DP - Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção

Cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, no rádio e em filmes.

Em nossas Doze Tradições, temos nos colocado contra quase todas as tendências do mundo "lá fora". Temos negado a nós mesmos o governo pessoal, o profissionalismo e o direito de dizer quais deverão ser nossos membros. Abandonamos a beatice, a reforma e o paternalismo. Recusamos o generoso dinheiro de fora e decidimos viver à nossa custa. Queremos cooperar com praticamente todos, mas não permitimos que nossa sociedade seja unida a nenhuma. Não entramos em controvérsia pública e não discutimos, entre nós, coisas que dividem a sociedade: religião, política e reforma. Temos um único propósito, que é o de levar a mensagem de A.A. para o doente alcoólico que a deseja. Tomamos essas atitudes, não porque pretendemos virtudes especiais ou sabedoria; fazemos essas coisas porque a dura experiência nos tem ensinado que A.A. tem que sobreviver num mundo conturbado como é o de hoje. Nós também abandonamos nossos direitos e nos sacrificamos, porque precisamos e, melhor ainda, porque quisemos. A.A. é uma força maior do que qualquer um de nós; ele precisa continuar existindo ou milhares de alcoólicos como nós certamente morrerão.

Em nossas Doze Tradições, temos nos colocado contra quase todas as tendências do mundo "lá fora". Temos negado a nós mesmos o governo pessoal, o profissionalismo e o direito de dizer quais deverão ser nossos membros. Abandonamos a beatice, a reforma e o paternalismo. Recusamos o generoso dinheiro de fora e decidimos viver à nossa custa. Queremos cooperar com praticamente todos, mas não permitimos que nossa sociedade seja unida a nenhuma. Não entramos em controvérsia pública e não discutimos, entre nós, coisas que dividem a sociedade: religião, política e reforma. Temos um único propósito, que é o de levar a mensagem de A.A. para o doente alcoólico que a deseja. Tomamos essas atitudes, não porque pretendemos virtudes especiais ou sabedoria; fazemos essas coisas porque a dura experiência nos tem ensinado que A.A. tem que sobreviver num mundo conturbado como é o de hoje. Nós também abandonamos nossos direitos e nos sacrificamos, porque precisamos e, melhor ainda, porque quisemos. A.A. é uma força maior do que qualquer um de nós; ele precisa continuar existindo ou milhares de alcoólicos como nós certamente morrerão.

Escrevendo sobre o Anonimato, Bill W. disse em certo trecho: "Começamos a perceber que a palavra anônimo tem para nós uma grande significação espiritual. De maneira sutil, mas vigorosamente, lembramo-nos de que devemos colocar os princípios antes das personalidades; que renunciamos à glorificação pessoal em público; que nosso movimento não apenas prega, porém pratica uma verdadeira humildade".

Foi dentro desse princípio, de ajudar anonimamente, que Bill W. recusou o título de Doutor Honoris Causa que lhe fora oferecido por uma Universidade Norte americana; nesse mesmo passo, Bill W. renunciou a grande soma de dinheiro a ele oferecida por companhias cinematográficas norte-americanas, para filmar a sua vida; foi esse mesmo Bill que, recusando o prestígio pessoal, não permitiu que o seu retrato fosse estampado na capa da revista "Times", quando de uma reportagem que ele solicitara sobre Alcoólicos Anônimos.

Em seu artigo "Por que o A.A. é Anônimo" ele diz, entre outras coisas: “Como nunca, a luta pelo poder, prestígio e riqueza, está arrasando a civilização – homem contra homem, família contra família, grupo contra grupo, nação contra nação”. Quase todos aqueles envolvidos nessa violenta competição declaram que seus objetivos são: a paz e a justiça para eles mesmos, para seus semelhantes e para suas nações. "Dê a nós o poder", eles dizem, e faremos justiça: dê a nós a fama, e daremos nosso grande exemplo; dê a nós o dinheiro, e ficaremos satisfeitos e felizes. As pessoas do mundo inteiro acreditam profundamente nisso e atuam de acordo com isso. Nessa espantosa bebedeira seca, a sociedade parece estar entrando num beco sem saída. O sinal "pare" está claramente marcado. Ele anuncia "desastre".

Toda a Irmandade tem conhecimento de que o Anonimato foi o tema que mais preocupou os nossos cofundadores, haja vista a maneira errônea como tem sido interpretado pela maioria. A prova disso está no fato ocorrido quando de sua última mensagem enviada aos companheiros que lhe prestavam solidariedade, por ocasião dos seus 36 anos de sobriedade. Já sem forças, Bill pediu a Lois – sua esposa – que o representasse, lendo aos companheiros solidários a seguinte mensagem: “Meus pensamentos hoje são cheios de gratidão para com a nossa Associação, pelo sem número de bendições que nos tem dado a graça de Deus. Se me perguntassem qual dessa bendição foi responsável por nosso crescimento como associação e mais vital para nossa continuidade, eu diria: O conceito do Anonimato.

 “Ao fim, se nenhum de nós desperdiçarmos publicamente nosso valor, ninguém possivelmente irá explorar A.A. para benefício pessoal. O anonimato não é apenas algo para nos salvar da vergonha e do estigma alcoólico; seu propósito mais profundo é, na verdade, manter nossos egos tolos, sob controle, evitando que corrermos atrás do dinheiro e da fama pública à custa de Alcoólicos Anônimos”.

Com efeito, ainda em seu artigo “Por que Alcoólicos Anônimos é Anônimo?”, Bill afirma: “O temporário ou aparentemente bom pode muitas vezes não ser aquilo que é sempre o melhor. Quando se trata da sobrevivência de A.A., nem o nosso melhor será bom o suficiente”.

E conclui: “Agora nos damos conta de que cem por cento do anonimato diante do grande público é tão vital para a vida de A.A., como cem por cento de sobriedade o é para a vida de cada membro em particular”.

Uma experiência pessoal com o anonimato

Vivo em uma pequena cidade do interior e nos meus primeiros anos de A.A. a sociedade local além de surpresa por eu ter parado de beber ainda achava que eu era muito especial, pois vivia ajudando os bêbados. Imagine! Pois bem, belo dia, o Lions Clube local resolve prestar homenagem a três pessoas da cidade que mais se destacaram durante o ano e, para minha surpresa, o meu nome era um deles. Cheguei em casa e contei a novidade à minha esposa, ao que ela perguntou: o que você fez para receber essa homenagem? Fiquei sem o que responder, afinal não tinha feito nada de especial. 

Só pode ser pelo A.A., disse ela. Eles devem estar achando que você deve ser algo lá em A.A. E perguntou em seguida, e o anonimato?

Eu, que já desconfiava disso, fui obrigado a baixar a cabeça e entender que era isso mesmo e a contragosto fui procurar a Diretoria do Lions para cancelar a minha homenagem. Chegando lá, o Presidente foi logo dizendo: “A festa é depois de amanhã e não tem como mudar a programação na última hora”.  Ao que ponderei: Então pelo menos não fala nada de A.A., ou seja, que eu seja homenageado sem motivo. Ele achou estranha minha proposta, mas depois de muito explicar sobre o anonimato ele concordou. Chegando o dia da dita festa, eu fui o terceiro a ser “homenageado”. Havia muita gente e muito barulho. O orador, conforme combinado, me chamou e entregou o troféu sem o porquê do mesmo e eu apavorado com o anonimato fui para o microfone e fiquei bem longe dele para que não saísse nenhum som e disse um monte de coisas ininteligíveis. Alguns da platéia ainda pediam para eu falar mais alto, mas eu insistia que tinha problema no som. 

Terminada essa parte da homenagem ainda tinha mais: uma mesa reservada aos homenageados exporem os seus troféus. Meu Deus! Estava escrito no meu troféu: “Homenagem a fulano de tal pelos brilhantes trabalhos desenvolvidos à frente de Alcoólicos Anônimos”. Corri para o carro e joguei o troféu lá, bem escondido e voltei para a tal mesa. Nela ainda fiquei um bom tempo respondendo porque não estava com o troféu enquanto os outros estavam. Foi uma noite difícil e uma maneira complicada de aprender e respeitar a Tradição o Anonimato.  

Graças ao alerta de minha esposa eu pude acordar a tempo e frear um pouco da minha necessidade de prestígio quando ainda não tinha dois anos de A.A. Quanto ao troféu? Ele está bem escondido em minha casa e quando lembro dele e da história acho a maior graça de tudo.

Obrigado companheiros por me aceitarem como sou!