Artigos - Irmã Ignácia na formação e estruturação dos grupos Al-anon

"emocionante" do livro a LINGUAGEM DO CORAÇÃO. Traz implicitamente, o papel e exemplo da Irmã no formação e estruturação dos grupos Al-anon. 

Depois da morte do Dr. Bob, havia uma grave preocupação de que a Irmã Inácia não fosse autorizada a continuar com o seu trabalho. Da mesma forma que em outras ordens religiosas, as Irmãs de Caridade praticam a rotatividade em suas atividades. Isso é um velho costume. No entanto, por algum tempo, não se fez nenhuma mudança. Com a ajuda dos Grupos de A.A. das imediações, a Irmã Inácia continuava fazendo seus trabalhos no Santo Tomás. Então, em 1952, ela foi repentinamente transferida para o Hospital de Caridade de San Vincent de Cleveland, onde, para grande alegria de todos nós, foi encarregada de dirigir o pavilhão dos alcoólicos. Em Akron, foi nomeado um excelente sucessor para substituí-la; os trabalhos continuaram sendo realizados. 
O pavilhão de alcoólicos de San Vincent ocupava uma parte da seção destruída do edifício que necessitava de reparações e renovações. Os que conheciam e amavam a Irmã Inácia, perceberam que esta oportunidade era para ela, um grande estímulo. Os administradores do hospital também reconheciam a necessidade de se fazer algo. Começaram a chegar ao hospital, contribuições substanciais. Em suas horas livres, alguns carpinteiros, encanadores e eletricistas membros de A.A. puseram-se a fazer os trabalhos de recuperação das velhas instalações - sem cobrar pelos seus serviços. O belo resultado desta obra de amor hoje é conhecida pelo nome de Sala do Rosário. 
Novamente, os milagres de recuperação do alcoolismo começaram a multiplicar-se. Durante os quatorze anos seguintes, a espantosa quantidade de dez mil alcoólicos cruzou as portas da Sala do Rosário para lá submergir ao encanto da Irmã Inácia e de A.A. Mais de dois terços dessas pessoas recuperou-se da sua enfermidade e voltaram a ser cidadãos do mundo. Desde o amanhecer até o anoitecer, a Irmã Inácia oferecia sua graça extraordinária a essa interminável procissão de gente aflita. Além do mais, ela ainda arrumava tempo para atender e ocupar-se das suas famílias, e este aspecto tão frutífero de seu trabalho tomou-se uma grande inspiração para os Grupos Familiares de Al-Anon de toda a região. 
Embora contando com a ajuda de seus magníficos assistentes do hospital e com os AAs de fora, seu trabalho deve ter sido muito duro e desgastante para aquela freirinha de saúde cada vez mais delicada. Temos que nos sentir agradecidos pelo fato de que a Providência lhe permitiu ficar tantos anos conosco. Centenas de amigos fizeram longas viagens, porém sentindo-se gratificados, somente para poder testemunhar a sua suprema e constante devoção. 
Ao final de seus numerosos anos de serviço, a Irmã Inácia encontrou-se várias vezes a beira da morte. Em algumas de minhas visitas a Cleveland, foi-me permitido sentar-me ao lado de sua cama. Nestas ocasiões, pude vê-la em seus melhores momentos. Sua fé perfeita e sua completa aceitação da vontade de Deus sempre estavam implícitas em tudo o que dizia, seja estivéssemos conversando seriamente ou em tom de brincadeira. O medo e a incerteza pareciam ser-lhes totalmente alheios. Ao despedir-se, ela sempre tinha aquele sorriso radiante; aquela devota esperança de que Deus lhe permitiria ficar mais tempo na Sala do Rosário. Alguns dias mais tarde, chegaram-me notícias de que estava em seu escritório. Esse magnífico drama voltou a repetir-se muitas vezes. Ela não se dava conta, em absoluto, de que isso pudesse ter algo de estranho. Sabendo que chegaria o dia em que seria o último entre nós, aos AAs parecia apropriado presentear previamente a Irmã Inácia, dar algo,uma mostra tangível que lhe pudesse expressar, ainda que fosse uma pequena parte, o profundo amor que sentíamos por ela. Tendo em conta a sua insistência em se negar a atrair a atenção do público para a sua pessoa, no que concerne a placa em Akron, eu simplesmente enviei-lhe uma carta para dizer que gostaria de ir a Cleveland para visitá-la, indagando de passagem que se sua saúde permitisse, talvez pudéssemos jantar juntos acompanhados de seus fiéis companheiros e amigos de A.A. Além do mais, era seu qüinquagésimo ano de serviço para a comunidade. 
Certa tarde, nos reunimos em um dos pequenos restaurantes do Hospital da Caridade. A Irmã Inácia chegou nitidamente encantada. Apenas podia caminhar. Como éramos todos veteranos, passamos a hora do jantar contando histórias do passado. A Irmã Inácia nos presenteou com memórias do Santo Tomás e com gratas lembranças de Anne e do Dr. Bob, nosso co-fundador.