DP - Ninguém me negou amor

“Passei a ter noção mais aproximada de quem eu era e trouxe o ensinamento da "Igualdade” como aliado para o meu desenvolvimento espiritual”.

Minha chegada em A.A. aconteceu muito antes da minha rendição.

Fiquei cerca de dois anos assistindo reuniões e me convencendo de que eu não era alcoólica.

Ia várias vezes na cabeceira da mesa, onde me denominava “amiga dos AAs” e ali propunha ajuda; dissertava sobre os passos e tradições. Mantinha-me confortável e distante do meu real tamanho. Permanecia negando o meu alcoolismo e intelectualizando a Programação.

Com tamanha insanidade e mente fechada usava minha suposta inteligência para deturpar os legados de A.A. e consequentemente continuar bebendo.

Assim, fazia-me diferente dos companheiros e companheiras e não praticava a igualdade proposta pela Irmandade.

A igualdade que ajuda as pessoas a se manterem em sala, a se sentirem parte de um todo; a igualdade que não nega amor a quem quer que chegue com o desejo sincero de parar de beber.

Eu, uma alcoólica grandiosa, vaidosa, que colocava sempre as personalidades acima dos princípios, vivia a desigualdade como arma para me distanciar dos meus semelhantes.

Hoje, depois de realmente me render e ingressar em A.A. é que consigo, através do meu inventário, perceber quanto tempo eu perdi, mesmo estando em sala, praticando o contrário do que fora, com tamanha generosidade, fornecidos pelos companheiros de A.A.

Em A.A. nunca ninguém me negou amor e por isso fui me sentindo segura e confiante. Quanto mais eu me rendia e me assumia como alcoólica, mais esse Poder em A.A. (Amor) – ia me contagiando e me aproximando das pessoas.

Passei a ter noção mais aproximada de quem eu era e trouxe o ensinamento da “Igualdade” como aliado para o meu desenvolvimento espiritual.

A Igualdade é também prescrita na Terceira Tradição e é através dela que qualquer pessoa, de qualquer origem, raça, religião ou classe social desfruta do privilégio de ser acolhido numa sala de A.A.

Diferentemente de um passado doentio, onde eu classificava meus amigos e criava núcleos de pessoas adoecidas por seu personalismo, hoje, em A.A., não encontro motivo para me sentir superior e me isolar das pessoas, pois sou portadora da mesma doença de todos que ali ficam e, assim, isso me iguala e me unir ao Todo.

Venho vivendo um dia de cada vez me alimentando desse amor, o amor que desde que cheguei nunca me foi negado.

Rev. Vivência nº 107 – Mai./Jun./2007.