DP - Seguimos este Caminho

Depois de quase dez anos sentada em banquetas de botequins, abandonando empregos e fugindo das pessoas, dirigi-me com meus problemas de bebida a Alcoólicos Anônimos. Não foi o final mais emocionantes que poderia imaginar para uma jovem mulher recém-casada, mas tive que admitir que uma vida incontrolável não seria proveitosa para o bebê que estava esperando. Não obstante, uma vez que meu marido havia ingressado em A.A. antes que nos conhecêssemos, a vida parecia realmente completa assim que eu também me tornei parte da Irmandade. Estivera sóbria durante três meses, quando nossa primeira filha nasceu. Um ano e um mês depois, chegou a segunda filha. Nosso terceiro "bebê de A.A. " nasceu um ano e quatro meses depois da segunda menina. Assim, meu progresso em A.A. foi assinalado por três garotinhas. Não conseguia imaginar alguém mais contente que eu, no terceiro aniversário da minha sobriedade. Veio então uma virada. Subitamente, senti-me completamente "desirmanada" com o modo de vida de A.A. Um médico confirmou nossos piores temores quando anunciou que havia algo seriamente errado com nossa filha mais nova. Suspeitava-se de distrofia muscular, mas os exames clínicos não confirmaram esse diagnóstico. Ficamos com uma vaga definição do problema da nossa menininha; os médicos que foram chamados para uma conferência classificaram a doença como uma paralisia cerebral. Ninguém acenou com esperança de uma recuperação e um ortopedista nos disse francamente que nossa filha nunca conseguiria andar. Em face de uma previsão pessimista após a outra, fiquei arrasada.  Sabia com certeza que essa era uma época em que minha filha precisaria de quaisquer forças que sua mãe conseguisse reunir. Parecia não ter nenhuma. Meu marido conservou sua fé; ele tinha uma crença firme em que os médicos estavam errados e nunca duvidou de que nossa filha iria andar. Nossos amigos de A.A. também sustentavam essa crença positiva na recuperação da criança. Fizeram de tudo para revigorar minhas energias que rapidamente se extinguiam, e essas forças de fé carinhosa me levaram a reavaliar meu progresso no programa de A.A. Estava sóbria, mas, teria entregue minha vontade aos cuidados de Deus, na forma em que O concebia? O que estava fazendo a respeito do "contato consciente" com meu Poder Superior? O Décimo Passo era parte da minha vida diária ou era apenas um esforço tentado uma só vez? A maioria das respostas era negativa. Isso significava que, embora minha filha pudesse se encontrar em uma situação fisicamente desesperançosa, eu estava vivendo de uma forma destinada a retardar qualquer progresso que ela pudesse obter mental e espiritualmente. Não havia nenhuma outra solução além de sair do caminho da criança e trabalhar em mim mesma. Nos anos que se seguiram, cresceram minhas atividades em A.A. Apelei para o meu Poder Superior - Deus - como nunca havia apelado antes. Então, um dia, minha filha andou! Havia acidentalmente soltado a mãozinha dela. Nossa reação ao fato foi idêntica à reação das pessoas nas Escrituras, perante o aleijado caminhando - "admiração e espanto".  Hoje ela tem doze anos e as autoridades médicas classificaram seu progresso como "um caso inédito". Ainda estou assombrada com um diagnóstico neurológico, que relata sobre sua coordenação, dizendo ser esta controlada pelos seus processos mentais. Enquanto o espírito dela permanecer livre e alerta, sua atividade física será entusiástica e desembaraçada. Quando seu espírito ficar amortecido, a atividade vacilará. Que lição melhor poderia eu receber? Esta criança é o meu livro-texto sobre "Como funciona". Entre o dia em que larguei-a mentalmente e aquele em que larguei-a fisicamente, ela progrediu para além dos mais caros sonhos e esperanças de qualquer pessoa. Tento agora acompanhá-la, praticando meu programa de A.A. Como disse certa vez um pensador profundo, "a autoconfiança é, em última instância, a confiança e Deus". Como seria possível negar essa verdade, quando a experiência pessoal me mostra que é assim?

Filadélfia, Pennsylvania