DP - Perigo! Eu tenho uma experiência com bebida SEM álcool

PERIGO !
 EU TENHO UMA EXPERIÊNCIA VIVIDA COM
 BEBIDA "SEM ÁLCOOL" E QUERO CONTAR
 
     Vou  tentar  transmitir  minha   experiência  com  a  seriedade que presumo deve   ser   observada   por  t odos   que  conhecem  a  sério   o   problema   do alcoolismo.  Eu estava   com  três  anos  de abstinência  quando a bebida "sem álcool" foi lançada no mercado brasileiro. Vi o cartaz  de  propaganda e disse a um   companheiro  da  sala  que  frequentava  diariamente:-  eu   vou  ter   que experimentar. 
     Porque disse isso de forma tão enfática, realmente não sei! 
     Acredito hoje que tenha sido o fato de não estar seriamente envolvido com a  programação  de  A.A.  e  com  tudo que ela representa e representava para mim naquela ocasião. 
     Poderia dizer como estar apenas "Servindo-me de A.A.". 
     Uma  das  razões  que  "me enganei"  para dizer que ia bebê-la foi o fato de pouquíssimas  vezes  haver  bebido  qualquer  tipo  de  bebida que não tivesse pelo  menos  40°  de  graduação  alcoólica,  portanto  esta  bebida  lançada  no mercado  não  me  dizia  muita  coisa. O  companheiro  que me ouviu me disse claramente: não faça isso! Mas não teve jeito, minha compulsão me fez  ir em frente  e  ver  o   que   acontecia.  Fiquei   completamente  perturbado  com  a situação.  Apenas  pensando  nela,  como  faria, o que diria em casa, como me comportaria, qual seria a reação das pessoas? 
     Eu já estava me comportando como o próprio alcoólico, só faltava ingerir o próprio  álcool  para  retomar  o  caminho  de  onde  havia  saído,   já   egoísta, arrogante e não havia ainda sequer comprado a tal bebida "sem álcool". 
     A compulsão que se instalou em mim foi tão forte que eu era incapaz de ver o que ocorria comigo. 
     Frequentava    os    grupos    diariamente,    minha   vida   havia   melhorado, recuperado   o   casamento,   meu  trabalho  começava  a  render  frutos,  tudo começava  a acontecer como se dizia em salas de A.A.:- fique conosco que sua vida melhorará gradualmente. 
     Comprei a tal bebida! 
     Comprei, levei  para casa, coloquei-a  na geladeira, aguardei um tempo que me pareceu razoável para gelá-la e fui tomar. 
     Trêmulo,  ansioso,  inseguro  com  a  compulsão  novamente  falando   mais alto.    
     Fiz  o  que  tanto  temia: dei uma cheirada para ver se parecia com algo que conhecia e bebi. Era uma garrafa pequena de uns 300 ml. e ao terminar minha primeira reação foi fazer o tal do quatro, para  ver se tinha equilíbrio.  Tomei a segunda  garrafa  e  daí  para  frente  foram  seis  meses  de   comportamentos insanos,  com  um  único  objetivo:  mostrar  a quem estivesse comigo e a mim mesmo, que  esta  bebida   poderia  por  mim  ser  consumida  e  eu  não  seria afetado. 
     Comecei  a  me  preocupar  se  tinha  onde  comprá-la  e  logo  em   seguida comecei  a  tomar  suco  de  tomate  antes  de  beber  a  tal  bebida. O suco de tomate era sem graça, comecei a colocar pimenta no mesmo para ver se dava uma "sensação" melhor. 
     Observem "os sinais". 
     Porém, uma coisa não deixei de fazer: continuei indo às reuniões de A.A. e comecei a falar do assunto, na ocasião preocupado comigo apenas e não com a  reação  de  companheiros  novatos.  Em  nenhum  momento pensei em A.A. como um todo, em sua Unidade, em seu propósito primordial que é transmitir a mensagem ao alcoólico que ainda sofre. 
     Tinha  certeza que aquela bebida "sem álcool" não me levaria ao copo com álcool  novamente,  mas  percebi, ou melhor, um Deus amantíssimo na forma que  O  concebo  agiu  sobre  mim  novamente  me fazendo ver o processo de deterioração mental que eu estava passando. 
     Hoje  eu  não  bebo mais! Um Deus amantíssimo me permitiu ver o quanto minha vida sem álcool é importante e, que vale a pena lutar por ela. 
     Aos mais novos e aos mais experientes  na programação minha sugestão: - não se testem, não presumam sobre um terma tão sério! 
 
                               Não vale a pena!

REVISTA BRASILEIRA DE ALCOÓLICOS ANONIMOS Nº 121 - SET/OUT 2009