AA - Política Financeira

Ao longo dos anos, Alcoólicos Anônimos tem afirmado e reforçado a Tradição de ser completamente auto-suficiente e de não solicitar ou aceitar contribuições de pessoas ou entidades não-AAs. As contribuições que chegarem ao ESG provenientes de fontes alheias serão devolvidas ao remetente com uma nota que explicará a posição de A.A. com respeito à auto-suficiência.

A contribuição para a manutenção dos Órgãos de Serviços de Alcoólicos Anônimos que os membros, individualmente, podem fazer, limita-se à quantia de US$ 3.000,00 (três mil dólares) ao ano.

No Grupo, os gastos previstos para o aluguel do lugar das reuniões, para café e refrescos e para a literatura de A.A. são cobertos com dinheiro das contribuições espontâneas dos membros. A maioria dos Grupos reserva uma parte de sua coleta para contribuir na manutenção dos Órgãos de Serviços de A.A. O plano de contribuição adotado atualmente é o 60% - 25% - 15%.

Todas as contribuições são voluntárias. Não é necessário pagar taxas ou mensalidades para ser membro de A.A. Todos os Grupos se beneficiam das atividades do ESG, ainda que nem todos contribuam para sua manutenção.

O dinheiro proveniente da venda de livros, livretes e folhetos aprovados pela Conferência de Serviços Gerais tem sido sempre um fator importante na manutenção dos serviços do ESG e muitas vezes tem assegurado a continuidade de tais serviços, em momentos em que as contribuições não são em quantidade suficiente para cobri-los


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A Política Financeira de A.A. - Pobreza Coletiva. 
“Ainda que a Irmandade tenha sempre enfrentado problemas de dinheiro, propriedade, e prestígio de uma forma ou de outra, através da sabedoria da Sétima Tradição nós nunca temos nos afastado de nosso objetivo primordial de levar a mensagem ao alcoólico que ainda sofre – esteja ele ou ela onde estiver. Esse é o trabalho fundamental de Alcoólicos Anônimos, e para garantir que a mão de A.A. sempre permanecerá estendida, o dinheiro e a espiritualidade devem continuar a se misturar. E para isso, nós somos todos responsáveis”. (“El Automantenimiento: Donde se mezclan la espiritualidad y el dinero”, A.A.W.S. ed. 2007, p. 9). 
A Política Financeira de A.A. já está pronta, desde quando foram publicados as Doze Tradições e os Doze Conceitos Para o Serviço Mundial. Nós só não a aplicamos. E compete à Junta de Serviços Gerais, aos ESL's, Comitês de Áreas, de Distritos e demais servidores fazerem cumpri-la, ou tentar fazer cumprir com o que nos diz a nossa Sétima Tradição, e com a Garantia 
Dois do Conceito Doze. A Conferência de Serviços Gerais tem o compromisso solene de garantila. Para isso é necessária conscientização, e  conscientização é transmissão da mensagem, é transmitir, transmitir... Transmitir. Devemos começar a evitar aquela linguagem inadequada que alimenta nossa “munhequice” e nossa ignorância. Ainda agimos política e financeiramente como 
bêbados. Se a mensagem for transmitida adequadamente um dia as coisas mudarão.  Assim, vejamos o que nos diz uma parte final do texto da Sétima Tradição: “Os nossos curadores declararam que, por princípio, A.A. tinha que permanecer pobre. Tão apenas as despesas correntes mais uma reserva prudente resumiriam dali em diante a política financeira
da Fundação (hoje leia-se Junta).... Acreditamos que naquele instante o princípio da pobreza coletiva  enraizou-se de forma definitiva na tradição de A.A.” (Os Doze Passos e as Doze Tradições, 2ª edição, 1997, pp. 148-149). E o princípio da pobreza coletiva não significa que não precisamos de nenhum dinheiro e sim que “precisamos de um mínimo de dinheiro para fazer o 
trabalho bem feito. É nesse sentido que A.A. optou pelo princípio da pobreza coletiva” (Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade,  4ª edição, 1994, p. 100). Esse princípio foi influenciado pelo movimento franciscano, pela filosofia de S. Francisco, de onde A.A. tirou seu modelo. Está implícito nesse princípio que a  nossa preocupação não é ter e acumular bens materiais e sim que todo nosso dinheiro tem uma única e exclusiva finalidade espiritual: a transmissão da mensagem de A.A. Portanto, o princípio da pobreza não tem a ver com ausência de dinheiro e nem com miséria.  A Garantia dois do Conceito Doze, que trata das garantias gerais da Conferência, nos diz: “Que suficientes fundos para as operações, mais uma ampla reserva, sejam o seu prudente 
princípio financeiro” (Doze Conceitos Para Serviços Mundiais, 5ª edição, 1999, p. 105). Desta forma podemos escrever que: Política Financeira  de A.A. (PF) = Despesas Correntes (DC) + 
Reserva Prudente (RP). Resumidamente: PF = DC + RP. 
“Quando nos defrontamos e vencemos a tentação de aceitar grandes presentes, nós estamos simplesmente sendo prudentes. Porém quando somos generosos com a sacola damos uma mostra de nossa gratidão por nossas bênçãos e evidencia que estamos ansiosos para compartilhar o que temos encontrado com todos aqueles que ainda sofrem”. (El Lenguaje del Corazón, pág. 221,  apud “El Automantenimiento: Donde se mezclan la espiritualidad y el dinero”, A.A.W.S. ed. 2007, p. 5). 
Agora vejamos o exemplo das despesas de um Grupo de A.A., relativamente pequeno, do interior, por mês:  
 - Aluguel e condomínio = 300,00 
 - Luz, gás e café     =   80,00 
 - Limpeza   ....=   50,00 
 - Manutenção  ....=   30,00 
 - CTO   ....=   50,00 
 - Comitê Distrito ....=   10,00* (valor estimado = despesas CD / no grupos atendidos) 
 - ESL   ....=   60,00* (valor estimado = Despesas ESL / no grupos atendidos). 
 - Junaab/ESG  ....=   20,00* (Despesas do ESG, 100 mil reais / 5.000 grupos no Br.) 
 - Total   ....= 600,00 2
O Fundo de Reserva, ou Reserva Prudente (RP) desse Grupo deveria ser, portanto, cerca de R$ 1.200,00 (Um mil e duzentos reais). O que equivaleria a cerca de dois meses de despesas correntes (DC).  
Os valores dos órgãos de serviços, assinalados com asterisco (*), são definidos pelo valor total das despesas do organismo de serviço, dividido pelo número de grupos que ele atende, e que faz parte dele. Por exemplo, o ESG tem uma despesa de cerca de R$ 100.000,00 (cem mil reais) por mês que divididos pelo número de grupos cadastrados existentes no Brasil (5.000), dá um valor de R$ 20,00 por Grupo por mês. Da mesma forma um ESL que tem uma despesa de R$ 3.000,00 (três mil reais) e atende cerca de 50  grupos, cada grupo teria uma responsabilidade financeira mensal de R$ 60,00 (sessenta reais) para sua manutenção.  
“A auto-suficiência começa comigo, porque eu sou parte de nós - o grupo. Nós pagamos o aluguel e nossas contas de eletricidade e gás, compramos café, biscoitos e a literatura de A.A. Nós contribuímos com a manutenção do nosso escritório, com o Comitê 
de Área e nosso Escritório de Serviços Gerais. Se não fosse por essas entidades, muita gente nova nunca teria descoberto  os milagres de A.A.” (“El Automantenimiento: Donde se mezclan la espiritualidad y el dinero”, A.A.W.S. ed. 2007, p. 6) 
De uma maneira geral verificamos que o Problema não é a quantidade e sim o mau uso que se faz do dinheiro em A.A. O dinheiro de A.A. é para ser usado nas “coisas” de A.A., ele deve ser usado para o nosso único propósito, que é o da Quinta Tradição: “a transmissão da mensagem ao alcoólico que ainda sofre”. Cada  órgão de serviço de certa forma “define”, de acordo com os Grupos que ele atende, o valor da contribuição de cada Grupo. Fala-se muito em “Autonomia de Grupo”, mas o Grupo deve ser autônomo para aplicar e cumprir os princípios de A.A., e não descumpri-los. O Grupo e os servidores de A.A. têm responsabilidades com os seus princípios, e os princípios de A.A. devem ser cumpridos, ou estaremos condenados à falência e a morte. 
Portanto, devemos partir para a conscientização, que é o grande problema em A.A. Para isso temos diversas formas de conscientização: divulgação intensa, em todos os níveis de serviços de A.A., nos eventos de A.A., na revista Vivência e informativos, folhetos, etc. Logo, devemos fazer uma massificação do conhecimento. A massificação da informação é a solução. 
Hoje os tesoureiros de A.A. são como “caixas”: só recebem e repassam o dinheiro. Sendo que o que deveria existir, em todos os níveis, do  Grupo à JUNAAB, é o planejamento financeiro, mensal (Grupo) e anual (ESG). Portanto, devemos fazer um serviço de “educação” em A.A., através do apadrinhamento, da informação correta e da literatura. Assim, devemos dar andamento ao denominado “Processo de Conscientização da Política Financeira de A.A. – Pobreza Coletiva”. Essa proposta foi aprovada por maioria absoluta na primeira reunião anual da Junta de Custódios, de 2007, em São Paulo/SP, realizada no dia 27 de janeiro p.p. 
Dorothy W. disse, em sua Temática “Auto-suficiência: responsabilidade individual”, apresentada na XIV REDELA (2005), que: “Talvez devemos destacar os princípios espirituais – o conhecimento de que cada grupo é uma parte de algo muito maior e tem a oportunidade de ajudar a levar a mensagem a todas as partes do mundo. Ao adotar a Sétima Tradição tornamos possível converter em ação as palavras do texto da Primeira Tradição e da Quinta Tradição. A contribuição que um grupo faz representa mais do  que dinheiro. Representa a compreensão de que o grupo tem dos serviços pelos quais ele paga e seu desejo de sustentá-los. É uma contribuição à Unidade de A.A.” (Relatório Confidencial da XIV REDELA, 2005, p. 85).  “O paradoxo de A.A. é que a independência financeira e a manutenção de nossa Irmandade pelos alcoólicos e somente pelos alcoólicos não apenas aumenta a importância de A.A. para cada um de nós como também estimula nosso engajamento em nossa própria 
recuperação... A.A. é “coisa nossa” desde a tesouraria do grupo até o balancete financeiro do Escritório de Serviços Gerais”. (“El Automantenimiento: Donde se mezclan la espiritualidad y el dinero”, A.A.W.S. ed. 2007, p. 8). 3
Para finalizar gostaríamos de deixar citado  aqui as palavras de Bill W. referentes a Garantia Dois do Conceito Doze: “Não é agradável pagar o senhorio. Às vezes recuamos, quando somos convidados a dar uma cota para  as despesas de serviço da área ou dos escritórios... Mas nos últimos anos, essas atitudes estão diminuindo  em toda a parte; elas desaparecem rapidamente quando uma necessidade verdadeira para um certo serviço de A.A. se torna clara. Tornar essa  necessidade clara é uma simples questão de educação e de informação correta... Feito isso, as contribuições esperadas não tardam em aparecer” (Doze 
Conceitos Para Serviços Mundiais, 5ª edição, 1999, pp. 106-107). 
Conclusão: 
1)  Dinheiro em A.A. é para a transmissão da mensagem ou para dar  condições para que ela chegue ao alcoólico da ativa que dela precise e queira; 
2)  O dinheiro de A.A. deve se originar de uma única fonte: a sacola (onde o material se une ao espiritual); 
3)  O principio da reserva financeira é que é “prudente” e se aplica aos organismos de serviços de A.A., principalmente à JUNAAB/ESG (no caso do Brasil); 
4)  A consciência coletiva precisa ser informada e educada corretamente dentro dos 36 princípios de A.A.; 
5)  A prática da Sétima Tradição deve ser, sempre, esclarecida para que o membro de A.A. tenha conhecimento da real necessidade do dinheiro em A.A. e de sua correta destinação; 
6)  A Política Financeira de A.A., desde o Grupo à CSG / JUNAAB-ESG, já está definida nos seus 36 Princípios.  
7)  O que foi exposto aqui reflete o comportamento ideal e desejado, pela prática desses princípios. 
8)  A informação correta e os esclarecimentos dos nossos princípios devem ser repassados aos recém-chegados. 
9) A responsabilidade, tanto financeira como espiritual, é de todos nós. 
10) “Aquilo que é acordado não é caro!”. 
11) “Quem paga, manda!”. 
Obs. Verificar no estatuto da JUNAAB as obrigações (direitos e deveres) dos grupos associados. 
V. Capítulo II, Seção Única. Artigos terceiro, quarto, quinto, sexto e sétimo. 
Art. 3º - São associados da JUNAAB os Grupos de A.A. existentes em todo o território nacional. 
Art. 4º - São requisitos de admissão como associado da JUNAAB: 
I – aceitar os princípios contidos nos Doze Passos, nas Doze Tradições e nos Doze 
Conceitos para Serviço Mundial; 
II – assumir a responsabilidade pela manutenção financeira e administrativa da JUNAAB. 
(Manual de Serviço, edição 2005, pp. 146-147). 
“Agora que estamos sóbrios em A.A., a palavra ‘manutenção’ tem a ver com o compartilhamento, as pessoas, 
a dignidade, a gratidão, e com aquilo que temos o privilégio de dar – não de tomar – em termos materiais”.
(“El Automantenimiento: Donde se mezclan la espiritualidad y el dinero”, A.A.W.S. ed. 2007, p. 9).