DP - Porque sou grata à Internet

Ao folhear a revista de nº 103, me deparei com matéria escrita por uma companheira, Silvia, como eu, e, como costuma acontecer em A.A. sempre encontramos alguma coisa com a qual nos identificamos, e, no presente caso, em princípio, foi o nome, mas ao iniciar a leitura, me veio à lembrança o meio do qual me utilizei para chegar à Irmandade, motivo pelo qual resolvi relatar minha trajetória dentro do A.A. e concomitantemente minha gratidão a todas as ferramentas que foram colocadas à minha disposição, inclusive a Internet.
Procurarei ser breve no que tange ao "antes", não me detendo no fundo de poço que aqui me trouxe, tais como: falência espiritual, perda da dignidade, da moral, do patrimônio a duras penas adquirido, da família, enfim, de tudo aquilo que conhecemos, ou por termos passado, ou por ouvir dos companheiros em cabeceira de mesa.
Desejo ressaltar é sobre a importância da Internet, o que significou quando da decisão de procurar ajudar e o que significa na minha recuperação.
Já ouvira falar de Alcoólicos Anônimos e de pessoas que haviam parado de beber, mas jamais pensei que um dia necessitaria fazer parte da mesma, afinal eu não era alcoólica, só exagerava um pouquinho (muito e diariamente), até que chegou a fatídica festa, na qual eu e meu companheiro, também alcoólico, após um porre daqueles, mais uma vez começamos a discutir, daí um conflito de proporções nefastas.
Decidida a não beber mais, achei que deveria procurar ajuda, pois havia parava várias vezes, mas acabava voltando. Dessa vez, meu orgulho me ajudou, pois, como eu, a Silvia poderosa, poderia chegar para alguém e admitir que fora derrotada pelo álcool?
Resolvida, recorri à Internet, onde encontrei nos sites alguns informes sobre como funciona, o endereço e horários dos Grupos próximos à minha residência.
Partimos, então, em busca do mais próximo, o qual não conseguimos localizar (havia mudado e não atualizara o endereço); tentamos outro, mas também não achamos.
Assim, foram 3 noites seguidas, e já quase desistindo resolvemos sair durante o dia para ver se achávamos, pois, eu concluíra que talvez por ser anônimo e as pessoas não quisessem ser vistas, entrando e saindo, deveria haver uma placa meio que invisível, bem escondida.
Para nos garantirmos, liguei então para o escritório que informou ser numa Igreja Evangélica, no que ele já relutou, dizendo que nos colocariam uma Bíblia embaixo do braço e que se isso acontecesse, ele não ficaria.
Resumindo, não achamos o Grupo (há duas Igrejas, de igual nome, na mesma rua). Partimos, então, para o outro, um pouco mais distante, ao qual retornamos à noite no horário da reunião, onde permanecemos há dois anos. Talvez não seja muito apropriado, mas ouso dizer que a Internet foi e continua sendo minha madrinha em A.A.
Sei que muitos devem estar me criticando julgando o que acabo dizer como uma aberração, mas tenho vários motivos para fazer tal afirmação, alguns dos quais passo a descrever:
- Ingresso: minha porta de entrada, em princípio, foi a Internet. A mão de A.A. que se estendeu quando pedi ajuda;
- Recuperação: participo dos Grupos on-line, AA-Brasil-Portugal e AA-Sobriedade, que muito me ajudam, não só com os depoimentos que leio, como, pelos que faço e:
- aprendo muito com os temas ali abordados, a divulgação de textos da Literatura;
- estou sempre pedindo ajuda no esclarecimento de dúvidas e para tal me utilizo da experiência e conhecimento dos companheiros, que me socorrem, não só enviando matérias apropriadas, mas também com orientação de próprio punho;
- nos momentos de grande aflição despejo meu mau humor, ou o mar de lamentações, o que nem sempre posso fazer nas reuniões cara a cara, uma vez que, em geral, um dos alvos de minhas queixas (meu companheiro), também está na sala, onde evito levar problemas conjugais e/ou expor o próprio;
- às vezes necessito desabafar e é nos Grupos on-line que faço;
- nessas ocasiões, recebo imediatamente, retornos e mesmo puxões de orelha que me ajudam a encontrar o equilíbrio emocional e a tão almejada Serenidade; 
Serviço: vez por outra colaboro nos temas semanais que circulam naqueles Grupos; sou membro do CAI-Área-RJ, que é o CTO, via rede.
Dentre os benefícios que recebo através da Internet, não posso deixar de mencionar o carinho e atenção que alguns companheiros sempre me dispensaram pelos quais nutro uma admiração especial, a quem devo muito da minha recuperação, aos quais muito agradeço por tudo o que já fizeram por mim, e por todos os que ali transitam.
Só lamento que nem todos podem ter acesso, alguns por não possuírem, ainda, um computador, e outros, que por teimosia e obstinação não aceitam, alegando, inclusive que os adeptos estão a um passo da recaída; não reconhecem o quanto podemos fortalecer nossa recuperação utilizando essa grandiosa ferramenta.
Particularmente, não deixo de freqüentar as reuniões no Grupo, prestar serviço e procurar a Literatura, enfim, lanço mão de tudo o que me é oferecido em A.A.
Esta foi a maneira que encontrei de demonstrar minha Gratidão à Irmandade, aos companheiros dos Grupos on-line, à Revista Vivência pela oportunidade de expor minhas toscas, porém sinceras, idéias e acima de tudo, ao Poder Superior pela sobriedade que me permite até enviar esta matéria para vocês.

Vivência nº 106 Mar/Abr: 2007