DP - Voa, voa, mosquitinho!

Voa, voa, mosquitinho!

Em grupos frequentados

por este companheiro, 
"nossos cartões 
são chamados 
carinhosamente de 
mosquitinhos que, 
quanto mais voam, mais 
espalham a mensagem 
de A.A."
 
 
 
   Assim aconteceu quando o "mosquitinho" de um Grupo voou para as bandas de Três Marias (MG), em Paraopeba. Três companheiros e eu, ingressados nesse grupo, íamos pescar. Paramos para iscas, beira de estrada, vi um casal de andarilhos se ajeitando num canto. Uma pitchulinha de cachaça, poucos pertences. Desafiei os companheiros: "Que tal uma abordagem?" Desafio aceito.
   
   Um companheiro, "mosquitinho" na mão, levou-o ao rapaz: "Não sei se vocês têm problemas com álcool, como eu tenho. Se tiverem e quiserem ajuda, procurem esta Irmandade, que está salvando a minha vida e a de muitos outros." E voltou para junto de nós. Tomávamos café, quando o rapaz abordado foi ao companheiro. Perguntou: "Moço, esse lugar que você falou, tem jeito de internar?" Respondeu-lhe: "Onde vocês forem, procurando um grupo de A.A., receberão ajuda e informação".
 
   O fato nos marcou. Falávamos sempre no assunto, na palavra livre, em reuniões. Dizíamos: "Que felicidade sentiríamos se um dia os víssemos em A.A.". Cairíamos de joelhos e agradeceríamos ao Poder Superior por esta manifestação.
 
   Programei-me para participar da XVIII Convenção de Alcoólicos Anônimos em Cuiabá. Na palestra "A Viagem do Espírito", de um Companheiro de Juiz de ora, fiz várias tomadas fotográficas. De frente e nas laterais do palco. Incomodei. Final da palestra, um companheiro vem ao meu encontro, lê meu crachá, o nome do grupo, e diz: "Tenho um cartão deste grupo!" Pensei... certamente ele participou do evento 50 mAnos de A.A. em Minas Gerais (Juiz de Fora, Junho/2011). Não! Não viera ao evento. O cartão? Recebera-o de uma pessoa, na beira da BR 040, Paraopeba, numa barraquinha de iscas... Meu coração foi a mil, todos os pelos se arrepiaram, frio no meu corpo inteiro e meus olhos se encheram de lágrimas... Aquele homem e sua esposa, a quem um dia passamos um cartão de A.A, ali estavam. Sóbrios, há mais de dois anos e seis meses. Quando a emoção diminuiu, mirei a câmera para tirar uma foto deste companheiro. Disse-me: "Companheiro, somos
uma Irmandade de anônimos, deixe que fique assim". Como foi bom receber este ensinamento!
 
   Quanta gratidão ao Poder Superior, por permitir estes ensinamentos, que só vemos e vivemos nessa Irmandade, e também ao Grupo que os acolheu e a eles, que aceitaram a impotência perante o primeiro gole e acreditaram.
 
   Retornei ao meu Grupo de origem. Contei aos companheiros o ocorrido, nos inundamos de emoções. O companheiro que levou o "mosquitinho" àquele casal, ajoelhjou-se. Promessa cumprida. E chorou copiosamente. Assim mesmo. Copiosamente.
 
 
Revista Vivência nº 142 Mar/Abr 2013