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O PROPÓSITO  PRIMORDIAL DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS

 Por duas vezes fui solicitado  a falar  sobre  a  Quinta  Tradição, que trata de nosso propósito primordial. Uma  delas na abertura 
da Convenção Nacional de A.A. na cidade de Arequipa, no Peru, quando  então  atuava  como  Delegado  à  Reunião  de   Serviço 
Mundial  e  participava  da   Reunião  das   Américas  (REDELA), naquela   cidade.  
A  outra,   em  um  grupo,  na  cidade  de  Belo Horizonte/MG.  A princípio, este  tema  me  pareceu  muito  fácil. Porém,  depois  de  refletir  a   respeito  do   mesmo   comecei  a compreender a importância e as profundas implicações que tem este “Propósito Primordial” na minha  recuperação,  em  nossas recuperações, e na recuperação daquele que está por chegar.

Minha experiência é que,  graças a  este  Propósito Primordial,  é que estou aqui falando com vocês e que, devido  a  ele,  tenho  a certeza de que nossa  verdadeira  recuperação se faz  com  base em nossos três legados: Recuperação, Unidade  e  Serviço. Para minha  recuperação  pessoal  tenho  Doze  Passos  “sugeridos”, para   nossa   Unidade  e  boa  convivência  com  a  comunidade 
interna  e  externa  de  A.A.  tenho  as  Doze Tradições  e,  para o Serviço  Mundial,   desde  o  grupo  até   a   Reunião  de  Serviço 
Mundial,   tenho  os  Doze  Conceitos.  

Para  mim  o   resumo  da prática  destes  princípios,  em  minha vida,  constitui  o  Propósito Primordial de A.A. –  a transmissão  
da mensagem  ao  alcoólico que   ainda  sofre.  Uma  mensagem  de  amor,   fé   e  esperança transmitida por meio da  Linguagem 
do Coração! 

Nosso  Preâmbulo  termina  com  a  citação:  “Nosso  propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade”. Destaco as palavras “mantermo-nos sóbrios e  ajudar outros  alcoólicos… ” Portanto,  devemos, em primeiro lugar, mantermo-nos sóbrios:  “primeiro  as  primeiras coisas”.   Como  fazê-lo?   Creio     que   a   melhor    maneira   é 
praticando todos os Doze Passos sugeridos, da melhor maneira possível. 

Porque “os Doze  Passos de A.A.  consistem  em  um  grupo  de princípios, espirituais em sua natureza que, se praticados como 
um modo de vida, podem  expulsar  a  obsessão  pela  bebida  e permitir que o sofredor se torne íntegro,feliz e útil”. 

Como  ajudar  outros  alcoólicos?  A  resposta  está  em   nosso Décimo Segundo Passo: “Tendo  experimentado  um  despertar espiritual, graças a  estes  passos, procuramos  transmitir  esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios  em  todas as nossas atividades”. 

Bill W.   nos  legou  isto,  no  capítulo  sete  do  livro  Alcoólicos Anônimos:  “A  EXPERIÊNCIA  prática  demonstra  que  não  há 
nada que assegure tanto a imunidade contra  a  bebida  como o trabalho intensivo com outros alcoólicos…”  

Muito bem!  Estou sóbrio, ajudo outros e participo de um grupo base. 

Grupo  Base:   é   o   grupo   que   escolhi    para    fazer   minha recuperação e  aonde  assumo  responsabilidades  de  serviço, 
faço e mantenho amizades, e onde tenho o  direito  de  votar  e,  portanto,   participo    da   consciência   coletiva    do    grupo –  
processo que constitui a pedra angular da estrutura de serviço 
de A.A. (Página 20, Ed. 2002, O Grupo de A.A.)  

No grupo estou sob a orientação das Doze Tradições  que  são os princípios que orientam “os meios pelos quais A.A. mantêm 
sua unidade e se relaciona com o mundo...” 

Nestes princípios está incluso nossa “Linguagem do Coração” - um alcoólico falando com outro - que  é  a  prática  da  Quinta Tradição.  Esta Tradição  estabelece o propósito primordial de A.A.: “Cada grupo é animado de um único propósito primordial: 
o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre”. 

Para mim, nossa Quinta Tradição é o coração, o centro de A.A., em  torno  da  qual  se  move  o  mundo  de  A.A.:  o  mundo da Recuperação, Unidade e Serviço. 

A vida de A.A. depende  de  quão bem  nós  nos  adequamos  a estes princípios. E nosso princípio básico e primordial é ajudar 
os outros alcoólicos que  estão  fora de si,  perdidos  nas  ruas das ruínas espirituais, sem rumo, buscando  alguém  que  lhes estenda as mãos, e por isto, eu sou responsável.
Porque nossa declaração   de   responsabilidade   é   muito   clara:   “Quando 
qualquer um,  seja onde  for,  estender  a  mão  pedindo  ajuda, quero que a mão de A.A. esteja sempre ali. E por  isso  eu  sou responsável”. 

Agora, meus irmãos, gostaria de chamar  a  atenção  de  todos para uma comparação  e  um  fato  muito  importante.  Se,  por exemplo,  a Quinta Tradição é o mostrador e  os  ponteiros  do relógio de A.A., a  Sétima Tradição  é  a  fonte  de  energia  que movimenta as suas engrenagens - que somos nós - que fazem os ponteiros se movimentar. 

Portanto, sem a energia que  mantém  o  movimento,  que  é  a Sétima  Tradição,    da   mensagem    de   A.A. -   nosso   único 
propósito -   não   chegará   àqueles    que    dela   necessitam. 
Portanto, aqui,  tenho  a  responsabilidade  de  recordá-los  da 
grande espiritualidade que se reveste nossas contribuições  a A.A. Por isto a necessidade que nós, servidores de  confiança 
de A.A., temos de levar, de transmitir a conscientização sobre a Sétima e de seu poder, que além de  salvar  vidas,  contribui 
para a grande Unidade de A.A. 

Para isto “Deus, em Sua infinita sabedoria, nos concedeu três preciosas graças: 1)  a  libertação  de  uma  aflição  mortal;  2) 
uma   experiência   que   nos   permite   levar   a   outros   esta inigualável libertação; 3)  uma visão cada vez  mais  ampla  da realidade de Deus  e  de  Seu  amor.  Que  nós,  os  Alcoólicos Anônimos, permaneçamos sempre  dignos  destes  três  dons 
da graça e das  supremas  responsabilidades  que  agora  são nossas…” 
(Página 399, ed. 2005, A Linguagem do Coração).
 
Muito obrigado e que Deus, na concepção  de  cada  um,  com seu infinito amor, nos abençoe a todos.                                                                     
 O Propósito Primordial de Alcoólicos Anônimos RV.127

Vivência nº 127- Set / Out 2010