Artigos - O doloroso esvaziamento do ego

"Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições" 
 
Com a ajuda de Deus, o alcoólico compreenderá que se julgou espezinhado, fez péssimos conceitos próprios, acumulou críticas a respeito de seus pensamentos e ações e adquiriu sentimentos de inferioridade, de não prestar, baseado somente em provas que qualquer pessoa imparcial rejeitaria, e quase sempre motivado por um perfeccionismo injustificável.

Verá, através do 7° Passo, que é hora de encontrar um conceito verdadeiro a respeito de si mesmo, passando a agir como amigo e não como inimigo dele próprio. Saberá que não é herói nem vilão, mas apenas um ser humano com defeitos e qualidades como qualquer outro. E que está neste mundo para evoluir fazendo o bem a si mesmo e a seus semelhantes e que, por pior que alguém seja, sempre tem algo de bom para oferecer.

Perceberá com clareza o essencial: que tem que se perdoar e gostar de si mesmo para poder perdoar e gostar dos outros. Descobrirá que mudar seus hábitos, colocando coisas novas e boas em sua mente, irá ajudá-lo a construir uma imagem adequada e realista, baseada no sucesso e não no fracasso.
 
Comece pensando nos êxitos que você teve no passado, nas coisas boas que fez e sentiu. Descubra o que há de melhor em você, realisticamente, e traga isso para sua consciência.

Comece a usar seu mecanismo criador, sua imaginação, no sentido positivo, alimentando-o com informações de sucesso. Mas, lembre-se de que não adianta criar uma personalidade fictícia porque ela será impotente, não funcionará.

Seja sincero consigo mesmo. Reexamine os fatos e seus pensamentos e coloque neles uma opinião real e verdadeira, mas que SEJA JUSTA. Avalie-se assim. É tremendamente importante para este passo o convívio e a freqüência às reuniões de A.A. Assim o alcoólico poderá vividamente se aceitar como é e aos outros como são, em razão dos exemplos, da  compreensão, da solidariedade e do sentimento de integração em um grupo social em vez do isolamento.
 
troca de idéias e experiências, o encontro de novos e verdadeiros amigos, a visão de novos horizontes e caminhos, além de uma série enorme de outras coisas que só existem em A.A., facilitarão muito a sua reintegração no mundo e na vida como um ser digno, decente e capaz. Lembre-se de que neste passo a pessoa está procurando se tomar livre de suas más qualidades e imperfeições no tanto que for possível. Mas não se torne perfeccionista, porque só Deus é perfeito.

É bom ter sempre na mente estas verdades: "Não sou melhor porque me louvam, nem sou pior porque me censuram. Sou, na verdade, o que sou a teus
olhos, Senhor, e à luz da minha  consciência. O que vem de fora não me faz mal porque não me torna mau. Só o que vem de dentro pode me fazer mal, porque pode me tomar mau".

Não devemos fazer o que os outros nos dizem, mas sim aquilo que achamos certo. Também não devemos adotar idéias pessimistas de outros. Na natureza tudo segue compulsoriamente as suas leis. Todos podemos e devemos ser felizes. 
 

Todos temos essa potencialidade incubada, talvez não nascida ainda. Compete-nos fazê-la eclodir, nascer.

A felicidade é um estado de espírito. O que mais ajuda a obtê-la é sermos bons, desinteressadamente bons. A alegria e a risada espontânea contagiam assim como tudo mais que sai naturalmente de dentro. Quando ajudamos alguém, estamos ajudando a nós mesmos, permitindo que nosso íntimo sinta a grande satisfação de sermos úteis, de fazermos parte do mundo.

Se a pessoa ajudada ainda demonstrar gratidão, o calor dessa reação é uma gratificação a mais para quem ajudar. Começamos assim a aprender o significado de dar e receber. Com o tempo verificamos que sentimos muito mais prazer quando damos do que quando recebemos e passamos a entender o que é contentamento, pois, no plano da qualidade, quem dá enriquece e quem só quer receber empobrece. Quem dá suas idéias a terceiros não as perde: fortalece-as e ganha outras.
 
 
Resumindo, dar aos outros sem pensar em recompensa ajuda a nos aceitarmos tal como somos, fornecendo uma dimensão adequada à nossa imagem mental. É um fato psicológico que os sentimentos que temos para com as outras pessoas são os sentimentos que nós temos com relação a nós mesmos.

Nós damos o que possuímos. Quando começamos a nos sentir mais caridosos com os outros, estamos fazendo a mesma coisa para nós mesmos. É dessa maneira que nos tomamos melhores e nos livramos de nossos defeitos e imperfeições.

Passando a gostar de nós mesmos, acabamos de "limpar a nossa casa", nossa mente, e ficamos em condições de ir recolher o lixo que jogamos na casa
dos outros.

(Vivência n° 97 Set./Out. 2005)