Artigos - Reunião de Novos: Fazemos o suficiente para que os novos continuem voltando?

Reunião de Novos: FAZEMOS O SUFICIENTE PARA QUE OS NOVOS CONTINUEM VOLTANDO?

* Um artigo do Box 459, o informativo do GSO, fala sobre as reuniões de novos.

Durante os primeiros anos de A.A., a reunião de novos era uma ideia que estava ainda por nascer. Os membros, que contavam seu tempo de sobriedade em dias, viam-se ajudando os "possíveis" – como eram então chamados –, que estavam em processo de desintoxicação nos hospitais locais. Os alcoólicos na ativa não recebiam boa acolhida nas reuniões, e por isso deviam passar primeiro pela desintoxicação. Em Cleveland, como assinalou Clarense S. em 1940, “vários grupos não permitem dar assistência a um bêbado a menos que tenha sido hospitalizado, ou tenha falado com dez homens”.


O objetivo dessas “sessões de assessoramento”, explicou Clarence, era “preparar o companheiro e garantir que adquira um bom conhecimento da smetas e princípios de A.A. antes que vá às reuniões”. Mais ou menos nessa época, segundo os Arquivos Históricos de A.A., havia uma procura tão grande de ajuda que começaram a realizar-se em Manhattan, no Clube da Rua 24, reuniões “para aqueles com menos de seis meses de sobriedade”. Essas primeiras tentativas do Décimo Segundo Passo em Cleveland e na cidade de Nova York, converteram-se nas reuniões de novos na forma como as conhecemos hoje.


Com algumas diferenças. Hoje em dia, por exemplo, muitos veteranos recordam com carinho os tempos em que os Grupos de A.A eram menores, havia menos novos, e um recém-chegado a uma reunião via-se envolto no amor e cuidado de A.A. Isso continua sendo assim em muitos lugares. Mas, em geral, os Grupos são maiores, os membros mais passageiros, e os recém-chegados passam frequentemente despercebidos – especialmente os que tenham deixado recentemente um centro de tratamento, que estão sóbrios e apresentam boa aparência. E existem aqueles membros que acreditam em que as reuniões de novos vão seguir o mesmo caminho dos dinossauros. Dizem que a mensagem básica de como manter-se sóbrio dia-a-dia se dilui e que se desvirtua com considerações de relacionamentos, problemas de trabalho e, como se queixou um membro, "uma torrente de obscenidades, relatos sobre sexo e tagarelices".


Como podemos ajudar mais eficazmente aos recém-chegados? Como plantar a semente de esperança que os faça querer "continuar voltando"? E como podemos ter certeza de que estamos ao menos nos conectando com eles? Como é natural, os formatos variam, já que cada Grupo de A.A. é autônomo. Vão desde pequenas discussões em nível familiar, com um novo coordenador em cada reunião, nas quais os novos são os que geralmente têm a palavra, até as grandes reuniões, programadas de antemão, com um único coordenador que faz explanações sobre temas específicos de A.A., tais como a importância de se alimentar bem, descansar, conseguir um padrinho logo no início e modificar os costumes.


Alguns Grupos não permitem em suas reuniões de novos a presença de ninguém que tenha mais de um ano de sobriedade. Outros acolhem de bom grado aos veteranos e consideram necessária sua presença. Um AA de Nova Jersey escreveu: "Descobri que a sabedoria vem com o tempo e com a experiência, e que é importante que em cada reunião haja pessoas com algum tempo de sobriedade não apenas para compartilhar sua experiência, força e esperança, como também para mostrar que este programa funciona".


E um membro de Nova York recorda sua primeira reunião de novos, quinze anos atrás: "Não se passava a sacola como se faz agora. Em lugar disso, anunciavam que 'não temos taxas nem mensalidades mas, em compensação, temos gastos. Se você não for ficar para a próxima reunião, há uma sacola na mesa de literatura, no caso de você desejar fazer suacontribuição' . Além disso, na maioria das reuniões de novos das quais eu participava, evitavam encerrar a reunião com uma oração – Pai Nosso, Serenidade ou qualquer oração - para que ninguém ficasse assustado".


Pode ser difícil identificar nas reuniões grandes os recém-chegados tímidos e reservados. A experiência sugere que seria útil fazer o seguinte:


· Pedir que qualquer pessoa nova "por favor, se identifique – não para envergonhá-la, mas para que possamos conhecê-la";

· Anunciar o dia e hora da reunião de novos do Grupo, durante o intervalo e, ao mesmo tempo, dar cordiais boas-vindas a qualquer recém-chegado que esteja presente;

· Situar gente na porta para dar as boas-vindas, para reconhecer os recém-chegados e deixá-los ficar à vontade.

As reuniões de novos que funcionam bem não se afastam da temática básica, explicam o que A.A. é, o que não é e como ficar longe de um gole. Oferecem aos novos a oportunidade de fazer aquelas inexistentes perguntas "bobas", e de falar de seus temores.


Seja qual for o formato, deve dar os resultados desejados. Porque, como dizemos, "Ao receber e dar a ajuda de A.A. cada um de nós se converte no elo de uma corrente... Todos nos agarramos à corrente para salvar nossas vidas, e cada um forma uma parte dela – e dependemos de todos os demais companheiros para que a corrente não se quebre".

Vivência n° 60 – Julho/Agosto 1999