Artigos - O que é liberdade em A.A. - BILL W.

As Tradições e os costumes de A.A. constituem uma garantia de liberdades individuais e coletivas sem paralelo na história. Não nos encontramos sujeitos a nenhum governo humano. Uma vez, um membro de A.A. que tinha a impressão de que seu Grupo era muito orgulhoso, respeitável e intolerante. Portanto, acreditava que tinha um exagerado temor dos lapsos e recaídas de seus membros. De temperamento irônico, colocou-se a idealizar  um remédio. Finalmente, pendurou um cartaz na sala de reuniões. Dizia: “ Companheiros, aqui se permite quase tudo. Mas se acontecer de chegares bêbado a uma reunião, por favor não faça muito barulho.E por favor, não fume seu ópio no elevador do clube”. Esta claro que nosso amigo passou dos limites para fazer valer seu ponto de vista. Raras vezes se vê um A.A. bêbado nas reuniões; e é bem provável que ninguém haja fumado ópio em algum lugar do clube. Não obstante, ao contemplar este cartaz todos podemos ler nas entrelinhas e o fazemos para nosso benefício. Na realidade, nosso amigo brincalhão está dizendo a todos os seus companheiros responsáveis e temerosos, “Se não fosse pela graça de Deus, assim eu me comportaria”. Aos agitadores, disse: ” Ninguém pode obriga-los a se comportar bem, nem castigá-los quando se comportam mal, A.A. tem Doze Passos para a recuperação e o desenvolvimento espiritual. Tem Doze Tradições para a unidade de cada Grupo e de toda nossa Irmandade. Estas Tradições nos ensinam as as formas que nos permitem manter-nos unidos, se assim o desejamos. Nos custa algum dinheiro, alugar este local. Espera,os que coloquem algum dinheiro na sacola, mas não queremos forçá-los a fazê-lo. Podem atacar-nos, porém é provável que ninguém lhes resista. Podem romper seu anonimato diante do público e explorar o nome de A.A. para ganhar prestígio e dinheiro. Se insistem em fazer tais bobagens, nós não podemos detê-los. Tampouco, o podemos fazer se envolvem o nome de A.A. em controvérsias políticas. Esperamos que não façam nenhuma destas coisas, para nosso prejuízo ou o seu. Dizemos simplesmente que terão que praticar os princípios de A.A. porque os senhores mesmo o querem fazer – não porque nós insistimos. Cabe aos senhores tomar a decisão; esta é a sua garantia de liberdade em A.A.”. Para qualquer outra sociedade, esta liberdade ilimitada seria desastrosa. Num abrir e fechar de olhos, se converteria em pura anarquia. Então, como podemos os AAs aguentar tanta liberdade, uma liberdade que ás vezes parece ser uma licença individual e coletiva para fazer exatamente o que nos agrada? Ademias, são nossas virtudes que nos concederam esta garantia inaudita ou na realidade está acionada por nossas necessidade? Nossas necessidades, sem dúvida, são imensas e prementes. Cada um de nós tem que ajustar-se muito bem aos Passos e ás Tradições de A.A.; se não, nos tornaremos loucos ou morreremos do alcoolismo. Portanto, para a maioria de nós, o desejo de sobreviver e de desenvolver-nos logo chega a ser mais forte que a tentação  de beber ou de nos comportar mal. Temos que fazê-lo ou morreremos. Assim, optamos por viver. Isto, por sua vez, supõe optar pelos princípios, costumes e atitudes que possam nos salvar do desastre total, assegurando nossa sobriedade. Esta é nossa primeira grande decisão crucial. Temos que reconhecer que tomamos sob o  iminente chicote aterrorizador do “Senhor Álcool”, o assassino. Está claro que esta primeira decisão é mais uma necessidade do que uma ação virtuosa. Mas uma vez superado este obstáculo, começamos a tomar outra classe de decisões. Começamos a ver que os princípios de A.A. são bons. Apesar de nos sentirmos muito rebeldes, nos pomos cada vez mais a praticar estes princípios, motivados por um sentido de responsabilidade para nós mesmos, nossas famílias e nossos Grupos. Começamos a obedecer porque cremos que devemos obedecer. Ainda que nos seja penoso, nos damos conta de que é apropriado fazê-lo.Á medida que vamos obtendo resultados, percebemos que vamos nos desenvolve3ndo. Esta é uma satisfação bem merecida. A vida continua sendo difícil, mas é muito melhor. Ademais, temos muitos companheiros de viajem, indivíduos e Grupos. Podemos fazer juntos, o que não podemos fazer sozinhos. Finalmente, vemos que temos outra dimensão de escolha que de vez em quando podemos alcançar. Chegamos a um ponto no qual podemos adotar uma atitude ou costume ou obedecer um princípio puro porque é o que realmente queremos, sem reservas nem rebeldia. Agora nos conformamos porque queremos fazê-lo de todo coração. Ou dito de outra maneira: Só queremos a vontade de Deus para conosco e sua graça para nossos companheiros. Ao contemplar o passado, nos damos conta de que nossa liberdade em tomar más decisões não era, depois de tudo, uma liberdade verdadeira. Quando tomávamos uma decisão porque “nos era imperativo” fazê-lo, tampouco era uma escolha livre. Mas foi para nós , um bom começo.  Ao tomar uma decisão porque devíamos fazê-lo, estávamos fazendo algum progresso. Assim, estávamos merecendo um pouco de liberdade e preparando-nos para ter mais. E quando em algumas ocasiões podíamos prazerosamente tomar uma decisão apropriada, sem rebeldia ou conflito, tínhamos nosso primeiro indício do que poderia ser a perfeita liberdade de acordo com a vontade de Deus. Poucos podem manter-se por muito tempo nesta altura; para a maioria de nós, conseguir permanecer nesse nível elevado é um trabalho de toda uma vida, ou mais provável, um trabalho eterno. Porém, sabemos que existe aquele nível mais alto – uma meta que podemos alcançar um dia. Estas são as diversas formas de liberdade que há em A.A.. e assim parece que funcionam entre nós. Demoramos muito tempo para chegar a entendê-la. Nem ao menos, nos arriscamos a escrever as Tradições de A.A. até 1945, dez anos depois que o Dr. Bob e eu nos encontramos pela primeira vez. Passamos por uma época na qual sentíamos um incessante temos dos prejuízos que nossos membros volúveis e o mundo ao nosso redor nos poderiam causar. Era difícil confiar em nossa experiência de Grupo pudesse ser um guia confiável. Portanto, duvidamos que fosse prudente conceder á autonomia local de cada Grupo de A.A. Ademais , perguntávamos se não deveríamos expulsar os indesejáveis e os incrédulos. Conceder a cada alcoólico do mundo, o direito exclusivo de dizer se ele ou ela é ou não membro de A.A. foi uma tremenda decisão.  Estes eram os temores então, e essas eram as restrições que nos sentíamos tentados a impor uns aos outros. Não haviam sido obrigados as melhores associações e governos do mundo a impor estas restrições a seus membros e cidadãos? Que motivo tínhamos para acreditar sermos exceções? Afortunadamente, não adotamos nenhuma medida governamental. Ao invés disso, forjamos as Doze Tradições de A.A. Estas eram a verdadeira Expressão da nossa experiência coletiva. O fato de que a verdadeira expressão da nossa experiência coletiva. O fato de que tantos membros se mostrem bem dispostos a atuar de acordo com estas Tradições é motivo para nosso grande assombro e gratidão. Agora sabemos que sempre vamos praticar estes princípios; primeiro porque nos é imperativo fazê-lo e, finalmente, porque a maioria de nós sinceramente quer fazê-lo. Não cabe a menor dúvida. Já sabemos o que verdadeiramente são as nossas diversas liberdades e confiamos em que nenhuma geração futura de A.A. se sinta n a obrigação de limitá-la. Nossas liberdades de A.A. constituem a terra em que pode florescer o autêntico amor – o amor que temos uns com os outros e o amor de todos para com DEUS. 

 BILL W. – Maio de 1960.