DP - Uma mente aberta

Tive um desses raros momentos de iluminação interior em um domingo à tarde, quando estava tentando ler o jornal. Estava com uma terrível ressaca, decorrente de uma semana de bebedeira diuturna. Subitamente, as palavras em uma página do jornal me atingiram: "O número de vezes que você perde ou ganha não é importante. A única coisa que importa é o número de vezes que você tenta". Durante muitos anos, tentara conseguir que outras pessoas solucionassem meus problemas, mas não percebera o que estava fazendo até aquele momento de compreensão. "... Que você tenta". Fiquei exultante. Agora eu sabia que era um alcoólico e que preenchia o único requisito para ser membro de A.A.: o desejo de parar de beber. Parecia-me poder ver uma parede desmoronando na minha frente - uma parede que havia me separado das outras pessoas. Nunca soubera que essa parede existia até que a vi desmoronando. Apesar de ter sido considerado amigável e sociável, eu percebia agora que nunca tivera uma amizade verdadeira com ninguém. Não fiquei infeliz com essa revelação porque, agora que minha atitude era diferente, podia me lembrar das coisas que as pessoas haviam dito nas reuniões de A.A. que assistira em períodos irregulares durante três anos e, pela primeira vez na minha vida, essas coisas tinham pleno significado. Lembrei-me principalmente das palavras "mantenha a mente aberta" e consegui entendê-las. Antes desse dom de percepção, não soubera que minha mente estava fechada. Agora sabia - porque ela fora aberta. Podia agora pedir e receber ajuda e esperava que algum dia tivesse alguma coisa para dar. Sinto-me livre, iluminado e bom. Não bloquearei mais o amor lá fora, se mantiver a mente aberta. Na noite seguinte, fui a uma reunião de A.A. com a mente aberta e o desejo de estar sóbrio - os dois maiores dons da vida para mim. Tornei-me parte desse miraculoso fluxo de vida conhecido como Irmandade de A.A. Amigos verdadeiros, sempre disponíveis a ajudar, aliviam as tensões da minha vida cotidiana comigo mesmo. Eles me ajudam, nem sempre com tapinhas nas costas, mas às vezes com uma advertência (como "vá com calma"), e sempre com uma atitude de partilha (nunca "você tem que fazer isso", mas sim "eu faria o seguinte..."). Muitas percepções espirituais me vieram através de A.A., desde aquele raro e belo momento numa tarde de domingo, mas aquela foi a bênção que tornou tudo possível. A cada dia em que tento pôr em pratica o desejo de me manter sóbrio e me lembro de manter a mente aberta, o amor e a ajuda fluem em direção a mim. Essa generosidade será ilimitada em A.A., se tivermos a sorte de ter esse desejo. Após muitos anos, aquele momento ainda continua vital - o mais vital da minha vida - e seu efeito é ampliar-se para incluir as pessoas tanto dentro quanto fora de A.A., no meu mundo de ajuda. Não tenho nada a ver com o fato desse dom ter vindo a mim; assim, minha gratidão foge a qualquer descrição. Esse dom não me converteu novamente na pessoa que eu era antes de beber, em meus dias de Escola Dominical ativa. Ele me deu uma nova vida - minto! Deu-me a própria vida, porque eu já tentara o suicídio e estivera internado em hospitais psiquiátricos particulares e estaduais. O que aconteceu deve ter sido espiritual; tenho certeza, não foi nem intelectual nem físico. Acredito que tenha sido Deus, na forma em que eu O concebo, trabalhando através do amor e da compreensão existentes em A.A. Que eu possa manter a mente sempre aberta. A alegria que pode advir de uma mente aberta é ilimitada.
Nova

VIEMOS A ACREDITAR 5/9