a atitude de "tudo ou nada" é a mais destrutiva que existe. É melhor começar com a menor quantidade possível de atividade. Depois, trabalhar para aumentá-la dia a dia. Não fique frustrado com os retrocessos – comece novamente."

Carta de 1960



 

NA OPINIÃO DO BILL 309

Máxima espiritual

É uma máxima espiritual que toda vez que estamos perturbados, seja qual for a causa, alguma coisa em nós está errada. Se alguém nos ofende e ficamos irritados, nós também estamos errados.

Mas não há exceções nessa regra? O que dizer da raiva 'justificada"? Se alguém nos engana, não temos o direito de ficar com raiva? E não deveríamos, com razão, ficar com raiva das pessoas hipócritas?

Para nós, de A.A., esses acessos de raiva são muitas vezes perigosos. Descobrimos que mesmo a raiva justificada deveria ser deixada para aqueles que têm melhores condições de lidar com ela.

Os Doze Passos, pág. 78



 

NA OPINIÃO DO BILL 310

Aprendendo a confiar

Todo o programa de A.A. se baseia no princípio da confiança mútua. Confiamos em Deus, confiamos em A.A. e confiamos uns nos outros.

Portanto, não podemos deixar de confiar em nossos líderes em serviço. O "Direito de Decisão" que lhes oferecemos não é somente um meio prático de permitir que eles atuem e dirijam efetivamente, mas também um símbolo de nossa confiança implícita.

***

Se você chega ao A.A. sem convicção religiosa, pode, se quiser, fazer do próprio A.A. ou de seu grupo seu "Poder Superior". Aí se encontra um grande número de pessoas que resolveu seu problema com o álcool. Nesse sentido, essas pessoas certamente representam um poder superior a você. Mesmo esse mínimo de fé será suficiente.

Muitos membros que só dessa maneira atravessaram o limiar, lhe dirão que, uma vez do outro lado, sua fé se ampliou e se aprofundou. Libertados da obsessão pelo álcool, com suas vidas inexplicavelmente transformadas, vieram a acreditar num Poder Superior, e a maioria deles começou a falar em Deus.

1 – Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 18

2 – Os Doze Passos, pág. 19



 

NA OPINIÃO DO BILL 311

Contando o pior

Embora fossem muitas as variações, meu principal tema era sempre: "Como sou terrível!" Do mesmo modo como muitas vezes exagerava minhas mais modestas qualidades, por orgulho, assim também exagerava meus defeitos, através do sentimento de culpa. Em todos os lugares, eu vivia confessando tudo (e muito mais) a quem quisesse ouvir. Acreditem ou não, eu achava que essa ampla exposição de meus erros era uma grande humildade de minha parte e considerava isso um consolo e um grande bem espiritual.

Mas, mais tarde, percebi profundamente que na verdade não tinha me arrependido dos danos que causei aos outros. Esses episódios eram apenas a base para contar histórias e fazer exibicionismo. Com essa compreensão, chegou o começo de um certo grau de humildade.

Carta de junho de 1961



 

NA OPINIÃO DO BILL 312

A tolerância nos mantém sóbrios

"A honestidade para com nós mesmos e para com os outros nos leva à sobriedade, mas é a tolerância que nos mantém sóbrios".

"A experiência mostra que poucos alcoólicos vão se afastar por muito tempo de um grupo, só porque não gostam do modo como ele funciona. A maioria volta e se ajusta às condições existentes. Alguns vão a um grupo diferente ou formam um novo grupo".

"Em outras palavras, uma vez que o alcoólico chega à conclusão de que não pode ficar bem sozinho, ele de alguma forma vai descobrir uma maneira de ficar bem e continuar bem na companhia dos outros. Tem sido sempre assim desde o início de A.A. e provavelmente sempre o será".

Carta de 1943



 

NA OPINIÃO DO BILL 313

Finalmente, sob a luz do sol

"Quando se expressou a idéia de que poderia haver um Deus pessoal para mim, não gostei da idéia. Assim, meu amigo Ebby deu então uma sugestão que parecia ser original. Ele disse: "Por que você não escolhe sua própria concepção de Deus?

Essa pergunta atingiu-me fortemente. Derreteu a montanha de gelo intelectual, à sombra da qual eu tinha vivido e tremido durante muitos anos. Finalmente, eu estava sob a luz do sol."

***

Talvez seja possível encontrar explicações de experiência espirituais iguais às nossas, mas tentei muitas vezes explicar a minha e só obtive bons resultados, ao narrá-la. Conheço a sensação que isso me deu e os resultados alcançados, mas compreendi que nunca entenderei completamente suas implicações mais profundas.

1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 36

2 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 40



 

NA OPINIÃO DO BILL 314

Alto e baixo

Quando nossa Irmandade era pequena, tratávamos somente de "casos desesperados". Muitos alcoólicos menos desesperados tentavam A.A., mas não eram bem-sucedidos, porque não podiam admitir sua desesperança.

Nos anos seguintes, isso mudou. Os alcoólicos, que ainda tinham saúde, família, trabalho e até dois carros na garagem, começaram a reconhecer seu alcoolismo. À medida que essa tendência crescia, jovens que mal passavam de alcoólicos em potencial uniam-se a eles. Como poderiam pessoas como essas aceitar o Primeiro Passo?

Voltando às nossas próprias histórias de bebida, mostrávamos a eles que anos antes de reconhecê-lo, já havíamos perdido o controle, que mesmo naquela época nossa maneira de beber já não era um mero hábito, que era na verdade o começo de uma progressão fatal.

Os Doze Passos, págs. 14 e 15



 

NA OPINIÃO DO BILL 315

Superior a nós mesmos

Se fosse suficiente um código moral ou uma melhor filosofia de vida para vencer o alcoolismo, muitos de nós teriam se recuperado há mais tempo. Mas descobrimos que esses códigos e filosofias não nos salvaram, por mais que tentássemos. Poderíamos querer ter moral, ter o conforto da filosofia, de fato poderíamos querer essas coisas com toda nossa força, mas o poder necessário para mudar não existia. Nossos recursos humanos, guiados pela vontade, não eram suficientes; fracassaram por completo.

A falta de poder, esse era nosso dilema. Tínhamos que encontrar um poder, pelo qual pudéssemos viver – e ele tinha que ser um Poder Superior a nós mesmos.

Alcoólicos Anônimos, págs. 65 e 66



 

NA OPINIÃO DO BILL 316

Nosso manto protetor

Quase todo repórter que faz a cobertura de A.A. se queixa, a princípio, da dificuldade de escrever sua história sem nomes. Mas esquece rapidamente sua dificuldade, quando compreende que há um grupo de pessoas que não se preocupa de forma alguma com a aclamação.

Provavelmente é a primeira vez em sua vida que faz uma reportagem sobre uma organização que não quer publicidade pessoal. Embora ele seja cético a respeito, essa sinceridade evidente transforma-o num amigo de A.A.

***

Movidos pelo espírito do anonimato, tentamos deixar de lado nossos desejos naturais de distinção pessoal como membro de A.A., tanto entre nossos companheiros alcoólicos como ante o público em geral. À medida que pomos de lado aquelas aspirações mais humanas, acreditamos que cada um de nós toma parte na confecção de um manto protetor que cobre toda nossa sociedade e sob o qual podemos crescer e trabalhar em unidade.

1 – Grapevine de março de 1946

2 – As Doze Tradições, pág. 62



 

NA OPINIÃO DO BILL 317

Visão além do dia de hoje

Acho que a visão é a capacidade de fazer boas estimativas, tanto para o futuro imediato como para um futuro mais distante. Alguns poderiam sentir que esse tipo de esforço seria uma heresia contra "Um dia de cada vez". Mas esse princípio valioso realmente se refere à nossa vida mental e emocional e quer dizer principalmente que não somos tolos, para lamentar o passado nem sonhar com o futuro de olhos abertos.

Como indivíduos e como irmandade, vamos certamente sofrer se deixarmos toda a tarefa do planejamento para o amanhã, nas mãos da Providência. A verdadeira Providência Divina foi dar a nós, seres humanos, uma considerável capacidade de antevisão e Ela evidentemente espera que a usemos. Naturalmente, podemos muitas vezes cometer erros de cálculo quanto ao futuro, no todo ou em parte, mas o pior é recusar-se a pensar nele.

Doze Conceitos para Serviços Mundiais, pág. 44



 

NA OPINIÃO DO BILL 318

Perdão

Através do Quinto Passo, que é de vital importância, começamos a ter a sensação de que poderíamos ser perdoados, fosse o que fosse que tivéssemos pensado ou feito.

Muitas vezes, ao trabalhar nesse Passo com nossos padrinhos ou conselheiros espirituais, pela primeira vez nos sentimos verdadeiramente capazes de perdoar os outros, não importando quão profundamente sentíssemos que eles tivessem nos ofendido.

Nosso inventário moral nos tinha convencido de que todo perdão era desejável, mas foi somente quando fizemos resolutamente o Quinto Passo que soubemos no íntimo que éramos capazes, tanto de aceitar o perdão como também de perdoar.

Os Doze Passos, págs. 47 e 48



 

NA OPINIÃO DO BILL 319

Duas autoridades

Muitas pessoas se admiram como A.A. pode funcionar sob uma anarquia tão aparente. Outras sociedades têm que ter lei, força, sanção e penalidade, administradas por pessoas autorizadas. Felizmente para nós, achamos que não precisamos de nenhuma autoridade humana. Temos duas autoridades que são muito mais eficientes. Uma é benigna, a outra é maligna.

Existe Deus, nosso pai, que muito simplesmente diz: "Estou esperando que você faça a minha vontade." A outra autoridade chama-se bebida alcoólica e diz: "É melhor você fazer a vontade de Deus ou então eu o matarei."

***

As Tradições de A.A. não são regras, nem regulamentos nem leis. Nós as obedecemos de boa vontade, porque devemos e porque queremos obedecer. Talvez o segredo de sua força se encontre no fato de que essas comunicações de vital importância venham da experiência dr vida e estão arraigadas no amor.

1 – A.A. Atinge a Maioridade, pág. 95

2 – A.A. Today, pág. 11



 

NA OPINIÃO DO BILL 320

Dirigindo todo o espetáculo

A maioria das pessoas tenta viver de acordo com seus impulsos. Cada pessoa é como um ator querendo dirigir todo o espetáculo e que está sempre procurando arranjar as luzes, o cenário e os outros atores, a seu modo. Se só seus arranjos prevalecerem, se as pessoas só fizerem o que ele quer, o espetáculo será ótimo.

Geralmente o que acontece? O espetáculo não sai muito bem. Admitindo que ele possa ter falhado de alguma forma, está certo de que os outros são mais culpados. Ele fica com raiva, indignado e cheio de autopiedade.

Ele não é na realidade um egoísta, mesmo quando está tentando ser útil? Não é vítima da ilusão de que só ele poderá obter satisfação e felicidade deste mundo, unicamente se ele manejá-lo bem?

Alcoólicos Anônimos, págs. 75 e 76



 

NA OPINIÃO DO BILL 321

Os resultados da oração

Quando o cético tenta o processo da oração, ele deveria começar a somar os resultados. Se persistir, é quase certo que encontrará mais serenidade, mais tolerância, menos medo e menos raiva. Ele vai adquirir uma coragem calma, sem nenhuma tensão. Pode ver o "fracasso" e o "sucesso" como realmente são. Os problemas e a calamidade começam a significar educação em vez de destruição. Ele vai se sentir mais livre e mais sadio.

A idéia de que ele pode ter se hipnotizado por auto-sugestão vem a ser ridícula. Seu senso de utilidade e de direção aumentará. Suas ansiedades começarão a diminuir. Sua saúde física talvez melhore. Coisas imprevistas e maravilhosas começarão a acontecer. Melhorarão surpreendentemente as relações com a família e com os de fora.

Grapevine de junho de 1958



 

NA OPINIÃO DO BILL 322

Faça-o com calma – mas faça

Protelar é na realidade ter preguiça.

***

"Tenho observado que algumas pessoas podem suportar algum adiamento, porém, poucas pessoas podem viver em completa rebeldia."

***

"Temos sido bem sucedidos, confrontando muitos bebedores-problema com essa terrível alternativa: 'Ou nós, AAs, fazemos isso, ou morremos.' Uma vez que isso esteja firme em sua mente, quanto mais ele beber, mais a corda aperta."

"Como muitos alcoólicos têm dito: 'Cheguei ao ponto em que ou permanecia em A.A. ou do lado de fora. De modos que aqui estou!'"

1 – Os Doze Passos, pág. 57

2 – Carta de 1952

3 – Carta de 1950



 

NA OPINIÃO DO BILL 323

Tateando em direção a Deus

"Mais do que a maioria das pessoas, acho que os alcoólicos querem saber quem são, o que é sua vida, se têm uma origem divina e um destino determinado, bem como se existe um sistema de justiça e amor no cosmo.

"Essa é a experiência de muitos de nós nos primeiros estágios de bebedeiras, sentir que temos tido vislumbres do Absoluto e um sentimento intensificado de identificação com o cosmo. Ao mesmo tempo que esses vislumbres e sentimentos são, sem dúvida, válidos, eles são deformados e finalmente arrastados para o dano químico, espiritual e emocional forjado pelo próprio álcool.

"Em A.A. e em muitos enfoques religiosos, os alcoólicos encontram muito mais daquilo que meramente observaram e sentiram, quando, tateando, procuravam encontrar seu caminho em direção a Deus, no álcool."

Carta de 1960



 

NA OPINIÃO DO BILL 324

Espiritualidade e dinheiro

Alguns de nós ainda perguntam: "O que é exatamente o Terceiro Legado? E até onde vai a ação de Serviço?"

Vamos começar com meu próprio padrinho, Ebby. Quando Ebby soube o quanto era sério meu problema com a bebida, resolveu me visitar. Ele estava em New York, e eu no Brooklin. Não bastava tomar a decisão; ele teve que entrar em ação e gastar dinheiro.

Ele me chamou ao telefone e em seguida tomou o metrô; o custo total foi de dez centavos. No momento em que telefonou e tomou o metrô, a espiritualidade e o dinheiro começaram a se misturar. Um sem o outro não teria chegado a nada.

Naquele exato momento e lugar, Ebby estabeleceu o princípio de A.A. em ação, que exige sacrifício de muito tempo e dinheiro.

A.A. Atinge a Maioridade , págs. 125 e 126



 

NA OPINIÃO DO BILL 325

A humildade traz a esperança

Agora que não somos mais fregueses de bares e bordéis, agora que trazemos para casa o dinheiro recebido pelo trabalho, agora que estamos tão ativos em A.A. e agora que as pessoas nos felicitam por esses sinais de progresso – bem, naturalmente continuamos a nos felicitar. Claro que ainda não estamos ainda muito perto da humildade.

***

Deveríamos estar dispostos a tentar a humildade, procurando remover nossas imperfeições, da mesma forma que fizemos quando admitimos que éramos impotentes perante o álcool e viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia nos devolver à sanidade.

Se a humildade pôde nos permitir encontrar a graça, através da qual pôde ser banida a obsessão mortal do álcool, então deve haver esperança de se obter o mesmo resultado, em relação a qualquer outro problema que possamos ter.

1 – Grapevine de junho de 1961

2 – Os Doze Passos, pág. 66

 



NA OPINIÃO DO BILL 326

Crítica bem recebida

"Muito obrigado por sua carta de crítica. Estou certo de que, se não fosse por suas críticas violentas, A.A. teria progredido mais lentamente.

"Quanto a mim, cheguei ao ponto de dar grande valor às pessoas que me criticaram, fossem críticas justas ou injustas. Tanto uma como outra, muitas vezes me impediram de fazer coisas piores do que realmente tenho feito. Espero que as críticas injustas tenham me ensinado a ter um pouco de paciência. Mas as justas têm sempre prestado um grande serviço a todos os membros de A.A. – e têm me ensinado muitas lições valiosas."

Carta de 1955



 

NA OPINIÃO DO BILL 327

Três escolhas

O objeto imediato de nossa busca é a sobriedade – a libertação do álcool e de todas as suas desastrosas conseqüências. Sem essa libertação não temos nada.

Embora pareça um absurdo, não podemos nos libertar da obsessão alcoólica, até que fiquemos dispostos a lutar com aqueles defeitos de caráter que nos levaram a essa irremediável situação. Nessa busca de libertação, sempre nos foram dadas três escolhas.

Uma recusa rebelde de lutar contra nossos evidentes defeitos pode ser um bilhete quase certo para a destruição. Ou, talvez por algum tempo, possamos permanecer sóbrios com um mínimo de auto-aperfeiçoamento, e nos fixar numa confortável, mas muitas vezes perigosa mediocridade. Ou, finalmente, podemos continuar lutando com afinco, para obter aquelas qualidades puras que podem significar clareza de espírito e ação – verdadeira e duradoura libertação sob a graça de Deus.

Grapevine de novembro de 1960



 

NA OPINIÃO DO BILL 328

Uma recém – encontrada providência

Ao lidar com um provável membro, com inclinações agnósticas ou ateístas, é preferível você usar a linguagem popular para descrever os princípios espirituais. Não adianta despertar qualquer preconceito que ele possa ter contra certos conceitos e termos teológicos, acerca dos quais já possa estar confuso. Não levante essas questões, sejam quais forem as convicções que você tenha.

***

Todos os homens e mulheres que ingressaram e pretendem permanecer em A.A., sem perceber, começaram a praticar o Terceiro Passo. Não é verdade que em todos os assuntos relacionados com o álcool, cada um decidiu entregar sua vida aos cuidados, proteção e orientação de A.A.?

Já foi alcançada a disposição de substituir a vontade e as idéias próprias, acerca do problema do álcool, por aquelas sugeridas por A.A. Ora, se isso não é entregar a vontade e a vida a uma recém-encontrada "Providência", o que é então?

1 – Alcoólicos Anônimos, pág. 106

2 – Os Doze Passos, pág. 26



 

NA OPINIÃO DO BILL 329

Faça-o à nossa maneira?

Ao orar, nossa tentação imediata será a de pedir soluções específicas para problemas específicos e a capacidade de ajudar outras pessoas, da forma como achamos que deveriam ser ajudadas. Nesse caso, estamos pedindo a Deus que o faça à nossa maneira. Portanto, deveríamos considerar cuidadosamente cada pedido, para levar em conta seu verdadeiro mérito.

Além disso, ao fazer pedidos específicos será bom acrescentarmos a cada um deles uma ressalva: "... se for da Tua vontade."

Os Doze Passos, pág. 89



 

NA OPINIÃO DO BILL 330

Para crescer

Aqueles anseios da adolescência que tantos de nós tivemos, para obter completa aprovação, absoluta segurança e perfeito romance – anseios perfeitamente próprios da idade de dezessete anos – são impossíveis de ser aceitos como um modo de vida aos quarenta e sete ou cinqüenta e sete anos.

Desde o começo de A.A., levei tremendas surras em todas essas áreas, pelo fato de ter deixado de crescer emocional e espiritualmente.

***

À medida que crescemos espiritualmente, descobrimos que nossas antigas atitudes, com relação a nossos impulsos instintivos, precisam passar por rigorosa revisão. Nossas necessidades de segurança emocional e material, prestígio pessoal e poder, todas estas têm que ser moderadas e reorientadas. Aprendemos que a plena satisfação dessas necessidades não pode ser a única finalidade de nossa vida. Não podemos colocar a carroça diante dos bois; seremos arrastados para a desilusão. Mas quando estamos dispostos a colocar o crescimento espiritual em primeiro lugar – então e somente então teremos uma verdadeira chance de crescer no conhecimento saudável e no amor pleno.

1 – Grapevine de janeiro de 1958

2 – Os Doze Passos, pág. 102



 

NA OPINIÃO DO BILL 331

A grande realidade

Reconhecemos que sabemos pouco. Deus revela cada vez mais, tanto a você como a nós. Pergunte-Lhe, em sua meditação matinal, o que você pode fazer cada dia pela pessoa ainda doente. As respostas virão, se seu interior estiver em ordem.

Mas, evidentemente, você não pode transmitir algo que não tenha. Procure fazer com que sua relação com Ele seja boa, e grandes acontecimentos ocorrerão para você e para muitos outros. Essa é nossa grande realidade.

Para o recém-chegado:

Entregue-se a Deus, como você O concebe. Admita suas faltas a Ele e a seus semelhantes. Desfaça-se das ruínas de seu passado. Dê livremente aquilo que você receber e junte-se a nós. Estaremos com você na irmandade do espírito e, você certamente se encontrará com alguns de nós, quando trilhar o caminho do destino feliz.

Que Deus o abençoe e o proteja! – até lá.

Alcoólicos Anônimos, pág. 165




NA OPINIÃO DO BILL 332

Eu sou responsável...

Quando qualquer um, seja onde for,

estender a mão pedindo ajuda,

quero que a mão de A.A.

esteja sempre ali.

E por isto: Eu sou responsável.

 

– Declaração do 30° aniversário

Convenção Internacional de 1965

***

Prezados amigos:

Desde 1938, a maior parte de minha vida, em A.A., foi dedicada à ajuda da criação, planejamento, direção e segurança da solvência e eficiência dos serviços mundiais de A.A. – o escritório que tem capacitado nossa Irmandade a funcionar, no mundo inteiro, como um todo unificado.

Não é exagero dizer que, sob a orientação de seus custódios, todos esses importantes serviços foram, em parte, responsáveis por nossa atual extensão e total eficiência.

O Escritório de Serviços Gerais de A.A. é muito mais do que o principal portador da mensagem de A.A. Ele tem apresentado A.A. ao mundo conturbado em que vivemos. Tem encorajado a propagação de nossa Irmandade em todos os lugares. A.A. World Services, Inc. está pronto para atender às necessidades especiais de qualquer grupo ou indivíduo isolado, seja qual for a distância ou o idioma. Seus muitos anos de acumulada experiência estão disponíveis para todos nós.

Os membros de nossa curadoria – a Junta de Serviços Gerais de A.A. – serão, no futuro,nossos principais líderes em todas as nossas atividades mundiais. Essa alta responsabilidade já lhes foi delegada há muito tempo; eles são meus sucessores, bem como do Dr. Bob, nos serviços mundiais e são diretamente responsáveis por A.A. como um todo.

Esse é o legado de responsabilidade dos serviços mundiais que nós, os membros mais antigos que vão desaparecendo, estamos deixando a vocês, os AAs de hoje e de amanhã. Sabemos que vocês vão guardar, sustentar e estimar esse legado mundial, como a maior responsabilidade coletiva que A.A. já teve. Com confiança e afeição

 

Bill

 

Bill W. faleceu em 24 de janeiro de 1971