DP - Sentimento de uma mãe

Querido filho
Tu estranharás que, vivendo na mesma casa, te faças saber  através desta carta o que sinto e penso. Porém, desgraçadamente é chegada a ocasião  na qual vejo ser o único meio que tenho para comunicar-me contigo. Não creias que é por covardia que não te digo na cara. Simplesmente é para que não me ofendas e se repitam cenas desgradáveis. Se soubesses quanta dor, quanta angústia e desespero sinto em ver que estás te destruindo; como lastima profundamente tua família, teus amigos e todos os que te cercam. Teus argumentos, para mim não são validos; quer dizer que não te
queremos, que somos culpados de beberes desta forma. Eu não me sinto culpada disto, nem penso que sintas isto. Simplesmente as coisas acontecem e aí sim, as explicações que não levam a lugar nenhum. A única coisa que eu sei é que se não tivesse fé e tanta confiança em Deus, provavelmente estaria em um manicômio ou morta. Retrocedas,  meu filho, recorde anos atrás como  nossas vidas eram bonitas, e seguramente voltaria a ser, e poderia desfrutá-la, se buscasse ajuda em Alcoólicos Anônimos. Eles te ofereceriam o apoio que necessitas para sair desta vida inferior em que te afundas a cada dia, mais e mais, nos causando tanta vergonha. Não desprezes a ajuda que eles podem te dar, para que possas construir uma vida nova, um amanhã melhor, longe dos horrores e das experiências de ontem. Meu filho, Deus em sua infinita misericórdia, nunca esquece de nós.  Alcoólicos Anônimos pode te ajudar a levantar e a construires uma ponte sobre a qual possas passar e sair de onde te encontras. Tudo isto eu ponho nas mãos de Deus. Ele sabe o que é melhor e o que te convém;  Eu peço perdão se, inconscientemente, algum dia te maltratei ou ofendi.
Tua mãe

(fonte:R.Vivência nº 36  julho/agosto 1995 pg.47)