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REUNIÃO É FUNDAMENTAL 
 
A recaída não começa no primeiro gole.
Ela termina no primeiro gole.


 

Após   quase   dois   meses   sem   conseguir,   por   motivos   diversos   (reais e  imaginários), ir às reuniões semanais no meu grupo, finalmente reuni força de  vontade e, necessitada de dar meu depoimento, fui.
 

Já no banho, e mesmo antes, na cama, ponderei sobre tudo o que  tinha  para  falar. Resumi daqui, pois geralmente o grupo é grande e nem  sempre se pode  falar  muito,  mas  acrescentei  acolá.  Analisei   meus  sentimentos  e  minhas aflições,  coloquei os fatos positivos que tinham sobrado  de  tudo  o  que  me havia  acontecido e que em parte haviam causado esse meu  afastamento tão longo.
 

Enfim,  o  meu  desabafo  estava  alinhavado  na  minha  mente  e  ao  mesmo tempo    estava   ansiosa  para   rever  meus  companheiros  e  novamente  ser recebida com  aquela alegria e consideração com que somos sempre recebidos nos grupos de  A.A. 

E qual não foi a minha surpresa quando cheguei,  bem mais  cedo,  pois  gosto de  ajudar a arrumar a sala,  e já  encontrei  lá  outros  companheiros  felizes  e  atarefados, pois naquela noite dois companheiros iriam  receber  suas fichas e  também estariam presentes representantes de vários outros  grupos, da  área
e do  escritório. 

Logo   percebi   que  não  haveria  de  ser  naquela  reunião  que  poderia  falar,  principalmente   com   tudo   o   que   queria   desabafar.   Participei,    mas    fiz novamente  parte integrante desta Irmandade maravilhosa. Na volta para casa percebi que na  realidade o que  eu  queria  com  todo  aquele  discurso  era  só fazer um pedido de  socorro, era dizer: "Olhem para  mim,  vejam  como  estou sozinha e sofrendo.  Fiquem com pena de mim, e se eu recair,  não  foi  porque quis, mas sim porque  me senti fraca".
 

Sim, porque, com meu afastamento, a  única  coisa  que  eu  iria  conseguir  era uma    recaída,   e   no   fundo   era   o   que   eu    estava    premeditando,    não conscientemente, mas  clara e objetivamente.
 

Durante dois meses cultivei dentro de mim as sementes   da  autopiedade,  da  solidão, da angústia e do medo, todas  inimigas da serenidade. Deus, com sua  sabedoria,   me   impulsionou  para,  ao  procurar  ajuda,  mesmo  de  maneira errada,  receber a bênção de ver dois companheiros num dos momentos mais  gratificantes de suas vidas. 

Que os fatos me sirvam de lição para que  eu  grave  na  minha  mente  o  que tantas   vezes  ouvimos  nas  palestras  e  nos  depoimentos:  a  frequência  às reuniões é   primordial  para  mantermos  a  nossa  tão  desejada  sobriedade. 
Assim, desejo de coração mais  vinte  e  quatro  horas  de  serena  sobriedade 
para  todos nós. 

 
(Ieda B., Florianópolis/ SC) 
Vivência 75 – Jan/Fev 2002