Artigos - Não permitem que o encanto se quebre

"Se o problema não for logo contornado em pouco tempo estaremos de volta ao copo e certamente, ao inferno, não sem antes, "balançar" a Unidade do Grupo."
Ao chegarmos em A. A. encontramos um "mundo" bem diferente daquele que imaginávamos e estávamos. No início até parecia um mundo de sonhos, daqueles que víamos em nossas fantasias. Um mundo pequeno nas aparências, porém gigante por natureza, tão simples e ao mesmo tempo tão enigmático. Tudo é tão novo, tão surpreendente e promissor; jamais imaginávamos encontrar algo assim.
 
No início da caminhada quando tudo é novo somos bastante receptivos como aqueles que estão a se afogar em águas profundas e barrentas, sem alguém por perto; por perto ajudar, mesmo que seja para atrair uma pequena  boia. Demonstramos humildade e submissão, certamente retiradas de um último suspiro de desespero e dor.
 
Criamos um verdadeiro encanto por tudo que estamos aprendendo, pelos outros membros de A. A., pelo reflexo e o sucesso das mudanças em nossa vida social e familiar. Passamos a viver com alegria! Começa a despontar um tênue fio de felicidade, algo que sempre esperávamos encontrar no funesto e diabólico fundo de um cálice! Já é possível traçar algumas metas em nossa vida como o retorno à família, um novo emprego e muito mais, porém, com a mente alcoólica, doentia e traiçoeira a maioria de nós logo esquece o que realmente nos trouxe a A. A. e o que encontramos.
 
 
Esquecemos de como chegamos, que fomos recebidos com amor e carinho (valores que já desconhecíamos) por aqueles que lá estavam à nossa espera; que em apenas poucos dias seguindo a Programação de A. A. nossa vida começou melhorar. Ignoramos tudo isso. Esquecemos da dedicação de todos à nossa volta que sonharam em ver-nos novamente reintegrados na sociedade, sem revolta ou ressentimentos.
 
Assim como a referência do Capítulo Cinco do Livro Alcoólicos Anônimos... aqueles que sentem dores nos pés durante a caminhada... cheios de orgulho, com a mente doentia comum a todo alcoólico, e os defeitos de caráter bastante acentuados ainda, se não afastam do Grupo, passam a encontrar defeitos nos companheiros e na programação, e assim, como um vaso de vidro de péssima qualidade, o encanto se quebra e voltam à prática dos velhos hábitos dando vazão aos defeitos de caráter que estavam refreados e voltam às velhas atitudes.
 
A famosa bebedeira seca citada começa seu efeito devastador. Se o problema não for logo contornado em pouco tempo estaremos de volta ao copo e certamente ao inferno em que vivíamos antes, não sem antes "balançar" a Unidade do Grupo. Apesar de alguns membros entenderem isso como "dores do crescimento", penso de outra forma. Ora, se aceitarmos este desrespeito às Tradições com naturalidade e o Grupo viver absorvendo sempre estas "dores" a recuperação de seus membros, assim como o próprio Grupo estarão comprometidos; não haverá condição de recuperação espiritual.
 
Se não conseguirmos tal recuperação, o Grupo irá mal, não poderemos ajudar nem mesmo a nós, quanto mais àqueles que chegam à busca de ajuda!
 
 
O Grupo necessita primar pelo único propósito de A. A.. Se observarmos bem nossas Tradições descobriremos que podemos passar muito bem sem esses males e aproveitar melhor os ensinamentos sugeridos na programação caminhando em busca da verdadeira harmonia com o Poder Superior, conosco e com o nosso próximo. Somente assim poderemos levar adiante a mensagem de A. A., dividindo essa riqueza inigualável encontrada na alma desta tão abençoada Irmandade.
 
 
(Vivência Nº 123 – Jan/Fev 2010)