DP - Nada vale a vida se eu não estiver sóbria para viver!

Hoje, lendo a Revista Vivência e me maravilhando com os detalhes que encontro em cada depoimento lembrei-me de quando cheguei em A.A. Era final de 1992; eu trabalhava de empregada doméstica e nesse dia a filha da minha patroa estava se casando. Como são de uma família tradicional e bem de vida, o casamento civil seria realizado na casa da noiva.
Nesta ocasião os freezers estavam cheio de bebidas de toda qualidade, inclusive bebidas que eu nunca havia visto.
Meu marido, que na época era meu namorado ficou de passar no meu serviço para que fôssemos embora juntos, porém ele também bebia e resolveu sair com os amigos esquecendo-se de mim.
Terminado o casamento, todos saíram e eu fiquei sozinha! Que festa!
Chateada porque o namorado não apareceu, uma desculpa para beber todas, bebi de tudo o que havia. Acordei no sábado, na minha casa, sem saber quem havia me levado. Minha mãe me disse que os noivos me encontraram bêbada na rua, com pé ensangüentado, pois eu havia me cortado num caco de garrafa. Eles me pegaram, banharam-me, me vestiram e me levaram para casa. Minha vergonha foi tanta que eu não voltei nem para receber o pagamento.
Foi quando me falaram de A.A. Minha irmã, de tanto ver meu sofrimento procurou ajuda; falou com o meu namorado e ele topou em me acompanhar.
Quando chegamos ao grupo, numa segunda-feira a sala estava cheia; o coordenador da reunião nos deu as boas-vindas e me disse que a reunião de Al-Anon era na sala ao lado; eu respondi "esta é a sala que eu procuro, esta é a minha sala"!
Abençoados companheiros, que nos ajudaram a mim e ao meu namorado, que hoje é meu marido, porque ele também se identificou como alcoólico.
Foi assim que conheci esta Revista maravilhosa. Fiz minha assinatura e sigo firme na minha programação fazendo das vinte quatro horas o primeiro e único dia de toda a minha vida.
Aprendi que sou importante e que nada vale a pena se eu não estiver sóbria para viver. Hoje tenho quatro netos que são minha alegria!
Agradeço, a Deus e aos meus companheiros de A.A., por esta felicidade. Vinte e quatro horas de sobriedade e obrigado por esta maravilha que é a Revista Vivência.

Vivência  Nº 106 - Março / Abril - 2007