DP - Recaida não consumada

O Décimo Segundo Passo funciona...

Em primeiro lugar, quero agradecer ao meu Poder Superior e a A.A. por mais vinte e quatro horas de sobriedade.

Depois de uma recaída brava, voltei para Alcoólicos anônimos em setembro de 1993, disposto a acatar as sugestões dos companheiros.

No mesmo mês ainda encontrei um trabalho que achava não estar à minha altura, mas que deveria aceitar, pois tinha que começar tudo de novo. Foi bom. No grupo me integrei aos serviços mais humildes - divulgação no SOS (para itinerantes), café, limpeza e também foi bom; tive a oportunidade de retomar aos meus estudos e, em março de 1994, estava voltando dois dias por semana para a escola, o que me ajudou bastante. Até consegui um emprego melhor.

Naquele ano (1994) tive contato, através de um ciclo, com os doze Passos e voltei com toda vontade de vencer e melhorar. Mas dentro de casa, ainda queria ser aquele que mandava. E, é lógico, as brigas continuavam. Ainda não tinha feito uma retrospectiva: quando eu bebia? Por quê?

Em janeiro de 1995, sábado de muito calor, após uma briga acalorada com a minha esposa, sai de casa sem rumo, derrubando a porta. Cheguei ao centro da cidade e uma compulsão para beber tomou conta de mim, ficando difícil controlar. Em minha mente se misturava A.A., família, bebida, etc.

Em determinado momento fiz a Oração da Serenidade, roda desconexa. Até sem conseguir ordenas meus pensamentos, caminhei como um sonâmbulo, e naqueles momentos lembrei-me que deveria estar acontecendo uma reunião do Distrito. Fui até o grupo e, para minha salvação, estavam ali diversos companheiros. Fiquei.

Depois da reunião, assisti outra à noite, de recuperação. Às 23 horas um companheiro me disse: "Trate de pensar no que fez durante esses últimos dias, veja o que levou você a ter essa compulsão e evite isso daqui para a frente."

Hoje em dia, assim como evito o primeiro gole, evito discussão dentro de casa, evito exesso de calor, e no momento estou aprendendo a lidar com dinheiro no bolso. E o melhor de tudo, estou aprendendo com a minha experiência. Minha e de meus companheiros, que continuam me ajudando para permanecer sóbrio por mais vinte e quatro horas.

Revista Vivência nº 70, pág. 16