TRADIÇÕES > 7ª - Sétima Tradição de A.A (Alcoólico Anônimos)

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 As Doze Tradições de A.A. 
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Sétima Tradição de A.A.



7ª  TRADIÇÃO  >>>>>>> Todos os Grupos de A.A. deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora.

Nenhuma outra tradição de A.A. nasceu tão dolorosamente como esta. No início, a pobreza coletiva foi uma necessidade. O medo de sermos explorados. A necessidade de separar o espiritual do material. A decisão de sustentar-nos com as contribuições voluntárias de A.A. apenas. Atribuição da responsabilidade de sustentar a sede de A.A. diretamente aos membros de A.A. A política da sede é a de ter apenas o dinheiro necessário para garantir o funcionamento e uma reserva prudente.




Sétima Tradição

Quando um doente alcoólico aplica em sua vida pessoal o nosso Programa de Recuperação - os Doze Passos - sua desintegração é detida e sua unificação é iniciada. O Poder que agora mantêm-no integrados numa unidade sobrepõe-se àquelas forças que o tornaram marginalizado.".

Bill nos diz que o mesmo princípio se aplica a cada grupo de A.A. e a Alcoólicos Anônimos de forma global.
"Se como membro de A.A. cada um de nós recusar o prestígio público e renunciar a qualquer desejo de poder pessoal; se, como Associação, insistirmos em permanecer pobre, evitando, assim, as querelas por propriedades e sua administração; se, resolutamente, declinarmos as alianças de tipo político, sectário ou de qualquer classe, evitaremos a divisão interna e a notoriedade pública; se, como uma Associação, mantivermo-nos uma entidade espiritual, preocupada apenas em levar a nossa mensagem aos alcoólatras que sofrem, sem esperar recompensa ou honorários, poderemos levar a cabo, de forma mais efetiva, a nossa missão".

`A unidade de A.A. não pode preservar-se automaticamente. Da mesma forma como o fazemos com a recuperação pessoal, devemos dar tudo de nós para preservar a unidade. Como tudo mais em A.A., aqui também necessita de honestidade, humildade, mente aberta, generosidade e, sobretudo, vigilância."
`Nossa Declaração de Unidade diz que devemos colocar em primeiro lugar o bem-estar comum para manter nossa Associação coesa."E complementa afirmando que `da unidade em A.A. dependem nossas vidas e as vidas daqueles que venham".

As Doze Tradições têm a intenção de estabelecer princípios sólidos de conduta do e suas relações públicas. Elas são suficientemente consistentes para converterem-se num guia básico de proteção ao A.A. como um todo e penso que devemos aplicá-las tão seriamente à nossa vida de grupo quanto o fazemos conosco, de forma individual, com os Doze Passas de Recuperação, onde o Décimo Segundo - na parte de levar a mensagem - "é o serviço básico prestado pela comunidade A.A." "E nosso principal objetivo e a razão primordial de nossa existência".

Portanto, diz-nos Bill, "A.A. é algo mais que um conjunto de princípios. E uma Sociedade de alcoólatras em ação. Devemos levar a mensagem, pois se não o fizermos podemos recair e, além disso, aqueles a quem não se a transmite, podem perecer. E prossegue Bill":
"Portanto, um serviço em A.A. é tudo aquilo que, seja o que for, ajuda-nos a alcançar uma pessoa que sofre, passando por todos os degraus, desde o Décimo Segundo Passo propriamente dito, até urna chamada telefônica; desde uma xícara de café, até o Escritório de Serviços Gerais. A soma destes serviços é o nosso Terceiro Legado".

"Os serviços incluem lugares para reuniões, cooperação com hospitais e com escritórios intergrupais; supõem a utilização de folhetos, livros e uma boa publicidade. Requerem comitês, delegados, custódias e conferências. E, não podemos esquecer, tudo isto requer contribuições voluntárias de dinheiro por parte dos membros da Comunidade".
Conquanto saibamos que as nossas contribuições não são, de forma alguma, uma condição para pertencermos à Sociedade de Alcoólicos Anônimos, devemos nos sentir muito felizes ao colaborar financeiramente para que determinadas prestações de serviço tornem-se eexequíveis

Deve haver prazer em contribuir, não apenas para que obedientes à Sétima Tradição sejamos realmente auto-suficientes. Como vejo, é muito mais que isso. Nossa participação pecuniária em verdade deve representar um gesto de generosidade e de desprendimento que não pode ser substantivado como despesa e, sim, como investimento, ratificando o texto da Oração de São Francisco que diz que "é dando que se recebe", Trata-se de uma ação espiritual. O ideal é que nunca venhamos a participar nas sacolas porque alguém usou de termos coercitivos conosco. Se coação houver, que seja de nossa própria consciência, o que ainda não é bom, já que a linguagem do coração é a que o surdo ouve, a que o cego vê e a que o mudo fala - o idioma universal de Alcoólicos Anônimos. Aqui cabe a reflexão que diz que não devemos, apenas, dar a quem pede, mas oferecera quem não ousa pedir, porque acima da generosidade que dá, está a generosidade que oferece.

É belíssima a Sétima Tradição, inclusive no que diz respeito à democratização do dinheiro. Muito além do dever, temos, todos, o direito assegurado dela participar. É nesse momento que nos é oferecida uma oportunidade de contribuir na redistribuição das bênçãos que recebemos desde que chegamos ao A.A. E quem redistribui as bênçãos recebidas, fica com todas elas. Espiritualmente, o que nos torna ricos não é o que guardamos. E o que damos.

A sacola tem o aroma do amor. Amor que se afirma quando não nos esquecemos de tantos alcoólatras que se encontram nas penitenciárias, nos hospitais psiquiátricos, nos xadrezes dos distritos policiais ou em baixo de viadutos, passando fome e enfrentando as duras noites do inverno quando os cobertores que os aquecem são jornais velhos e amarelados. E o que dizer do colchão dessas pessoas? Quando colocamos o nosso dinheiro na sacola, generosamente, sabendo que uma parte dele se destinará aos nossos organismos de serviço - que realizarão o trabalho do 12° Passo, através do C.T.O., também com outros alcoólatras além daqueles que acabo de mencionar - por certo estaremos alegrando o coração de Deus.

Não nos esqueçamos que a oração do Pai Nosso, usada por milhares de grupos no mundo inteiro, não nos foi ensinada no singular. Em sendo "Pai Nosso"o seu Autor nos diz claramente que somos todos irmãos. Se, ao colocarmos o dinheiro na sacola, fazemo-lo com sovinice e frieza, não estamos observando que Aquele que tirou nossa obsessão pelo álcool, e que nos mantém sóbrios, sabe o que estamos fazendo. Nossos companheiros não sabem, porque a contribuição é anônima. Mas, Deus sabe. Ele irá aferir se estamos ou não olhando para os bêbados irmãos assumindo a condição de irmãos dos bêbados.

Frases rotineiras apresentadas aos recém-chegados, tais como "Obrigado, companheiro. Você veio nos ajudar" ou "Fique conosco porque eu preciso de você", são importantes e legítimos subsídios para nos convencermos de que a nossa espontânea e eficiente participação financeira representa não menos que uma maneira de agilizar a chegada de novos membros visto que, por exemplo, o dinheiro destinado à criação e manutenção de ESLS, Comitês de Área, ESG. Etc. possibilita a execução de determinados serviços que os grupos isoladamente estão incapacitados de realizar. E se não estamos faltando com a verdade quando dizemos aos "ingressantes" aquelas frases, chegamos à conclusão óbvia de que a nossa participação com o dinheiro traz a contrapartida de nosso próprio benefício. Ou estaremos mentindo para os recém-chegados quando dizemos que deles necessitamos?

Quando afirmamos aos companheiros, nas reuniões, que lhes devemos as nossas vidas, abaixo de Deus, e que meios não há como resgatar a divida contraída pela nossa salvação, muitos de nós, até possivelmente por inadvertência, desatenta para a extensão dessa declaração. Estamos todos conscientizados de que todo "ingresso" representa um fator multiplicador de nossa segurança, tanto que agradecemos aos "ingressantes" o fato de virem nos ajudar. Por conseguinte, quando a nossa participação na sacola é rateada entre o dinheiro e o descaso, não estamos senão minimizando o nosso grau de reconhecimento por aquela dívida, pois se temos, muitos de nós, condições de contribuir mais generosamente para robustecer fundos que irão dinamizar tarefas que possibilitem a agilização da chegada de novos membros e não o fazemos, implicitamente estamos prejudicando àqueles a quem confessamos o nosso débito, visto que os novos "ingressantes" são tão importantes para nós quanto o são para os que nos ajudaram em nossa salvação. Não estaremos sendo contraditórios os confrontos das palavras com a ação?

A Sétima Tradição é urna célula num corpo constituído de doze e, tal como as demais, não devemos permitir que cancerize. Diferentemente do resto do mundo que, por motivos econômicos, permanentemente conflita, nessa Tradição se aloja um poderoso fator de fortalecimento de nossa Sociedade pois na medida em que obtemos recursos materiais que viabilizem a consecução da sublime tarefa de levar mais mensagens a mais alcoólatras, maior é o número de "ingressantes" e, por conseguinte, doses mais robustas de soro espiritual recebemos.
Quando não faço nada em favor dos alcoólatras ainda no cativeiro, já estou fazendo. Estou sendo parceiro do álcool nas devastações que causa, e alegar que minha omissão tem sido inconsciente não muda nada moralmente porque o homem é responsável por todos os seus atos, até mesmo os inconscientes. Não há espelho que melhor reflita a imagem do homem que as suas ações.

Deus ama àquele que dá sorrindo e, talvez, seja mais sensível ao sorriso do que ao próprio dom. Participar em A.A. não é um dever. É um privilégio.
Quando chegamos ao A.A. pela primeira vez, carregávamos toda sorte de distorções, com o egoísmo sendo mestre-sala na escola de samba de nossa miséria. Aprendemos, ao vivenciar os Doze Passos, que aquele excessivo amor ao bem próprio, sem atender ao dos outros, tinha que ser um dos alvos prioritários no bombardeio a que nos dispusemos realizar, municiados pelos projéteis que Alcoólicos Anônimos nos oferece. Mas, o egoísmo pode apresentar-se com mil e urna roupagens, não sendo inviável que, incontáveis vezes, passe imperceptível aos nossos olhos.

Não obstante o programa não recomendar que nos grupos fiquemos o resto de nossas vidas a remexer no lodaçal do nosso passado alcoólico, salvo quando nossa palavra tem por destino um `ingressante ", é de capital importância não consentirmos que os acontecimentos `daqueles tempos" evadam para o vale do esquecimento. Não devemos fazer deles - os acontecimentos - uma câmara de torturas. Entretanto, convém-nos impedir que se apaguem de nossas mentes não só para que nos ajudem a detectar os nossos instintos distorcidos - genitores de todos os males que produzíamos - como também para que possamos, pela nossa própria experiência, jamais não dar valor à angústia e ao sofrimento daqueles que na loteria da vida ainda não foram premiados com o ingresso" em Alcoólicos Anônimos, portanto, fortes candidatos à loucura, à prisão ou à morte prematura.
Nós, que no passado fomos personagens de uma peça em que o álcool era o astro, que desculpas encontraremos para dar a Deus se um dia Ele nos perguntar se nunca nos esquecemos das mulheres e dos filhos de doentes alcoólicos aos quais Alcoólicos Anônimos não conseguiu transmitir a mensagem porque fria e egoisticamente ficamos indiferentes aos apelos de reforço na sacola que muitas vezes companheiros nos trouxeram? Quando nos lembrarmos do que fazíamos às nossas crianças quando bebíamos, não podemos nos permitir esquecer das crianças daqueles que ainda não se uniram a nós. Não há como ignorar a verdade de que a criança que não é amada tem muitos nomes. Na hidrografia de A.A. o egoísmo é nascente do rio cujas águas são constituídas pela indiferença, pelo desinteresse e pela insensibilidade. No ecossistema de A.A., o desprezo pela sacola é poluente rio programa de recuperação. E não é degradável.

Somos veementes na afirmação de que o alcoolismo é uma doença de determinação fatal e que por isso reserva aos seus portador três destinos: hospitalização, presídio ou morte prematura. A sociedade, por seu turno - leiga no assunto - vê no alcoólatra um patife, um imoral, um desprezível ser desprovido de um mínimo de força de vontade, conceito em que se fundamenta para assumir sua posição de desdém e de insensibilidade. Para a sociedade, em regra, o alcoólatra é um ser asqueroso, hediondo, sórdido, imundo, repugnante e descarado, Cabe aqui perguntar:
Quando ficamos privados de Centrais de Serviços porque os recursos provenientes dos grupos que as criariam e sustentariam inexistem - e inexistem porque não damos ao cumprimento da Sétima Tradição o devido respeito e a merecida atenção - não estaremos tratando àqueles que ainda se encontram reativando a doença através da ingestão do 1° gole com o mesmo desprezo com que o faz a sociedade não esclarecida? Ela não é esclarecida, mas nós somos. Somos?

Alcoólicos Anônimos não pede e não quer o sacrifício de ninguém. Assim, se um dos nossos membros ao colocar certa quantia na sacola souber, de antemão, que com o seu gesto o litro de leite não poderá ser comprado na manhã seguinte, por favor, não coloque aquilo que em verdade significa a subtração de sua saúde e de seus familiares. Alcoólicos Anônimos não deseja comprometer a saúde de quem quer que seja. Por outro lado, envolve incoerência que eu vá à cabeceira de mesa fazer uma declaração de amor ao A.A., justificando-a com o muito com que tenho sido favorecido desde o meu `ingresso", mas não traduzindo em ação tão decantado amor. Provamos a nos mesmos o nosso amor por alguém ou por uma causa quando os nossos atos, voluntários, naturais e até inconscientes são atos de amor, Procuremos manter bem viva em nossa mente que o bem que se faz num dia, é semente de felicidade para o dia seguinte. Por que não semear todos os dias se a colheita é nossa?

O autor conhece alguns companheiros que recordam com profundo pesar o período de suas vidas a que denominam de "fase de infidelidade" a seus grupos. Dispunham de recursos para oferecer maior contribuição na sacola, mas comportavam-se com avareza, obrigando com isso outros a participar com importâncias significativas, compensatórias do seu gesto de sovinice. Mais ainda: ficavam sem ir ao grupo por vários dias e quando reapareciam deixavam de contribuir também pelos dias de ausência, "esquecendo" que o aluguel da sala, a conta da luz e outros gastos não se interrompiam com o seu afastamento. Esses confessos admitem que se constituía numa fraude suas declarações de gratidão a Alcoólicos Anônimos posto que conquanto Deus lhes oferecesse ai mais uma oportunidade de tornar efetivas tais declarações, eles não as materializavam. Envergonhados, graças a Deus, ainda têm diante de si a visão de companheiros desempregados ou beneficiários da Previdência Social contribuindo avidamente, apesar de todas as suas dificuldades. Ao que parece - é o que dizem aqueles que se autodenominam de "infiéis" - os desempregados e os aposentados, bem compreendiam os dois seguintes trechos escritos por Bill no livro "Alcoólicos Anônimos Atinge a Maioridade":

1. "Recusamos o generoso dinheiro de fora e decidimos viver à nossa custa". -
Pág. 257

2. "Em outra reunião, tratou-se do tema dinheiro em A.A. e houve uma discussão salutar. O principio de A.A. de que "não há taxas nem mensalidades obrigatórias" pode ser' interpretado e racionalizado como: "Não existem responsabilidades individuais ou deveres de grupo de forma alguma" e esta idéia errada foi totalmente eliminada nessa reunião. Por `unanimidade, chegou-se a conclusão que, através de contribuições voluntárias, as contas legitimas dos grupos, áreas e A.A., como um todo, precisam ser pagas - Pág. 27.

Logo no primeiro parágrafo da pág. 39 da 5ª edição em português do livro "As Doze Tradições" está escrito: "Alcoólatras auto-suficientes? Onde já se viu isso? No entanto descobrimos que é isso o que devemos ser (inexiste destaque no original)". E prossegue: "O principio é um indicio revelador das profundas modificações ocorridas em todos nós (não há destaque no original)".. E finaliza o parágrafo dizendo: "Uma sociedade composta apenas de alcoólatras dizer que vai pagar todas (o destaque não consta do original) as suas contas constitui, realmente, uma novidade".Ante o transcrito, formulo duas indagações: Ocorreram ou não em todos nós as modificações a que Bill alude? Estamos de fato pagando todas as nossas contas? Lembremo-nos incessantemente que a ingratidão é a amnésia do coração. Se de fato reconhecemos que se Deus não houvesse colocado A.A, em nossas vidas talvez nem vivos estivéssemos, o mínimo que nos cabe é não consentir que jamais se apague em nós o sentimento de gratidão, já que a gratidão é a memória do coração. A maioria de nós crê firmemente que Alcoólicos Anônimos é uma criação de Deus. Não estaremos, muitos de nós, com relação à Sétima Tradição, com freqüência, assumindo uma posição ateísta? Lembremo-nos de que Deus se basta a si mesmo, mas Ele conta conosco para realizar suas tarefas.

Na página 32 do livrete "OS CO-FUNDADORES DE ALCOÓLICOS ANÔNIMOS" encontramos a seguinte mensagem de Bill: "A auto manutenção é o conceito essencial da responsabilidade madura. Esperávamos crescer, em A.A., e nos mantermos independentes. Havíamos assumido esta responsabilidade, estamos dando conta do recado, e recusamos com firmeza quaisquer contribuições externas" (os destaques não aparecem no original). Em face desse pronunciamento de Bill, não seria ocioso aqui fazer-se um inventário:
1. A automanutenção tem sido o nosso conceito essencial da responsabilidade madura?
2. Ternos nos empenhado em nos manter independentes?
3. Estamos dando conta do recado?
4. Temos recusado com firmeza quaisquer contribuições externas?
Atentemos para a expressão `independentes" utilizada por Bill. Como todos sabemos, "independente" significa "que não depende de ninguém ou de nada, que não está sujeito a ninguém ou a nada". Poderíamos, HONESTAMENTE, afirmar que a maioria dos nossos grupos não depende de ninguém e que não está sujeito a ninguém?

Há um registro de Bill nas páginas 39 e 40 no livro "As Doze Tradições" (5ª edição em Português) muito interessante: "Desde logo se patenteou que ao passo que os alcoólatras abriam generosamente as suas bolsas nos casos do Décimo Segundo Passo, sentiam tremenda aversão em pingar seu dinheirinho num chapéu passado numa reunião com a finalidade de atender a algum interesse do grupo".
Uma análise corajosa desse texto nos conduzirá à conclusão do óbvio: O valor que se coloca na sacola não é do conhecimento de ninguém. Entretanto, quando se chega na sala trazendo um provável membro, todos vêem. E aí não importa que se tenha gastado R$ 50,00 de táxi para ir buscar o candidato. O importante é que todos estão vendo. E se não é isto, o que é então? Às vezes é extremamente simples entender o espírito com que Bill diz que "não existe o mais remoto perigo de A.A. ficar rico com as contribuições voluntárias de seus próprios membros!" ("A.A. Atinge a Maioridade P. 101)".

A Sétima Tradição recomenda que não ultrapassemos a fronteira que separa a Reserva Prudente da Imprudente, acumulando fundos sem nenhum propósito determinado em beneficio de A.A., fato que não ocorre em nossos dias, no A.A. do Brasil, cuja realidade exibe inumeráveis carências ditadas, em particular, pela insuficiência de recursos financeiros. Em nosso país, a maioria dos grupos fere frontalmente à Sétima Tradição, não sendo auto-suficientes, posto que aceitam doações de fora sob a forma de salas emprestadas. E o que é pior, procuramos mascarar essa situação de fato - tantas vezes produtora de humilhação - sob o embuste de que pagamos aluguel às igrejas através da contribuição que mensalmente destinamo-lhes. Quanto? R$ 40,00 ou R$ 50,00.

Há um artigo escrito por Bill W. para a Revista Grapevine de novembro de 1947, sob o título "A CONSTITUIÇÃO DE SOCIEDADES: USO E ABUSO", onde consta em determinado trecho que a auto manutenção econômica total deve ser alcançada tão logo seja possível. Depreende-se daí, pois, que o nosso co-fundador até admitia que um grupo pudesse não ser auto-suficiente durante algum tempo. Podemos entender por quê. Quando se inicia um grupo, em regra, os seus "fundadores" são de reduzido número de companheiros, circunstância que dificulta o enfrentamento de todas as despesas decorrentes de sua criação.

Teremos, então, aí, a única concessão feita por Bill. Entretanto, na medida em que o tempo avança, o grupo vai tendo o número de seus componentes multiplicado, condição abortífera da justificativa da violação do princípio da automanutenção. Quando este momento é chegado, não é sensato esforçarmo-nos para "esquecer" que as limitações reais do grupo não são representadas pelas coisas que deseja fazer e não pode, mas pelas coisas que deve fazer e não faz. A Sétima Tradição não nos impõe um dever legal. mas nos impõe o dever moral.

Não constituir-se-á em inutilidade de tempo observar que Bill, em seu artigo, fez uso da expressão "econômica" e não "financeira". Esta, tem seu significado limitado a dinheiro. Aquela engloba, além de dinheiro, bens tais como cadeiras, mesa, armários, quadro negro, giz, etc., etc. Enfim, tudo o que se fizer necessário para que um grupo funcione sem necessitar de ajuda de "fora".

Durante não saudosos anos fomos dependentes de bebidas alcoólicas e de pessoas. Hoje, pela graça de Deus, ganhamos nossa independência do álcool. Por que, sem o mais tênue sinal de ingratidão, não nos tornamos, também, independentes em outras áreas, cada um traduzindo em.ação sua afirmativa de que agora é responsável? Que resposta daremos à nossa consciência quando ela nos questionar se estamos transmitindo, aos que conosco vêm se associar, um efetivo exemplo de pessoas responsáveis? Não há modo de ensinar mais forte do que o exemplo:
Persuade sem retórica; reduz sem porfia; convence sem debate; desata todas as dúvidas e cortam caladamente todas as desculpas. Não estaremos nós comportando-nos com um modelo anteprograma? Afinal, acomodação é prima irmã da inconsequência e não tem qualquer grau de parentesco com a responsabilidade. Responsabilidade em A.A. é fator de unidade. Acomodação é fator de desagregação.

Quando Bill nos diz que "se, como Associação, mantivermo-nos uma entidade espiritual preocupada apenas em levar a nossa mensagem aos alcoólatras que sofrem, sem esperar recompensa ou honorários, poderemos levar a cabo de forma, a mais efetiva, a nossa missão", ele nos concita a não termos outro tipo de preocupação que não seja a de levar a mensagem. Por que, então, sermos ingratos à Irmandade criando a preocupação paralela produzida pela nossa negligência ao participar da sacola - a geradora de recursos para a auto-suficiência dos grupos, para a criação e manutenção de lntergrupais, de Comitês de Área e de Centrais de Serviços? Em termos de auto-suficiência, estaríamos ou não causando alegria a Bill e Bob se ambos ainda estivessem vivos?

Somos uma entidade espiritual e como tal devemos ver o dinheiro como uma dádiva de Deus como meio de suprir as nossas necessidades. Não ficaremos nós, muitas vezes, antagonizando-nos a Deus impedindo-O que nos use como instrumentos para a Sua dádiva?
Há um pensamento que diz que "os grandes corações nunca são felizes. Para sê-lo, falta lhes a felicidade dos outros. De que tamanho será o coração de cada um de nós? Sabemos, todos, que podemos confiar em Deus, mas será que temos assumido um comportamento tal que Deus possa confiar em nós?".





Sacola, algo mais que auto-suficiência > RV. 003


"Todos os Grupos de A. A. deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora" 
Na verdade a 7ª Tradição de A. A. contém muito mais significados do que aqueles que se pode apreender de uma simples e sumária leitura de seu texto. 

Quase todos os membros de um grupo de A. A., depois de algum tempo de freqüência, começam perceber que seu grupo em particular e a Irmandade, de um 
modo mais geral, tornaram-se para ele a coisa mais importante de suas vidas. Assim entendem, porque sabem que tudo, família, trabalho, cultura, lazer, 
dinheiro e o mais que possa existir, para ser usufruído, depende de sua sobriedade. Esta, a sobriedade, por sua vez, depende do grupo de A. A. e da prática do programa sugerido. Uma vez perdida a sobriedade, através da ingestão do primeiro gole, tudo o mais estará também perdido. É dura, porém inexorável, verdade do alcoólatra. 

Partindo dessa premissa o alcoólatra em recuperação sente a necessidade de preservar a vida de seu grupo, como uma célula primaria de um organismo maior 
que é a Irmandade em seu todo. Em seguida, descobre o que lhe informa a 5ª Tradição, ou seja, que "cada grupo é animado de um único propósito primordial – 
o de transmitir sua mensagem ao alcoólatra que ainda sofre". Para isso é necessário que a Irmandade tenha grupos com as portas abertas para recebê-los. 
Mas não apenas isso. Há que oferecer-lhe subsídios para a sua recuperação. Informações para a reformulação de suas vidas, através de ampla e livre troca de 
experiências nos grupos. Literatura de A. A. para ele se esclarecer a respeito do programa. Processos e meios para ele praticar o 12° Passo, isto é, "transmitir a mensagem de A. A. aos alcoólatras". E para que isso tudo possa acontecer são necessários meios materiais. Há que se pagar o aluguel da sala de reuniões, a luz, a água, o cafezinho. Há que se ter literatura disponível para os companheiros e para os que ainda estão fora das salas de reuniões. Há ainda que se contribuir para a estrutura de serviços de A. A., ou seja, para as intergrupais, para as áreas distritais, para o Escritório de Serviços Gerais, para a Junta Nacional de Serviços, para a Conferência, Junta de Custódios, etc. 

Depois de algum tempo o novo companheiro toma conhecimento de tudo isso e ler na 7ª Tradição que o A. A. rejeita qualquer doação de fora. A conclusão torna-se óbvia: tudo depende da contribuição dele e dos companheiros. Tudo depende da arrecadação da sacola dos grupos. Tudo depende das contribuições dos grupos aos escritórios de serviços e destes para os órgãos nacionais de serviços de A. A. 

Fica-lhe nítida na mente a idéia de auto-suficiência da Irmandade. Mas o que haverá mais além...? Qual a natureza ética da contribuição nas sacolas? Será ele 
um óbolo, uma esmola, uma caridade, um ato de filantropia, um pagamento ou uma obrigação? Na verdade, a contribuição de cada membro de A. A. é muito mais do que tudo isso. É, em última análise, a conseqüência natural da maturidade do grupo. 

Com efeito, um grupo amadurecido é caracterizado por uma atitude de conscientização; por uma situação grupal de cooperação entre os membros e por um 
sentido de amortização. 

Assim vejamos. A conscientização nada mais é que o percebimento encarado de modo genérico. É cada um tornar-se cônscio de si mesmo, abrindo cada vez mais brechas na auto-ilusão que caracteriza muito os alcoólicos. É conhecer e gostar de si mesmo. É sentir sua própria importância no grupo. É aprender a ser responsável perante os companheiros. É reconhecer as conseqüências pessoais de suas ações e de suas palavras integrar-se à consciência coletiva do grupo. É vivenciar intensamente a importância do grupo para a própria sobrevivência e para o crescimento psicológico de cada um de seus membros. 

Por sua vez, a cooperação ampla entre os membros de um grupo e dos grupos entre si, constitui-se na fase mais adiantada do processo de maturação grupal. 
Cooperar é produto de uma aprendizagem que se inicia logo que o ingressante chega. É o melhor remédio para o egocentrismo, pois a prática cooperativa vai 
gerando mais amor e inteligência objetiva, o que conduz a uma atitude sócio cêntrica. A primeira cooperação do alcoólatra é fazer-se presente às reuniões. É ouvir os companheiros. É servir de "fundo" para que o companheiro seja "figura". É cooperar prestando serviço ao grupo; limpar e preparar a sala para as reuniões é ato de cooperação; providenciar o café é cooperação; coordenar a reunião é cooperação; atender aos novos que chegam é cooperação; por   
dinheiro   na sacola é cooperação. Enfim, tudo que se faz em prol do coletivo e de cada um em particular é cooperação. 

Finalmente, a amonização é a aprendizagem do verdadeiro amor. Daquele amor que não é apego, que não é posse do objeto amado, que não é exclusivismo, que não pe apenas atividade sexual, que, enfim, não é condicional, porque de nada depende. Esse amor é o supremo ato de liberdade, através do qual conseguimos ver o mundo com os olhos do outro, de sentir o que se passa nele como ele o sente, de entender a realidade como ele a entende, de ser capaz de dar sem esperar 
recompensa. 

Assim, no grupo psicológico e espiritualmente amadurecido, onde seus membros estão bem conscientizados, onde a cooperação e a amonização são uma constante, a contribuição da sacola não pode ser uma esmola, nem, por outro lado, constitui-se em uma obrigação. Ninguém precisa dar nada para frequentar uma reunião ou ser membro de A. A.. A contribuição na sacola enquadra-se bem no conceito ético de um "direito-dever" . "Direito" porque é um privilégio que se 
só se estende aos membros de A. A. e "dever" porque é um puro ato individual de consciência, de participação e doação de si mesmo. Sejamos maduros, e, 
conseqüentemente, generosos na sacola de A. A. 

Vivência n° 3





Depoimento - Nossa Gratidão e a Sétima Tradição de A.A > RV. 094

Lendo nossa Literatura, descobri que havia "um lugar em A.A. onde espiritualidade e dinheiro podiam se misturar: a sacola."
Quero iniciar agradecendo ao Poder Superior, por estar vivo e a Alcoólicos Anônimos por estar sóbrio. Quando conheci Alcoólicos Anônimos era muito jovem ainda e passei alguns longos meses me afastando e voltando para o mundo do alcoolismo. Ao retornar para A.A., de onde nunca deveria ter saído, ouvia muitos companheiros em suas mensagens falarem de seus prejuízos financeiros no mundo do alcoolismo, e me identificava com eles, pois tínhamos passado os mesmos problemas.
Ouvi dizerem que quando bebiam, gastavam o que tinham e o que não tinham, deixando muitas e muitas vezes as rodadas de bebidas fiadas.Comigo não era diferente; em atividade alcoólica, gostava de ser o centro das atenções e dizia que todos eram meus amigos, sem compreender porque me davam a atenção. Entendi depois o porquê: eu pagava tudo e ainda me chamavam pelas costas de otário.
Quando conheci Alcoólicos Anônimos, ouvia os companheiros que relatavam suas derrotas falarem que hoje eram gratos a Alcoólicos Anônimos e que estavam felizes e que até tinham se recuperado financeiramente. Por esses e outros motivos, eram gratos à Irmandade e eu também, até nesse ponto não era diferente dos meus companheiros, era grato a A.A., que devolvera-me aquilo que tinha perdido, tanto como no campo material como no campo espiritual.
Mas, vamos ver essa minha gratidão como era na prática. Sabemos que muitos falam e praticam da boca para fora. Eu não era diferente; falava da boca para fora e não do coração para fora; falava o que ouvia outros falarem sem entender a profundidade da palavra gratidão e não compreendia a máxima importância que é nossa Sétima Tradição; 
só mais tarde lendo nossa literatura, descobri onde é que se mistura espiritual idade e dinheiro em A.A. Via companheiros servidores do Grupo comentarem das dificuldades que esse grupo passava, como por exemplo: compra de literatura, fazer o plano 60, 25, 15, pagar o aluguel de sua sede, mas todos diziam e liam: somos auto-suficientes graças às nossas próprias contribuições...
Eu não era diferente, quando ouvia falar em dinheiro ficava resmungando, criticando; o grupo tendo o cafezinho ou chá, é o suficiente para minha recuperação. Naquele momento, só estava pensando em mim e não nos outros, e ato de egoísmo nada tem a ver com gratidão.
Lembro-me de um companheiro que saía de um bairro para outro distante para abrir seu Grupo, um daqueles servidores que não mediam distância para executar suas tarefas. Ele era RI do grupo, hoje extinto. Eu o criticava só porque ele viajava para a Intergrupal, hoje ESL; dizia que ele estava gastando dinheiro sem precisão; que tudo isso, órgãos de serviços e outros, era besteira; dinheiro que não era meu, porque eu não cooperava na Sétima Tradição, mas dizia que era nosso. E continuava afirmando: - sou grato.
Tudo começou a mudar quando comecei a compartilhar os trabalhos do nosso Grupo base. Como servidor, fui Secretário, Coordenador, Tesoureiro, e como tesoureiro, senti o que meus bons companheiros passaram, sofrendo crítica, quando o assunto era dinheiro, comigo não foi diferente, pior ainda.
Comecei fazendo cobranças que antes criticava; queria comprar isso e aquilo; gastava desordenadamente, foi quando um companheiro notou o que outros não haviam notado: eu era um "Gastador Compulsivo" e com isso aprendi que deveria agir de acordo com a necessidade do grupo.
Depois fui escolhido para ser RSG. Começavam a aumentar as minhas responsabilidades, e agora? Antes não aceitava companheiros que viajavam; não aceitava o Plano 60, 25, 15, Relatórios Anuais, Revista Vivência, Órgãos de Serviços, e agora? Comecei do princípio: lendo as Tradições e o Manual de Serviços. Avaliei a importância daquele encargo que me fora confiado.
Foi quando minha gratidão começou a aflorar, a sair de mim, sair do coração. Com três anos na Irmandade, fui escolhido Secretário do Distrito e comecei a compartilhar com todos juntos: MCD, Tesoureiro, RSGs e descobri a verdadeira "gratidão". Gratidão com o grupo, com o Distrito e com nossa Irmandade como um todo. Senti de perto o que os outros companheiros servidores passaram; vi a dificuldade que o MCD tem para convencer os Grupos a fazer o plano, adquirir o Relatório Anual, a Revista Vivência; a dificuldade que o nosso tesoureiro tem em manter uma pequena reserva prudentemente.
Tudo isso, antes eu não aceitava, pelo contrário: resmungava. Hoje, caros companheiros leitores da Vivência, estou experimentando pela primeira vez a verdadeira "gratidão".
Experimentem vocês, também; compartilhem como compartilhei e, sejam felizes como estou sendo. Hoje nós, do Distrito, estamos gratificados com os trabalhos que estamos desenvolvendo. A maioria dos grupos assinou a Revista Vivência e mais da metade adquiriu o Relatório Anual.
Todos contribuem com o Plano 60, 25 e 15, abrimos nossa Caixa Postal, o MCD está fazendo seu trabalho junto aos nossos Órgãos de Serviços.
Quero com essa minha experiência mostrar que devemos ser gratos à nossa Irmandade, aos nossos Grupos, ao Distrito, aos Escritórios, à JUNAAB e à Conferência, pois todos dependem de nós e mais ainda: aqueles que estão para chegar.
Quantos de nós, quando bebíamos pagávamos rodadas e mais rodadas de bebidas para os outros?
Pois bem, se cada um de nós colocar na sacola a quantia equivalente ao preço de uma cerveja, ou outra bebida barata, já é um grande passo que estamos dando.
Essa experiência aprendi, passei para meus companheiros do nosso Grupo base, e conseguimos tirar o Grupo de uma escola pública. Hoje pagamos nosso próprio aluguel, contribuímos com os Órgãos de Serviços e  estamos conduzindo bem os trabalhos da Irmandade como um todo.
Sou feliz e grato a todos os meus companheiros e a Alcoólicos Anônimos.


Vivência n° 94 - Mar/Abr.2005





DEPOIMENTO >>>Minha contribuição para a autossustentação financeira do grupo


O mesmo livreto apadrinha sobre a autossustentação financeira do Grupo, da seguinte forma:

Autossuficiência: A Sétima Tradição


Não existem taxas nem mensalidades para a filiação a A.A., mas temos nossas despesas. Respeitante à Sétima Tradição, os Grupos podem “passar a sacola” para cobrir despesas como aluguéis, águas e cafés, literatura aprovada pela Conferência de A.A., folhetos e relações de Grupos e as contribuições para os serviços prestados pelos ESL’s, Comitês de Distrito e de Área e ao ESG. Os membros de A.A. podem contribuir com a quantia que desejarem, até o máximo equivalente três mil dólares por ano. (o “máximo” anual está atualizado pelas informações do A.A. World Services).


Outra literatura da Irmandade que me apadrinhou na conscientização de minha responsabilidade de fazer, habitualmente, contribuições financeiras para a autossustentação da Irmandade, a começar pelo meu Grupo Base, foi o folheto “Autossuficiência pelas nossas próprias contribuições”, que aborda o porquê e o como fazer isso.


No porquê encontramos: “De acordo com a Sétima Tradição, todos os grupos de A.A. deverão ser absolutamente autossuficientes, rejeitando quaisquer doações de fora...” e “em A.A, cada grupo é realmente parte de uma estrutura mais ampla, que procura levar sua mensagem aos que ainda sofrem de alcoolismo e não sabem haver uma saída”.


Todas essas partes, em cada nível da Estrutura de Serviços, são formadas e expressam a consciência coletiva de seus membros, individualmente. Para serem “absolutamente autossuficientes”, requerem compromisso da parte de cada membro para sustentar através de seu grupo de origem os serviços fornecidos pelo ESL, pela Área ou pelo ESG, para que esses órgãos de serviços possam continuar levando a mensagem de A.A. para além dos grupos.


No como, diz que: “Para manter os serviços essenciais de Alcoólicos Anônimos”, o Manual de Serviço de A.A. orienta que os grupos adotem um plano específico de contribuições, o plano 60-25-15. Convêm dizer que pela falta das contribuições suficientes dos grupos, para manter os serviços essenciais de A.A., esse plano tem sofrido interpretações as mais diversas, que não condizem com o seu real sentido, ou seja, primeiramente, o grupo tem de atender às suas despesas básicas: aluguel, água, luz, café, literatura, etc., e manter uma reserva prudente para garantir esses compromissos. Participa também das despesas do Distrito. Feito isso, o saldo das conscientes contribuições financeiras de todos os membros do grupo é repassado para o ESL que retém 60% das contribuições de todos os grupos que compõem o seu Conselho de Representantes e repassa 25% para o Comitê de Área a fim de custear suas despesas operacionais e 15% para o ESG como suporte para as operações do serviço a nível Nacional.


Nos meus primeiros tempos de programação eu não contribuía pois pensava que outros o faziam de forma satisfatória e também porque estava “quebrado” e atolado em dívidas. Porém, a medida que minha sobriedade foi consolidando e minha vida voltando à normalidade, consegui retornar ao mercado de trabalho, e assim, passei a me sustentar e a minha família. Comecei, então, a contribuir regularmente para o A.A. Mas essa contribuição que eu fazia não tinha o sentido de compromisso, nem era a minha parte consciente na autossustentação financeira mensal do meu Grupo-Base, era algo próximo a uma esmola que eu destinava ao grupo. Não me fazia falta e com certeza pouco representava em ajuda ao grupo para cumprir com suas responsabilidades como parte que é de uma estrutura maior, algo que tem por objetivo transmitir a mensagem de A.A. e ajudar outros alcoólicos a se recuperarem do alcoolismo: a Estrutura Mundial de Serviços de A.A.


A medida que fui participando das ações do Terceiro Legado fui percebendo a importância desse mecanismo espiritual da autossustentação financeira da Irmandade, pelas nossas próprias contribuições e o porque não devemos aceitar doações de fora.


Houve um momento em que pensei que esta de não aceitar doações de fora era apenas a vaidade de quem quer ser melhor que o outro ou motivado por orgulho que insiste em não aceitar a ajuda financeira de quem possa e queira ajudar.


Foi no meio dessa confusão de pensamentos, que o meu Poder Superior me concedeu a Graça de chegar ao Décimo Primeiro Passo e melhorar a qualidade de minha sobriedade. Foi no Passo Onze que  questionando a Oração de São Francisco, inclusive quanto a forma como ali é apresentada, que encontrei não só a explicação para meus questionamentos sobre aquela Oração, como despertei para a verdadeira proposta do Programa de Recuperação de A.A., para a minha realidade enquanto necessitado e em primeira mão deste Programa. Passei a entender mais claramente, essa tão profunda mensagem de esvaziamento do ego, contida na Oração de São Francisco e nos Doze Passos.


Foi no apadrinhamento do livro Doze Passos e Doze Tradições que o Poder Superior me concedeu o despertar espiritual para uma melhor compreensão de mim mesmo, como integrante e integrado à Irmandade de A.A. O texto é o seguinte: “Quem sabe o verdadeiro problema fosse o de nossa quase total incapacidade para dirigir a imaginação no rumo dos objetivos certos. Não há mal na imaginação construtiva, todo o empreendimento bem fundado depende dela. Afinal de contas ninguém pode construir uma casa sem antes arquitetar um plano. Bem, a meditação também é assim, ela nos ajuda a ter uma noção de nosso objetivo espiritual antes que tentemos nos encaminhar em sua direção. Isto posto, voltemos àquela praia ensolarada, ou talvez, à planície ou às montanhas”.


Quando por métodos simples como esse, tivermos entrado num estado de espírito que nos permita a concentração na imaginação construtiva, sem interrupção, poderemos proceder assim: relemos a nossa oração, tentamos novamente compreendê-la na profundidade de sua essência e pensamos no homem que foi o primeiro a proferi-la. Primeiro, ele quis tornar-se um “instrumento de paz”. Então ele pediu a graça de levar amor, perdão, harmonia, verdade, fé, esperança, luz e alegria a todos quantos pudesse. Depois veio a expressão de uma aspiração e de uma esperança para ele próprio. Ele esperava que se Deus quisesse, lhe fosse permitido ser capaz de encontrar alguns desses tesouros também. Isso ele tentaria realizar através do que chamou dar de si mesmo. “O que ele quis dizer com “é dando que se recebe” e como se propôs a consegui-lo”?


Depois do que assimilei dessa mensagem, firmei um compromisso, dentre outros, de assumir a minha parte na autossustentação financeira de minha Irmandade através de meu Grupo-Base.


Estou sempre procurando encontrar juntamente com os demais membros do grupo, uma orientação melhor para consciência de nosso Grupo-Base.


De que maneira?


Através de reuniões de estudo da literatura e de temáticas. É assim que procuro repassar, da forma mais natural possível, o despertar espiritual que me mostrou, claramente, a relação estreita do Décimo Primeiro Passo com a Sétima Tradição ou, melhor, a necessidade de um compromisso individual com a autossustentação financeira de Alcoólicos Anônimos como um todo, através da autossustentação financeira do meu Grupo-Base.


Como faço isso?


A partir da informação do tesoureiro do grupo no quadro sobre a despesa mensal.


O meu Grupo-Base tem uma frequência média de dez membros, faço a divisão do valor total da despesa do Grupo, exposta no quadro, por dez, e assumo o compromisso de contribuir financeiramente com uma dessas partes. Até o mês passado o meu compromisso de contribuição financeira para o meu Grupo-Base era de no mínimo de R$ 50,00, feita sempre através da Sacola da Sétima Tradição nas reuniões que compareço. Em cada reunião, um pouco. O grupo tem três reuniões de recuperação por semana. Doze ao mês, ao menos uma de serviço, uma temática e uma californiana às quais compareço ao menos em 40% delas.


Como sou um profissional liberal, às vezes, ganho um pouco mais e também contribuo um pouco mais com o grupo, sempre anonimamente, na sacola.


Talvez isso não seja o melhor apadrinhamento, pois pode servir de incentivo àqueles que destinam esmolas ao grupo em vez de contribuições, como eu inicialmente  e dessa forma, fazê-los continuar sem o compromisso individual para a autossustentação do grupo, retardando seu despertar espiritual e sua participação no salutar e verdadeiro sentido do  princípio do “é dando que se recebe.”


Serenas vinte e quatro horas! 






Contribuir: obrigação ou privilégio ?

Quando  chegamos  em  Alcoólicos  Anônimos recebemos importantes sugestões  e   informações  que   nos  têm  sido   úteis  em  nossa  vida  na sobriedade e no conviver dentro da Irmandade, resultado de experiência que   montaram   mais   de   50  anos.  Algumas   delas,  porém,  desde  os primeiros  anos  de  A.A.,  vêm  sendo  mal  entendidas, distorcidas e, por isso,   mal  transmitidas   aos   novatos  que,   por  sua   vez,  as  repassam também destorcidas.
    Uma    delas,    o    espírito    da   auto-suficiência    recomendado   pela 7ª Tradição, é o tema deste trabalho.
   Afinal,   nossa   auto-suficiência   representa   uma   obrigação   ou   um privilégio  para  o  membro  de  Alcoólicos Anônimos?
   Deixemos  a  conclusão  para  mais  adiante.  Procuremos rememorar oque  temos  visto  sobre  a  matéria  desde  o  nosso ingresso até o dia de hoje. 
   Por  estarmos  presentes  à  Conferência  é  de  se  esperar   que   nossa  vivência  em  A.A. tenha algo em comum: aceitamos os Passos sugeridos para    nossa   recuperação;    através    das    Tradições    valorizamos    a importância  da  Unidade e, mantendo nossa mente aberta, aceitamos a responsabilidade   do  Serviço,  o  que  nos  trouxe  à  Conferência.  
    Com relação  ao  nosso  tema,  lembramos que o que ouvimos há tantos anos atrás,  quando  de  nossa  chegada  em  A.A., é  o que se diz até hoje aos recém-vindos. 
    Em A.A. não se pagam taxas nem mensalidades.
    Na ânsia de  conquistar  o  novato, quase sempre a informação para por aí, o que e constitui em meia verdade,  às vezes tão perigosa  quanto  a inverdade.         
    Quando a informação vai  adiante, fala-se que somos autossuficientes graças às  nossas  próprias contribuições e, para não espantar o novato, apressamo-nos  a  dizer  que  essas  contribuições  nós  as colocamos na sacola  somente  para  ajudar  a  pagar  a  sala,  o  cafezinho e pequenas despesas do  Grupo,  mas  só contribuímos  se pudermos, se quisermos, ou  com  o  quanto  desejarmos,  pois  não  há  obrigação  nenhuma  por parte do membro de  A.A. Isto, é o que  se planta na mente do novato e o que  ele  nega-se  a alterar  quando  vai passando o tempo e repudia a ideia  de  que  essa  não  é  a  verdade  sobre  dinheiro  em A.A., quando passa a considerar-se veterano.
   O que temos visto ser feito para alterar este quadro ao tempo em que estamos em A.A.?
   No  nosso  entender,  todas  as  campanhas  havidas  e  que  tomamos conhecimento  tentaram  as  soluções  pelo  lado  errado:  as tentativas basearam-se sempre em conseguir a adesão dos membros mais antigos que   já  tinham  recebido  a  informação  capenga  e,  como  vimos,  não apresentam  a  mínima  intenção  de  aceitar  o  verdadeiro  alcance  da importância  da  nossa  contribuição  para  pagarmos  nossas  contas   e financiarmos  a  execução  do  nosso  propósito primordial: transmitir a mensagem ao alcoólatra que ainda sofre.
   Rememoramos  algumas   dessas   campanhas,  além  dos  numerosos artigos  saídos  no  BOB,  na  Revista  Vivência  e  em  circulares  do ESG, sempre visando exatamente o terreno infértil dos que se negam a mudar suas posições:  a campanha  dos carnês e a campanha do sorteio de um automóvel. Segundo sabemos,  não  houve prejuízos nem em uma nem na outra, mas ficamos muitíssimo longe das metas e das possibilidades que existiam  à época em que as mesmas foram encetadas.
   Nas diversas campanhas já havidas, os companheiros que as minaram vinham   com  argumentações  as  mais  diversas.  Eis  algumas:  A.A.  só precisa  do dinheiro  necessário   para   as  pequenas  despesas  com   o funcionamento  do   Grupo,   diziam   os  que  temiam  e  temem  que  o
dinheiro possa nos fazer mal.
   Outros  sugeriam  que  o  dinheiro  necessário  para a manutenção  de nossos Órgãos de Serviço e para a efetivação dos trabalhos relativos ao propósito primordial  da  Irmandade  fosse  conseguido  com o lucro da venda da nossa literatura.
   Esta   argumentação   peca  pela  base,  pois  ela  fere  frontalmente  a própria Sétima Tradição.
   Segundo  estudos  feitos  pelo  Escritório  de Serviços gerais, em Nova York, cerca de 45% das vendas da literatura ditada com a aprovação da Conferência  de Serviços  Gerais  são  efetuadas  a pessoas e entidades não A.A.
   Ora,  por  esses  dados,  o lucro obtido com a venda dessa literatura a pessoas  e entidades  estranhas  à  nossa Irmandade é dinheiro de fora. Ademais,  o  objetivo  principal  da  literatura não é conseguir benefício econômico,  e  simo  de  levar a mensagem de A.A. O ideal, muito pelo contrário,  seria  o  aumento  da receita via contribuições espontâneas que   possibilitassem   a   própria   diminuição   do  preço  de  venda  da literatura.
   Qual seria, então, o caminho a seguir, se todas as tentativas até aqui falharam?  Acreditamos   que,   em   primeiro   lugar,  precisamos  tirar proveito de nossas falhas experiências  do passado:  campanhas  junto aos mais antigos estão fadadas ao fracasso ou sofrerão repulsa.
   Voltemo-nos,   então,   para   os   novos,   os   que   estão   chegando.
   Comecemos   uma   campanha   longa,  mas firme, que  não  renderá grandes frutos, a curto prazo, mas que, arando em terreno fértil para receber uma semente que   germine   o   novato   a   médio   prazo, obteremos   solidez   financeira  para  que  possamos  atender  nossas despesas grupais, de nossas Áreas e do A.A. como um todo.
   E o  que  dizer  daquele temor estremado com o medo do mal que o dinheiro  em  demasia   poderá nos fazer? Ora, como as contribuições são  espontâneas,  os próprios  contribuintes poderão regular o fluxo do dinheiro.
   Bons  planos  de  trabalho  no  espírito da 5ª Tradição apresentados pelos Órgãos de Serviço implicarão injeção de dinheiro.  Se, por outro lado,  nossas  Centrais de Serviços,  nossas  Áreas  ou  qualquer  outro setor   de  nossa  Estrutura  não  estiverem  atingindo  sua  finalidade, estancar-se-á   a   contribuição  financeira.   Precisamos,   isto    sim, estarmos  atentos  para a  escolha de nossos servidores de confiança, para  que  trabalhem  com correção e  transparência, permitindo que cada contribuinte tenha uma ideia exata do que está sendo feito como dinheiro arrecadado.
   O  livrete  "A  Tradição de A.A. - Como se desenvolveu",  escrito  por nosso co-fundador Bill W., em 1955, já indicava conclusões a respeito do dinheiro em A.A.:
   a)  que  o  uso  do  dinheiro  em  A.A.  é  um  assunto  da  mais  séria importância. Onde seu uso termina e seu mau uso começa  é o ponto que deveríamos cuidadosamente considerar;
   b) que A.A,  já se comprometeu ao uso moderado do dinheiro, pois não  poderíamos  pensar  em  abolir  nossos  escritórios  e   locais  de reuniões só para evitar completamente as finanças;
   c) que   o   nosso   verdadeiro  problema  consiste  em  fixar  limites inteligentes   e   tradicionais   acerca   do   uso   do   dinheiro,    assim conservando sua tendência distribuidora a um mínimo; e
   d) que  as  contribuições  voluntárias  ou  compromisso (para nós o plano 60-25-15)   deveriam   ser  nosso  principal  e,  eventualmente, único  sustento;   que esse  tipo  de  autossuficiência  há  de sempre prevenir nossos Escritórios  de Serviços e Setores da nossa estrutura de  saírem  do  controle  de  A.A.,  pelo fato de seus fundos poderem ser prontamente cortados quando deixarem de nos servir bem.
   Se  falharmos  em  mais  essa  tentativa,  poderemos  prejudicar os serviços de A.A.
   Sem   nossos   serviços,   sem    dúvida,  perderíamos   a   maior oportunidade  que  teriam  milhares  de  alcoólatras  que  ainda  não sabem a respeito de A.A.
 
 
 
                                           Alfredo III Porto Alegre/RS
                                    InformAApar/novembro/2004
 
 
 Vivência nº 94 - Março/Abril 2005