Artigos - Não me colecione e não me deixe na gaveta

NÃO ME COLECIONE E NÃO ME DEIXE NA GAVETA
Eu sou um chamado:
Esta chamada tem como meta atingir não só aqueles, que como eu, se considera o dono da verdade, acima do bem e do mal, e bebia todas, como também para os que começam a beber precocemente, aos 13 ou 15 anos, seduzidos pela gratificante euforia e desinibição que o álcool proporciona.

O aumento do consumo de álcool, assim como o fácil acesso à bebida é um problema crescente e vem assumindo proporções assustadoras. Ter tomado conhecimento de que o alcoolismo é uma doença, já inteiramente doente e dependente do álcool, foi assustador. Como eu, um medido dedicado e de sucesso, passei anos bebendo sem controle e sem consciência dessa doença gravíssima? 

Ainda mais surpreendente para mim, foi descobrir ter uma doença apenas depois de contato com outros alcoólatras, que como eu, procuraram ajuda para o terrível mal do alcoolismo. Existe, ainda hoje, uma forte negação sobre tudo o que se refere ao uso e ao abuso do álcool. Negação que gera preconceitos, erros de diagnóstico e desconhecimento dos inúmeros problemas ocasionados por essa substância.

Esta negação que existe sobre esta doença me preocupa muito, pois ela impede que o conhecimento real da doença chegue até as pessoas e, principalmente, àquele jovem que começa a beber, pois todos do seu grupo bebem, e se sente bem com o efeito que o álcool proporciona.

Existe ainda a crença de que o alcoólatra é um marginal social. Não se sabe que, na verdade, o alcoólatra é apenas um doente. Alcoolismo é uma doença primária, física, mental e espiritual, tendo esta última dimensão nada a ver com religiosidade. É uma doença biopsicossocial, com predisposição genética.

Existem hoje mais de 600 milhões de alcoólatras no mundo. Morrem mais de 2 milhões de pessoas por ano de diferente maneiras, mas sempre relacionadas direta ou indiretamente pelo álcool.

(Fonte: Alcoolismo a doença da negação – Dr. Claudio L.)

Eu sou a Revista Vivência
- Um "Décimo Segundo Passo moderno" . Quantas vezes ficamos inibidos em abordar o assunto alcoolismo; basta começarmos mostrando Nossa Revista seguida da abordagem;
- Uma "Reunião Ambulante" ; podemos levá-la a qualquer lugar e para casa. Quando chegamos cansados do serviço, sem ânimo de irmos à reunião do grupo, ou há alguém doente na família, que nos prende em casa, a Vivência nos servirá de alento para o momento apenas;
- A melhor ajuda para os companheiros que estão em iminente recaída. É só ler qualquer matéria que a compulsão desaparece;
- Como sugestão, poderá ser livro de cabeceira de todo AA, pois lendo toda manhã um trecho de qualquer matéria, ficaremos fortalecidos nas próximas vinte e quatro horas;
- Útil no Apadrinhamento! Basta oferecer uma Revista Vivência ao seu afilhado;
- Importante para esclarecer os Profissionais e a Comunidade, pois divulga Alcoólicos Anônimos e seu programa de recuperação. Poderá chegar aos profissionais e à comunidade através de assinaturas/ cortesia;
- Eficaz nas abordagens e aos familiares: basta oferecermos um exemplar da mesma ao alcoólico problemático ou a um familiar do mesmo.

Pense nisso !!!

PORQUE SER UM ASSINANTE DA VIVÊNCIA?
A revista VIVÊNCIA, criada sob a inspiração da GRAPEVINE, tem desempenhado satisfatoriamente a sua função, não apenas na troca de experiências, mas também na divulgação da literatura, de eventos e na transmissão da mensagem de AA para os possíveis alcoólicos, seus familiares, para os profissionais da área de saúde, e para a comunidade em geral. A VIVÊNCIA registra a evolução da nossa Irmandade no Brasil a cada dois meses, através de fatos gerados na JUNAAB e das informações recebidas de todas as Áreas. A cada número ela traz notícias sobre Encontro Estaduais, Regionais, Convenções, Conferências, Seminários e outros eventos que refletem o nível de consciência compartilhada a cerca de nossos princípios. A VIVÊNCIA é um excelente meio de divulgação de alcoólicos Anônimos junto à comunidade em geral, um eficaz instrumento do CTO, constituindo-se também extraordinário canal interno de comunicação permanentemente aberto. Externamente é o nosso cartão de visitas para a sociedade. Além disso traz indispensável contribuição para o fortalecimento da nossa preciosa UNIDADE. Os relatos de experiências por companheiros e companheiras de todo o País são recursos adicionais para o melhor entendimento e prática dos TRÊS LEGADOS.

É no trabalho do Décimo Segundo passo e na Quinta Tradição que a Vivência vem ampliando a sua participação junto aos Comitês Trabalhando com Os Outros dos Grupos, no trabalho de estudos e treinamentos para melhoria e padronização da mensagem de Nossa Irmandade. A sua dinâmica com experiências atuais e passadas de membros de A.A., e de nossos profissionais amigos traz matérias facilitadores para compreensão e aplicação dos princípios de Alcoólicos Anônimos.

Transmitir a Mensagem de A.A. ao Alcoólico que Ainda Sofre
"Nenhum de nós estaria aqui, se alguém não tivesse tido tempo para explicar-nos alguma coisa, para nos dar uns tapinhas nas costas, para levar-nos a uma ou duas reuniões, para fazer numerosos atos de bondade e consciência em nosso favor".

O 12º Passo nos diz: "Tenho experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossa atividades".

A 5º Tradição reza: "Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólatra que ainda sofre".

Nos perguntamos: – por que será que em A.A., por duas vezes nos é pedido para que informemos ao alcoólico que ainda sofre? Por que será que os fundadores de A.A. deram tanta importância para o fato de que a mensagem deve chegar ao alcoólico que ainda bebe?
Aprendemos em A.A. que os Doze Passos são para nossa recuperação individual e as 12 Tradições, para vivermos em unidade nos Grupos.

O que é transmitir a mensagem? – Deixar passar além, conduzir. Fazer passa de um ponto ou de um possuidor ou detentor para outro, transferir.

Os Doze Passos são para nossa recuperação individual, portanto, se aplicam à minha pessoa, individualmente. Eu não trabalho os Passos de outro. Trabalho os meus Doze Passos.

É pelo resultado da prática desses Doze Passos que eu sou visto pela sociedade que convivo.
Quem me conheceu alcoolizado vê essa diferença hoje. Queiramos ou não, transmitimos à sociedade o que os Doze Passos nos fizeram e esta nos põe na balança, nos avalia, nos julga. Nós sentimos isso todos os dias.

Este é o conteúdo da 11ª Tradição: Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção.

Se formos a um baile, nos divertimos, dançamos, bebemos refrigerantes e ainda somos discretos, a sociedade nos vê e poderá dizer: "Esse aí, antigamente bebia muito". "Esse casal aí estava se separando por causa da bebida". "Como mudou essa pessoa depois que parou de beber! Era um caso perdido. Como será que isso aconteceu?"

Ou então: "Aquele ali que tem um emblema de A.A. no carro dele, estava passando para trás seus amigos". "Esse sujeito parou de beber, mas continua negador de contas. É um safado". "Parou de beber, mas em casa continuam as brigas".

Onde nós passamos, para aqueles que nos conhecem, transmitimos a mensagem de A.A. pela atração. É isso que nos recomenda a 11ª Tradição. Mesmo não querendo, passo a ser um espelho da Irmandade. Abrindo ou não o meu anonimato, estou sempre transmitindo a mensagem de A.A.

O mar transmite grandeza. O lago calmo nos transmite paz. A rosa transmite um doce aroma. A escuridão nos transmite medo.

A criança nos transmite inocência. Não há necessidade de se colocar placas para isso, assim como não precisamos abrir nosso anonimato para que pessoas notem nossa mudança.
Isso, no meu entender, é transmitir a mensagem que aprendemos nos Doze Passos.

O que é levar a mensagem?
Fazer chegar, estender, levar para fora.

Levar a mensagem nos diz a 5ª Tradição: Cada grupo é animado de um único propósito primordial – o de transmitir sua mensagem ao alcoólatra que ainda sofre.

Faço questão de ressaltar: – a Mensagem deve ser levada pelo Grupo. Grupo é unidade, é mais do que um, portanto, com o conhecimento do Grupo, a mensagem, incluindo folhetos e endereços, será leveda aos outros por dois ou mais companheiros. Nunca, mas nunca mesmo, sozinho.

A.A. nos ensina que devemos trabalhar com os outros. Os outros, aqui são os companheiros de A.A., a sociedade e os doentes do alcoolismo.

"Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome. Eu estarei no meio deles". Precisa-se dizer mais? Porque ser ingrato e se omitir de levar a mensagem com outro?
Muitos companheiros nos dizem ter abordado pessoas que precisariam estar em A.A. e essas não entenderam a mensagem. Fizeram isso sozinhos, não atendendo o que nos diz a 5º Tradição. Não o fizeram em Grupos.

Um fato importante. Devemos nos despojar dessa confiança imoderada que temos em nós mesmo. Muitas vezes, ela está arraigada em nós tão profundamente, que já nem percebemos o domínio que exerce sobre nosso coração. O nosso egoísmo, a preocupação com a nossa pessoa e amor próprio são precisamente as causas de todas nossas dificuldades, de nossa falta de liberdade interior, na provação de nossas contrariedades, de nossos tormentos da alma e do corpo. Por isso, julgamos os outros e somos os donos da "verdade".

Exemplo está na história do filho pródigo: Dá-me o que é meu que eu vou vencer sozinho. Só o Poder Superior pode lhe dar a vitória. Aí você volta para a casa de Seu Pai, ou ao seu Grupo e reconhece sua impotência, "em aceitar as coisas que não podemos modificar".
É satisfazer o ego quando se diz no Grupo: Fiz sozinho minha parte; errou, não cumpriu o que sugere a 5ª Tradição.

O mesmo acontece com aqueles membros que, ao invés de levar a mensagem de A.A., levam a sua própria mensagem e ainda, ferindo a 8ª Tradição que diz: "Alcoólicos Anônimos deverá manter-se sempre não profissional", procuram levá-la misturando com a medicina ou dados estatísticos para se vangloriarem de sua mesquinha inteligência. Pensam que para levar a mensagem de A.A. têm de ser eloquentes, ter conhecimentos gerais além da literatura de A.A..
Se assim acontece, esse membro deve voltar ao 12º Passo e praticar esses princípios em todas as suas atividades.

Cito um exemplo prático e verdadeiro de um Grupo que foi formado por seis membros. Em março de 2006, esse Grupo completou cinco anos de formação. E sabem quem estava lá? Uns 20 membros e entre eles, hoje, apenas três dos presentes na formação do Grupo há cinco anos. Três membros que nunca coordenaram uma reunião por dificuldades na leitura. Mas lá estavam os três juntos, continuando a levar a mensagem de A.A..

Há companheiros que se afirmam como bons AAs, porque participaram de diversos eventos, se fazem presentes em reuniões de Distrito, de Serviços, etc. Essas pessoas são como aquelas que já leram receitas de bolo, mas nunca experimentaram fazer o bolo. Não sentiram o prazer de fazer o bolo nem mesmo de apreciá-lo.

Tanto Bill como Bob afirmam nos livros de A.A., que o mais importante para a nossa sobrevivência, além da prática dos Doze Passos, é a prática da 5ª Tradição. É levar a mensagem.
O membro de A.A. já entrosado no programa das 24 horas, e que está concentrando suas energias no dia de hoje em busca da sobriedade e da serenidade pode perguntar ou perguntar-se de onde vem a força de Alcoólicos Anônimos? A força vem do despertar para um Poder Superior, da disposição de, em Grupo, levarmos aos outros que sofrem de alcoolismo a informação, através da 5ª Tradição, de como chegamos à sobriedade e de como a nossa vida mudou radicalmente para melhor.

Quando recebemos a força através da amizade dos companheiros do Grupo, do despertar espiritual e da execução do 12º Passo, nós, em A.a., passamos a conviver em unidade, recuperação e serviço. Nesse espírito de grupo, se a amizade não for o suficiente, então nos resta a fé, e se a fé às vezes for pouca, a prestação do serviço ao companheiro é um rio que irriga o deserto. Mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.

Lembremo-nos finalmente, da última mensagem do Dr. Bob: – "Meus queridos amigos em A.A.. Fico bastante emocionado ao ver diante de mim um vasto mar de faces, com o sentimento de que, possivelmente alguma pequena coisa eu fiz há alguns anos para tornar este encontro possível... Nenhum de nós estaria aqui, se alguém não tivesse tido tempo para explicar-nos alguma coisa, para nos dar uns tapinhas nas costas, para levar-nos a uma ou duas reuniões, para fazer numerosos atos de bondade e consciência em nosso favor. Assim não deixemos nunca chegar a um grau de tal complacência presunçosa, que não nos permita dar ajuda ou tentar dá-la, a nossos irmãos menos felizes, já que ela tem sido tão benéfica para todos nós".

Vivência Nº 102 Julho / Agosto 2006.