Artigos - O último gole do Dr. Bob

"É uma bênção maravilhosa ter sido liberto da terrível maldição que me atormentava."
Era o dia 10 de junho de 1935 e aquele foi meu último gole.
Ao escrever isto agora, quase quatro anos se passaram. A pergunta que lhe deve passar naturalmente pela cabeça é: – "O que fez ou disse aquele homem de diferente do que outros tivessem feito ou dito"?
É preciso lembrar que havia lido muito e falado com todos aqueles que sabiam, ou achavam que sabiam algo a respeito de alcoolismo. Mas aquele era um homem que havia passado por muitos anos de bebedeiras terríveis, que tivera praticamente todas as experiências de bêbado de que se tem conhecimento, mas que se havia recuperado através dos mesmos métodos que eu estivera tentando, ou seja, pelo enfoque espiritual.
Ele me deu informações a respeito de alcoolismo que me foram, sem dúvida, úteis. Muito mais importante foi o fato de que ele foi o primeiro ser humano com quem conversei, em toda a minha vida, que sabia do que estava falando, em relação ao alcoolismo, a partir de experiências reais.
Em outras palavras, ele falava minha linguagem. Conhecia todas as respostas e, certamente, não por tê-las tirado de um livro. É uma bênção maravilhosa ter sido liberto da terrível maldição que me atormentava.
Minha saúde vai bem e recuperei o respeito próprio e o de meus colegas. Minha vida em casa é ideal e meus negócios vão tão bem quanto se pode esperar nestes tempos incertos. Passo muito tempo transmitindo o que aprendi àqueles que querem e precisam desesperadamente disto. Faço-o por quatro motivos:
1. Sentimento de dever.
2. É um prazer.
3. Porque, ao fazer isto, estou pagando minha dívida para com o homem que encontrou tempo para me transmitir tudo isto.
4. Porque, a cada vez que o faço, garanto-me um pouco mais contra uma possível recaída.

Fonte: Alcoólicos Anônimos 71 ANOS

Em reunião realizada poucos meses depois da morte do Dr. Bob, a "Primeira Conferencia de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos" aprovou, em 1951, presentear os dois herdeiros do Dr. Bob, seus filhos Bob e Sue, um pergaminho que dizia:
In Memorian Dr. Bob
"Alcoólicos Anônimos expressa sua gratidão imorredoura pela vida e obra de seu co-fundador, o Dr. Bob, conhecido afetuosamente como o "Dr. Bob", que se recuperou de seu alcoolismo a 10 de Junho de 1935.
Naquele ano ajudou a formar o primeiro grupo de A.A. Esta luz acesa por ele e por sua esposa Anne tem atravessado o mundo inteiro.
No dia de sua partida final, o 16 de novembro de 1950, eram incontáveis os companheiros de aflição aos quais ele havia ajudado espiritual e cientificamente.
Suas eram: a humildade que declina toda honra e a integridade que não admite compensações. Sua era a devoção ao homem, e a Deus, que com brilhante exemplo iluminará para sempre.
A comunidade Universal de Alcoólicos Anônimos apresenta este testemunho de gratidão aos herdeiros do Dr. Bob e de Anne S.

Vivência nº 101 – Mai./Jun. 2006