DP - Um caminho traiçoeiro

Sou um alcoólico em recuperação; não bebi hoje e por isso considero-me uma pessoa feliz.

Comecei a minha carreira no alcoolismo cedo, por volta dos 14 anos e prossegui até os 25 anos de idade. No começo beber era uma maravilha, era como se eu tivesse encontrado o elixir da vida e da felicidade. Logo eu, que sempre criticava o alcoolismo de meu pai, estava enveredando pelo mesmo caminho traiçoeiro.

Recordo-me da infância dos homens e mulheres de minha rua que enlouqueceram, morreram e caíram na sarjeta consumido pelas garras do álcool, mas, em minhas todas considerações jamais imaginei que um dia me veria cercado, sufocado e destruído pela força devastadora do álcool. Abandonei os estudos o emprego e mergulhei com todo impulso no fascinante mundo do alcoolismo. Conheci inúmeras pessoas, com as quais me juntei para dar avanço em minha louca caminhada. Entrei num abismo escuro e minha vida se tornou um verdadeiro inferno, consumido por sucessivas crises de depressão achei que a vida não valia nada. Tentei dar fim ao sopro de vida da minha existência, mas graças a um Poder Superior a mim mesmo, minhas tentativas foram sempre frustradas. Perdido na decadência moral, arrasado por frustrações tentei me internar em uma casa de recuperação, mas não deu certo pois de maneira alguma queria abandonar o álcool. Minha existência se tornara um verdadeiro fracasso e na continuidade do  processo destrutivo do álcool, minhas crises de delirium tremens se agravaram; estava enlouquecendo; ficava nervoso e agressivo. Fui internado várias vezes, e vocês imaginam como um alcoólico é tratado, pois foram essas as palavras da enfermeira: - "com tanta gente morrendo precisando de socorro você está aqui novamente por causa da bebida"! Com razão, pois eu me tornara um freqüentador assíduo do pronto socorro em busca de glicose para aliviar minhas ressacas. E das surpresas que a vida traz, conheci um alcoólico de fim de carreira, tão perdido quanto eu e nos tornamos grandes companheiros de copo; ele sempre falava em abandonar a bebida; procurou tratamento, se internou, e quando voltou com intuito de me ajudar ligou para Alcoólicos Anônimos. Relutei em ir ao grupo e como não havia nada a perder ingressei nessa fascinante Irmandade que é A.A. Venho hoje trabalhando os Doze Passos em minha vida um dia de cada vez,  agradeço a todos que tornam A.A. uma realidade possível.

(Vivência nº 112 - Mar/Abr/2008)