DP - Sexo e Sobriedade para Homens e Mulheres

   Sexo e Sobriedade para Homens e Mulheres

Dele, do sexo, pouco se fala, seja em nossas reuniões, ou em depoimentos à cabeceira de mesa. Será que A.A. o trata como TABU? Na minha opinião, após haver lido os quatro artigos sobre o assunto publicados na Revista VIVÊNCIA nº 16, artigos esses que nos podem ajudar e esclarecer, não o senti como tema proibido, valendo aqui uma ressalva: 
"abordam-se as questões dirigindo-as mais especificamente aos homens. Convém estendê-las às mulheres. Nosso alcoolismo não é diferente pela desigualdade dos sexos. É o mesmo. 
   Apenas compreendo e concordo ser muito difícil falar sobre sexo sem resvalar para a vulgaridade. 
   No entanto, A.A.. preocupa-se em existir com sua meta e objetivo principal: a manutenção da sobriedade de seus membros. Ora, sendo esse seu ponto de unidade, o A.A. não se permite atuar como seita moralista; não nega o direito à recuperação a ninguém, seja qual for sua opção sexual; não traça, portanto, modelo de comportamento para seus membros. 
   Falamos hoje em sexo por ser ele um problema, existir e ser sério, isto considerando nosso alcoolismo, claro. Porque a experiência tem demonstrado, e há opiniões que asseguram, ser ele grande responsável por inúmeras recaídas. 
   Aqui, transcrevo um trecho forte, que nos convida a pensar: 
"O impulso sexual é força poderosa na vida de todo ser humano, atuando em cada um de nós de maneira diversa e dando-nos a maior fonte de motivação, logo abaixo do instinto de sobrevivência. PERDE ENTRETANTO SEU LADO BOM QUANDO SE VOLTA PARA OBJETIVOS IMPOSSÍVEIS DE ALCANÇAR, OU, SE REALIZADO, ESTÁ EM DIRETA DESARMONIA COM NOSSO CÓDIGO MORAL." 
   Então, observamos que o forte apelo sexual, aquele que nos faz beber, está diretamente ligado ao DESENCONTRO entre a nossa conduta e a nossa moralidade; NÃO BEBEMOS SÓ PELO ATO EM SÍ. Agora, se o encararmos de modo obsessivo, aí não tem jeito - voltaremos a beber. Por quê?
   Porque o álcool arrebentou nossas potencialidades. 
   Atuando como uma droga desinibidora, tirando nossa timidez, insegurança, muitas vezes levou-nos a envolvimentos fantasiosos, relações que tanto nos desgastaram, que bebíamos mais para suportar; frustrações, desejos não realizados, parcerias insanas... 
   E atuando como droga que é, destruidora de todo um sistema biológico, também comprometeu nossas funções, nosso desempenho enfim. Paramos de beber e o que aconteceu?   Muitas vezes,nada.
Deparamo-nos com o estrago feito pelo álcool de maneira angustiante. Perdemos a potência, o desejo, tudo fica difícil, não conseguimos. Que fazer? 
Relaxemos, nada de "levar-nos tão a sério" numa hora dessas. Temos que ter paciência - esperar algum tempo - com serenidade. 
Conforme o texto da VIVÊNCIA nº 16, "a única possibilidade de recuperação física é mesmo, se necessária, uma abstinência prolongada". É preciso saber esperar. Ainda, o alcoólico que estiver nesta situação não deve deixar de fazer um exame clínico geral para verificar se não há outras doenças associadas. 
Finalmente, e até para ajudar-nos uns aos outros com mais força, vamos pensar sobre o sexo como um todo, uma bela sinfonia, harmoniosa, cheia de tons graves e agudos, coração e mente, muito coração, porque há todo um clima de partilha envolvido que é da maior importância. No alcoolismo, nossos afetos foram duramente atingidos; nada, entretanto, que não se possa resolver com seriedade, com honestidade, e principalmente com calma, muita calma...  

Revista Vivência nº 25 _Jul/Ago/Set 1993