Viver Sóbrio__"Ser agradecido"

"Ser agradecido"  2
Os exemplos que seguem podem não servir exatamente ao seu caso; porém, mesmo que as palavras sejam novas, talvez seu ânimo o faça reconhecer o tom emocional que os acompanha. Alguns são intencionalmente exagerados, a fim de tornar o assunto indiscutivelmente claro. Outros podem, à primeira vista, parecer triviais. Muitos de nós verificamos, todavia, que pequeninas mudanças fáceis são um bom ponto de partida para uma grande e sólida recuperação.

Quando nossa caçula cai, bate a cabeça e apronta um berreiro, é bastante fácil verificar se ela está ferida gravemente ou somente assustada. Depois, podemos escolher: ou gritarmos histericamente porque a criança se feriu ou se assustou e lamentar sobre o que poderia ter acontecido ou, então, permanecermos calmos, consolar a criança e agradecer por nada ter acontecido.

Quando nossa avozinha de 90 anos, há muito doente e infeliz, vem finalmente a falecer, novamente temos de escolher. Podemos insistir em que a unia coisa a fazer é encher-nos de desgosto e mágoa pelo desenlace ou revolver-nos de culpa – e, possivelmente, beber em ambos os casos. Ou podemos, além de lamentar o ocorrido, lembrar que ela realmente teve uma vida longa, quase sempre boa e feliz; que nós tentamos ser bons para ela e assegurar-lhe o nosso afeto permanente; e que seu sofrimento e infelicidade terminam agora. É duvidoso que ela gostasse de que usássemos sua morte como desculpa para embriagar-nos e pôr em perigo a nossa saúde.

Quando, por fim, conseguimos visitar um lugar com que há muito sonhamos, podemos fixar-nos nos inconvenientes de nossas acomodações e do tempo, nos belos dias que já se foram ou no fato de termos apenas alguns dias ou semanas para aproveitar; ou podemos agradecer por termos finalmente conseguido visitar aquele local e continuar enumerando, mentalmente, as alegrias que podemos encontrar, se as procurarmos.

Seria bom precaver-se contra nossa tendência de dizer: “Sim, mas...” em resposta a uma afirmação otimista, lisonjeira ou positiva. A boa sorte de um amigo, sua aparência jovem ou a participação de uma celebridade em prol de uma obra social podem tentar-nos a dizer de mau-humor: “Sim, mas...” Ora, este modo de pensar é bom para alguém, inclusive nós mesmos? Não podemos deixar que algo de bom realmente aconteça? Não podemos ficar satisfeitos com o fato sem tentar diminuir sua importância?

Os que tentam parar de fumar compreendem que duas possibilidades lhes são abertas: continuar lamentando sobre a dificuldade de conseguir: “Desta vez, dá certo, também”. “Olha, que praga, acabo de acender outro!”; ou desfrutar de uma profunda aspiração livre da fumaça do cigarro, quando pensamos nele, alegrando-nos de já termos passado uma hora sem uma tragada e, mesmo, quando inconscientemente acendemos um cigarro, alegrando-nos de joga-lo fora sem o fumar até o toco.

Se um de nós ganha só R$ 10.000,00 numa loteria cujo prêmio maior é de R$ 100.000,00 o certo é ir, tranqüilamente, receber o prêmio e não mostrar amargura por ter perdido a sorte grande.
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Continuamente, encontramos oportunidade de fazer escolhas consideradas semelhantes, e nossa experiência nos convence de que o sentimento de gratidão é muito mais salutar e torna mais fácil permanecer sóbrio. Será uma surpresa agradável descobrir que não é difícil cultivar o hábito da gratidão se nos esforçarmos um pouco.