DP - Ter afilhados

 A reflexão de um padrinho, que continua atual mesmo depois de 21 anos. Muitas vezes ouço em depoimentos o seguinte: "Dou graças a Deus por meu padrinho", ou "Meu padrinho me salvou", ou ainda, "Sem meu padrinho, não sei o que eu teria feito."
 Não há dúvida alguma quanto à grande vantagem que tem um novato em A.A., quando consegue um bom padrinho. Muitos de nós devemos nossa sobriedade, às vezes de anos e contínua, à paciência e perseverança, à bondade e mesmo à dureza dos mais velhos em A.A., principalmente nos nossos primeiros dias. 100
 
 Entretanto, um grande número de nós, padrinhos e madrinhas, dizemos (ou deveríamos dizer): "Graças a Deus pelo meu afilhado", ou "foi meu afilhado quem me salvou", ou ainda "sem um novato para apadrinhar, não sei o que seria de mim". Muitas vezes, mais do que eu gostaria de admitir, foi um novato que me salvou no exato momento em que eu precisava ouvir algo, foi um afilhado que telefonou para me trazer um pacote de problemas que eu teria de ajudar a resolver. E nesses assuntos dele havia algo em particular que me abriu os olhos para alguma coisa que eu deveria estar fazendo a respeito de minha própria vida, a respeito de mim mesmo, naquele momento.
 
 O novato, evitando aquele primeiro gole e seguindo nosso programa, acabaria por descobrir que o problema achou sua solução e acreditaria que aquela maravilha de padrinho havia resolvido tudo. Entretanto, com o correr do tempo, todos nós sabemos, os padrinhos são reconhecidos exatamente por aquilo que são – alcoólicos como os novatos, lutando com seus próprios problemas, um dia de cada vez, em sobriedade.

 Assim, como padrinho, gosto de espalhar por aí o quanto os afilhados me ajudam! Um veterano em A.A. que esteja procurando soluções para certas dificuldades, talvez descubra que o truque é se tornar padrinho de alguém e que isso não falha! Quando tudo mais parece não dar certo, o que funciona é isto: ser padrinho.
 
 (Vivência Nº 73 – set/out 2001)