DP - Sou uma mulher feliz porque aprendi amar!

"Como mulher alcoólica e participante da Irmandade sei que a caminhada é longa e árdua, por um lado, mas por outro, muito gratificante".Como bem dispõe o preâmbulo de abertura das  nossas reuniões; "Alcoólicos Anônimos é uma irmandade de homens e mulheres". Tal afirmação constante nos assegura como mulheres a nossa inclusão para alcançarmos a dádiva da recuperação através das experiências de cada um de nós, do sofrimento, das perdas afetivas, espirituais e materiais.
 
 
As primeiras mulheres alcoólicas começaram a chegar em Alcoólicos Anônimos em 1941 nos Estados Unidos. No início o principal preconceito era das próprias mulheres e com o tempo, pelo exemplo do sucesso das poucas que haviam ingressado a situação mudou para melhor. Como mulher alcoólica e participante da irmandade, repito, sei que a caminhada é longa e árdua, por um lado, mas por outro muito gratificante.
 
 
O apoio e o incentivo dos companheiros nos unem e seguimos juntos, homens e mulheres com um só objetivo:
- levar a mensagem sem reservas ou distinção seja este ser humano homem ou mulher ou pessoas diferentes não importando a profissão, condição social, econômica ou faixa etária. Alcoólicos Anônimos se destina às pessoas que estão dispostas através do 1º Passo a reconhecer e aceitar a impotência diante do primeiro gole e partindo deste princípio caminhamos ao auto-conhecimento.

Em A.A. podemos falar das nossas emoções dos nossos complexos, das derrotas, mas também das nossas vitórias do dia-a-dia e poder dizer "obrigado meu Poder Superior", por que sou alcoólica e faço parte desta irmandade maravilhosa que é Alcoólicos Anônimos. Quando cheguei em A.A. muito debilitada fisicamente, emocionalmente e espiritualmente... Nem se fala! Meu fundo de poço era total não tinha mais fim e o fim foi aceitar a condição de mulher alcoólica.  No grupo não havia companheira só companheiro, mas eu disse para mim mesma: - se é uma doença por que eu, mulher não posso ser portadora? E foi assim que eu me igualei aos meus companheiros, só com uma diferença: o sexo. 
 
As histórias de vida não são diferentes da minha, só são mais sofridas por eu ser mulher. Admito minhas impotências, mas com fé, decisão e aceitação, palavras pequenas, caminho de 24 em 24 horas. Aceito as coisas do jeito que vierem e as pessoas do jeito que são, porque eu não posso mudar nada e nem ninguém; só posso mudar a mim mesma, que já é difícil, assim como foi difícil eu me aceitar do jeito que eu era e trabalhar em cima dos meus defeitos de caráter.
 
 
Olhando para trás vejo que meu sofrimento não foi em vão; valeu à pena! Os problemas continuam, mas eu aprendi a conviver com eles sem sofrer. Hoje eu sou mais mãe, mais avó, mais amiga e uma companheira para todas as horas. Vivo e deixo viver!  Sou uma mulher feliz 24 horas porque aprendi a amar. Amo a Deus, minha família, amo meus companheiros e companheiras, amo esta Irmandade maravilhosa que me devolveu a vida e a alegria de viver.
 
(Vivência Nº 110 - Nov/Dez 2007)