DP - Razão ou consciência

Quando ouvi pela primeira vez o conselho "ouça a voz de Deus", olhei ao redor para ver quem estava presente. As pessoas que ouvem vozes, supunha eu, eram aquelas mantidas internadas em lugares às custas do Estado. Uma vez que eu já me encontrava em um desses lugares, achei que, se tentasse ouvir, e alguém em posição de autoridade estivesse me observando, eu não teria um fio de esperança de algum dia sair dali. Mais um dia tentei ouvir a voz de Deus e descobri que Ele já vinha falando comigo há algum tempo sobre aqueles cheques que eu descontara, sabendo
que seriam devolvidos. Acerca daquelas mentiras maldosas que inventara. A respeito de alguns relacionamentos que eu não gostaria que fossem filmados. Acerca do egoísmo da minha maneira de ser e dos graves prejuízos que acarretara
para meus amigos e parentes. Uma coisa era certa: Deus falava comigo através da minha consciência. É claro que, quando eu parava de contrabandear bebidas de forma calculada para causar uma escassez do produto, não existia simplesmente nenhum Poder Superior para mim, e a velha consciência quase não tinha vez. Quando vim a acreditar,
minha consciência formou-se, e agora (vigiado pela minha consciência) estou me esforçando para reparar todas minhas falcatruas do passado, como sugere o Nono Passo. A razão (ou o bom-senso, se você preferir) é outro método para se descobrir a vontade de Deus, mas prefiro confiar na minha consciência. Durante meus dias de bebedeiras, minha razão me dizia que eu estava prejudicando minha saúde, meu trabalho, meu saldo bancário e uma infinidade de outras coisas. E o que foi que esse raciocínio humano comum me arranjou? Levou-me a receber dois bilhetes: um do meu patrão, dizendo que podia passar sem meus préstimos, e o outro do gerente do meu banco, lembrando-me que, embora o banco tivesse montes de dinheiro, ele achava que eu gastara mais do que a cota que me pertencia. Minha "razão" conduziu-me a um colapso mental e físico, que me obrigou àquelas "férias" em uma instituição psiquiátrica. A sabedoria
humana havia falhado; necessitava de uma sabedoria maior - muito maior - do que a minha. E a encontrei quando descobri um Poder Superior na minha consciência. Tudo que tenho de fazer agora é reunir todos os fatos, da forma que os vejo, e deixar que Ele molde esses fatos numa conclusão. A conclusão à qual chego é que o poder de Deus é revelado através de resultados. Quantas vezes seguimos uma seqüência de ações baseadas apenas na fé e depois afirmamos,
quando os resultados comprovam a correção das nossas ações, que provavelmente somos paranormais. Paranormais? Bobagem! Você já hesitou entre duas (ou mais) opções, enquanto tentava tomar uma decisão, e então, subitamente, descobriu alguma coisa bastante circunstancial saltando à vista para lhe mostrar o caminho? Eu sim e, para mim, esse é apenas mais um item a ser acrescentado à longa lista das conquistas que Deus faz para mim - orientação. Não preciso ser guiado para me barbear cada manhã, nem para tomar um banho (ainda que ocasional), nem posso confiar numa intervenção sobrenatural que ajude-me a direcionar uma bola de golfe à trajetória correta. Mas fui orientado para saber que devo reparar os danos e aborrecimentos que acarretei para aqueles que me amavam, durante os dias de bebedeiras. Quando tento, com toda a humildade, transmitir nossa mensagem a outros alcoólicos menos afortunados, sei que o plano do Poder Superior chega até nós através da média das pessoas. Para nós alcoólicos isso não significa as pessoas comuns, mas sim pessoas especiais como os outros alcoólicos. Sou orientado a me incluir entre as pessoas das quais poderia receber orientação e às quais tenho que demonstrar a vitalidade da minha consciência ou Poder Superior: as pessoas que comungaram comigo, que me amaram, que foram minhas amigas e que estão ao meu lado, assim como outras têm sido fieis a outros alcoólicos. Não importa se foi a razão ou a consciência que me mostrou o caminho. Vim a acreditar em um Poder maior a mim, que tem sido minha salvação.

VIEMOS A ACREDITAR 8/4