Viver Sóbrio__"Entrar em atividade"

6__1-3__ENTRAR EM ATIVIDADE

É muito difícil sentar-se imóvel, tentando não fazer determinada coisa ou mesmo não pensar nela. É muito mais fácil entrar em ação e fazer algo diferente daquilo que estamos tentando evitar.

O mesmo acontece com a bebida. Tentar simplesmente evitar um gole (ou não pensar nele) parece não ser, por si só, o bastante. Quanto mais pensamos no gole de que nos queremos livrar, mais ele ocupa nossa mente, é claro. E isso não é bom. É melhor ocupar-se com alguma coisa, qualquer atividade que empregue a nossa mente e canalize a nossa energia para a saúde.

Milhares de nós nos perguntávamos o que faríamos se parássemos de beber, dispondo de todo aquele tempo. Realmente quando de fato paramos, todas aquelas horas que passávamos planejando, conseguindo a bebida, bebendo e nos recuperando de seus efeitos imediatos transformaram-se, de repente, em enormes espaços de tempo que, de algum modo, precisavam ser preenchidos.

A maioria de nós tinha trabalho a fazer. Mas, mesmo assim, lá estavam aqueles minutos ou horas olhando fixamente para nós. Precisávamos de novos hábitos para encher aqueles vazios e utilizar a energia nervosa anteriormente absorvida por nossa preocupação ou pela nossa obsessão pela bebida.

Toda pessoa que já tentou interromper um hábito sabe que se empenhar em nova e diferente atividade é muito mais fácil do que simplesmente interromper a antiga, sem nada colocar em seu lugar.

Os alcoólicos recuperados freqüentemente dizem “Só parar de beber não é o bastante”. Não beber, simplesmente, é algo negativo, estéril. Isso está bem comprovado por nossa experiência. Para ficarmos parados, sem beber, vimos que precisamos colocar no lugar da bebida um programa positivo de ação: Tivemos de aprender a viver sóbrios.

O medo pode ter sido o fator que, a princípio, nos levou a refletir sobre a possibilidade de termos um problema com o álcool. E por pouco tempo apenas o puro medo pôde ajudar-nos a evitar um gole. Mas este estado de espírito não oferece o contentamento nem a tranqüilidade necessária. Por isso, tentamos cultivar um respeito sadio pelo poder do álcool, no lugar do medo, do mesmo modo que se considera o poder do cianureto ou de qualquer outro veneno. Sem andar constantemente temerosos destes venenos, a maioria das pessoas os respeita pelo que podem causar ao organismo e são bastante sensatas para não tomá-los. Nós do A.A., agora, conhecemos também o álcool e lhe dispensamos a mesma consideração. 

Mas é claro, ela é baseada na própria experiência e não causada pela visão de uma caveira com ossos cruzados num rótulo.

Não podemos confiar no medo para atravessar essas horas vazias sem sorver um gole, o que podemos fazer então?

Achamos úteis e proveitosas muitas espécies de atividade, algumas mais do que outras. Aqui estão dois tipos, em ordem de eficácia, de acordo com a nossa experiência:


A. ATIVIDADE NO A.A. OU RELACIONADA COM ELE. 

Quando membros experientes do A.A. dizem ter achado o “tornar-se ativo” proveitoso à sua recuperação do alcoolismo, em geral estão referindo-se à atividade relacionada com A.A.

Se você quiser, poderá fazer o mesmo, ainda antes de decidir se deseja ou não se tornar um membro do A.A. Não precisa de permissão nem de convite de ninguém.

Na realidade, antes de tomar qualquer decisão sobre o problema da bebida, seria bom acercar-se do A.A. por algum tempo. Não se preocupe!! Apenas sente e observe. A freqüência às reuniões não o torna um alcoólico e nem um membro da irmandade, do mesmo modo que se sentar num galinheiro não o transforma numa galinha. Você pode tentar uma “prova de garantia”, uma espécie de “ensaio geral”, antes de se decidir a participar.

As atividades que freqüentemente usamos em nosso começo no A.A. podem parecer bastante insignificantes, mas os resultados comprovam o seu valor. Poderíamos chamá-las de “quebra-gelos” porque ajudam a sentir-nos à vontade em companhia de pessoas que não conhecemos.

Quando a maioria de reuniões de A.A. termina, geralmente se nota que alguns dos presentes começam a arrumar as cadeiras, esvaziar cinzeiros ou a retirar a louça do café.

Ajude. Você poderá surpreender-se com o efeito que tarefas aparentemente tão pequenas exercerão sobre você. Você pode lavar as xícaras e o bule, arrumar os livros, varrer a sala.

Ajudar nestas mínimas coisas não significa que você se torna o porteiro ou o zelador do grupo. Nada disso. Por termos feito isso durante aos e ver outros fazê-lo, sabemos que praticamente toda pessoa em recuperação no A.A. tomou parte nos detalhes do preparo do café, da arrumação ou da limpeza da sala. Os resultados que experimentamos por ter feito esses serviços são concretos, benéficos e geralmente surpreendentes.

Na verdade, muitos de nós só sentimos à vontade no A.A. quando começamos a ajudar em coisas tão simples. E ficamos muito mais à vontade e mais longe da bebida (e mesmo do pensamento dela) ao aceitarmos alguma responsabilidade pequena, mas regular e específica, como trazer o refresco ou o refrigerante, ajudar a servi-lo, tomar parte no comitê de recepção ou fazer outras coisas que precisavam ser feitas. Simplesmente observando os outros, você aprenderá que é necessário arrumar tudo para a reunião e colocar depois tudo em ordem.

Ninguém deve se preocupar com tais coisas é claro. No A.A. não se exige que ninguém faça ou deixe de fazer coisa alguma. Mas essas tarefas simples e humildes e o compromisso (só conosco mesmos) de realizá-las fielmente exerceram efeitos surpreendentemente bons em muitos de nós que ainda o fazem. Ajudam a reforçar a nossa sobriedade.

Se continuar junto do A.A. notará outros serviços que precisam ser feitos. Ouvirá o secretário dar os avisos e verá o tesoureiro encarregar-se da sacola de coleta. Servir numa dessas funções, se já tiver algum tempo de abstenção (cerca de 90 dias, na maioria dos grupos), é uma boa forma de preencher o tempo que se gastava bebendo.

Quando tais funções lhe interessarem, folheie um exemplar do livreto “O Grupo de A.A.”. Ele explica o que os “servidores” do grupo fazem e como são escolhidos.

No A.A. ninguém está “acima” ou “abaixo” de ninguém. Não há classes, nem camadas e nem hierarquias entre os membros. Não há servidores formais com qualquer poder ou autoridade para governar. O A.A. não é uma organização no sentido usual da palavra. É uma irmandade de pessoas iguais. Todos se tratam pelo primeiro nome. Os membros de A.A. se revezam para realizar as tarefas necessárias às reuniões do grupo ou para executar outras funções.

Não é preciso ter habilidade profissional específica e nem educação especial. Mesmo que você nunca tenha sido membro, coordenador ou secretário de coisa alguma, pode descobrir – como muitos de nós descobrimos – que dentro do Grupo de A.A. esses serviços são fáceis de prestar e operam maravilhas em nós. Eles se constituem um suporte firme para nossa recuperação.


ENTRAR EM ATIVIDADE__06__" 2 DE 3
A. ATIVIDADE NO A.A. OU RELACIONADA COM ELE. Quando membros experientes do A.A. dizem ter achado o “tornar-se ativo” proveitoso à sua recuperação do alcoolismo, em geral estão referindo-se à atividade relacionada com A.A.

Se você quiser, poderá fazer o mesmo, ainda antes de decidir se deseja ou não se tornar um membro do A.A. Não precisa de permissão nem de convite de ninguém.

Na realidade, antes de tomar qualquer decisão sobre o problema da bebida, seria bom acercar-se do A.A. por algum tempo. Não se preocupe!! Apenas sente e observe. A freqüência às reuniões não o torna um alcoólico e nem um membro da irmandade, do mesmo modo que se sentar num galinheiro não o transforma numa galinha. Você pode tentar uma “prova de garantia”, uma espécie de “ensaio geral”, antes de se decidir a participar.

As atividades que freqüentemente usamos em nosso começo no A.A. podem parecer bastante insignificantes, mas os resultados comprovam o seu valor. Poderíamos chamá-las de “quebra-gelos” porque ajudam a sentir-nos à vontade em companhia de pessoas que não conhecemos.

Quando a maioria de reuniões de A.A. termina, geralmente se nota que alguns dos presentes começam a arrumar as cadeiras, esvaziar cinzeiros ou a retirar a louça do café.

Ajude. Você poderá surpreender-se com o efeito que tarefas aparentemente tão pequenas exercerão sobre você. Você pode lavar as xícaras e o bule, arrumar os livros, varrer a sala.

Ajudar nestas mínimas coisas não significa que você se torna o porteiro ou o zelador do grupo. Nada disso. Por termos feito isso durante aos e ver outros fazê-lo, sabemos que praticamente toda pessoa em recuperação no A.A. tomou parte nos detalhes do preparo do café, da arrumação ou da limpeza da sala. Os resultados que experimentamos por ter feito esses serviços são concretos, benéficos e geralmente surpreendentes.

----------------------------------
Na verdade, muitos de nós só sentimos à vontade no A.A. quando começamos a ajudar em coisas tão simples. E ficamos muito mais à vontade e mais longe da bebida (e mesmo do pensamento dela) ao aceitarmos alguma responsabilidade pequena, mas regular e específica, como trazer o refresco ou o refrigerante, ajudar a servi-lo, tomar parte no comitê de recepção ou fazer outras coisas que precisavam ser feitas. Simplesmente observando os outros, você aprenderá que é necessário arrumar tudo para a reunião e colocar depois tudo em ordem.

Ninguém deve se preocupar com tais coisas é claro. No A.A. não se exige que ninguém faça ou deixe de fazer coisa alguma. Mas essas tarefas simples e humildes e o compromisso (só conosco mesmos) de realizá-las fielmente exerceram efeitos surpreendentemente bons em muitos de nós que ainda o fazem. Ajudam a reforçar a nossa sobriedade.

Se continuar junto do A.A. notará outros serviços que precisam ser feitos. Ouvirá o secretário dar os avisos e verá o tesoureiro encarregar-se da sacola de coleta. Servir numa dessas funções, se já tiver algum tempo de abstenção (cerca de 90 dias, na maioria dos grupos), é uma boa forma de preencher o tempo que se gastava bebendo.


Quando tais funções lhe interessarem, folheie um exemplar do livreto “O Grupo de A.A.”. Ele explica o que os “servidores” do grupo fazem e como são escolhidos.

No A.A. ninguém está “acima” ou “abaixo” de ninguém. Não há classes, nem camadas e nem hierarquias entre os membros. Não há servidores formais com qualquer poder ou autoridade para governar. O A.A. não é uma organização no sentido usual da palavra. É uma irmandade de pessoas iguais. Todos se tratam pelo primeiro nome. Os membros de A.A. se revezam para realizar as tarefas necessárias às reuniões do grupo ou para executar outras funções.

Não é preciso ter habilidade profissional específica e nem educação especial. Mesmo que você nunca tenha sido membro, coordenador ou secretário de coisa alguma, pode descobrir – como muitos de nós descobrimos – que dentro do Grupo de A.A. esses serviços são fáceis de prestar e operam maravilhas em nós. Eles se constituem um suporte firme para nossa recuperação.
ENTRAR EM ATIVIDADE__3-3
B. ATIVIDADE NÃO RELACIONADA COM O A.A. É curioso, mas verdadeiro, que, depois de parar de beber, alguns de nós parecemos sofrer de uma falta temporária de imaginação.

É curioso porque em nosso alcoolismo ativo muitos de nós revelávamos possuir uma imaginação incrivelmente fértil. Em menos de uma semana podíamos sonhar instantaneamente com mais razões (desculpas?) para beber do que a maioria das pessoas usa para todos os outros fins durante a vida inteira (a propósito, pode-se verificar que os bebedores normais, isto é, os não alcoólicos nunca precisam empregar qualquer justificativa especial para beber ou deixar de beber).

Quando a necessidade de apresentar desculpas para beber já não existe, muitas vezes parece que nossas mentes cruzam os braços em greve.

Alguns de nós verificam sua incapacidade de imaginar o que fazer sem a bebida. É possível que seja por falta de hábito. Ou talvez a mente precise de um período de convalescença, após o alcoolismo ativo ter cessado. Em ambos os casos, o embotamento continua. Depois do nosso primeiro mês de sobriedade, muitos notam uma grande diferença. Passados três meses, nossas mentes parecem ainda mais lúcidas. E, durante o nosso segundo ano de recuperação, a mudança é extraordinária. Parece que dispomos de mais energia mental de que jamais usufruímos antes.


Mas é durante o primeiro período de abstenção, aparentemente interminável, que você nos ouvirá perguntar: “Que podemos fazer?”.
--------------------------------

A lista seguinte é apenas o começo útil para esse período. Não é muito excitante ou aventurosa, mas inclui os tipos de atividades que muitos de nós utilizamos para preencher nossas primeiras horas vazias, quando não estávamos no emprego ou na companhia de outras pessoas que não bebiam. Sabemos que funcionam. Eis o que fazer:

Passear – especialmente ir a novos lugares, em parques ou no campo. Calmamente, passeios tranqüilos e não marchas cansativas.
Ler – Embora alguns de nós ficássemos bastante nervosos ao ler alguma coisa que exigisse concentração.
Visitar museus e galerias de arte.
Fazer exercício físico – Nadar, jogar bola, fazer ginástica, ioga ou outros recomendados pelo médico.
Começar um trabalho há muito negligenciado – Limpar uma gaveta da escrivaninha, arrumar os papéis, responder a algumas cartas, pendurar quadros; ou fazer alguma coisa semelhante que estamos adiando.
Descobrimos, porém, que é importante não exagerar em nada disso. Parece fácil planejar limpar todos os armários (ou o sótão, a garagem, o porão, o apartamento). Entretanto após um dia de trabalho físico árduo, podemos terminar exaustos, sujos, sem ter terminado a tarefa e desencorajados. Por isso, a advertência que fazemos uns aos outros é: reduza o plano a uma porção adequada. Não comece por arrumar toda a cozinha ou por limpar todos aqueles arquivos, mas simplesmente a limpar uma gaveta ou uma divisão. Pegue outra em outro dia.  
Experimentar um novo “hobby” – Nada que seja caro, ou muito exigente, somente algum entretenimento agradável, de lazer, no qual não temos necessidade de vencer ou de ser o melhor, mas apenas para desfrutar de alguns momentos diferentes de diversão. Muitos de nós escolhemos “hobbies” com os quais jamais sonharíamos antes, tais como jogar paciência, fazer macramé, ir à ópera, colecionar peixes tropicais, construir estantes, costurar, praticar esportes, escrever, cantar, decifrar palavras cruzadas, cozinhar, observar pássaros, trabalhar em teatro amador, fazer artesanatos em couro, cuidar de jardim, tocar violão, ir ao cinema, dançar, jogar bolinhas... Muitos de nós descobrimos que gostamos de coisas que jamais leváramos em consideração antes.  ----------------------------

Retornar a um antigo passatempo – (Exceto aquele que você já sabe) – Talvez guardados em algum lugar existam um estojo de aquarela, que você não pega há anos, uma caixa de bordado, uma sanfona, raquetes de pingue-pongue ou peças de gamão, uma coleção de fitas gravadas ou as anotações para uma novela. Para alguns de nós foi compensador desenterrar, desempoeirar e recomeçar coisas assim. Se decidir que não lhe servem mais, livre-se delas.

Fazer um curso – Você já quis aprender inglês ou francês? Gosta de história ou matemática? Entende de arqueologia ou antropologia? Existem cursos por correspondência, aulas pela tv educativa e para adultos (por prazer, não necessariamente pelos créditos) uma vez por semana em algum lugar. Por que não tentar? Muitos de nós descobrimos que esses cursos podem não só acrescentar uma nova dimensão a nossas vidas, mas também levar a uma carreira inteiramente nova.
Mas, se o estudo se tornar um fardo, não hesite em largar. Todo mundo tem direito a mudar de idéia e deixar algo que representa um empenho além do que vale. Ser um “desistente” pode mesmo exigir coragem, e é bastante sensato quando estamos abandonando algo que não é bom para nós ou que não acrescenta uma faceta positiva, agradável ou sadia à nossa vida. 

Apresentar-se voluntariamente para algum serviço útil – Muitíssimos hospitais, creches, igrejas ou outras instituições e organizações precisam desesperadamente de voluntários para todos os tipos de atividade. A escolha é ampla, desde ler para cegos ou fechar envelopes da correspondência de uma igreja até angariar assinaturas para uma petição política. Verifique em qualquer hospital, igreja, agência governamental ou clube de serviço das proximidades quais são os serviços voluntários que a comunidade necessita. Já descobrimos que nos sentimos muito melhor quando contribuímos, mesmo que com um pequeno serviço, para o bem de seres humanos, nossos irmãos. Até o ato de investigar as possibilidades de tal serviço é, em si, informativo e interessante.
Cuidar da boa aparência – Em geral, somos muito desleixados. Cabelo cortado, roupas novas, óculos novos, até uma dentadura tem efeito maravilhosamente estimulante. Muitas vezes já vínhamos tencionando fazer algo assim, e os primeiros meses de nossa sobriedade nos pareceram oportunos para tomar as providências.
Experimentar alguma coisa frívola – Nem tudo que fazemos tem que ser um esforço sério de autodesenvolvimento, embora tal esforço seja compensador e ofereça um estímulo à nossa auto-estima. Muitos de nós achamos importante equilibrar fases sérias com algo que fazemos por puro prazer. Por exemplo, não é gostoso soltar balões, ir ao zoológico, mascar chicletes, assistir a um filme cômico, curtir música popular, ler ficção científica ou estórias policiais, tomar banho de sol? Se nada disso lhe apetece, então descubra um outro entretenimento não-alcoólico e divirta-se sóbrio. Você merece.
............................................................. – Preencha você mesmo esta linha. Esperamos que a lista acima lhe tenha inspirado uma idéia diferente de todas as que foram oferecidas. Isto aconteceu? Ótimo. Apegue-se a ela.
Uma palavra de precaução, porém. Alguns de nós achamos que temos a tendência de nos exceder e tentar, de imediato, coisas em demasia. Temos um bom freio para isso, o que você lerá na página 64: “Vá com Calma”.