Artigos - O que é aceitação - Bill W.

Uma maneira de chegar ao significado da aceitação é meditar o princípio dentro do contexto da muito utilizada Oração de A.A. “ Deus, concedei-me serenidade de aceitar as coisas que não posso mudar, a coragem para mudar as que posso, e a sabedoria para perceber a diferença”. Isto é , pedir essencialmente o recurso da graça através da qual podemos progredir espiritualmente sejam quais forem as circunstâncias. O que se encontra grandemente destacado nesta maravilhosa oração é a necessidade de ter a classe de sabedoria que pode distinguir entre o possível e o impossível. Também veremos que o formidável repertório de penas e problemas da vida requer diferentes graus de aceitação conforme procuramos aplicar este valioso princípio. Ás vezes temos que encontrar o tipo apropriado de aceitação para o que possa acontecer amanhã, e outras vezes talvez tenhamos que aceitar uma condição que talvez não mude nunca. Logo, também, frequentemente tem que existir a apropriada e realista aceitação de nossos lamentáveis defeitos de caráter e das graves falhas dos demais  defeitos que demoraram muito anos para se corrigir completamente, se por acaso alguma vez foi feito. Todos nós cometemos erros, alguns reparáveis e outros não. Frequentemente nos deparamos com fracassos – ás vezes por acidente, ás vezes causados por nós mesmos, e outras vezes provocados pela injustiça e a violência de outras pessoas. A maioria de nós chegará a  alcançar algum grau de êxito material neste mundo, e quanto a isso, o problema do tipo apropriado de aceitação será verdadeiramente difícil. Logo se apresentará a doença e a morte. Como poderemos aceitar todas essas coisas? Sempre é valido considerar4 o muito que se pode deformar essa boa palavra ACEITAÇÃO. Se pode desvirtuar para justificar qualquer tipo de debilidade, bobagem e insensatez. Por exemplo, podemos “aceitar” o fracasso como uma condição crônica, sem proveito nem remédio para sempre. Podemos “aceitar” orgulhosamente o êxito  matéria, como algo que se deve unicamente a nós mesmos. Também podemos “aceitar” a doença e a morte como evidência certa de um universo hostil e sem Deus. Nós, os AAs, temos uma vasta experiência com todas estas deformações da ACEITAÇÃO. Portanto, procuramos  constantemente lembrar a nós mesmos que estas adulterações da aceitação são só artimanhas para fabricar desculpas; perdido de antemão no qual somos, ou menos temos saído, os campeões do mundo. Por isso valorizamos tanto nossa Oração da Serenidade. Nos aponta Omã nova luz que pode dissipar nosso antigo e quase mortal costume de enganar-nos a nós mesmos. No resplendor desta oração vemos que a derrota, se for aceita de forma apropriada, não tem porque ser um desastre. Agora sabemos que não temos que fugir, nem devemos tentar novamente superar a adversidade por meio de outra ofensiva precipitada que só nos criará obstáculos mais rápidos do que possamos derrubá-los. Ao entrar em A.A., nos convertemos nos beneficiários de uma experiência muito diferente. Nossa nova maneira de manter-nos sóbrios está baseada literalmente na proposição de que “Por nós mesmos, não somos nada, o Pai faz as obras”. No Primeiro e Segundo Passos de nosso programa de recuperação, estas ideias estão especificamente explicadas:” Admitimos que éramos impotentes perante ao álcool – e que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas” – “Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver á sanidade”. Não podíamos derrotar o álcool com recursos que restavam e por isso aceitamos o novo fato de que a dependência de um Poder Superior (ainda que fosse só o nosso Grupo de A.a.) poderia realizar esta tarefa que até agora havia sido impossível. No momento em que pudemos aceitar totalmente estes fatos, começou a nossa libertação da obsessão pelo álcool. Este par de aceitações havia requerido para a maioria de nós um grande esforço. Tivemos que abandonar toda a nossa querida filosofia de auto suficiência. Isto não se conseguiu com a costumeira força de vontade; pois. Era mais uma questão de desenvolver a boa vontade para aceitar estas novas realidades da vida. Não fugimos nem brigamos. Mas ACEITAMOS. E então nos libertamos. Não havia acontecido nenhum desastre irremediável. –BIIL W. –Março de 1962.