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Partilhando um privilégio...

Nos idos de 1979, um AA brasileiro escreveu uma carta para Lois, a esposa de Bill W. e co-fundadora da Irmandade Al-Anon. A resposta de Lois veio um mês depois. Publicamos ambas as cartas, que o companheiro nos enviou como colaboração.

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Rio de Janeiro, 26 de dezembro de 1979.

Querida Lois:

Você não pode imaginar a minha satisfação por estar-lhe escrevendo. Definitivamente, trata-se de um privilégio contatar a figura histórica que é a esposa do inesquecível Bill, um dos dois homens usados por Deus como suas ferramentas na criação e construção de Alcoólicos Anônimos.
Não tenho como não registrar a minha gratidão por tudo o que você fez por Bill durante o longo tempo de seu alcoolismo ativo, como também pelo muito que você deu de sí após a fundação de nossa Irmandade. Você é uma mulher fantástica e sou grato a Deus porque você nasceu. Poucos sabem, não fosse você e talvez A.A. nem existisse.
Sou também muito agradecido a Deus pela vida de Bill, Bob e Anne. O Deus vivo conhece bem àqueles a quem Ele escolhe para realizar suas tarefas.
Quando cheguei a Alcoólicos Anônimos, Bill já havia falecido. O Senhor já o havia levado para a morada celestial. Tenho a esperança de que um dia seremos vizinho na casa do Senhor.
Quero aproveitar a oportunidade para perguntar se Bill recebia ficha quando celebrava seus aniversários de sobriedade. Ele ficava eufórico? Como era o comportamento dele?
E quanto a você, amava-o muito?
Creia, ficarei imensamente feliz se puder responder a essa carta.
Peço desculpas por estar incomodando; não pude resistir à tentação de escrever.
Com votos de felicidade e antecipadamente agradecido,

Edison H.
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Querido Edison:

Grata por sua carta de 26 de dezembro, a qual lí com grande prazer.
Eu fiquei com Bill por meu bem-estar e também porque o amava. Sem ele iria sentir-me muito infeliz.
Em muitas partes dos Estados Unidos, as fichas não são entregues em aniversários, os quais celebram-se com bolos e uma festa depois das reuniões.
No caso de Bill, os primeiros grupos realizavam anualmente uma grande festa, vindo gente de todas as partes e isso acontecia em outubro ou novembro. Bilhetes eram vendidos. Às vezes Bill não lembrava quando tomara seu último gole. Pessoalmente, ele nunca deu muita atenção à passagem de seu aniversário. Para ele o mais importante era manter-se sóbrio por hoje. Isso lhe era suficiente. Bill lutava muito para obter a humildade verdadeira.
Você já leu os livros que ele escreveu? Através desses livros você poderá formar um retrato de Bill, o homem. Além do livro "Alcoólicos Anônimos", ele escreveu "Os Doze Passos", "As Doze Tradições" e "A.A. Atinge a Maioridade". Existe uma compilação dos escritos de Bill no livro intitulado "Na Opinião do Bill". Este último é esplêndido e o leio sempre que posso.
Você escreve em inglês muito bem. Você é americano vivendo no Brasil? Ou um brasileiro que aprendeu um inglês perfeito?
Eu também escrevi um livro chamado "Memórias de Lois", que fala muito sobre Bill e o início de A.A.
Tudo de bom para você e escreva outra vez.
Com gratidão,

Lois

Revista Vivência nº 64 – MAR/ABR 2000