Artigos - Segundo Legado - Unidade Estabilidade Perene de A.A.

A Unidade é o Segundo Legado de A.A. Quando os co-fundadores de A.A. sentiram a necessidade de delinear um sistema que permitisse aos grupos de A.A. viverem e trabalharem unidos, não ignorava a grande perspectiva que hoje consideramos. Estruturar e fazer trabalhar com eficácia uma multidão de pessoas com um único vínculo era tarefa aparentemente desanimadora. Tendo em conta, sobretudo, as características individuais de cada alcoólico e de seu
vínculo comum, de certa forma parecia impossível conseguir algum êxito. Por outro lado, o alcoolismo é uma doença complexa e difícil de diagnosticar seus efeitos negativos; todavia somente com ajudar de um Ser Superior, acima da inteligência humana, é que alguém seria capaz de obter esse resultado e, afortunadamente, o resultado aconteceu e chama-se Alcoólicos Anônimos. Para nós que sofremos na própria carne a angústia da doença do alcoolismo, A.A. é a melhor forma de aproximação que possa existir à nossa causa e o lugar onde seguimos todas as respostas que buscávamos através dos tempos. Sendo assim, A.A. ao completar 58 anos, recuperando alcoólicos, tenho provas
suficientes para demonstrar que os princípios básicos de A.A. formam um marco de referência adequado à nossa causa. Esses princípios podem não ser toda a verdade, porém constitui a verdadeira ação entre nós; são úteis e eficazes para nosso programa e nos dão a solução para nosso problema, mais premente: a própria sobrevivência. As Tradições simbolizam a característica de sacrifício de nossas vidas em comum e constitui a maior força de Unidade que conhecemos. As Tradições garantem a igualdade entre os membros e independência de todos os grupos. Elas existem para a harmonia e sobrevivência do grupo assim como os Passos são para a sobriedade e paz de espírito de cada membro e é por isso que A.A. é considerada uma democracia que está dando certo. Existem obstáculos para que o alcoólico inicie e continue com êxito no programa de recuperação, encontrando barreiras de difícil remoção advindas de sua anomalia alcoólica; entretanto, a consciência grupal não levanta qualquer barreira ao membro, qualquer que seja a complicação que o mesmo possa ter e, para essas complicações, os princípios coletivos da Irmandade, como as Doze Tradições, propõe fórmulas para o equilíbrio dos ditos males. Contra o orgulho, opõe o anonimato; contra o primeiro gole, a sobriedade; contra a luxúria, a 
espiritualidade; contra a inveja, a autonomia e independência; e contra a
ira, o Amor e a Unidade. As Tradições pedem ainda para que nunca usemos o nome de A.A. na busca do poder pessoal, fama, prestígio ou dinheiro. Visando ao bem-estar de toda a Irmandade e de cada membro, grupo e órgão de prestação de serviços, esperaram que pusesse de lado todos os seus desejos, interesses pessoais, ambições e atitudes inconvenientes, que possam ocasionar sérias divisões entre nós ou a perda de confiança que nos deposita o mundo lá fora. Negamos a nós mesmos o governo pessoal, o profissionalismo e até o direito de dizer quais deverão ser os nossos membros. Recusamos o generoso dinheiro de fora para viver às nossas próprias custas. Colaboramos, praticamente, com todos, mas não permitimos que a nossa Irmandade seja vinculada a nenhuma outra. Não entramos em controvérsias públicas e não discutimos, entre nós, assuntos que dividem a sociedade moderna; pois temos um único propósito: levar a mensagem ao alcoólico que sofre, pela atração e pelo exemplo e não pela pregação ou propaganda. Estas são as partes de um esquema, delineado para controlar e permitir a estabilidade perene de nossa Irmandade, a "UNIDADE".

Edição n° 26 - pág. 15