Viver Sóbrio__"Prevenir-se contra a euforia excessiva"

17__PREVENIR-SE CONTRA A EUFORIA EXCESSIVA

Inúmeros bebedores (alcoólicos ou não) mudam de um estado de abatimento ao de satisfação pelo simples ato de tomar um trago. Este método de fugir da dor para o prazer já foi descrito como “fuga através da bebida”.

Todavia, milhares e milhares de nós sabemos que muitas vezes já estamos num estado mental eufórico quando tomamos um trago. De fato, quando cuidadosamente revemos nossos episódios de bebida, grande número de nós verifica que freqüentemente bebia para intensificar um estado de espírito já exultante.

Esta experiência suscita a nossa próxima sugestão, que é: esteja especialmente alerta nas ocasiões comemorativas ou quando estiver se sentindo extraordinariamente bem.

Quando as coisas correm otimamente, a tal ponto que você se sente num paraíso não-alcoólico, cuidado! Em tais ocasiões (mesmo depois de vários anos de sobriedade) a idéia de um aperitivo pode parecer bastante natural, e o sofrimento do tempo em que bebíamos turva-se temporária-mente. Só um gole começa a parecer menos ameaçador, e passamos a achar que não seria fatal nem mesmo prejudicial.

Realmente, para uma pessoa normal, um não seria. Mas a nossa experiência com o problema da bebida mostra-nos o que aquele trago fatal, supostamente inofensivo, faria de nós, pessoas anormais. Mais cedo ou mais tarde ele nos persuadiria de que mais um não poderia prejudicar, também. Depois, que tal mais alguns?...
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Beber durante festas, comemorações, cerimônias parece particular-mente tentador para alguns de nós quando temos justo motivo de alegria no meio de familiares que bebem com satisfação ou de amigos que podem beber com segurança. A bebida que eles tomam parece compelir-nos a fazer o mesmo.

Talvez seja porque tomar uma dose de etanol (álcool etílico) está, há muito, intimamente associado, em nossa cultura, aos momentos bons e divertidos (assim como alguns acontecimentos pesarosos). As associações podem perdurar por muito tempo depois de termos aprendido que não precisamos beber mais.

Sabemos agora que existem muitas maneiras de podermos nos defender desta pressão social para beber, conforme se descreve no tópico 26. Para resumir, lembremo-nos de que não há situação que nos possa sugerir “ausência” de nosso alcoolismo, doença que é ativada no instante em que começamos a ingerir álcool em qualquer ocasião, por qualquer razão ou sem razão alguma.

Para alguns de nós, o impulso de tomar um gole comemorativo, quando estamos nos sentindo ótimos, é ainda mais insidioso quando não há acontecimento especial a comemorar e nenhuma exigência social para beber. Pode ocorrer quando menos se espera e, talvez, jamais compreendamos os motivos.

Aprendemos, agora, a não entrar em pânico quando a idéia de beber entra em nossa cabeça. Afinal de contas, é um pensamento natural para qualquer pessoa nos tempos atuais, principalmente para aqueles de nós com longa prática na arte.

Contudo, pensar em bebida não é necessariamente a mesma coisa que desejar beber, e nenhuma das duas coisas deve mergulhar-nos no abatimento e no medo. Ambas podem ser sentidas apenas como sinetas de aviso, para lembrar-nos dos perigos do alcoolismo. Os perigos são permanentes, mesmo quando nos sentimos tão bem a ponto de perguntar se realmente é bom alguém se sentir assim tão bem disposto, como estamos agora.