TRADIÇÕES > 3ª - Terceira Tradição de A.A (Alcoólico Anônimos)

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 As Doze Tradições de A.A.
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Terceira Tradição de A.A.


3ª  TRADIÇÃO  >>>  Para ser membro de A.A., o único requisito é o desejo de parar de beber.

A intolerância inicial estava baseada no medo. Privar qualquer alcoólico da oportunidade de experimentar A.A. significa, às vezes, pronunciar a sua sentença de morte. Regulamentos de ingresso abandonados. Dois exemplos de experiência. Qualquer alcoólico torna-se membro de A.A. quando ele assim se declara.





A Terceira Tradição (Bill W.) > RV. 021

     A Terceira Tradição é, na verdade, uma afirmação abrangente. Alguém pode achá-la  idealista demais para ser prática.  Ela  declara  que todo alcoólico pode se tornar e permanecer membro de A.A., desde  que assim o diga. Em resumo, Alcoólicos Anônimos  não  tem regra  pré-estabelecida  dizendo  como  alguém pode  tornar-se  um  dos  seus  membros.  Por  que  é assim? Nossa resposta é simples e prática. Em nossa própria proteção, não queremos levantar a menor barreira entre nós e  os  companheiros alcoólicos  que  ainda sofrem. Sabemos que a sociedade exige se  comporte ele de acordo com suas leis e convenções. Mas a essência de sua  doença alcoólica é  ter sido incapaz ou não ter vontade de se portar de acordo com as leis dos homens e de Deus. Se alguma coisa ele é, é um  rebelde  inconformista.  Entendemos bem isto. Todo membro de A.A. um dia foi um  rebelde.  Por  isso  não  fazemos concessões mútuas. Devemos entrar na  caverna  escura  onde  ele  está  e  mostrar-lhe  que  o  entendemos. Percebemos estar ele  muito  fraco  para  vencer os obstáculos. Se colocarmos alguma    dificuldade    em   seu   caminho,   ele   pode   ficar   fora   e   perecer. Oportunidade sem preço pode ser-lhe negada. Por isso, quando ele pergunta: "Existe alguma condição?,  nós respondemos alegremente: "Não, nenhuma". Quando, sem acreditar, ele volta dizendo: "Mas deve haver algo que eu tenha de  fazer  ou acreditar?",  rapidamente  respondemos:  "Em A.A.  não existem obrigações". 
     Sem    acreditar,   talvez,  ele  então  pergunta:   "Quanto  tudo  isto  vai  me custar?".   Somos   capazes   de    rir   e    dizer:    "Nada,   não   há   taxas   nem mensalidades".   Assim,   num   instante,  nosso  amigo  é  desarmado  de  sua suspeita  e rebelião.  Seus  olhos  começam a abrir-se para um novo mundo de amizade e entendimento. Idealista fracassado que possa ele ter sido, seu ideal não é mais um sonho.  Após  anos de procura solitária, agora lhe é revelado. A realidade de Alcoólicos Anônimos irrompe sobre ele. Alcoólicos Anônimos está dizendo:   "Temos   algo  sem   preço   para   te  dar  mas  somente  se  quiseres receber".  Isto  é  tudo.  Mas  para  o  nosso  amigo  é   importante.  Sem   mais cerimônias, ele se torna um de nós.
     Nossa   Tradição   sobre   como   se   tornar  membro  contém,  porém,  uma qualificação  de  importância  vital.  Esta  qualificação  relaciona-se  ao  uso  de nosso próprio nome,  Alcoólicos Anônimos.  Acreditamos que, quando dois ou três alcoólicos  se reunirem  para  alcançar a sobriedade, podem se chamar de Grupo de A.A. desde que, como grupo,  eles  não tenham outra afiliação. Aqui nosso propósito é claro e sem equívoco. Por  razões óbvias, desejamos só seja usado o nome Alcoólicos Anônimos em estreita conexão com as atividades da Irmandade.  Nenhum  membro   de   A.A.   gostaria   de  ver,   por  exemplo,   a formação de grupos de A.A. ligada  a movimentos de temperança e vice-versa, grupos de A.A "comunistas". Poucos, se houver, desejariam ver nossos grupos designados por denominações religiosas. Não podemos emprestar o nome de A.A.,  mesmo  indiretamente,  a  outras  atividades,  mesmo   muito   valiosas. Ficaremos irremediavelmente comprometidos se assim agirmos. Pensam que A.A.  deve  oferecer sua  experiência  para o mundo inteiro, para qualquer uso que possa ser feito dele. Mas não seu nome. Nada mais correto.
     Deixem-nos    resolver    sermos    sempre    inclusivos,    nunca    exclusivos, oferecendo tudo o que temos para todos, menos nosso nome. Possam, assim, ser   derrubadas   todas   as   barreiras,   possa ,   assim,    nossa   unidade   ser preservada. E que Deus nos conceda uma longa vida e uma utilidade única.


Revista Vivência nº 21 
- JUL/AGO/SET 1992
               

                                                                           
(Fonte: Grapevine, fev./48. Tradução
​: ​
Wellodimer. Reproduzido com permissão) 






Reflexões à Luz da Terceira Tradição. ___ RV. 093
 

Em qualquer associação que se tem conhecimento, a norma de ingresso é recheada de exigências, tais como: pagamento de taxas ou inscrição, folha corrida da polícia, documentação de identidade civil, etc.

Por que Alcoólicos Anônimos abandonou suas regras de afiliação?

O 2º parágrafo da Terceira Tradição declara o seguinte:

- Estabelecer esse princípio de filiação foi obra de muitos anos de angústia.

No começo nada parecia tão frágil, tão quebradiço, como um Grupo de Alcoólicos Anônimos.

Dificilmente um alcoólico, por nós abordado, dava-nos qualquer atenção; aqueles que se juntavam a nós eram como velas bruxuleando aos ventos de uma tempestade.

Reiteradamente suas chamas incertas se apagavam e não podiam mais ser acesas.

Isso quer nos parecer, companheiro leitor, que pouquíssimos eram os que ficavam em Alcoólicos Anônimos; a maioria recaía e não mais retomava. Tanto isso é verdade, quando deparamos logo a seguir com o seguinte trecho da 3ª Tradição: "Nosso pensamento, não formulado embora constante, era: qual dentre nós será o próximo?"

Essa Tradição diz claramente, que a severidade para o ingresso em A.A. era resultante do medo que os velhos mentores tinham de abrir as portas da Irmandade a pessoas que tivessem outros problemas além do álcool e que viessem, publicamente, praticar atos prejudiciais ao A.A.

Todos temiam que alguém ou alguma coisa fizesse virar o barco, atirando-os todos de volta à bebida.

Decidiram como regras de ingresso, a não aceitação de mendigos, vadios, débeis mentais, encarcerados, homossexuais, prostitutas, etc.

Estes, mesmo que tivessem o problema alcoólico não eram aceitos em A.A.

Os velhos mentores agiam assim porque tinham medo da destruição que poderia advir com a aceitação de pessoas com outros problemas.

A primeira experiência que foi motivo do abandono das regras de ingresso aconteceu quando um homem bateu às portas de um dos grupos da época e pediu para fazer parte.

A seguir contou seu problema alcoólico e disse que, além desse, era portador de outra dependência mais estigmatizante que a do álcool.

Os veteranos (de portas fechadas) só viam obstáculos e disseram que o grupo era composto somente de pessoas alcoólicas e quando já estavam a ponto de dispensar o homem que pediu abrigo, uma voz surgiu entre eles: "O QUE FARIA O MESTRE?"

Decidiram então, aceitar o seu ingresso em A.A. e ele, exultante, entregou-se às atividades do grupo, praticando o Décimo Segundo Passo, transmitindo a mensagem a dezenas de pessoas doentes do alcoolismo.

E mais, ele nunca incomodou ninguém com o seu outro problema.

Esse foi apenas um exemplo dos muitos que culminaram com a abolição das regras de ingresso em A.A., ficando só a conhecida universalmente:

"PARA SER MEMBRO DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS O ÚNICO REQUISITO É O DESEJO DE PARAR DE BEBER" .

VIVÊNCIA N° 25/jul /ago /set /1993 ; e N° 93/Jan/Fev 2005




A primeira Mulher que foi expulsa do AA

E tornou-se a razão da nossa Tradição #3

A pioneira de AA Sybil Corwin fala de história...

Isto me foi passado por um amigo. Penso que vocês gostem deste pedacinho de nossa história sobre um dos “porquês” de termos Tradições.

Esta é a história de Irma Livoni. Todos os anos por volta desta época, eu tento contar esta verdadeira história sobre o que aconteceu em 7 de Dezembro de 1941 (Dia da Invasão de Pearl Harbour pelos Japoneses) mas não só por isso e sim para contar o que aconteceu a uma das poucas mulheres que estava em AA naqueles tempos e sobre uma carta que ela recebeu pelo correio na segunda-feira, dia 8 de Dezembro, que literalmente, a expulsou de AA.

Em Dezembro de 1984, eu estava sóbrio há já 2 anos e meio, e trabalhando com meus padrinhos B ob e Sybil Corwin desde Janeiro. Sybil parou de beber em Março de 1941 e a esta altura estava, portanto, sóbria a 43 anos. Estávamos voltando para casa de carro de uma reunião e ela me perguntou a data (ela só sabia que era domingo). Eu a informei que era 8 de Dezembro e que no dia anterior (7 de Dezembro) fora o aniversário do Dia da Invasão de Pearl Harbour.

Ela disse: “Matt, eu já te contei sobre Irma Livoni?” “Não,” respondi. “Quem é ela?” Ela disse: “Bem, quando chegarmos em casa, entre para um café e eu te conto uma estória sobre a história de AA e algumas das razões pelas quais temos a nossa Tradição 3. Aliás, Matt, você sabia que nossa literatura fala especificamente de “pederastas, doidos varridos e mulheres decaídas” ? e já que eu e você somos pelo menos duas de tais pessoas, deveríamos estar especialmente agradecidos à Tradição 3. Eu lhe mostro quando chegarmos em casa.”

Eu ri alto e bom som uma vez que a Sybil possuía um grande senso de humor e ela já fora uma dançarina de boite antes de ficar sóbria, sabe, daquelas que cobravam 10 centavos por cada dança, e desde então já se divorciara duas vezes e era uma mãe solteira além de alcoólica naquele tempo, portanto descrevê-la como “uma mulher decaída” não estava longe da verdade de então.

Ela me disse que era muito diferente nas décadas dos anos 30 e 40 para uma mulher que fosse alcoólatra. Sybil disse que era um tempo quando as mulheres usavam chapéus e luvas e “mulheres de respeito” dificilmente seriam vistas em bares ou em festas de arromba. Nossos estudos dos Passos às quintas-feiras haviam resolvido para não abordar as Tradições antes de chegarmos ao Passo 12, portanto, imaginei que estas não seriam muito importantes e pensava que provavelmente eu morreria de tédio com esta conversa, mas ela prendeu minha curiosidade falando que nossa literatura se referia a “pederastas, doidso varridos e mulheres decaídas”, então concordei em entrar para um café. Além disso, Sybil já estava sóbria há mais tempo que eu tinha de vida. Eu não discutia muito com ela...

Em casa, Sybil pegou seu exemplar do Grande Livro. E disse, tome, quero que você me encontre as tradições aqui e leia para mim a Tradição 3. Aquele exemplar era a primeira edição do Livro Grande. Muito maior que o meu. Eu perguntei falando do tamanho do livro: “É por isso que chamam de Livro Grande ou Grande Livro?” Ela disse, “exatamente. Bill mandou imprimi-lo em folhas grandes, com amplas margens em volta do texto para que as pessoas achassem que estavam recebendo algo “volumoso” pelo seu dinheiro.”

Eu olhei no final do livro onde pensei que estariam as Tradições, mas não as encontrei. Disse: “Eu não consigo encontrá-las Sybil.” Ela respondeu: “É claro. Isto é porque ainda não tinhamos quaisquer tradições pelos idos de 1941 quando eu ingressei, e Matt, AA estava em risco mortal de se destruir, e é por isso que agora temos as Tradições.” Então ela me mandou procurá-las no meu exemplar da 3ª edição e no meu livro dos 12 mais 12.

Eu não a li por inteiro. Só o enunciado sob o título, e ela então começou a me contar a história de IRMA LIVONI.

Irma era uma de suas afilhadas. Também ingressou em 1941, logo após ela mesma. Sybil a acolheu em sua casa. (Ela me contou que naquele tempo, o fundo de poço de muitos era bem fundo, sem casa, sem trabalho, sem relógio, sem carro, nada). Sybil disse que era muito diferente naquele tempo para uma mulher ser uma alcoólatra. Que a maioria delas havia queimado todas as pontes atrás de si de acesso às suas famílias, e eram olhadas por cima e depreciadas, muito mais que os alcoólatras masculinos. Sybil contou que ela ficou observando o AA ajudar Irma a ficar sóbria, limpa e construir uma nova vida e conseguir sua primeira moradia através da sobriedade.

Aí ela contou que no dia 5 de Dezembro de 1941, um grupo auto-proclamado de membros assinou uma carta dirigida a Irma e a postou no correio dois dias antes do Dia de Pearl Harbour, naquela mesma sexta-feira, 5 de Dezembro.

Eis uma cópia dessa carta.

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ALCOÓLICOS ANONIMOS
Caixa Postal 607
Hollywood, C alifornia

5 de Dezembro de 1941

Irma Livoni
939 S. Gramercy Place
Los Angeles, California

Prezada Sra. Livone:

Emu ma reunião do Comitê Executivo do Grupo de Alcoólicos Anonimos de Los Angeles, tida em 4 de Dezembro de 1941, foi decidido que sua freqüência às reuniões do grupo não era mais desejada até que viessem a ser dadas certas explicações e planos para o futuro que satisfaçam o comitê. Esta decisão foi tomada por razões que deverão ser claramente evidentes para a senhora. Foi decidido que, se assim desejar, poderá comparecer diante dos membros deste comitê e declarar sua atitude.

Esta oportunidade lhe será concedida entre a data atual e 15 de Dezembro de 1941. V.Sa., pode comunicar-se conosco no endereço acima até aquela data.

Caso não deseje comparecer, considerarmos o assunto encerrado e sua participação encerrada.

Alcoólicos Anonimos, Grupo Los Angeles
Mortimer, Frank, Edmund, Fay D., Pete, Al

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Eu estava atônito. “Como eles puderam fazer isto Sybil?” É porque nós não tinhamos quaisquer guias de orientação, quaisquer tradições para nos proteger dos bem intencionados. AA era ainda muito nova, e as pessoas faziam muitas coisas pensando que estavam protegendo a Irmandade.”

Sybil então me disse para fechar os olhos e imaginar que eu estava naquele tempo e cenário. Ela explicou novamente que o dia 7 de Dezembro era o dia da invasão de Pearl Harbour, um domingo. Ela disse que naquele domingo, todo mundo em Los Angeles estava com medo de que a cidade também seria atacada e bombardeada. A energia foi desligada e a cidade estava às escuras, tanto que se temia tal ataque. Ela contou que no dia 8, segunda-feira, o Presidente Roosevelt discursou dizendo que aquela data viveria na infâmia e que daquele fato em diante estávamos em guerra com o Japão e com a Alemanha.

E foi naquele dia que Irma recebeu a carta. Naquele tempo só existia uma única reunião em todo o estado da California, quando a própria Sybil havia ingressado em 1941. Em Dezembro pode ser que já havia outros 2 ou 3 grupos, mas Irma não tinha para onde ir, ninguém a quem recorrer, e não havia nenhum outro grupo na California a que ela pudesse pedir ajuda.

“Imagine,” disse Sybil. “Somente 1 ou 2 reuniões em todo o seu estado, e você sendo rejeitado pela própria família e pela sociedade e pelo único grupo de pessoas que estavam do seu lado, seu grupo de AA todo. Imagine eles fechando a porta na sua cara e lhe mandando tal carta.”

Eu estremeci ao pensar nisso. Era época natalina, as lojas estavam decoradas e a pobre Irma ficou sozinha. Eu viajei mentalmente para pensar como era em 1984, quando já havia cerca de 2000 reuniões por semana só na California do Sul, e então imaginei como seria não haver nenhuma ajuda para um alcoólatra desesperado.

Sybil me contou que a Irma nunca mais voltou a uma reunião, deixou o AA e morreu de alcoolismo. Ela chegou a escrever ao Bill sobre o incidente, e eu não posso lhe dizer que esta foi a razão, mas parece que o trecho seguinte da Tradição 3 se aplica exatamente sobre tal situação.

Trecho da Tradição 3, do livro 12+12, página 141:

“… de que jamais puniríamos ou privaríamos quem quer que fosse de fazer parte de AA; de que jamais devemos compelir qualquer um de pagar seja o que for; acreditar ou conformar-se com o que quer que fosse. A resposta a isto agora contida na Tradição 3 é simples por excelência. Finalmente, a experiência tinha nos ensinado de que, privar a qualquer alcoólico da oportunidade integral, era freqüentemente ditar-lhe a sentença de morte, e não raro condená-lo à miséria (desgraça) infindável. Quem ousaria ser juiz, júri e carrasco de seu irmão doente?”

JUIZ, JÚRI E CARRASCO. Me lembro de olhar para estas palavras repetidamente. A cada vez pareciam-me crescer cada vez mais.

JUIZ, JÚRI E CARRASCO
JUIZ, JÚRI E CARRASCO
JUIZ, JÚRI E CARRASCO
Na realidade, eu não havia notado “carrasco” quando li este trecho a primeira vez no meu grupo de estudos. Mas agora, senti-me mal novamente por esta pobre senhora. Puxa. Estas palavras passaram a ter um significado muito mais profundo agora do que da leitura anterior. Então eis que, 23 anos mais tarde, e em cada 7 e 8 de Dezembro, sempre me lembro da Irma Livoni, e imagino o quanto sou afortunado de agora termos tradições. Penso também o quanto eu foi feliz de conhecer a Sybil e afortunado por ela ter-se se proposto a ser minha madrinha.

Anos mais tarde, entendi que tudo que ela me havia ensinado era tesouro, mas em 1984 eu ainda não fazia idéia de quem a Sybil era realmente nem quanto eu era feliz por tê-la como madrinha. Ela era uma peça ambulante da história viva mas eu só entendi o quanto era importante isso para compreender porque nós fazemos algumas coisas tais como a história que ela me contou de que antes eles nunca diziam “Olá Sybil” ou ninguém dizia “Olá, meu nome é Matt e eu sou um alcoólico” naqueles tempos idos.

Além de ser uma das primeiras mulheres em AA, Sybil foi a primeira mulher a oeste do Mississippi. Ela também se tornou e coordenou o escritório central de Los Angeles por 12 anos, e tornou-se uma amiga intima de Bill e Lois. Ela e seu Bob até costumavam passar férias com eles. Ela costumava me contar todo tipo de histórias sobre Bill Wilson e as coisas que ele dizia a ela.

Ele sempre se interessou muito em saber como o AA funcionava para as mulheres, já que naquele tempo havia muito poucas no AA mundial. Marty Mann chegou antes de Sybil; mas poucas das que vinham ficavam sóbrias.

Naquela noite aprendi que ninguém pode ser expulso de AA. Podemos convidar um bebado que nos perturbe a ficar quieto, ou podemos convidá-lo para fora da sala naquele dia, mas não votamos para expulsar quem quer que seja de vez.

Nem desprezamos qualquer pessoa por causa de nossas linhas guia, e nossas tradições nos dizem que ninguém tem que acreditar em nada (ninguém sequer precisa gostar de mim) nem tem que aceitar conformadamente qualquer coisa; não têm que se vestir de alguma maneira definida, ou fazer a barba, ou pagar qualquer coisa. Mesmo que eu volte novamente a ficar bêbado, ainda continuarei a ser bem vindo a uma reunião de A.

Esta é, portanto, a história de Irma Livoni. Passe isto adiante a vontade, para qualquer um que voce ache que possa se interessar em saber um pouco mais do como e porque as tradições surgiram. Para mim, esta história da rosto e forma à Tradição 3, o rosto de uma mulher que nunca conheci, e que foi expulsa de AA. Que voltou a beber e morreu.

Notas:
(Este relato foi escrito originalmente em 1984)

Sybil foi a primeira mulher a ficar sóbria em AA a oeste do Rio Mississippi. Ao se recuperar de uma ressaca em uma sauna pública de Los Angeles, ela se deparou com um exemplar da revista Saturday Evening Post datado de 1 de Março de 1941, e leu o artigo de Jack Alexander sobre Alcoólicos Anonimos. Ela escreveu ao AA de New York, e Ruth Hock, secretária de Bill W., respondeu-lhe uma semana depois, levando-a a ingressar no “Grupo Mãe” de AA em Los Angeles. Sybil permaneceu sóbria por toda sua vida, administrou o Escritório Central de Los Angeles por muitos anos e antes de sua morte, tornou-se o membro sóbrio mais antigo de AA.

O companheiro John M, dos Steppers da OIAA, ele próprio acabando de completar 43 anos, teceu os seguintes comentários adicionais a esse respeito:

Grato por postar isso Ewart. Eu participei de reuniões com a Sybil C nos anos 70 em Los Angeles e ouvi suas partilhas muitas vezes. Penso que a nossa “cotovia” Toni (também membro dos Steppers atuais) também a conheceu. Sybil faleceu em 1998. Ela era muito eloqüente e ela mesma uma parte importante da história de AA. Permaneceu sóbria por quase 60 anos de sua longa vida. Ela com certeza tornou-se a mulher sóbria mais antiga de AA ao falecer.
... ... ... Naquele tempo, eu mesmo vi uma cópia carbono da tal carta datilografada do Comité Executivo e o texto que você passou é exatamente esse, exceto que ela foi assinada pelos membros com seus nomes completos. Essa cópia está arquivada no Escritório Central de LA...

Mas, informações posteriors afirmam que Irma Livoni parece não ter morrido de voltar a beber como se acreditou e temeu. Ela teria vivido outros 35 na vizinha cidade de Long Beach e morreu em 1974... Esta última informação vem do grupo no Yahoo Amantes da História de AA (AA History Lovers-yahoogroups), que vem pesquisando o assunto há algum tempo.

Mas é indubitável que este caso teve um forte impacto sobre Bill W e tornou-se o alicerce por trás da Terceira Tradição de AA.