DP - Por que? Não sei

Quando cheguei em A.A., não acreditava mais no Deus da minha juventude, um Deus pessoal que me ajudaria como um indivíduo. Depois de ser um A.A. durante muito tempo, tentei praticar os Doze Passos conforme a minha capacidade, na ordem que eles foram escritos. Foi um trajeto longo e doloroso, mas não desanimei e continuei tentando. O Terceiro Passo foi a chave que, acredito hoje, abriu alguma porta dentro de mim e permitiu que a espiritualidade entrasse, não como um fluxo súbito, mas sim um filete d'água e, ocasionalmente, apenas uma gota de cada vez. À medida em que progredia na prática dos Passos, comecei a perceber algumas mudanças em minha mente e minhas atitudes em relação às pessoas. Depois de concluir o Nono Passo, acredito agora, tive um despertar espiritual. Cheguei ao ponto onde conseguia não apenas experimentar amor e compaixão pelo meu próximo, como também, mais importante que isso, podia receber amor e compaixão. Começaram naquela ocasião a acontecer experiências espirituais, segundo as
entendo. Em uma recente convenção Estadual de A.A., Guilhermo apareceu, apresentou-se e disse que me ouvira falar em uma reunião de área realizada numa pequena cidade do Tennessee, há mais de três anos. Aquela fora a primeira
reunião de A.A. de Guilhermo. Depois de ouvir a minha história, ele decidira fazer alguma coisa a respeito do seu problema de bebida e tornara-se um membro de A.A. Guilhermo nunca mais bebera desde aquela tarde de domingo em que assistira à sua primeira reunião. O que é que eu havia dito? Não me lembro. Por que tinha sido necessário que eu estivesse a 480 quilômetros de casa, numa tarde estival de domingo, para que Guilhermo recebesse a mensagem de A.A.? Não sei...
Numa manhã de sábado, decidi procurar Ken. Eu o conhecia casualmente há vinte e cinco anos e sabia que ele tinha um sério problema com a bebida, mas fazia muitos anos que não o via nem falava com ele. Bati à sua porta e perguntei-lhe se ainda se lembrava de mim. Respondeu, "sim", e me convidou a entrar. Perguntei-lhe como ia a vida, e ele disse,  "ótima". Perguntei como estava se saindo com o problema da bebida e ele afirmou: "Ah, sem grandes problemas ".  Contei a Ken uma parte da minha história. Quando me levantei para sair, sugeri: "Que tal ir a uma reunião comigo, hoje à noite?" Ele concordou e combinamos que eu passaria pela sua casa para apanhá-lo. Quando voltei naquela noite, entretanto, Ken havia resolvido não ir à reunião. Disse-lhe: "Tudo bem. Apanharei você na segunda-feira à noite, na mesma hora". Na segunda-feira, ele estava dormindo e seu filho me informou que ele não queria ir à reunião. Terça-feira, depois do trabalho, telefonei para Ken para avisá-lo que passaria em sua casa, e o levaria à reunião. Quando cheguei, ele estava sentado no alpendre à minha espera. Quando íamos entrando na sala da reunião, Ken viu um homem com o qual havia bebido durante muitos anos. Esse homem estava sóbrio há dezoito meses. Hoje em dia, Ken vai a três ou quatro reuniões por semana, não bebeu nada desde sua primeira reunião de A.A. e receberá em breve sua ficha de primeiro ano. Por que decidi procurar Ken, que nunca havia telefonado para A.A., naquela manhã de sábado? Não sei. Por que Ken se recusou a ir às duas primeiras reuniões e depois concordou em ir à terceira, onde encontrou seu velho amigo e estabeleceu, assim, um relacionamento imediato com um alcoólico em recuperação?
Não sei...
Não tento explicar nada através da razão e da lógica porque essas coisas acontecem. Quando elas acontecem, simplesmente as aceito. Talvez sinta que Deus, na forma em que eu O concebo, tenha achado necessário que sofresse a
dor e a agonia do alcoolismo avançado e atravesse o lento e para mim difícil programa de recuperação em A.A., para que estivesse preparado e disposto a cumprir Sua vontade. Sou grato a Deus por haver me confiado essa tarefa. Talvez
esse fato tenha ocorrido porque dou o Terceiro Passo a cada manhã. Minha esperança e orações são no sentido de que eu seja, a cada dia, capaz de manter esse contato consciente com Deus.

VIEMOS A ACREDITAR 7/1