Artigos - Nossos críticos benfeitores

Em poucas palavras, formamos um contraste inusitado com o mundo que nos rodeia, e esperamos fervorosamente assim continuar. Nesta época perigosa, teremos uma constante necessidade desse tipo de prudência coletiva. Mais do que tudo, esta prudência garantirá nossa eficácia, nossa segurança e nossa sobrevivência. 
Nossa prudência coletiva com relação ao dinheiro, a fama e as controvérsias - deriva certamente das nossas Doze Tradições - prosseguir ganhando uma infinidade de amizades para o A.A. e, de igual importância, não nos fez nenhum inimigo. Que este processo benigno, dentro e fora de nossa Irmandade, nunca chegue ao fim. 
Como esta magnífica conferência nos ensinou, a ausência do medo deu lugar à sabedoria e à prudência; a prudência nos conduziu à fé e à confiança - confiança em nossos semelhantes, confiança em nós mesmos, e confiança no amor de Deus.
Quando uma revista publicou uma crítica sobre certos aspectos de A.A., pondo em dúvida as relações de A.A. com a medicina, a religião e com o mundo em geral, a redação do Grapevine foi consultar-se com Bill. Ele lhes sugeriu que voltassem a ler as seções pertinentes de A.A. Chega a sua Maioridade e Doze Conceitos para os Serviço Mundial. 
 Como Irmandade, não devemos nunca nos tornar vaidosos como para pretender achar que fomos autores e inventores de uma nova religião. Recordaremos com humildade que cada um dos princípios de AA., cada um deles, foi apropriado de fontes antigas. Teremos presente que somos leigos, e que estamos sempre dispostos a cooperar como todas as pessoas de boa vontade, seja qual for a sua religião ou a sua nacionalidade. 
Falando em nome do Dr. Bob e no meu, quero dizer-lhes que nunca tivemos a menor intenção de estabelecer uma nova seita religiosa. O Dr. Bob tinha certas convicções religiosas e eu tenho as minhas. Isto é por certo, o privilégio pessoal de todo membro de AA 
Porém, não poderá haver nada mais nefasto para o futuro de A.A. do que tentar incorporar idéias teológicas pessoais nos ensinamentos, nos costumes ou nas Tradições de nossa Irmandade. Sinto-me totalmente convencido de que o Dr. Bob, se ainda estivesse entre nós, compartilharia da opinião de que seria impossível insistir em demasia neste ponto. 
Além do mais, seria fruto do falso orgulho crer que Alcoólicos Anônimos seja um analgésico, ou inclusive o único remédio para o alcoolismo. Não devemos esquecer a dívida que temos com o pessoal do campo médico. Com relação a isso, temos de ser amistosos e, sobre tudo, receptivos a todos os descobrimentos da medicina e da psiquiatria que prometam oferecer alívio aos enfermos. Devemos sempre dar provas de amizade para todos os que trabalham no campo da pesquisa, reabilitação e educação sobre o alcoolismo. Sem prometer a ninguém em particular, devemos estar sempre dispostos a cooperar com todos, na medida que possamos. Tenhamos sempre em mente que os experts em religião são os clérigos; que aos médicos lhes correspondem exercer a medicina; e que nós, os alcoólicos, somos seus ajudantes. 

(A LINGUAGEM DO CORAÇÃO)