DP - Princípios a serem vividos

Desperdicei minha adolescência cultivando o hábito de beber e não tive tempo para desenvolver princípios adequados de ação. Havia lido o que os outros achavam, mas eu usava essas informações apenas para me rebelar contra as convenções. Hoje, preciso de uma série de princípios que não venham a falhar, e que tornarão possível uma nova vida sem a bebida. Encontrei esses princípios no Livro Azul e nos Doze Passos.

 O primeiro princípio, de honestidade, é dado antes mesmo dos Passos no capítulo três: "Aprendemos que tínhamos de admitir completamente, no fundo de nós mesmos, que éramos alcoólicos". Vim a acreditar nisso quando estava na cadeia me recuperando da última bebedeira. Eu era um alcoólico, não apenas um bebedor da pesada, não uma vítima da má sorte e das circunstâncias, não um produto de uma sociedade hostil. Eu era um alcoólico e provavelmente iria morrer bêbado. Reconheci a minha condição e compreendi que não poderia fazer nada a respeito.

 Encontrei meu caminho para A.A. logo ao sair da cadeia. Estava lançado o princípio de esperança. Sem esperança a realidade da minha situação teria sido devastadora, mas encontrei outros que haviam bebido tanto quanto eu. Eles agora estavam sóbrios, alguns deles já por muitos anos. Eles estavam sóbrios porque um Poder Superior a eles mesmos livrou-os da insanidade de beber. Se eu fizesse o que os meus novos amigos fizeram, eu poderia ter o que eles têm.

 Entretanto, minha recém-encontrada esperança poderia se transformar em ansiedade, a menos que eu desenvolvesse princípios adicionais. O primeiro deles veio com o Terceiro Passo. A fé em que Deus se importava com o meu bem-estar era algo novo para mim. Eu não tinha a capacidade de compreender Deus no Universo, muito menos Deus em minha vida. Agora, para a esperança ser completa eu tinha de acreditar que Deus entraria em minha vida e me livraria da necessidade de beber. A crença em entregar minha vontade e minha vida aos cuidados de Deus é o princípio que me deu forças para continuar em nossa Irmandade.

 A decisão de entregar minha vontade e minha vida aos cuidados de Deus pouco significou no Quarto Passo. Sozinho, não tinha mais efeito do que minhas milhares de promessas de parar de beber. Eu tive de descobrir que minha vontade e minha vida eram possíveis de serem modificadas. Eu tinha de encontrar a coragem para escrever meu inventário e descobrir quem realmente eu era. Essa coragem veio quando eu estava sentado diante de uma loja de bebidas, pensando sobre meu próximo gole. Vi que eu poderia, ou pedir a Deus forças para fazer meu inventário, ou comprar uma garrafa.

 Se eu pensar que sou a fonte da minha coragem, estarei sendo um fanfarrão. Minha dádiva de coragem tem de ser temperada pela humildade. Afortunadamente, esse princípio é a raiz dos nossos Quinto, Sexto e Sétimo Passos. Eu tenho que humildemente admitir minhas falhas perante mim mesmo, perante Deus e perante outro ser humano. Dispor-me a pedir a Deus que remova meus defeitos é um ato de humildade.

 O Sexto e o Sétimo Passos, juntamente com o Décimo Primeiro, ensinam-me o valor da paciência, e o princípio de paciência me coloca em harmonia com o mundo de Deus.

 A súplica do Sétimo Passo pede que Deus aja quando Ele achar melhor para os Seus propósitos. Eu posso, apenas, continuar a rogar e trabalhar, como se Ele me houvesse livrado de minhas imperfeições, enquanto espero pela graça de acordo com a Sua vontade.

 O alcoolismo levou-me a agir, em minha vida, sem dar atenção às outras pessoas. A recuperação me leva a considerar todos aqueles ao meu redor, e aceitar a responsabilidade pelos meus atos de hoje e do meu passado. O Oitavo, Nono e Décimo Passos me dão os meios para alcançar esse objetivo. Esse princípio de responsabilidade me torna um membro útil da sociedade.

 O amor é o princípio que guiou os meus primeiros amigos em A.A. Eles me deram boas-vindas em sua Irmandade sem questionamentos.

 Eles não estavam preocupados com nada mais a não ser que eu era um bêbado. Perguntaram-me se eu precisava de ajuda, se tinha onde dormir naquela noite e se aceitava uma xícara de café. Fui aceito por ser eu mesmo, o melhor que eu podia ser. Nenhuma exigência me foi feita, nenhuma expectativa me foi dada, nenhuma obrigação me foi imposta. Eles simplesmente me convidaram a compartilhar do que eles tinham para oferecer. Amor, como componente do Décimo Segundo Passo, é o mais divino dos princípios em nossa jornada rumo à recuperação. É o princípio que faz do A.A. o que ele é. A Irmandade do Espírito.

 Os autores do Livro Azul mostraram os princípios e, em sua sabedoria, deixaram a cada um de nós a descoberta de que esses princípios são. O princípio mais importante é, naturalmente, a sobriedade, a qual encontrei para obter outros oito princípios: honestidade, esperança, fé, coragem, humildade, paciência, responsabilidade e amor. 

(Greg H. - Grapevine, ago/94)

(VIVÊNCIA - JAN/FEV 98)