DP - Raiva - Ressentimento

A raiva é um sentimento doloroso, desconfortável, mas perfeitamente natural. Surge quando a verdade ou o nosso valor como seres humanos são negados. Se nosso companheiro ou companheira é desleal, nós nos sentimos com raiva e maltratados. Se somos jogados no olho da rua, temos raiva e nos sentimos abusados. Se na escola um grandalhão prevalece contra nós, ficamos com uma bruta raiva, porque já não há jeito de revidar. Sempre há uma razão para a
raiva.
 
A palavra "ressentir" significa "sentir de novo". Assim, o ressentimento é um sentimento de raiva que fica ressurgindo sempre que a gente pensa nas pessoas que a causaram. Os ressentimentos atuais são estressantes e sempre causam infelicidade e dor.
 
Se alguém me tirava do sério, eu costumava ficar fervendo por dias e dias, incapaz de me desapegar. Alguém dizia qualquer coisa brincando, e isso tocava num nervo sensível, e a coisa toda se escalava na minha mente, afetando meu sono, meu trabalho e toda a minha paz de espírito.
 
Mas os piores ressentimentos de todos são os bem enraizados, que ficam fora de vista, mas que nos afetam de todas as maneiras, jogando uma sombra sobre nossas vidas, e muitas vezes estragando qualquer chance real de constituirmos um relacionamento feliz e duradouro.

 
Para a gente ser feliz, os ressentimentos enraizados precisam ir embora. Precisamos perdoar quem nos machucou, muitas vezes um dos nossos pais, de maneira total e completa, de modo que não mais ocupem lugar na nossa cabeça.
Antigos ressentimentos vão se aprofundando e enrijecido com o passar dos anos. Quando parei com os comprimidos e fiz meu Quarto Passo, encontrei uma enorme bola de ódio contra meu pai, que eu jamais havia reconhecido antes, e foi uma agonia simplesmente olhar para ela e aceitar que estava ali.
 
 
Os medos andam de mãos dadas com os ressentimentos, e eu vivera toda a minha vida com medo. Precisei rezar para que meus medos e ressentimentos se fossem, e isso com o tempo aconteceu. Em relação a meu pai, o Nono Passo
ajudou-me a perdoá-lo. Escrevi uma carta bem curta, dizendo que lamentava tê-lo culpado por tudo o que havia dado de errado na minha vida, e que nem fora realmente culpa dele, pois havia sido avariado pela guerra. E daí desejei-lhe
paz e muita felicidade no céu.
 
 
Essa cartinha deve ser contada como a mais importante que jamais escrevi. Coisa estranha: quando cheguei ao fim, senti que um peso enorme havia sido retirado, e eu sabia que havia perdoado a meu pai e que Deus me havia perdoado também. 
 
 
Ainda consigo ficar bravo quando a verdade é negada, ou quando sou tratado injustamente por outras pessoas. Mas a raiva passa logo. Não me apego mais a ela. Num mundo perfeito, é claro que não haveria necessidade para a raiva erguer sua horrenda cabeça, pois as pessoas distribuiriam amor e não diriam mentiras. Se temos raiva por dentro, não podemos amar. Para sermos felizes, precisamos amar.
 
(Vivência - Maio/Junho 2002)