DP - Numa grande tela

Bebi durante mais ou menos vinte e oito anos, começando como bebedor social, tornando-me bebedor periódico e depois um bebedor compulsivo. Minha maneira de beber custou-me o lar, minha primeira esposa, meus filhos e quase
tudo o qual havia trabalhado durante toda minha vida. Fui preso por estar bêbado em público, contraí tuberculose e sei que ela provavelmente foi causada pela bebida; durante quatro meses seguidos, estive entrando e saindo das enfermarias para alcoólicos de diversos hospitais. Quando saí da última delas, fiquei bêbado durante três semanas inteiras e acordei novamente na cadeia. Pensei que estivesse lá por estar alcoolizado em público, tal como acontecera
antes. Mas descobri, depois de perguntar, que eu havia cometido um delito grave. Cheguei à penitenciaria em uma fria manhã, para começar a cumprir uma pena de cinco anos. Depois de passar pela triagem e ser levado à minha cela na
unidade de recepção e de ouvir aquela porta de ferro ser batida atrás de mim, pensei que aquilo fosse o fim. Havia chegado até o mais baixo que se podia ir e senti que não havia mais nenhuma esperança. Durante as cinco semanas seguintes, fiquei sentado naquela pequena cela a amaldiçoei todo o mundo, menos a mim mesmo, pelos meus problemas passados e presentes. Naquela época, ninguém poderia estar mais cheio de ressentimento, ódio e autopiedade do que eu. Uma noite, enquanto eu estava em minha cela, olhando para as quatro paredes, todo meu passado pareceu se desenrolar à minha frente, como se fosse numa grande tela. Podia ver pela primeira vez todas as mágoas, toda a miséria e toda a dor que causara a todo mundo no passado: minha mãe e meu pai, minha primeira esposa e meus filhos, minha atual esposa e todos os meus amigos. Percebi pela primeira vez que nenhuma dessas pessoas estivera errada. O errado era eu. Todas as coisas que me aconteceram tinham sido criadas por mim,
enquanto bebia. Acredito que essa tenha sido a primeira vez que fui honesto comigo mesmo em muitos anos. Logo depois desses fatos, recebi uma carta do secretário do Grupo de A.A. da prisão. Tinha uma vaga idéia do que fosse A.A., mas isso era tudo. A carta me convidava a freqüentar as reuniões, se achasse que tinha um problema com a bebida. No domingo seguinte, assisti à minha primeira reunião e, quando saí daquela sala, tinha pela primeira vez na minha vida a mente aberta e um sincero desejo de parar de beber. Aceitei novamente Deus na forma em que antes O concebera e a partir de então, peço Sua ajuda a cada manhã e agradeço a Ele a cada noite. Tenho de volta minha adorável esposa, que também é agora um membro de A.A. Em fevereiro passado completou um ano que estou em A.A. Vivo hoje em uma prisão agrícola de segurança mínima. Estou prestes a comparecer a uma audiência de liberdade condicional e, com a graça de Deus, logo estarei em casa com minha família. Se não fosse pelo despertar espiritual que tive naquela noite, na cela da penitenciária, se não tivesse vindo novamente a acreditar em um Poder Superior a mim mesmo, nada disso que tenho hoje teria sido possível. 

VIEMOS A ACREDITAR 5/7